Santana do Paraíso é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce e pertence à Região Metropolitana do Vale do Aço, estando situado a cerca de a leste da capital estadual. Ocupa uma área de pouco mais de , sendo em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.
O desbravamento da região da atual cidade teve início no século XIX, em expedições a mando de Dom João VI de Portugal que tinham como objetivo ocupar a região, o que só foi possível após a catequização dos indígenas locais por Guido Marlière, após 1819. Ele também foi o responsável pela abertura de estradas, que passaram a ser utilizadas por tropeiros. Na Cachoeira do Engenho Velho, próxima ao atual Centro da cidade, estabeleceu-se um ponto de descanso, que mais tarde se tornaria uma fazenda e um centro comercial, ao redor dos quais se formou o povoado conhecido como Taquaraçu, transformado no distrito de Santana do Paraíso em 1892.
O local registrou novos períodos de desenvolvimento sob influência dos complexos industriais do atual Vale do Aço entre as décadas de 40 e 50, sendo escolhido para a construção do Aeroporto de Ipatinga em 1959, que ainda é o único da região. O fácil acesso a Ipatinga, sede da Usiminas, incentivou o desenvolvimento urbano e a formação de um novo núcleo urbano em uma conurbação com a cidade vizinha, paralela à sede original do antigo distrito. Sob o status de cidade dormitório e em face de investimentos recentes na área da indústria em seu território, a emancipação ocorreu em 1992. A manutenção da atividade industrial na região contribuiu para a formação da Região Metropolitana do Vale do Aço, que corresponde a um dos principais polos urbanos do interior do estado.
Além da importância econômica e demográfica, o município também abriga diversas trilhas, matas, lagoas e cachoeiras abertas à visitação. Na cidade, um dos principais marcos é a Igreja Matriz de Santana, mantida pela paróquia local. O grupo de congado, o artesanato e eventos festivos, tais como o aniversário da cidade e as comemorações religiosas da Festa do Divino e do dia de Santa Ana, padroeira municipal, são algumas das principais manifestações culturais.
História
Colonização da região thumb|esquerda|Monumento ao Tropeiro na MG-232 A área do atual município de Santana do Paraíso não reportou uma significativa colonização até meados do século XIX, exceto representantes dos Nack-ne-nuck, descendentes de botocudos. Expedições à procura de metais preciosos também estiveram na região nas áreas próximas ao rio Doce, porém o desbravamento teve início somente após 1809, a mando de Dom João VI de Portugal, que visava a civilizar os indígenas do Vale do Rio Doce. Dessa forma, as terras foram repassadas a Antônio Rodrigues Taborda, que comandou as operações de ocupação, no entanto a resistência dos nativos, a mata densa e a proliferação de doenças tropicais desincentivavam a exploração.
Em 1819, o francês Guido Marlière foi nomeado administrador da região do rio Doce. Ele conquistou os povos nativos e executou a abertura de estradas, muitas das quais passaram a ser utilizadas por tropeiros.Revista Caminhos Gerais, nº 21, pag. 17.Revista Caminhos Gerais, nº 35, pag. 23. Uma dessas estradas, que ligava Antônio Dias e Coronel Fabriciano a Ferros, passava pela Cachoeira do Engenho Velho, próxima ao atual Centro de Santana do Paraíso, onde se estabeleceu um ponto de parada. Esse local ficou conhecido como Taquaraçu, que significa "grande bambu", e se transformou em um ponto de referência e centro comercial, dando início ao surgimento de um povoamento.
Expansão populacional e econômica thumb|esquerda|Edificação com escrito "1952" no Centro de Santana do Paraíso O primeiro ponto comercial de Taquaraçu foi a Fazenda da Cachoeira do Engenho, que com o passar do tempo equipou-se com moinho, máquinas de limpar café e arroz e armazéns de cereais. A produtividade das terras, a farta caça e a variedade de cursos hídricos propícios à pesca incentivaram a locação de novos moradores. Expedições foram realizadas seguindo o curso do ribeirão do Achado e seus afluentes sob o contexto de explorar as terras locais, por volta de 1845. Em 16 de agosto de 1885, um grupo de moradores fez uma doação de terras em nome de Santa Ana, onde seriam construídas residências destinadas aos pobres. Nessa mesma ocasião, ocorreu a consagração da primeira igreja do povoado, dedicada a São Vicente.
Dado o desenvolvimento do povoado, pela lei municipal nº 26, de 16 de novembro de 1892, houve a criação do distrito, com a denominação de Ipanema e subordinado a Itabira. Pela lei estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911, o distrito recebeu a denominação de Santana do Paraíso e passou a pertencer a Ferros, no entanto foi transferido para o município de Mesquita pela lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923. A denominação "Santana do Paraíso" é uma referência à padroeira Santa Ana e aos atrativos naturais, que lembram um "paraíso". O local registrou novos períodos de desenvolvimento sob influência da instalação da Acesita em Timóteo, na década de 1940, e da Usiminas em Ipatinga, na década de 1950.
A proximidade de Santana do Paraíso com o chamado Vale do Aço, aliada ao fácil acesso a Ipatinga por meio da MG-232, favoreceu a expansão do núcleo urbano original do distrito. Por outro lado, uma nova zona de desenvolvimento se estabeleceu em outro trecho do território municipal, próximo à divisa com Ipatinga, cortado pela BR-381 e BR-458. Às margens dessas rodovias se estabeleceram diversos loteamentos, em especial após a década de 1980, tendo em vista também a instalação do Aeroporto de Ipatinga em território paraisense em 1959, próximo à BR-381. Com a locação desses novos bairros, surge uma conurbação com a zona urbana de Ipatinga paralela à sede original de Santana do Paraíso, incorporando o atual município à aglomeração urbana do Vale do Aço.
