Resplendor é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce, estando situado a cerca de a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.
A sede, localizada nas margens do rio Doce, tem uma temperatura média anual de e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica. Com 75% da população vivendo na zona urbana, a cidade contava, em 2009, com 15 estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,670, classificado como médio em relação ao estado.
O povoamento do município teve início no final do século XIX, quando os nativos Aimorés, primitivos habitantes da região, foram dominados pelo francês Guido Marlière. As terras foram repassadas então a fazendeiros, que iniciaram o desenvolvimento da agricultura. Na década de 1910 a localidade passou a ser atendida pela Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), dando progresso à economia e ao desenvolvimento populacional, tendo o núcleo urbano se estabelecido ao redor da estação ferroviária. Em 1911 foi criado o distrito de Resplendor, pertencente a Caratinga, tendo se emancipado em 1938.
A agricultura foi por muito tempo a principal fonte de renda municipal, mais tarde substituída pela extração mineral. Um dos principais atrativos é o Parque Estadual de Sete Salões, uma das principais reservas ambientais de Mata Atlântica da região do Vale do Rio Doce, que possui um complexo de morros, matas, cachoeiras, e grutas com pinturas rupestres. Também se destaca o lago da barragem da Usina Hidrelétrica de Aimorés, no caminho do rio Doce, onde se tornou comum a prática de esportes aquáticos, náuticos e da pesca.
História
O desbravamento da região do atual município de Resplendor teve início na segunda metade do século XIX. A região até então era habitada exclusivamente pelos aimorés, que resistiram fortemente às imposições dos forasteiros, ao contrário da maioria dos povos indígenas de outros lugares. No entanto, o francês Guido Marlière conseguiu obter a dominação da etnia. Por volta de 1880, o coronel Manoel Gonçalves de Morais Carvalho tomou posse de uma sesmaria, tendo repassado as terras a outros indivíduos e juntamente a estes deu início ao desenvolvimento da agricultura.
Dado o desenvolvimento populacional e econômico, pela lei estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911, foi criado o distrito de Resplendor, subordinado a Caratinga, sendo transferido para o então recém-criado município de Aimorés em 18 de setembro de 1915. O nome recebido pela localidade era devido ao forte reflexo gerado por um morro ao ser iluminado pela luz do sol. No final da década de 1910 a localidade passou a ser atendida pela Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), dando progresso à economia local e colaborando com o desenvolvimento, tendo o núcleo urbano se estabelecido ao redor da estação ferroviária. O distrito se emancipou pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938. thumb|esquerda|A Ponte Engenheiro Paulo Maurício Sampaio sobre o rio Doce, inaugurada em 1971, interligando as duas partes da cidade.
Quando emancipado, Resplendor era constituído de três distritos, além da sede, sendo eles Bom Jesus, Eme e Itueta. Bom Jesus foi renomeado para Bom Pastor em 31 de dezembro de 1943. Pela lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948, foram criados os distritos de Santa Rita do Itueto (ex-povoado) e Calixto (a partir do povoado de Santo Antônio da Fortaleza), emancipou-se o distrito de Itueta e Eme passou a se chamar Independência. Em 12 de dezembro de 1953, foi criado o distrito de Nicolândia, a partir do povoado de Barra de Santa Cruz. Pela lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, criou-se o distrito de Campo Alegre de Minas, enquanto que Santa Rita do Itueto foi elevado à categoria de município. A partir de então restaram cinco distritos: Bom Pastor, Calixto, Campo Alegre de Minas, Independência e Nicolândia, além do distrito-sede.
Em 1971, foi inaugurada a Ponte Engenheiro Paulo Maurício Sampaio sobre o rio Doce, ligando as duas partes da cidade, a fim de servir à BR-259 na ocasião. Essa ponte vinha sendo planejada desde a década de 1930 e, antes da obra ser assumida pelo Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) em 1968, chegou a ser iniciada duas vezes (a última pela prefeitura), mas desabou em ambas as tentativas. Com um total de 215 metros de extensão, na época era uma das pontes de concreto pretendido com o maior vão livre do Brasil, com 115 metros de vão central.
Geografia thumb|esquerda|Vista da cidade com o rio Doce ao fundo A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 19°19'32" de latitude sul e 41°15'19" de longitude oeste e está a uma distância de 444 quilômetros a leste da capital mineira. Seus municípios limítrofes são Cuparaque e Goiabeira, a norte; Conselheiro Pena e Santa Rita do Itueto, a oeste; Itueta, a sul; e Pancas e Alto Rio Novo, no estado do Espírito Santo, a leste.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Governador Valadares e Imediata de Aimorés-Resplendor. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Aimorés, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce.
