A batalha do Cabo de São Vicente, travada a 5 de Julho de 1833, foi um encontro decisivo na Guerra Civil Portuguesa. A força naval comandada pelo oficial britânico Charles John Napier ao serviço de D. Pedro, regente em nome da rainha D. Maria II, derrotou a armada realista de D. Miguel, comandada pelo almirante António Torres de Aboim. O recontro deu-se ao largo do Cabo de São Vicente, tendo resultado numa vitória decisiva das forças liberais. Com esta batalha a armada absolutista praticamente desapareceu."As Guerras Liberais: a acção da Marinha", Revista da Armada, Agosto de 2014. Descrição No verão de 1833 o governo liberal decide enviar para as costas do Alentejo e Algarve uma força naval com o objectivo de ali desembarcar forças que permitissem abrir uma nova frente na guerra civil, avançando sobre Lisboa a partir do sul. O governo realista reagiu enviando para a costa sul a esquadra que lhe era fiel, sob o comando do chefe de esquadra António Torres de Aboim. A força realista era composta por duas naus, duas fragatas, três corvetas e dois brigues.
As forças inimigas avistaram-se a 3 de Julho, mas só depois de dois dias de manobras, na manhã do dia 5 daquele mês, se deu o combate, ao largo do Cabo de São Vicente. A hesitação no início do combate foi desfavorável à esquadra miguelista, já que entretanto se dera uma acalmia do vento e do mar que permitiu à esquadra liberal, comandada por Charles Napier, realizar um golpe arrojado e lançar-se à abordagem dos navios adversários. Ao recorrer ao combate próximo, evitando o tradicional confronto de artilharia com manobras em linha, conseguiu anular a vantagem numérica e de poder de fogo que os miguelistas detinham.
O comandante das forças miguelistas, preso às tácticas de combate convencionais melhor dominadas pelos oficiais portugueses, deixou-se surpreender pela audácia de Napier, um oficial de marinha britânico com muito maior flexibilidade táctica. Neste combate, que pode ser encarado como se de uma batalha entre britânicos e portugueses, pois além do almirante da esquadra liberal também eram britânicos os comandantes dos principais navios da força, resultou o apresamento das naus, das fragatas e de uma corveta da esquadra miguelista. O desastre foi enorme, apenas tendo escapado a corveta Isabel Maria e a corveta Cíbele, que retiraram para Lisboa. O brigue Tejo procurou refúgio na ilha da Madeira e o brigue Audaz entregou-se em Lagos, no dia seguinte). Com esta batalha a armada fiel a D. Miguel praticamente desapareceu, deixando os liberais com o domínio pleno do mar.
Navios Esquadra LiberalAlmirante Charles John Napier Navio Tipo de navio Canhões Comandante Causas NotesMortosDesaparecidosTotal"Dom Pedro"Fragata50Capitão: Thomas Goble "Rainha de Portugal" Fragata 46 Comodoro: Willinson Capitão: MacDonough Navio Almirante"Dona Maria II"Fragata42 Capitão: Peake" Portuense"Corveta26Capitão: Blackstone "Vila Flor" Brigue Capitão: Ruxton DesconhecidoVapor??DesconhecidoVapor??DesconhecidoVapor??DesconhecidoVapor??DesconhecidoVapor??lllllFonte:?
Esquadra MiguelistaAlmirante António Torres de Aboim Navio Tipo de navio Canhões Comandante Causas NotesMortosDesaparecidosTotalDom João VINau de linha80Capitão: Thomas GobleNavio Almirante "Rainha" Nau de linha 74 "Dona Maria II"Fragata42 Capitão: Peake" Portuense"Corveta26Capitão: Blackstone "Vila Flor" Brigue Capitão: Ruxton DesconhecidoVapor??DesconhecidoVapor??DesconhecidoVapor??DesconhecidoVapor??DesconhecidoVapor??lllllFonte:?
Esquadra Miguelista Nau Rainha 74 (Barradas) - Capturada pelo Rainha de Portugal Dom João 74 - Capturada Martinho de Freitas 50 - Capturada Duquesa de Bragança 56 - Capturada pelo Donna Maria Isabel Maria 22 (corveta) - Capturada Princesa Real 24 (corveta) Tejo 20 (corveta) Sybille 20 (corveta) Audaz 18 (briga) Activa (enxabeque)
Bibliografia NAPIER, Charles. An Account of the War in Portugal between Don Pedro and Don Miguel. ondres, 1836.
Cabo Sao Vicente Categoria:1833 em Portugal Categoria:Conflitos em 1833 Cabo de Sao Vicente