O centro histórico de Santa Ana de los Ríos de Cuenca, cuja zona central ocupa 224,14 hectareshttps://whc.unesco.org/es/list/863, é um sítio do Patrimônio Mundial da UNESCO (desde 1999) no Equador, na cidade de Cuenca, da província de Azuayhttps://whc.unesco.org/es/list/863.

História

Época pré-hispânica (8 000 a.C.–1 460 d.C.) A história da cidade de Cuenca tem uma antiguidade de mais de 8.000 anos. Na região de Chobshi, ao Leste da atual metrópole se encontrou uma com vestígios arqueológicos de objetos feitos em pedra obsidiana para a caça de animais. Segundo o arqueólogo francês Paul Rivet,os primeiros povoadores do antigo Equador chegaram da Sibéria cruzando a ponte terrestre de Bering havia anos. Eles foram caçadores e colheiteiros. A grota preta de Chobshi como é conhecida, é um dos sítios emblemáticos do período Paleo-índio da região sul equatoriana. Foi abrigo e zona de atividades diversas e um tipo de acampamento base para os indígenas. A obsidiana achada vinha de uma mina chamada Quiscatola e que se encontra a 450 km da grota. Isto é uma prova das prematuras relações entre as primeiras culturas andinas. Estes grupos humanos, logo se espalharam pela região até conformar a civilização conhecida hoje como Cañari.

Por volta de se desenvolveu a primeira cultura que deu a origem dos Cañaris, chamada pelos arqueólogos Cerro Narrío com duas fases determinadas denominadas Tacalshapa e Cashaloma, com um tipo de cerâmica única na região, além de inúmeros objetos feitos em concha marinha, o que representa a importância que o comércio já tinha com as culturas do litoral do Pacífico.

Entre e , os diversos grupos humanos que moravam nos Andes equatoriais formaram grandes confederações, também conhecidas no Equador como "Senhorios Étnicos". A agricultura, a ourivesaria, a cerâmica e os tecidos, foram algumas das atividades feitas por estes indígenas. Já para , as redes comerciais entre o litoral com os Andes e com culturas peruanas ou amazônicas era intenso. Os Cañaris, do mesmo jeito que seus ancestrais, canalizaram o comércio e redistribuição de produtos exóticos ao Peru Marcos, Jorge, "Las sociedades complejas de la Sierra", em: MAAC (2006) "Los 10.000 años del Antiguo Ecuador". e também mantinham relações com seus vizinhos da Amazônia e do Litoral. Entre os produtos mais procurados pelos mercadores temos o algodão, as penas coloridas das aves exóticas da floresta tropical, o sal grosso que vinha de minas nas montanhas, peixe conservado em sal e mandioca.

Os povos que ocuparam a serra durante o período de Integração () foram conhecidos através das inúmeras notícias escritas nas crônicas dos espanhóisSagaseta, Alicia Alonso. "Andes Septentrionales". em: OCEANO "El Mundo Precolombino". Aclimatizados à altitude que é a principal caraterística da região, os Cañaris conformaram aldeias de serranos, agricultores e caçadores que tinham desenvolvido as suas lideranças e organização social em função a crenças mágicas e princípios práticos. As crenças que faziam dos morros, das montanhas e dos vulcões seres vivos estavam muito espalhadas pelos Andes As lagoas, as araras coloridas e as serpentes eram parte de seu panteão de seres mitológicos. No caso dos Cañaris, é importante destacar a exploração que fizeram dos metais e seus trabalhos em ouro, prata e cobre. Estavam organizados em centros administrativos chamados "cacicazgos" como Hatum-Cañar, Molleturo, Cañaribamba, Tanday-Pindilig e Sigsig.Ontaneda Luciano, Santiago. "Las antiguas sociedades precolombinas del Ecuador". Ministerio de Cultura del Ecuador (2010). A língua falada era a cañari, mesmo que segundo as pesquisas etno-históricas existiram enfrentamentos entre os líderes das comunidades, o que nos faz pensar que não era uma confederação unida, aliás, na hora de lutar contra algum inimigo como os Shuaras da Amazônia ou os incas peruanos eram uma força só.

No local onde se encontra atualmente a cidade de Cuenca, os Cañaris levantaram seu centro de poder político administrativo chamado "Guapondélig" que significa "planície tão grande quanto o céu".

