Viúva Rica Solteira Não Fica é um filme luso-brasileiro, do género comédia de época, realizado por José Fonseca e Costa e escrito por Fonseca e Costa com João Constâncio, José Fanha, Augusto Sobral e Mário de Carvalho. A longa-metragem é protagonizada por Ana Catarina (interpretada por Bianca Byington), uma aristocrata num ciclo de casamento e viuvez, enquanto se sente dividida entre a manutenção do património e a busca do amor.
O filme foi estreado comercialmente em Portugal no dia 16 de novembro de 2006. Foi o quarto filme português mais visto nas salas de cinema do país em 2006, obtendo um total de 12.353 espetadores.
Sinopse A ação decorre durante o final do século XIX em Portugal.
D. Ana Catarina, uma jovem aristocrata, regressa do Brasil com o seu pai, D. António, e a ama Mariana para o casamento com um homem que não conhece e de quem não gosta. No dia do matrimónio, D. Ana Catarina fica viúva e órfã, herdando assim o solar de Silgueiros e mais algumas centenas de terras vitícolas. A esta jovem viúva, agora herdeira de uma grande fortuna, pretendentes não faltam na região: o Conde de Fallorca, o Capitão Malaparte e o britânico Williamson. No entanto, D. Ana Catarina está apaixonada por Adriano, um formoso camponês, cujo amor é-lhe desencorajado pela ama.
Orquestrando a vida da aristocrata, Mariana aconselha-a a casar-se com alguém da sua condição social. Assim, D. Ana Catarina encontra-se disputada por vários aristocratas. Casa, mas depressa enviuva vezes sem conta. Com a ajuda da sua ama, desfaz-se dos seus maridos quando eles não demonstram corresponder às suas necessidades de atenção e respeito. Mariana esmaga copos de cristal num almofariz e adiciona-os a terrinas de sopa antes de serem servidas. Entretanto, Adriano aceita ser o amante secreto da aristocrata, até se aperceber que o casamento nunca será uma possibilidade. O camponês desaparece misteriosamente, deixando D. Ana Catarina num estado de prostração que a leva a aceitar partir para um quarto matrimónio.
Anos mais tarde, ao regressar ao solar, D. Ana Catarina recebe a notícia de que o seu amado Adriano havia regressado riquíssimo e feito barão por el-Rei.
Elenco
Bianca Byington, como D. Ana Catarina de Silgueiros. Cucha Carvalheiro, como Mariana. José Raposo, como Abade. Rogério Samora, como Capitão Eugénio Malaparte. Ricardo Pereira, como Adriano. Diogo Dória, como Conde Gastão de Fallorca. Anton Skrzypiciel, como Williamson. Helena Vieira, como Cantora de Ópera. Filomena Cautela, como Miquelina. Vítor Espadinha, como Lourenço. João Maria Pinto, como Dr. Melo. Luís Mascarenhas, como Dr. Santana. Carlos Martins Medeiros, como D. Francisco. Carlos Nabais, como Manuel. Pedro Lacerda, como D. Jorge. José Pedro Ramos, como Justino.
Equipa técnica
Realização: José Fonseca e Costa Argumento: José Fanha, João Constâncio, José Fonseca e Costa, Mário de Carvalho e Augusto Sobral Produtor: Paulo Branco Direção de produção: Cristina Soares Direção de fotografia: Acácio de Almeida Iluminação: Artur Santana Decoração e figurinos: Isabel Branco Maquilhagem: Ana Lorena e Íris Peleira Montagem: Bob Williams e Nelson Cravo Música: Thomas Bloch Som: Vasco Pedrosa
Produção Esta comédia é uma coprodução de Portugal e Brasil entre as companhias Clap Filmes e Plateau Produções. Contou com a participação financeira do Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia, RTP, Programa Ibermedia e da Agência Nacional do Cinema. O processo de produção de Viúva Rica Solteira Não Fica foi longo, tendo a primeira candidatura a financiamento surgido em 1998. O filme passou pela alçada de vários produtores, até que Paulo Branco integrou o projeto. A rodagem decorreu durante o último trimestre de 2005.
Temas e estética A longa-metragem propõe uma reconstrução satírica e tipificada da sociedade do final do século XIX em Portugal, demonstrando um sentido particularmente crítico de aspetos da moral conservadora e da hipocrisia do estilo de vida da alta-burguesia portuguesa. Neste ponto de vista, o argumento assume influências das novelas de Camilo Castelo Branco, cruzando-as com uma visão mais contemporânea de um romance policial. O prólogo do filme, pelo modo como apresenta as primeiras mortes, instaura desde logo o sentido de humor negro e de comédia de costumes desta obra.
