Nuno Krus Abecasis GCC • GOIH (Faro, 24 de Outubro de 1929 – Lisboa, 14 de Abril de 1999) foi um engenheiro e político português.

Biografia

Percurso pessoal e profissional Nuno Krus Abecasis nasce em Faro, a 24 de outubro, de 1929. É filho de Duarte Monteverde Abecasis, de ascendência judaica, e de Maria Amélia Krus, de ascendência alemã. Tinha apenas nove meses quando a família se estabeleceu em Lisboa, iniciando aí a sua atividade académica, a partir do Colégio Normal de Lisboa.

Licenciou-se em Engenharia Civil, no Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa, em 1953.

Antes, realizara os estudos secundários no Liceu Camões, altura em que começou a empenhar-se nas atividades da Acção Católica Portuguesa, tornando-se presidente pré-juvenil e, posteriormente, dirigente da Juventude Escolar Católica (JEC) a nível nacional. Mesmo na universidade, nunca deixou a atividade na Ação Católica, empenhando-se na obra social, visitando pobres e doentes

Depois da universidade, a sua preenchida carreira profissional iniciou-se nas construções metalomecânicas, na SOREFAME. Esteve ligado a esta empresa durante 26 anos, chegando a exercer funções como diretor do Gabinete de Estudos Laboratoriais e de diretor da Divisão de Pontes e Estruturas.

Além disso, a nível particular, esteve ligado a vários projetos, maioritariamente de pontes ferroviárias e de pontes de grande vão, em Portugal, no Congo, em Angola, em Moçambique, no Zaire, Sudão e Costa Rica. Também encabeçou vários projetos relacionados com a conceção de escolas, de edifícios industriais e de habitação, em várias localidades portuguesas.

Foi ainda conselheiro da presidência do Grupo Lyonanaise des Eaux-Dumez para Portugal e África; presidente do Conselho de Administração da Imotron e da Tecnotron.

Presidiu a Comissão Dez do Instituto da Soldadura.

Percurso publico e politico Nuno Abecasis chega a politica depois de ter estado vários anos envolvido na Acção Católica - nesta organização fora presidente da secção pré-juvenil e, posteriormente, dirigente da JEC - Juventude Escolar Católica a nível nacional.

Em 1975 aderiu ao Partido da Democracia Cristã, de Sanches Osório, e, posteriormente, ao Centro Democrático Social, de que foi um destacado militante.

Foi eleito deputado à Assembleia da República, pelo CDS, nas legislaturas iniciadas em 1976, 1980, 1983, 1985 e 1995.

Integrou o governo de coligação do PS com o CDS, em 1978, como Secretário de Estado das Indústrias Extrativas e Transformadoras.

Em 1979, com apoio do CDS e do PSD, seria eleito presidente da Câmara Municipal de Lisboa, conseguindo a reeleição em 1982 e em 1985, com maioria absoluta. Foi o presidente de câmara com mais anos de mandato até à data.

Presidência da Câmara Municipal de Lisboa A gestão municipal de Nuno Abecasis foi marcada pelo investimento em duas grandes áreas: a Habitação, com o lançamento da primeira tentativa de erradicação das barracas através do programa PIMP (plano de intervenção a médio prazo) e a Higiene Urbana, com a colocação de milhares de caixotes do lixo em postes de iluminação e a introdução da remoção hermética porta a porta.

Destaca-se também o investimento na promoção das Relações Internacionais, com a criação da UCCLA - União das Cidades Luso-Afro-Américo-Asiáticas, em 1985; e a Comunicação, com a criação do Gabinete de Comunicação Social, que representou, uma nova forma de comunicação e imagem do Município.

Foi o fundador da Fundação Cidade de Lisboa, em 1989, que tem como principal função divulgar a cultura lisboeta em particular e portuguesa em geral.

O autarca acumulou, no entanto, grandes polémicas, nomeadamente em matéria de gestão urbanística.

Teve outros episódios polémicos, como a tentativa de impedir a exibição do filme de Jean-Luc Godard, Je vous salue, Marie na Cinemateca Portuguesa.

Em 1988 confrontou-se com a necessidade de reconstrução do Chiado, apos o grave incêndio ocorrido nessa zona histórica da cidade.

Depois de abandonar a presidência de Lisboa, continua ativo na vida política portuguesa, tornando-se presidente do CDS-PP, em 1992, após a saída da direção de Diogo Freitas do Amaral.

Vice-presidência do Parlamento Enquanto deputado na legislatura iniciada em 1995, Nuno Abecasis foi candidato a vice-presidente da Assembleia da República. Não tendo logrado obter aprovação, logo no início da legislatura, por três vezes - duas a 31 de outubro e uma a 17 de novembro de 1995, retirou a candidatura, alegando falta de dignidade do Parlamento e desrespeito pelo lugar atribuído ao CDS-PP, então liderado por Manuel Monteiro, como terceira força política.

Em 1995, é candidato do CDS-PP e eleito pelo círculo de Setúbal ao Parlamento, assumindo o lugar de presidente da Comissão Parlamentar para Timor-Leste.

Em novembro de 1998, porem (já com Paulo Portas como presidente do CDS-PP), conseguiu ser eleito para aquele cargo, que desempenhou durante os meses que antecederam a sua morte, em abril de 1999. Foi então substituído por Pedro Feist na função, durante o tempo restante da legislatura, até outubro de 1999.

Condecorações Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (3 de Agosto de 1983)

Bibliografia Redacção QuidNovi, com coordenação de José Hermano Saraiva, História de Portugal, Dicionário de Personalidades, volume XI, Ed. QN - Edição e Conteúdos, S.A., 2004

Ligações externas Acesso 27 de dezembro de 2012.

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