Conquista Inca e cidade imperial (1460–1532) thumb|Planta de complexo arqueológico inca estudado pelos geodésicos franceses em 1736 Por volta do ano 1460, os incas originários do Peru conquistaram a vila nativa e transformaram a história da região norte dos Andes sul-americanos. Esta expansão consolidou o império chamado Tahuantinsuiu. O atual Equador foi a província do Chinchaysuiu, que significa "terra do jaguar". A conquista do que hoje é território equatoriano devia estar motivada, em grande medida, por causa da alta produtividade agrícola dos vales andinos, sobretudo em milho e batatas . Também pode ser o fato de ter tipos de culturas especializadas nos Andes setentrionais como o caso da coca, a planta sagrada que se cultivava de forma especial na região de Pimampiro (atual província de Imbabura). Além disso, como as populações do norte do Equador atual sabiam melhor do que ninguém cultivar essa planta, grupos inteiros de moradores dessa zona foram trasladados aos vales de clima similar de outras regiões para melhorar e ampliar seu cultivo .

Outra razão para a conquista do norte andino pode estar relacionada com o fato de que a costa equatoriana era o principal local da América para a obtenção do "mullu" ou concha Spondylus, objeto de grande valor para os povos andinos, tanto pelo seu significado religioso (culto à fertilidade e oferendas aos deuses) quanto pelo grande valor como matéria prima para fazer joias e enfeites.

thumb|Jardim inca no complexo arqueológico de Pumapungo

A primeira invasão foi em 1460 por parte dos exércitos liderados pelo inca Túpac Yupanqui, durante o reinado de seu pai Inca Pachacuti. Mesmo que tiveram que se enfrentar contra a resistência dos Paltas e Cañaris, a conquista foi relativamente fácil, porque as diversas comunidades cañaris não conseguiram formar uma unidade política forte. Assim, Hatum Cañar foi transformada em Paukarbamba, que em quéchua significa "vale das flores". Aqui Túpac Yupanqui se apaixona por uma princesa cañari e casa com ela. Daquela união nasceu o Inca Huayna Cápac. Ele assumiu o trono ainda muito jovem. Não havia problema quanto ao seu sucessor. Casara-se com uma princesa de Quito e ela dera-lhe um filho, Atahualpa. Mas, ao tornar-se sapa inca, casou-se com sua irmã de Cusco e tiveram um filho, Huáscar.

A nova vila muda o nome por Tumipampa, que significa "vale da faca". Atualmente é possível ver os vestígios das três cidades no bairro de Todos Santos, onde temos muros de pedra Cañari, incas e espanhóis. O bairro administrativo se chamava Pumapungo que significa "porta do jaguar". As trilhas do atual parque arqueológico, demarcam os setores restaurados da antiga cidade como o Aklla Wasi, espécie de convento indígena habitado por mulheres consagradas ao Sol; o Templo Maior de Qurikancha, centro religioso e astronômico que simboliza o mais alto nível de poder religioso e político daquele setor; além dos belos terraços agrícolas onde os incas cultivavam, em terrenos inclinados, produtos dedicados ao Sol. Em épocas incas, Tomebamba se converteu na segunda cidade em importância do império após Cusco, no Peru.

thumb|upright=1.4|Terraços de Pumapungo, antigo bairro inca de Tomebamba

Segundo as informações dos cronistas, Huayna Cápac morreu em 1525 de varíola, doença introduzida pelos europeus e que se espalhou rapidamente pelas Américas. O Inca Huáscar subiu ao trono, mas Huayna Cápac havia decretado que Quito deveria ser herdada por AtahualpaGorzoni, Priscila. "Incas", em: "Almanaque da História Antiga", VP Central de Edições. . Em 1532, iniciou-se uma guerra civil entre os dois meio-irmãos. Atahualpa acabou por conquistar o império inteiro e aprisionou Huáscar.

