A arte contemporânea em Portugal começou oficialmente depois da Revolução dos Cravos; no entanto, ainda antes do 25 de Abril, já alguns artistas/arquitectos se podem inserir neste período.
Arquitectura
thumb|400px|left|Vista panorâmica da Expo 98 e da Ponte Vasco da Gama. As obras de Álvaro Siza Vieira surgem como uma das maiores referências da arquitetura contemporânea das décadas de sessenta, setenta e oitenta. Também surgiram arquitectos como Manuel Taínha, Jorge Ferreira Chaves, Fernando Távora, Eduardo Souto Moura, Nuno Teotónio Pereira, entre outros. O surgimento das novas gerações de arquitectos que os sucederam veio introduzir um progressivo alargar de tendências arquitectónicas.
Tomás Taveira populariza-se através do conjunto do Centro Comercial das Amoreiras, em Lisboa. Álvaro Siza Vieira, já conhecido pela reconstrução do Chiado, depois do grande incêndio que devastou o bairro típico localizado do lado esquerdo da Rua Augusta, projectou o Pavilhão de Portugal, em parceria com o seu amigo Eduardo Souto Moura, no âmbito da Expo 98.
Esta mostra mundial de arquitectura contemporânea, em 1998, revelou-se uma marco para a história do século XX português, promovendo obras de renome nacional e internacional como a Torre Vasco da Gama, o Pavilhão Atlântico, Oceanário de Lisboa ou o Pavilhão de Portugal. O tema da exposição era "os oceanos", um tema bastante adaptado a Portugal, historicamente conhecido por cruzar mares e oceanos longínquos, que nos levaram a sítios na época remotos como o Sri Lanka, Índia, Macau e o Brasil. Com toda a sua arte de marear, Portugal conduziu o seu «veleiro a bom porto», tornando o agora Parque das Nações o maior conjunto de arquitectura contemporânea de Lisboa. Outro marco de 1998 é a segunda mais extensa ponte da Europa — a Ponte Vasco da Gama.
A Casa da Música, edificada no Porto, seguindo o traçado projectado pelo holandês Rem Koolhaas, trouxe novos vigor e autoestima à arquitectura da contemporaneidade em Portugal. Foi construída no âmbito do projecto Porto Capital Europeia da Cultura.
Pintura, Escultura e Cerâmica Em meados do anos 70, depois da Revolução dos Cravos, a pintura e a escultura começaram a dar os primeiros passos na contemporaneidade, explorando primeiramente (embora tardiamente, quando comparada com a restante Europa) a Pop Art, não pondo num plano inferior a Op Art.
Maria Helena Vieira da Silva, artista que viveu o modernismo e depois a arte contemporânea escolheu a pintura como o seu ícone. Mas também trabalha na azulejaria. As estações do Metropolitano de Lisboa têm nas paredes trabalhos seus. Na azulejaria contemporânea trabalham também Júlio Pomar e Júlio Resende, que se tornam referências na pintura contemporânea europeia.
O Minimalismo entra definitivamente, nos oitentas, na arte contemporânea portuguesa. Revela-se na música erudita, recondidamente, e estende-se à pintura e à escultura. Enquanto na pintura se revela discreto, com formas simplificadas, derivantes do abstraccionismo, com um limitado número de cores, na escultura entende-se como exibicionista este movimento. Na escultura minimalista o detalhe e o pormenor não são postos de lado, são ostensivamente exibidos, juntamente com cores e relacionados intimamente com os jogos lumínicos artificiais instalados no espaço de exibição da escultura. A gravura passa pelo mesmo processo. É durante este período que Vitor Pomar, que já tinha aparecido nos anos 70, ganha mais destaque no panorama artístico Português.
