Sete Lagoas é um município brasileiro do estado de Minas Gerais, localizado a aproximadamente 72 quilômetros de Belo Horizonte. De acordo com estimativa populacional para 2024, publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município reúne uma população de habitantes, o que o torna o 12º mais populoso do estado e o mais populoso de sua região geográfica imediata.

História Origens e povoamento Sete Lagoas tem uma história rica e multifacetada que remonta aos primórdios do século XVIII. Uma das figuras centrais no início de sua história é João Leite da Silva Ortiz, nascido em São Paulo, filho de Estevão Raposo Bocarro e Dona Maria de Abreu Pedroso Leme, sobrinha de Fernão Dias Paes Leme. Ortiz, representante da raça dos sertanistas paulistas, era conhecido por sua busca constante por novos territórios e oportunidades.

Como bandeirante, Ortiz desempenhou um papel crucial na exploração e no desenvolvimento inicial da região. Em 1701 chegou à Serra de Congonhas, onde, em vez de encontrar ouro, como era sua intenção inicial, deparou-se com uma paisagem propícia para a agricultura. Esta descoberta levou-o a estabelecer-se na área, fundando a Fazenda do Cercado, onde iniciou atividades agrícolas e pecuárias.

Em janeiro de 1711, Ortiz obteve a Sesmaria do Cercado e, no mês seguinte, a Sesmaria de Sete Lagoas. Esta última, por razões não documentadas, não foi registrada nos livros oficiais da Secretaria do Governo na época. Além de sua influência em Sete Lagoas, Ortiz é reconhecido por fundar o arraial do Curral del Rei, que eventualmente evoluiu para a cidade de Belo Horizonte, a capital de Minas Gerais.

A história de Sete Lagoas prossegue com a figura de Antônio de Pinto Magalhães, que desempenhou um papel fundamental na evolução da cidade. Ele adquiriu a sesmaria da região, anteriormente pertencente a João Leite da Silva Ortiz. Esta aquisição, documentada oficialmente, representa um marco importante na continuidade do desenvolvimento de Sete Lagoas. A compra da sesmaria por Magalhães é um reflexo da dinâmica de posse e exploração de terras que caracterizava o período colonial brasileiro.

Por volta de 1750, a Coroa Portuguesa formalizou a concessão da sesmaria a Antônio de Pinto Magalhães, cobrindo a área que hoje corresponde à cidade de Sete Lagoas. Essa transferência de posse foi um passo significativo na história da região. Posteriormente, após a execução de Magalhães, a sesmaria foi transferida para o Padre Joaquim de Souza, um movimento que reflete as mudanças políticas e sociais da época.

Durante o período colonial brasileiro, especialmente nos séculos XVII e XVIII, a Coroa Portuguesa implementou uma série de medidas para controlar a extração e o tráfego de ouro e diamantes na região das Minas Gerais.

A partir de 1702, a Coroa Portuguesa determinou a organização da exploração das minas através do Regimento das Terras Minerais. Este regimento estabeleceu que a exploração aurífera deveria ser acompanhada pelo pagamento de um imposto denominado “quinto”, que correspondia a um quinto do valor extraído. Além disso, foram criados postos de controle, conhecidos como “quarteis” ou “registros”, em diversas localidades de Minas Gerais, visando cobrar impostos sobre a circulação de mercadorias e escravos. Um desses postos criados foi em Sete Lagoas.

Joaquim José da Silva Xavier, mais conhecido como Tiradentes, teve uma presença significativa na cidade. Ele comandou a guarnição militar responsável pela segurança do posto de arrecadação fiscal em Sete Lagoas. Documentos históricos confirmam a presença de Tiradentes na cidade entre 22 de abril de 1780 e 23 de junho de 1781. Durante este período, além de garantir a segurança do Registro, o destacamento militar sob seu comando também tinha a missão de patrulhar as estradas para coibir o contrabando e auxiliar na cobrança dos impostos.

Formação administrativa O distrito de Sete Lagoas foi criado em 7 de abril de 1841, pela Lei Provincial Nº 211. Inicialmente, este distrito era subordinado ao município de Sabará, sendo transferido para Santa Luzia em 1847, quando esta foi elevada a vila. Alguns anos depois, pela Lei Provincial Nº 1.395, de 24 de novembro de 1867, o distrito foi elevado a vila, desmembrando-se de Santa Luzia. A categoria de cidade foi alcançada em 30 de novembro de 1880, pela Lei Provincial Nº 2.672. Diversos distritos foram criados ao longo dos séculos XIX e XX, posteriormente se emancipando como Fortuna, Jequitibá e Inhaúma.

Geografia Situada a 72 km de Belo Horizonte, Sete Lagoas está localizada de forma estratégica na Região Geográfica Intermediária de Belo Horizonte, e o município é parte integrante do colar metropolitano da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Dispõe de linha férrea e gasoduto subterrâneo. Sete Lagoas ocupa o décimo segundo lugar entre as cidades mais populosas de Minas Gerais. Sete Lagoas se localiza na Região Geográfica Imediata homônima, formada pelos municípios de Araçaí, Baldim, Cachoeira da Prata, Caetanópolis, Capim Branco, Conceição do Mato Dentro, Congonhas do Norte, Cordisburgo, Fortuna de Minas, Funilândia, Inhaúma, Jequitibá, Matozinhos, Morro do Pilar, Paraopeba, Prudente de Morais, Santana de Pirapama e Santana do Riacho.

Geologia e hidrografia O município, com área de , apresenta relevo constituído por colinas suaves, côncavo-convexas e altimetria média entre 700 e 900 m. As cotas mais baixas situam-se no extremo-noroeste, na bacia do Ribeirão São João. O ponto culminante está localizado Serra de Santa Helena, localizada a noroeste da cidade e possui uma altitude de 1.072 metros.