Conquista espanhola e cidade colonial (1532–1736) No mesmo ano do fim da guerra civil, o conquistador espanhol Francisco Pizarro atingiu o Peru com seu pequeno exército e começou o processo de conquista. Finalmente, na cidade inca de Cajamarca e, por meio de uma armadilha, Pizarro conseguiu capturar Atahualpa. Dois anos mais tarde, os espanhóis tinham conquistado todo o Tahuantinsuiu. Sebastián de Benalcázar e Diego de Almagro foram os encarregados de continuar a conquista do norte andino. Aqui se enfrentaram com os exércitos liderados pelo inca Rumiñahui, um dos melhores generais incas que lutou até a sua morte pela defesa do império. Em 1534 foi fundada a vila de San Francisco de Quito e com este episodiou a nova ordem política ficou estabelecida.

thumb|Planta da distribuição urbanística de Cuenca durante a sua fundação

O historiador equatoriano do século XIX, Federico González Suárez, relatou a história de que a atual igreja e convento de freiras de Todos Santos, é datada antes da fundação da cidade. Graças às escavações arqueológicas realizadas, se encontraram vestígios de moinhos de trigo que foram propriedade do comendador espanhol Rodrigo Núñez de Bonilla. Em 1536, Pizarro nomeou 29 comendadores (chamados "encomenderos" em espanhol, encarregados de cobrar os impostos aos índios; suas terras se conheciam como "encomiendas"). Gonzalo Pizarro, Diego Sandoval e Núñez de Bonilla receberam grandes "encomiendas" na região de TumipampaJamieson, Ross William. "De Tomebamba a Cuenca: arquitectura y arqueología colonial", (2003) Editorial Abya Yala.. Para 1540, uma reduzida colônia de espanhóis tinha se assentado na beira do rio Tomebamba.

A sua fundação oficial ocorreu em 12 de abril de 1557 pelo conquistador Gil Ramírez Dávalos, por ordem do Vice-rei do Peru, Andrés Hurtado de Mendoza, com o nome de Santa Ana de los Ríos de Cuenca, em honra da cidade natal do Vice-rei e a principal característica geográfica da região banhada por 4 rios: Tomebamba, Yanuncay, Tarqui e Machángara.

Em domingo 18 de abril de 1557, dia da Páscoa de Ressurreição, Gil Ramírez Dávalos dirigiu o ato jurídico da Constituição do Primeiro Cabildo da Cidade, depois trabalhou até 26 de abril na adjudicação dos primeiros terrenos e criando a planejamento básico tipo tabuleiro da cidade.Rodolfo Pérez Pimentel. «GIL RAMÍREZ DAVALOS: FUNDADOR DE CUENCA». Consultado em 9 de dezembro de 2013.

thumb|Construção rural típica, que conserva o estilo colonial com telhas e paredes de lama

A primeira vila era de dimensões pequenas. Os franciscanos fundaram seu mosteiro como parte do processo evangelizador. Depois chegou a Ordem dos Pregadores de São Domingos. A mão de obra utilizada para a construção da cidade foi a dos "mitayos" (nome quéchua que designava os pedreiros). Segundo as ordenanças reais estabelecidas pelo rei Felipe II em 1573, todas as cidades espanholas deviam ser planejadas como um tabuleiro, partindo de uma praça central e com áreas perfeitamente bem delimitadas para moradia, serviços, culto e atividades produtivas. A planície leste e a que se encontra entre os rios Yanuncay e Tomebamba eram as áreas dedicadas à criação de gado. A população indígena que foi localizada nos arredores da vila, dedicava-se à agricultura para abastecer os mercados. A economia de finais do século XVI estava baseada na agricultura e na mineração, como a exploração de mercúrio na aldeia de Azogues. Entre 1560 a 1600, várias minas de ouro e prata foram descobertas na região de Zaruma, ao oeste da vila, na atual província de El Oro e em Zamora, na atual província amazônica de Zamora-Chinchipe.

No entanto, a diminuição da população nativa por causa das epidemias e doenças, provocadas pelas minas e as péssimas condições de trabalho, acabaram por promover o fechamento das minas de Azogues e outras cidades, tornando completamente a economia para a agricultura de cereais e a criação de gado. Segundo as pesquisas, os nativos se reduziram de mais de 58.000 cañaris antes da chegada dos espanhóis a 12.000 em 1590.Jamiesson, Ross William. "Domestic Architecture and Power: The Historical Archaeology of Colonial Ecuador". (2002). Kluwer Academic Publishers. New York.