A fotografia torna-se uma arte de excelência, esquecida desde o surrealismo e retomada em Portugal nos oitentas. A fotografia minimalista compreende os elementos comuns à escultura e à pintura do mesmo estilo.
thumb|right|250px|Cabinet d’Amateur -2 (Stockholm version) de Pedro Cabrita Reis thumb|right|200px|Néctar de Joana Vasconcelos, na entrada do Museu Colecção Berardo. No panorama artístico português surgem Paula Rego, e depois Jorge Martins. Ambos com estilos aparentemente diferentes, as suas obras são perturbantes e interagem directamente com o espectador através da pintura. Paula Rego não é a artista mais internacional portuguesa, mas é a pintora mais internacional. Muitas das suas obras pertencem a colecções privadas como a Colecção Berardo. A esta importantíssima e valiosíssima colecção de arte moderna e contemporânea portuguesa (avaliada pela Christie's em 316 milhões de dólares americanos) conta também com trabalhos valorosos de Jorge Martins. O artista explora a profundidade, o espaço através do contraste entre cores.
Manuel Cargaleiro, já nome de escola, na Amora, e Querubim Lapa assumem o expoente da azulejaria portuguesa, levando-a a novos rumos. Uma azulejaria contemporânea, baseada nos contrastes - até porque o azulejo permite muito isso - e mediatizando na arte as figuras geométricas.
Barahona Possollo, um dos mais célebres artistas portugueses da actualidade, também deixa a sua marca. A sua obra caracteriza-se por uma grande riqueza de cores quentes, com matizes de sombras sedosas, e por um detalhe quase fotográfico, de grande qualidade técnica. Alberto Lume também se destaca no panorama artístico português.
Em 2006, o CCB apresentou uma exposição retrospectiva da sua obra. Tempos antes, também Serralves orgazinou uma exposição de Paula Rego, onde acorreram cerca de 200.000 pessoas.
Portugal, hoje em dia, assume cada vez mais um papel de renome na pintura e escultura contemporânea. Joana Vasconcelos é a mais célebre artista contemporânea de Portugal da geração dos finais do anos oitenta.
Em 2007, entrou Portugal, fortalece a sua presença na rota das grandes exposições de arte moderna e contemporânea com a instalação do Museu Colecção Berardo no CCB, em Lisboa. No Porto, a Fundação de Serralves é uma instituição de renome internacional.
Em 2012 a colecção de arte moderna da Fundação Portugal Telecom continua a ser uma das únicas colecções que estado a percorrer o país durante os últimos anos levando às pessoas alguns dos mais importantes artistas de arte moderna em Portugal de pintura e escultura desde os anos 60 do século XX até aos dias de hoje. Entre eles podemos encontrar Joaquim Rodrigo, Lourdes Castro, Paula Rego, Alberto Carneiro, Eduardo Batarda, João Vieira, Jorge Molder, Júlia Ventura, Helena Almeida, Fernando Brito, Manuel João Vieira, Marta Wengorovius, Rita Barros, Eva Mota, Álvaro Lapa, Sara Anahory, Miguel Soares, Joana Rosa, António Palolo, Gerardo Burmester, Joaquim Bravo, Maria José Oliveira e João Vilhena.
Arte de instalações Ainda não muito célebre entre os espectadores portugueses, nem muito reconhecida a nível europeu, a instalação está ainda «perto da partida». Todavia, alguns artistas empenham-se no reconhecimento desta arte, que entrou em Portugal, já nos anos noventa, no centro de uma cultura rock. Joana Vasconcelos é uma das mais célebres artistas utilizando a grande escala e elementos da cultura pop ou objectos do quotidiano na construção das suas esculturas. Em 2005, apresentou " A Noiva" na Bienal de Veneza, tendo sido Ângela Ferreira a representante oficial (projecto comissariado por Jurgen Bock).
Néctar é um lote de duas esculturas que integram a Colecção Berardo, sediada no CCB, a par da sua instalação Aladino.
A moda contemporânea no âmbito da Moda na década de 1960 Nesta época os desfiles que existiam eram não mais que uma mostra de confecção, e todo aquele costureiro que se aventurasse na inovação era «posto de lado», sem que lhe dessem atenção. Porém, criadores houve que não deixaram os críticos e os espectadores fazê-lo, como Ana Salazar. Esta última fez em Portugal o trabalho que Chanel havia feito há décadas atrás na França: romper os padrões e conceder uma maior liberdade às mulheres.
