São Vicente de Minas é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no sul mineiro, estando situado a cerca de da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.
A sede tem uma temperatura média anual de 20,7 °C e na vegetação do município predomina a mata atlântica. Com uma taxa de urbanização da ordem de 88,4%, o município contava, em 2009, com oito estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,769, considerando como médio em relação ao estado.
Na área da cultura e lazer, destaca-se na realização de diversos eventos anuais, como o Carnaval de São Vicente de Minas, em fevereiro ou março, ou a Festa de São Vicente Ferrer, realizada em maio. Possui ainda alguns atrativos turísticos de valor cultural ou histórico, como a Igreja Matriz de Vicente Ferrer ou os componentes da Fazenda do Espírito Santo. A culinária também tem grande relevância, tendo destaque principalmente na produção de queijos finos.
História Antes da emancipação Até o começo do século XVIII, a região do atual município de São Vicente de Minas não passava de uma área de mata virgem, até que, naquela época, apareceram os primeiros bandeirantes. Muitas dessas bandeiras partiam de Taubaté e grande parte das reservas de pedras preciosas se encontravam nas vertentes do Rio Grande, onde localizam-se as cidades de Tiradentes e São João del-Rei, e na região de Vila Rica, atual município de Ouro Preto. Esses lugares eram alcançados por três caminhos a partir da Capitania de São Paulo, e um deles passava por São Vicente. Ali havia alguns pontos de parada, que serviam para alimento de animais, comércio de mercadoria e para os viajantes passarem dormirem. Com o passar do tempo esses pontos de "paragem", como costumam ser chamados, foram se desenvolvendo até formar pequenas vilas. Uma delas foi a da atual cidade.
O primeiro nome daquele povoado foi São Vicente Ferrer. Se deve a uma imagem de São Vicente Ferrer que foi encontrada por um empregado do fazendeiro Francisco José de Andrade Mello, dono de uma das maiores fazendas da região. Estava à beira de uma nascente e, logo depois, Francisco ordenou que fosse feita uma pequena capela ao santo, onde hoje se situa a praça Coronel José Eugênio. A capela foi concluída em 1799 e deu origem ao primeiro núcleo que gerou o arraial de São Vicente Ferrer, que continuava a ser um dos principais pontos de paradas e descanso das bandeiras.
Após a emancipação thumb|esquerda|Praça Governador Valadares Dado o desenvolvimento populacional demográfico daquela área, em 2 de maio de 1856 foi criada a paróquia e o distrito, sendo subordinados ao município de Aiuruoca, que foi criado em 1834. Pela lei provincial nº 1191, de 27 de julho de 1864, o distrito passou a pertencer a Vila Bela do Turvo (atual município de Andrelândia).
Pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, São Vicente Ferrer emancipa-se com o nome de Francisco Sales, tendo o território desmembrado do Turvo (atual Andrelândia) e de Lavras e composto por três distritos: Andradina (que em 1944 passou a chamar-se Minduri), Carrancas e a Sede. Em 1º de janeiro de 1939 tomou posse o primeiro prefeito, Coronel Rosendo de Souza Andrade. Pela lei nº 336, de 27 de dezembro de 1948, Carrancas emancipa-se e pela lei nº 1039, de 12 de dezembro de 1953, Francisco Sales passa a denominar-se São Vicente de Minas. Pelo mesmo decreto Minduri é elevado à categoria de município, passando a existir, desde então até atualmente, apenas o distrito-sede.
Com o passar do tempo a agropecuária foi ganhando força no município e a população da zona rural passou a concentrar-se no perímetro urbano. Muitos de seus prédios construídos nos séculos XIII e XIX viraram patrimônio histórico da cidade e muitas de suas praças e igrejas também conservam o estilo barroco da época do desbravamento da região. Além disso, São Vicente de Minas também vem desenvolvendo seu turismo rural.
Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constitui a zona urbana. Situa-se a 21°42'46" de latitude sul e 44°26'38" de longitude oeste e está a uma distância de 260 quilômetros a sul da capital mineira. Seus municípios limítrofes são Carrancas e Madre de Deus de Minas, a norte; Minduri, a oeste; Serranos, a sul; e Andrelândia, a leste.
Conforme a classificação geográfica mais moderna (2017) do IBGE, São Vicente de Minas é um município da Região Geográfica Imediata de São João del-Rei, na Região Geográfica Intermediária de Barbacena.
Circunscrição eclesiástica A paróquia São Vicente Ferrer pertence à Diocese de São João del-Rei.
Relevo e hidrografia thumb|direita|Área com predomínio de relevo ondulado em São Vicente de Minas. O relevo do município de São Vicente de Minas é predominantemente ondulado. Aproximadamente do território vicenciano é coberto por áreas onduladas, enquanto em cerca de há o predomínio de mares de morros em terrenos montanhosos, e os restantes são lugares planos. A altitude máxima encontra-se na Serra da Covanca, que chega aos metros, enquanto que a altitude mínima está na foz do Córrego da Capela, com 998 metros. Já o ponto central da cidade está a m.