Relevo, hidrografia e meio ambiente thumb|direita|Trecho do rio Doce no município O relevo do município de Resplendor é predominantemente acidentado. Em aproximadamente 50% do território resplendorense há o predomínio de terras acidentadas, enquanto que cerca de 30% é coberto por mares de morros e terrenos ondulados e 20% lugares aplainados. A altitude máxima encontra-se na Serra da Onça, que chega aos metros, enquanto que a altitude mínima está na foz do córrego Vala Rufins, com 280 metros.
O principal rio que passa por Resplendor é o rio Doce, porém o território municipal é banhado por vários pequenos rios e córregos, sendo alguns deles o ribeirão Itueta e os córregos Vala Rufins, do Pião e Santaninha, fazendo parte da bacia do rio Doce. Por vezes, na estação das chuvas, os rios que cortam o município, principalmente o rio Doce, sofrem com a elevação de seus níveis, provocando enchentes em suas margens, o que exige a existência de um sistema de alerta contra enchentes eficaz. A cidade foi uma das mais afetadas pelas enchentes de 1979, que atingiram vários municípios do leste mineiro banhados pelo rio Doce e seus afluentes, e em 2003 fortes chuvas provocaram novamente grandes inundações nas proximidades dos rios. Atualmente existe uma série de estações pluviométricas e fluviométricas instaladas em Resplendor, que são administradas pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e que visam a alertar a população de uma possível enchente.
A vegetação predominante no município é a Mata Atlântica, sendo que os principais problemas ambientais presentes, segundo a prefeitura em 2010, eram o assoreamento de corpos d'água, a poluição hídrica, a redução do pescado, as queimadas e o desmatamento. Os setores mais afetados por esses empecilhos são a atividade pecuária e a atividade agrícola. A cidade conta, entretanto, com Conselho Municipal de Meio Ambiente, criado em 2005 e de caráter paritário. Uma das principais áreas de preservação ambiental situadas no município é o Parque Estadual de Sete Salões, que foi criado em 22 de setembro de 1998 e engloba ainda partes dos municípios de Santa Rita do Itueto, Conselheiro Pena e Itueta. Possui área total e é um dos maiores remanescente de Mata Atlântica do Vale do Rio Doce, estando associado a formações de campos rupestres e florestas de candeias.
Clima Maiores acumulados diários de chuva registrados em Resplendor por meses Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 15/01/2003 Julho 27/07/2014 Fevereiro 11/02/1981 Agosto 30/08/1990 Março 11/03/1973 Setembro 14/09/1941 Abril 14/04/1980 Outubro 23/10/1999 Maio 27/05/2022 Novembro 30/11/1997 Junho 13/06/2009 Dezembro 24/12/2013 Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) O clima resplendorense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), tendo temperatura média anual de com invernos secos e amenos e verões chuvosos e com temperaturas elevadas. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.
A precipitação média anual é de mm, sendo julho o mês mais seco, quando ocorrem apenas . Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em . Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos , especialmente entre julho e setembro. Em agosto de 2010, por exemplo, a precipitação de chuva em Resplendor não passou dos . Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar.
Segundo dados da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), de 1940 a 2023 o maior acumulado de chuva registrado em 24 horas em Resplendor foi de no dia 15 de janeiro de 2003. Outros grandes acumulados foram de em 11 de fevereiro de 1981, em 24 de dezembro de 2013 e em 11 de março de 1973. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Resplendor é o 807º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais, com uma média anual de 0,982 raios por quilômetro quadrado.
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e na zona rural. Da população total, habitantes (23,11%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (65,42%) tinham de 15 a 64 anos e pessoas (11,48%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 75,0 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 1,9. thumb|esquerda|Igreja Nossa Senhora Aparecida do povoado de Patrimônio do Horácio, nas margens da BR-259.
Em 2010, segundo dados do censo do IBGE daquele ano, a população resplendorense era composta por brancos (37,10%); negros (7,52%); 187 amarelos (1,09%); pardos (52,10%) e 374 indígenas (2,19%). Considerando-se a região de nascimento, 41 eram nascidos na Região Norte (0,24%), 121 na Região Nordeste (0,71%), no Sudeste (98,31%), 34 no Sul (0,20%) e dez no Centro-Oeste (0,06%). habitantes eram naturais do estado de Minas Gerais (90,42%) e, desse total, eram nascidos em Resplendor (72,60%). Entre os naturais de outras unidades da federação, Espírito Santo era o estado com maior presença, com pessoas (6,06%), seguido pelo Rio de Janeiro, com 244 residentes (1,51%), e por São Paulo, com 69 habitantes residentes no município (0,40%).