Pingo-d'Água é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce e pertence ao colar metropolitano do Vale do Aço, estando situado a cerca de a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que está em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.
Há registros de estadia na região da cidade que remontam ao final do século XVIII, porém o município foi emancipado somente em 1995. Seu território abrange remanescentes importantes de Mata Atlântica e lagoas, que ajudam a compor a zona de amortecimento do Parque Estadual do Rio Doce (PERD), tido como a maior reserva do bioma em Minas Gerais e um dos maiores sistemas lacustres do mundo. Tem como principais fontes de renda a agropecuária, o comércio e a prestação de serviços.
Dentre as áreas de lazer, estão os espaços esportivos, a praça de alimentação e um Centro de Eventos que sedia festas diversas. Também se destacam marcos como a Ponte Queimada, que preserva características originais da década de 1930, a Cachoeira da Fumaça e o Iate Clube Tiririca, que possui lagoa natural (Lagoa Tiririca), chalés, playground e área de acampamento. As manifestações culturais da cidade envolvem formas de expressão como a capoeira, teatro e artesanato.
História Apesar da emancipação relativamente recente, há resquícios de estadia na região da cidade que remontam ao final do século XVIII. Nessa época foi aberta a Estrada do Degredo, que cruzava o atual território municipal, ligando a Estrada Real em Ouro Preto ao presídio de Cuité, atual Conselheiro Pena, como um atalho alternativo ao trajeto do rio Doce.
O atual município de Pingo-d'Água foi criado inicialmente como distrito pertencente a Córrego Novo, mediante a lei municipal nº 459, de 22 de junho de 1994. A emancipação foi decretada pela lei estadual nº 12.030, de 21 de dezembro de 1995, instalando-se a 1 de janeiro de 1997.
Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constitui a zona urbana. Situa-se a 19º43'37" de latitude sul e 42°24'28" de longitude oeste e está a uma distância de 254 quilômetros a leste da capital mineira, fazendo parte do colar metropolitano do Vale do Aço juntamente com outras 23 cidades (além dos quatro municípios principais). Seus municípios limítrofes são Bom Jesus do Galho a norte e leste, Córrego Novo a sul e Dionísio e Marliéria a oeste.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Ipatinga. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Caratinga, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce.
Relevo e meio ambiente thumb|esquerda|Rio Doce na divisa com Marliéria, abaixo da Ponte Queimada. thumb|esquerda|Pastagens em relevo ondulado no município O relevo é predominantemente ondulado e os principais cursos hidrográficos que banham o município são os ribeirões Sacramento e dos Óculos, o córrego Monte Alegre e o rio Doce. O ribeirão Sacramento passa próximo à zona urbana antes de encontrar sua foz no rio Doce, na divisa com Bom Jesus do Galho. O território municipal também abrange lagoas integrantes do complexo do Parque Estadual do Rio Doce (PERD), que constitui um dos maiores sistemas lacustres do mundo. Um total de hectares de Pingo-d'Água — o equivalente a cerca de 42% da área municipal — é abrangido pela chamada zona de amortecimento do PERD, tido como a maior reserva de Mata Atlântica de Minas Gerais, porém somente 452 hectares do município (ou 6,8% da área total) correspondem a reservas remanescentes.
Pingo-d'Água conta com uma área de proteção ambiental (APA) destinada a preservar os remanescentes de Mata Atlântica, que envolvem áreas classificadas como de "Importância Biológica Muito Alta", com fauna e flora diversificada e registros de espécies de primatas e aves ameaçadas. A APA municipal, aliada a áreas de preservação nos municípios vizinhos, constitui um corredor ecológico até o Parque Estadual do Rio Doce. Embora faça limites com a área delimitada do parque e integre sua extensão de influência, há uma notável presença do reflorestamento com eucalipto destinado a atender às indústrias do Vale do Aço, mesmo nas zonas de amortecimento, englobando 300 hectares.
Clima O clima pingodaguense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual em torno dos , tendo invernos secos e amenos (raramente frios) e verões chuvosos com temperaturas altas. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, possui média de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição. O índice pluviométrico é de aproximadamente , sendo julho o mês mais seco e janeiro o mais chuvoso. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Pingo-d'Água é o 518º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais, com uma média anual de 3,1336 raios por quilômetro quadrado.
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e 385 na zona rural. Da população total em 2010, habitantes (26,56%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (65,90%) tinham de 15 a 64 anos e 333 pessoas (7,53%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 69,6 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 2,2.
