Renova é uma marca portuguesa de produtos de grande consumo no segmento do papel tissue, fabricados pela empresa Renova – Fábrica de Papel do Almonda, S.A., fundada em 1939 em Torres Novas. A marca existente desde 1818 comercializa-se em mais de 160 países.
Visão e propósito esquerda|miniaturadaimagem|200x200px|The Sexiest Paper on Earth - Renova A estratégia corporativa declara a ambição de «ser uma marca global que oferece valor e promove o bem‑estar das pessoas através de produtos inovadores, funcionais, sustentáveis e esteticamente diferenciados». O propósito é transformar objetos quotidianos em algo extraordinário, comunicando‑os de forma divertida. No âmbito da sua estratégia de marketing, a Renova assenta‑se em três princípios fundamentais: "Sofisticação", "Sustentabilidade" e "Playfulness" (espírito lúdico), que orientam a forma como a marca comunica e se posiciona no mercado.
A marca autoproclama‑se "The Sexiest Paper on Earth", uma expressão em que o adjetivo "sexy" está associado ao bem‑estar, ao prazer e à sensualidade, traduzindo a intenção de oferecer uma experiência sensorial e emocional através de produtos do quotidiano.
História A atividade papeleira junto à nascente do Rio Almonda, em Zibreira, Torres Novas, remonta ao século XIX. Em 1818, Domingos Ardisson fundou um simples moinho de papel no local, produzindo manualmente folhas de papel e utilizando a marca de água Renova. Em 1862, existiam funcionamento três unidades de papel nas imediações da nascente do Almonda, recorrendo a processos totalmente artesanais de produção e secagem ao ar.
Em dezembro de 1912, a fábrica foi visitada por Joseph Leipold, diretor técnico da Estamparia do Banco de Portugal, no âmbito de um estudo sobre a indústria papeleira portuguesa e a possibilidade de produção nacional de papel fiduciário. Leipold percorreu diversas fábricas de papel do país, analisando matérias-primas, equipamentos, capacidade produtiva, condições de trabalho e salários. No relatório, apresentado em 19 de dezembro, incluiu a Fábrica da Renova, em Torres Novas, então pertencente à firma Carvalho e Commanditários.LEIPOLD, Joseph — Notas sobre a minha visita às fábricas nacionais de papel. Relatório apresentado em 19 de dezembro de 1912. Arquivo Histórico do Banco de Portugal, Estamparia do Banco, código de referência PT/BP/BP-ESTAMP/018/0001.
No documento, Leipold refere que a unidade era denominada como «Real Fábrica de Papel do Rio Almonda» e situa a sua fundação no primeiro quartel do século XIX. Descreve igualmente a utilização das águas do rio Almonda como força motriz e salienta a importância da nascente junto à qual se encontrava instalada a fábrica, na margem direita do rio. O relatório menciona ainda as dificuldades de acesso à unidade, que não dispunha então de uma estrada direta, embora estivesse prevista a construção de uma ligação à estrada servida pelo caminho de ferro de via reduzida entre Torres Novas e Alcanena.
Leipold concluiu, em termos gerais, que as fábricas portuguesas que visitara ainda não reuniam as condições necessárias para produzir de imediato papel fiduciário, nomeadamente em matéria de instalações e segurança. Considerava, contudo, que, mediante instalações adequadas, seria possível produzir em Portugal papel com a qualidade necessária e a um custo inferior ao do papel importado.
Até ao final da década de 1930, o papel era produzido manualmente, com trapos e papel velho, e seco naturalmente. Em 1939, foi constituída a sociedade por quotas Fábrica de Papel do Almonda, Lda, marcando o início da estrutura empresarial que viria a evoluir ao longo das décadas seguintes. A unidade industrial era alimentada por uma turbina hidroelétrica instalada na nascente do Rio Almonda, apoiada por uma represa industrial existente pelo menos desde 1939, gémea da Central do Caldeirão em Torres Novas.