Vários aspetos Viúva Rica Solteira Não Fica são considerados característicos da obra de José Fonseca e Costa, como o ritmo romanesco do argumento, o seu cuidado na direção de atores, capacidade de gestão dos limites de meios de produção. O cinéfilo José Manuel Costa denota que esta é a obra onde o realizador traça um retrato "mais cruel sobre a inutilidade dos homens e o fascínio pelas personagens femininas (...) poderosas, tanto sublimes e misteriosas, mais capazes e dignas do que qualquer outra personagem masculina do seu cinema".
Distribuição Viúva Rica Solteira Não Fica antestreou em Portugal a 30 de outubro de 2006, no Cine-teatro Monumental (Lisboa), uma sessão que contou com a presença da Presidência da República. No território português, o filme foi distribuído pela Leopardo Filmes, a partir de 16 de novembro do mesmo ano.
A Atalanta Filmes editou Viúva Rica Solteira Não Fica em DVD. A partir do dia 25 de setembro de 2020, a plataforma de streaming Filmin prestou homenagem a José Fonseca e Costa, ao adicionar seis dos seus filmes ao seu catálogo, entre os quais, Viúva Rica Solteira Não Fica.
Festivais Após a sua estreia em Portugal, o filme integrou os seguintes Festivais internacionais de cinema: Festival Cineport, Competição (Brasil, 2007). Festival Internacional de Cinema do Funchal, Homenagem a José Fonseca e Costa (Portugal, 2007). Romance in Can Film Festival Miami (E.U.A., 2008). Fantasporto (Portugal, 2009).
Receção Audiência Viúva Rica Solteira Não Fica foi a quarta película nacional mais vista nas salas de cinema no ano da sua estreia, obtendo um total de 12.353 espetadores.
Crítica miniaturadaimagem|A qualidade da interpretação de Cucha Carvalheiro foi sinalizada pelos críticos. De maneira geral, o filme contou com uma receção negativa por parte dos críticos de cinema. Mário Jorge Torres (Ípsilon) atribuiu 2 estrelas (de 5) à longa-metragem, valorizando a interpretação de Cucha Carvalheiro ("porventura o seu melhor desempenho em cinema"), mas apontando para problemas estruturais no guião: "acaba por entrar num repetitivo tom de círculo vicioso, sem novidades, nem grande tensão dramática. Habituamo-nos à rábula, começamos a sentir o peso do tempo e a narrativa escorrega para uma espécie de seriado televisivo, agradável, mas rotineiro." José Geraldo Couto, colunista na Folha de S. Paulo descreve uma sensação de déjà-vu ao ver o filme, considerando-o mesmo um passo atrás na filmografia de José Fonseca e Costa, uma vez que "a intenção satírica raramente vai além do estereótipo e da caricatura, como a do padre glutão e mulherengo, que cochila com a taça de vinho na mão enquanto uma cantora lírica solta seus trinados numa festa". Jorge Leitão Ramos escreve no Expresso que apesar de se notar a perícia técnica de José Fonseca e Costa, o filme carece de ritmo, "nomeadamente por parte da protagonista – a brasileira Bianca Byington – na revelação de uma chama interior que admitimos mais do que apercebemos. Ela é uma mulher de terramotos, só vemos alguns estremecimentos..." Yvette Vieira (Revista Yvi) concorda que apesar de estar longe de se considerar uma obra-prima do cinema de Fonseca e Costa, Viúva Rica Solteira Não Fica "é um filme acima de tudo que entretem com grande estilo."
Viúva Rica Solteira Não Fica foi um dos títulos nomeados para a categoria de melhor filme dos Globos de Ouro (Portugal).
Ver também Cinema de Portugal
Referências
Ligações externas
Categoria:Filmes realizados por José Fonseca e Costa Categoria:Filmes de Portugal de 2006 Categoria:Filmes do Brasil de 2006 Categoria:Filmes em língua portuguesa Categoria:Filmes de comédia de Portugal Categoria:Filmes de comédia do Brasil Categoria:Filmes gravados no distrito de Viseu Categoria:Filmes de comédia da década de 2000 Categoria:Filmes ambientados no século XIX