Segundo o censo do IBGE de 2010, 3% das crianças de 10 a 13 anos trabalhavam no município, sendo 3,9% dos meninos dessa faixa etária e 1,9% das meninas. Na faixa entre 14 e 15 anos a porcentagem sobe para 7,9%. Os setores que mais empregam esses grupos de idade são a agropecuária e o comércio. Dentre os equipamentos e serviços sociais existentes, cabe ressaltar a Pastoral da Criança, o Conselho Tutelar e o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), além das escolas e igrejas católica e evangélica em geral. São realizados programas como o Projovem e o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI). thumb|esquerda|Fachada da Igreja São Sebastião
Em 2010, a população pingodaguense era composta por 786 brancos (17,78%), 421 negros (9,52%), 38 amarelos (0,86%), pardos (71,81%) e um indígena (0,02%). Considerando-se a região de nascimento, eram nascidos no Sudeste (98,16%), 27 no Nordeste (0,62%), 25 no Sul (0,57%), nove no Centro-Oeste (0,2%) e seis no Norte (0,15%). habitantes eram naturais do estado de Minas Gerais (96,56%) e, desse total, eram nascidos em Pingo-d'Água (49,33%). Entre os 152 naturais de outras unidades da federação, São Paulo era o estado com maior presença, com 40 pessoas (0,91%), seguido pelo Rio de Janeiro, com 17 residentes (0,38%), e pelo Paraná, com onze residentes no município (0,35%).
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Pingo-d'Água é considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,619 (o 3721º maior do Brasil). Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,529, o valor do índice de longevidade é de 0,744 e o de renda é de 0,603. De 2000 a 2010, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo reduziu em 48,9% e em 2010, 75,7% da população vivia acima da linha de pobreza, 19,2% encontrava-se na linha da pobreza e 5,1% estava abaixo e o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,441, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. A participação dos 20% da população mais rica da cidade no rendimento total municipal era de 49,5%, ou seja, 8,9 vezes superior à dos 20% mais pobres, que era de 5,5%.
De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população de Pingo-d'Água está composta por: católicos (63,16%), evangélicos (27,61%), 33 Testemunhas de Jeová (0,74%), seis espíritas (0,13%), 366 pessoas sem religião (8,28%) e os quatro restantes (0,08%) tinham religiosidade indefinida. A cidade sedia a comunidade São Sebastião, que é representada pela Igreja São Sebastião e faz parte da Paróquia Santa Ifigênia, sediada em Córrego Novo e subordinada à Diocese de Caratinga.
Política e administração thumb|direita|Prefeitura de Pingo-d'Água A administração municipal se dá pelos Poderes Executivo e Legislativo. O Executivo é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários. O atual prefeito é Artur Carlos da Silva, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), que foi eleito nas eleições municipais de 2016 com 74,60% dos votos válidos, ao lado de Vadico Fragoso como vice-prefeito. O Poder Legislativo, por sua vez, é constituído pela câmara municipal, composta por nove vereadores. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento participativo (Lei de Diretrizes Orçamentárias).
Em complementação ao processo Legislativo e ao trabalho das secretarias, existem também conselhos municipais em atividade, entre os quais dos direitos da criança e do adolescente (criado em 2003) e tutelar (2009). Pingo-d'Água se rege por sua lei orgânica, que foi promulgada em 20 de setembro de 1997, e é termo da Comarca de Caratinga, do Poder Judiciário estadual, de entrância especial, juntamente com os municípios de Bom Jesus do Galho, Córrego Novo, Entre Folhas, Imbé de Minas, Piedade de Caratinga, Santa Bárbara do Leste, Santa Rita de Minas, Ubaporanga e Vargem Alegre. O município possuía, em junho de 2018, eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que representa 0,027% do eleitorado mineiro.
Economia thumb|esquerda|Eucalipto em toras após o processo de derrubada no município No Produto Interno Bruto (PIB) de Pingo-d'Água, destacam-se as áreas da agropecuária e de prestação de serviços. De acordo com dados do IBGE, relativos a 2016, o PIB do município era de R$ . eram de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes e o PIB per capita era de R$ . Em 2010, 57% da população maior de 18 anos era economicamente ativa, enquanto que a taxa de desocupação era de 8,9%. Cabe ressaltar, no entanto, que uma considerável parte da população se desloca a outro município para trabalhar, dada a proximidade dos complexos industriais situados nos municípios da Região Metropolitana do Vale do Aço. Dentre a população pingodaguense que trabalha em outro município, 26,7% é empregada em Ipatinga, 5,9% em Timóteo e 52% em outras cidades do colar metropolitano.
Em 2016, salários juntamente com outras remunerações somavam reais e o salário médio mensal de todo município era de 1,3 salários mínimos. Havia 67 unidades locais e 66 empresas atuantes. Segundo o IBGE, 83,48% das residências sobreviviam com menos de salário mínimo mensal por morador ( domicílios), 12,69% sobreviviam com entre um e três salários mínimos para cada pessoa (165 domicílios), 0,77% recebiam entre três e cinco salários (dez domicílios), 0,38% tinham rendimento mensal acima de cinco salários mínimos (cinco domicílios) e 2,69% não tinham rendimento (35 domicílios).