Emancipação e século XXI thumb|esquerda|Avenida Minas Gerais (MG-232) no bairro Veraneio thumb|esquerda|Vista do Parque Linear do bairro Cidade Nova com um loteamento ao fundo em 2025 Pelo fato de ser limítrofe com o perímetro urbano de Ipatinga e o fácil acesso a este, Santana do Paraíso observa as maiores taxas de evolução populacional do Vale do Aço entre as décadas de 90 e 2000. A estruturação de um distrito industrial na região do Aeroporto de Ipatinga também incentivou a instalação de empresas no território municipal. Tal desenvolvimento levou à emancipação mediante a lei estadual nº 10.704, de 27 de abril de 1992 e publicada em 28 de abril de 1992, instalando-se a 1º de janeiro de 1993. Nas áreas antes utilizadas para a agricultura e pecuária, aos poucos houve uma substituição pelo cultivo do eucalipto destinado a alimentar as usinas de produção de celulose da Cenibra, em Belo Oriente, cujos domínios de reflorestamento dominavam mais de 40% do território paraisense ao começo da década de 2010.
Sob o status de cidade dormitório e a proximidade da Usiminas, o município veio a receber investimentos e receitas da empresa, a exemplo das operações do aeroporto e da construção do aterro industrial juntamente ao aterro sanitário da Central de Resíduos do Vale do Aço (CRVA), inaugurado em 2003. Na década de 2000, também houve um projeto de construir uma unidade industrial no município, no entanto o projeto não foi procedido em decorrência da crise financeira de 2008–2012.
Paralelo ao desenvolvimento econômico do município, a conurbação com o aglomerado do Vale do Aço com ou sem relação com as empresas locais gerou, a partir da década de 1990, um crescimento de ocupações desorganizadas, desmatamento e loteamentos precários, em especial na periferia da cidade. Tendo em vista o súbito aumento populacional e a emancipação relativamente recente, Santana do Paraíso ficou carente de recursos e estrutura para promover as políticas públicas necessárias. Dessa forma, o crescimento urbano do município não foi acompanhado pelo desenvolvimento econômico e social que fosse capaz de suprir às necessidades da população.
Na década de 2020, Santana do Paraíso se destacou como o município com as maiores taxas de crescimento da Região Metropolitana do Vale do Aço, em função da disponibilidade de áreas para a expansão urbana metropolitana. Essa situação beneficiou o potencial de consumo e o crescimento econômico associado. Em 2025, por exemplo, foi aprovada uma ampliação do bairro Cidade Nova, localizado na divisa com Ipatinga, com 755 novos lotes. No mesmo ano, foi concluído o Parque Linear do bairro Cidade Nova, entregue como uma das maiores áreas verdes urbanas projetadas da região.
Geografia thumb|direita|Rio Doce na Ponte Metálica, entre Caratinga e Santana do Paraíso. thumb|direita|Bairro Residencial Paraíso (Minas Caixa) com formações rochosas ao fundo A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 19°21′50″ de latitude sul e 42°34′08″ de longitude oeste e está a uma distância de 225 quilômetros a leste da capital mineira. De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Ipatinga. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Ipatinga, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce.
Relevo e hidrografia A composição do relevo é resultado de uma dissecação fluvial atuante nas rochas granito-gnáissicas do período Pré-Cambriano. As altitudes médias variam entre 200 metros, a sul do território municipal, nas áreas próximas ao curso do rio Doce; a 850 metros na região da Serra do Achado, a noroeste, atingindo metros na região da nascente do ribeirão do Achado. A sede da cidade, por sua vez, situa-se a 300 metros de altitude. Pode-se inferir que as áreas a sul apresentam planícies e terrenos ligeiramente ondulados, enquanto que à medida que se aproxima da Serra do Achado, na extremidade noroeste, o relevo se torna fortemente acidentado.
Santana do Paraíso se encontra na bacia do rio Doce, o qual divide o município dos territórios de Caratinga e Ipaba. De forma geral, o território municipal é abrangido por quatro sub-bacias principais, cujas águas correm para o rio Doce, sendo elas a dos córregos Bueiro e Entre Folhas e ribeirões Achado () e Garrafa (), dentre as quais apenas as duas últimas citadas abrangem parcelas do perímetro urbano. O ribeirão do Achado nasce em uma área acidentada e além de conter centenas de outras nascentes em sua sub-bacia, abriga diversas cachoeiras em seu curso. Este leito é um afluente do ribeirão Taquaraçu, que é outro manancial expressivo na zona rural do município e deságua no rio Doce.
Municípios limítrofes e região metropolitana
Santana do Paraíso faz limites com os municípios de Belo Oriente a norte, Ipaba a leste, Caratinga a sudeste, Ipatinga a sul e Mesquita a oeste. O intenso crescimento da região tem tornado inefetivas as fronteiras políticas entre seus municípios, formando-se a Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA), envolvendo Santana do Paraíso juntamente com as cidades de Coronel Fabriciano, Ipatinga e Timóteo, além dos outros 24 municípios que fazem parte do chamado colar metropolitano. Conforme já citado, Santana do Paraíso configura-se como uma cidade dormitório para a RMVA, ao passo de sediar o único aeroporto da região e de ser o município com a maior disponibilidade de áreas propícias ao crescimento urbano. A região se tornou conhecida internacionalmente em virtude das grandes empresas que sedia, a exemplo da Cenibra (em Belo Oriente), Aperam South America (em Timóteo) e Usiminas (Ipatinga), todas com um considerável volume de produtos exportados, e apesar de seu povoamento recente, corresponde a um dos principais polos urbanos do interior do estado.
Clima