O território é banhado por vários pequenos rios e córregos, sendo os principais o Rio Aiuruoca e o Ribeirão dos Carneiros. O Aiuruoca nasce nas montanhas da Serra da Mantiqueira, próximo ao Pico das Agulhas Negras, atravessando a zona urbana de vários municípios até desaguar no Rio Grande, na fronteira dos municípios de Madre de Deus de Minas e Carrancas, perto de São Vicente. O Córrego dos Carneiros desagua no Ribeirão Itapixé, nas proxidades de Carmo do Rio Claro, sendo que este ribeirão desagua na represa da Usina Hidrelétrica de Furnas.
Clima thumb|esquerda|Rua da cidade em dia de céu aberto. O clima vicenciano é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical mesotérmico brando úmido (tipo Cwb segundo Köppen), tendo temperatura média anual de 20,7 °C com invernos secos e frios e verões chuvosos com temperaturas moderadamente altas. O mês mais quente, janeiro, tem temperatura média de 23,7 °C, sendo a média máxima de 29,1 °C e a mínima de 18,3 °C. E o mês mais frio, julho, de 16,8 °C, sendo 24,7 °C e 8,9 °C as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.
A precipitação média anual é de 1456,3 mm, sendo agosto o mês mais seco, quando ocorrem apenas 11,6 mm. Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em 276,9 mm. Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos 28 °C, especialmente entre julho e setembro. Em agosto de 2010, por exemplo, a precipitação de chuva em São Vicente não passou dos 0 mm. Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar.
Segundo o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), o maior acumulado de chuva registrado em menos de 24 horas na cidade foi de 149,0 mm, observado no dia 8 de dezembro de 1999. Outros grandes acumulados foram de 140,0 mm, no dia 7 de janeiro de 2004; 133,0 mm, em 26 de março de 2004; 130,0 mm, em 30 de dezembro de 1991; e 126,6 mm, em 13 de janeiro de 2011.
Fauna e flora A vegetação nativa do município pertence ao domínio florestal Atlântico (Mata Atlântica), onde destacam-se árvores como os ipês, jacarandás, angicos, quaresmeiras, araucárias e cedro. O solo da região, ácido e com pouca matéria orgânica, e o clima seco, não favorecem o crescimento rápido da vegetação. A principal atividade econômica na zona rural é a pecuária leiteira e a queimada anual dos pastos é a prática de manejo usual. Como consequência a região possui um grande índice de destruição de sua cobertura vegetal original. A falta de florestas e a pobreza da vegetação reduzem a fauna a pequenos roedores, poucos mamíferos, animais silvestres e aves de pequeno porte.
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e na zona rural. A população vicenciana era composta por brancos (44,65%); pretos (16,97%); 95 amarelos (1,36%); pardos (36,91%); e oito indígenas (0,11%).
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de São Vicente de Minas é considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Seu valor é de 0,769, sendo o 1360° maior de todo o Brasil (entre ). A cidade possui a maioria dos indicadores médios e parecidos com os da média nacional segundo o PNUD.
O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, é de 0,42, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. No ano de 2003, a incidência da pobreza, medida pelo IBGE, era de 33,41%, o limite inferior da incidência de pobreza era de 22,17%, o superior era de 44,65% e a incidência da pobreza subjetiva era de 28,89%.
Religião thumb|esquerda|Igreja Matriz, templo Católico. Tal como a variedade cultural em São Vicente de Minas, são diversas as manifestações religiosas na cidade. Embora tenha se desenvolvido sobre uma matriz social eminentemente católica, é possível encontrar atualmente na cidade dezenas de denominações protestantes diferentes.
O município de São Vicente de Minas está localizado no país mais católico do mundo em números absolutos. A Igreja Católica teve seu estatuto jurídico reconhecido pelo governo federal em outubro de 2009, ainda que o Brasil seja atualmente um estado oficialmente laico.
A cidade possui os mais diversos credos protestantes ou reformados, como a Assembleia de Deus, a Igreja Cristã Maranata, a Igreja Presbiteriana, as igrejas batistas, a Igreja Adventista do Sétimo Dia e a Igreja Universal do Reino de Deus, entre outras. De acordo com dados do censo de 2000 realizado pelo IBGE, a população de São Vicente de Minas está composta por: Católicos (94,71%), evangélicos (4,27%), pessoas sem religião (0,45%), espíritas (0,06%) e 0,51% estão divididas entre outras religiões.
Política De acordo com a Constituição de 1988, São Vicente de Minas está localizada em uma república federativa presidencialista. Foi inspirada no modelo estadunidense, no entanto, o sistema legal brasileiro segue a tradição romano-germânica do Direito positivo. A administração municipal se dá pelo poder executivo e pelo poder legislativo. thumb|direita|Sede da Prefeitura de São Vicente de Minas.
Antes de 1930 os municípios eram dirigidos pelos presidentes das câmaras municipais, também chamados de agentes executivos ou intendentes. Somente após a Revolução de 1930 é que foram separados os poderes municipais em executivo e legislativo. O primeiro líder do poder executivo e prefeito do município foi Coronel Rosendo de Souza Andrade, que tomou posse em janeiro de 1939, algumas semanas após a emancipação da cidade. Em vinte e nove mandatos, vários prefeitos passaram pela prefeitura de São Vicente. Em 2009, quem venceu as Eleições municipais no Brasil no município foi Maria Lindinalva Leite Lucinda, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), sendo eleita com 69,66% dos votos válidos. Por ter menos de 200 mil eleitores, não pode haver segundo turno no município.