Mas a sua originalidade e a irreverência dos seus estilo deixaram-na ficar na história da moda europeia como a mais excêntrica criadora portuguesa. Adquire fama e sucesso notável no rectângulo português, esta criadora que muitos apelidaram inestética. Ana Salazar torna-se o expoente da moda contemporânea portuguesa, sendo a primeira designer de moda portuguesa a internacionalizar-se.
Mas os seus dias de glória são já póstumos, e a sua criação já não é mais a única e a mais actual. Vários criadores entraram em cena nos finais de 80 e em 90, como Miguel Vieira. Este, com as suas colecções construídas a partir do preto e do branco (e do cinzento, numa mais avançada fase), exibe-se com cortes perfeitos, clássicos e extremamente adaptáveis para a mulher executiva. O seu estilo glamorouso apelida-se city chick.
João Rôlo torna-se um criador das elites, dizendo-se o único criador de Haute-Couture português, algo que não corresponde à realidade... O revivalismo de José António Tenente, que vestiu até a ex-primeira-dama Maria José Ritta em eventos internacionais, que também explora o city chick é célebre pelos seus vestidos de noite ousados e de corte perfeito, muitos vestidos por Bárbara Guimarães na apresentação da gala dos Globos de Ouro. Também Manuel Alves e José Manuel Gonçalves surpreendem com as suas criações e são os eleitos da alta sociedade portuguesa.
Na década de noventa surge Fátima Lopes, que se tornaria, além de «rival» de Ana Salazar, a estilista mais internacional portuguesa, patrocinada por Joe Berardo. Uma das suas criações, e uma das obras de arte portuguesas mais reconhecidas no estrangeiro, é um reduzido bikini em ouro e diamantes, avaliado em 500.000 euros, desfilado pela própria estilista em Paris.
Hoje, Portugal já se pode dizer uma «estrela de média grandeza» no restrito e competitivo Universo da Moda. Novos designers como Maria Gambina, Katty Xiomara, o «l'enfant terrible de la mode» Dino Alves, entre outros. Embora com empreendimentos como o Portugal Fashion, no Porto, e a Moda Lisboa, na capital, o público ainda não vê a moda como uma arte de excelência, como é na realidade. Vêm as criações como um produto, não como uma obra de arte, como uma pintura, uma instalação. Como tal, o investimento é pouco e o pouco que há para muito não serve, e alguns criadores abandonam a carreira em prol de algo mais rentável e menos caro, como foi o caso de Miguel Flor, um designer em ascensão que, sem mais fundos para manter a sua empresa de moda, abandonou a carreira.
Mesmo assim, o investimento cresce e o interesse segue a mesma trajectória, com cada vez mais pessoas a aplaudirem os criadores de moda portugueses.
Música A música contemporânea na Europa estima-se ter começado em meados dos anos 50. Se tivermos em conta as revelações pop de Madalena Iglesias e Simone de Oliveira a música contemporânea portuguesa terá começado perto da mesma altura. Mas isto no jovial ambiente pop que se revelava na sociedade através dos mais jovens. A música electrónica, surgida na Alemanha, foi exportada para Portugal, revelando-se somente um sucesso já nos anos oitenta.
A febre pop aumenta com os sessentas, loucos anos como são denominados, a par da década de vinte, e com as fulminantes boates cujo número aumentava em grande escala no litoral. Há que referir que o país teve um desenvolvimento muito desigual, entre litoral e interior, e norte, mais o centro-norte, e o sul, mais o centro sul. Enquanto Lisboa, no litoral, seguia as modas, mesmo que recatadamente, quando compara com as restantes capitais europeias, o interior continuava numa eterna ignorância, que ainda hoje se revela presença assídua, embora menor.
A era hippie «ataca» o país com o seu estilo descontraído e citadino, e Portugal adapta-se fortemente a esta nova tendência. Surge a febre Discoe com ela as discotecas. Ainda numa corruptível ditadura, que custou ao país anos de atraso em relação à Europa, revela-se popular a voz de artistas como António Variações e Carlos Paião, entre outros. Ambos obtiveram enormes sucessos. São memoráveis músicas como Playback e Pó de Arroz, deste último, e O corpo é que paga do primeiro. António variações desfalcou a música contemporânea com a sua morte, em 1984.