Em 1943, com a entrada de novos acionistas, iniciou‑se uma fase de modernização que culminaria na instalação da primeira máquina de papel industrial (Máquina 1), inaugurada em 1951. Esta mudança marcou a transição da produção artesanal para um processo industrial em larga escala.
Em 1959, a Renova lançou o primeiro rolo de papel higiénico fabricado em Portugal. Nas décadas seguintes, a empresa alargou a produção a outros produtos descartáveis, incluindo lenços de papel, guardanapos e, posteriormente, rolos de cozinha. Em 1972, perante a necessidade de aumentar a capacidade instalada, optou por concentrar o investimento na produção de papel absorvente (tissue), destinado sobretudo a produtos de higiene do corpo e da casa, em detrimento da expansão da produção de papel de escrita e impressão.
REGO, Luísa — «Visionário»; «Renova: uma marca despida de preconceitos», Dinheiro & Management, suplemento do Semanário Económico, n.º 966, 16 de julho de 2005, pp. 10–16; suplemento datado de 15 de julho de 2005.
Nas décadas seguintes, a empresa cresceu em dimensão e capacidade. A fábrica 2 começou a ser construída em 1981 consolidando‑se como um dos maiores complexos papeleiros de Portugal.
Em 1987, a entrada no mercado português de duas multinacionais norte-americanas do setor alterou o contexto concorrencial da empresa. Perante a necessidade de ampliar o mercado, a Renova iniciou em 1990 a sua internacionalização em Espanha, começando pela Andaluzia. Em 1994, transferiu a sede da operação espanhola para Madrid, mantendo centralizados em Portugal serviços como o marketing, a contabilidade e a logística. Durante este processo, a empresa concentrou progressivamente sob o nome Renova produtos que anteriormente eram comercializados através de diferentes marcas.
Ao longo do século XX e início do século XXI, a Renova destacou‑se por introduzir inovações nos seus produtos, expandir‑se para mercados internacionais e modernizar continuamente as suas unidades industriais.
Turismo industrial Há décadas que a Renova promove visitas guiadas gratuitas às suas instalações industriais em Torres Novas, permitindo ao público acompanhar o processo produtivo e logístico da empresa. A marca recebe anualmente cerca de 8 000 visitantes, num percurso que combina a dimensão industrial com a envolvente paisagística e histórica do vale do Almonda.
Em 2024, a empresa assinou protocolos estratégicos no âmbito do turismo industrial, com o objetivo de estruturar a sua oferta turística e reforçar a ligação entre a comunidade e o seu património industrial. No mesmo contexto, a fábrica de Torres Novas passou a integrar o Roteiro de Turismo Industrial da Região Centro, uma rede de visitas a unidades industriais em laboração e a património fabril na região.
Em 2025 a Renova passou a intergrar a European Route of Industrial Heritage (ERIH), uma rede europeia dedicada à promoção e preservação do património industria integrando uma rede que reúne centenas de sítios industriais em vários países europeus e ficando ao lado de marcas e locais industriais de referência em toda a Europa, como Faber-Castell, Villeroy & Boch, Opel, Škoda, Heineken, Cadbury, Waterford Crystal, Baťa e outros exemplos emblemáticos que fazem parte da história industrial europeia - alguns ainda em laboração, outros hoje museus de grande relevância.
Operações
Torres Novas esquerda|miniaturadaimagem|Renova Fábrica 2 - Vista Aérea A Renova possui dois complexos industriais localizados na sua sede em Zibreira, concelho de Torres Novas, Portugal: a fábrica histórica e fundacional, datada de 1939, e a fábrica 2, cuja construção teve início em 1981. Esta última divide-se em três secções principais: a produção de papel propriamente dita, a transformação de papel e uma área logística. A estas três unidades fundamentais juntam‑se atividades complementares como a manutenção elétrica e mecânica e o laboratório de ensaios de produtos. esquerda|miniaturadaimagem|Fábrica 1 - Fábrica Fundacional da Marca Renova Em 2015, a empresa anunciou um investimento de cerca de 40 milhões de euros para aumentar em 50 % a sua capacidade de produção, com instalação de nova máquina de papel (PM7), em 2018, foi instalada a máquina de papel 7 (PM7) com tecnologia NTT pioneira na Europa, aumentando a capacidade de produção e introduzindo processos mais eficientes e sustentáveis. Em 2023, a unidade passou a dispor de um armazém totalmente automatizado reforçando a integração logística. Em 2024–2025, a empresa modernizou a máquina de papel PM6 com tecnologia de ponta, reduzindo em mais de 25 % o consumo de gás e preparando‑a para a utilização de hidrogénio como combustível.
Desde 2023, a Renova conta com uma Unidade de Produção para Autoconsumo (UPAC) com 8000 painéis.
Com funcionamento em operação contínua de três turnos, a Renova contava, no final de 2023, com 664 colaboradores. É o principal empregador da região quando considerada individualmente por empresa e o segundo maior quando analisada a atividade económica global, sendo apenas ultrapassada pelo conjunto das empresas do setor do comércio a retalho em supermercados e hipermercados. A empresa agrega colaboradores de cerca de 20 nacionalidades em funções tão diversas como atividades comerciais nos vários países onde a marca está presente, logística e marketing. Saint‑Yorre miniaturadaimagem|Renova 3- Saint-Yorre Desde o final de 2015, a Renova conta também com uma unidade industrial em Saint‑Yorre (Allier, França), a primeira fora de Portugal. Instalado nas antigas instalações de uma fábrica de lacticínios, este centro dedica‑se exclusivamente à transformação de papel – papel higiénico e rolos de cozinha – sem produzir celulose ou bobinas brutas, que continuam a ser fabricadas em Portugal. miniaturadaimagem|Renova 3 - Saint-Yorre - Transformação de Papel
A unidade de Saint‑Yorre empregava entre 30 e 60 colaboradores aquando da inauguração e reforçou a presença da Renova nos mercados francês, belga, luxemburguês e centro‑europeus. Desde 2016, o grupo investiu mais de 35 milhões de euros no local e, em 2025, iniciou a terceira linha de produção, elevando a capacidade instalada para 30 000 toneladas/ano de produtos transformados, com um investimento adicional de 12 milhões de euros e criação de 20 novos postos de trabalho.
Inovação e diferenciação Ao longo da sua história, a Renova tem-se distinguido por uma forte vocação inovadora, que tem sido um dos principais motores do desenvolvimento da marca. A empresa aposta consistentemente na criação de produtos diferenciadores, combinando funcionalidade, design, sustentabilidade e impacto emocional. Essa abordagem tem permitido à Renova antecipar tendências e lançar produtos pioneiros que redefinem a experiência do consumidor e reforçam a notoriedade da marca em diversos mercados internacionais. 1998 – Lançamento dos primeiros rolos locionados, com micro‑gotas de creme. 2005 – Lançamento do papel higiénico preto Renova, inicialmente comercializado através da Internet antes da sua entrada nos canais tradicionais de distribuição. 2013 – Serviço online by You], para personalização de guardanapos. 2018 – Primeiro papel higiénico embalado exclusivamente em papel, eliminando o uso de plástico. 2021 – Lançamento da gama abrangente sem plástico, com embalagens totalmente em papel biodegradável e reciclável. 2023 - Introdução da linha "Renova Pet Care]", destinada a cuidados para animais de estimação, com um rolo multiuso, muito resistente quando molhado e testado para contacto com os animais. 2025 – A Renova passou a oferecer produtos tissue embalados em papel transparente, permitindo que os consumidores possam ver diretamente o produto no interior da embalagem. 2025 – Introdução da linha TextilPapier], o primeiro papel tissue produzido a partir de fibras têxteis recicladas), disponível em papel higiénico e rolos de cozinha; distribuída em novos mercados como Noruega e Alemanha.