Do ponto de vista geológico, Sete Lagoas está enquadrada numa região de rochas do Grupo Bambuí, constituída de calcários cinzentos intercalados por mármore acinzentado (Formação Basal ou Sete Lagoas) e ardósias sobrepostas ao calcário (Formação Santa Helena). Encontra-se Latossolo Vermelho distroférrico típico A moderado muito argilosos e Latossolo Vermelho-Escuro distrófico textura argilosa fase cerrado.

O município está localizado na bacia hidrográfica do Rio São Francisco, no qual a Serra de Santa Helena atua como divisor de bacia do Rio Paraopeba e Rio das Velhas, afluentes do São Francisco. O principal curso da bacia do Paraopeba é o Ribeirão São João. O principal curso da bacia do Rio das Velhas é o Ribeirão Jequitibá, sendo que sua sub-bacia corresponde a 80% do território do município.

Clima Domina a área o clima tropical de altitude, com verões quentes e chuvosos e invernos secos. Estação chuvosa de outubro a março e estiagem de abril a setembro. Naturalmente, há anos mais chuvosos ou menos chuvosos em relação a outros. Também têm ocorrido algumas variações desse tipo para cada mês em anos diferentes. O mesmo pode acontecer com relação às temperaturas médias mensais e anuais. Alguns anos podem ser um pouco mais quentes ou um pouco mais frios do que outros. Algo um tanto similar pode ser observado em relação a cada mês específico em anos diferentes.

Em conformidade com dados da estação meteorológica convencional do município, desativada em julho de 2016, a temperatura média compensada de Sete Lagoas entre os anos de 1981 até 2010 foi de 21,5 °C e o índice pluviométrico anual de milímetros, com tempo de insolação de aproximadamente .Instituto Nacional de Meteorologia, "Climatologia de Sete Lagoas (1981-2010)", INMET, 2016

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1961 a 1983, 1986 e a partir de 1993, a menor temperatura registrada em Sete Lagoas foi de em 1° de junho de 1979, e a maior atingiu em 17 de outubro de 2015. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de milímetros (mm) em 23 de janeiro de 1977. Outros grandes acumulados foram em 27 de dezembro de 1995, em 14 de fevereiro de 1978, em 31 de janeiro de 2000, em 31 de dezembro de 2001, em 25 de novembro de 1980 e 28 de fevereiro de 2015, em 13 de janeiro de 1978, em 4 de janeiro de 1997, em 14 de dezembro de 1995, em 22 de outubro de 2009, em 7 de março de 1994, em 13 de março de 2012 e em 19 de fevereiro de 1965. Janeiro de 1961 foi o mês de maior precipitação, com .

Demografia

Em 2022, a população do município foi contada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em habitantes. Referente ao mesmo ano, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Da população total naquele ano, habitantes tinham menos de 15 anos de idade, e pessoas possuíam mais de 60 anos. A população do município era composta por brancos (29,2%), negros (11,6%), amarelos (0,08%), pardos (58,9%) e 117 indígenas (0,05%).

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Sete Lagoas é considerado alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,760 (o 366º maior do Brasil). A cidade possui a maioria dos indicadores próximos à média nacional segundo o PNUD. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,705, o valor do índice de longevidade é de 0,840 e o de renda é de 0,742.

De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população municipal está composta por: católicos (74%), evangélicos (16,9%), pessoas sem religião (3,7%) e 5,2% estão divididos entre outras religiões. A cidade sedia a Diocese de Sete Lagoas, cuja sede é representada pela Catedral de Santo Antônio, que corresponde a um dos principais templos da Igreja Católica e um dos principais pontos turísticos do município. De acordo com o censo brasileiro de 2022, a composição religiosa da cidade era de 67,62% católicos, 20,97% evangélicos ou protestantes, 2,72% espíritas, 0,57% umbanda ou candomblecistas, 0,02% religiões tradicionais, 2,96% outras religiões, 5,01% irreligiosos, 0,03% desconhecidos e 0,11% não declarados.

Política e administração

A administração municipal se dá pelos Poderes Executivo e Legislativo. O representante do Poder Executivo de Sete Lagoas eleito nas eleições municipais em 2024 foi Douglas Melo, do PSD, que conquistou um total de 49.367 votos, 43,23% dos votos válidos., tendo Euro de Andrade como vice-prefeito.

O Poder Legislativo, por sua vez, é constituído pela câmara, composta por 19 vereadores eleitos para mandatos de quatro anos (em observância ao disposto no artigo 29 da Constituição). Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento participativo (Lei de Diretrizes Orçamentárias). Havia eleitores em julho de 2024, o que representava 0,99% do total do estado.

O município é dividido em três distritos, sendo o da Sede, que tem categoria de cidade, e os distritos de Silva Xavier, criado pela Lei Estadual Nº 336, de 27 de dezembro de 1948, e Barreiro de Sete Lagoas, criado pela Lei Municipal Nº 8.422, de 31 de março de 2015.

Infraestrutura Saúde O município possuía, em 2009, 130 estabelecimentos de saúde, sendo 73 deles privados e 53 públicos municipais entre hospitais, prontos-socorros, postos de saúde e serviços odontológicos. Neles havia 268 leitos para internação. Em 2022, foram registrados nascidos vivos, ao mesmo tempo que o índice de mortalidade infantil foi de 14,78 óbitos de crianças menores de cinco anos de idade a cada mil nascidos vivos.

Educação

Em 2022, de acordo com dados do Censo escolar, o município contava com matrículas nas instituições de ensino da cidade. Desse total, frequentavam creches, no ensino fundamental, no ensino médio.

Educação de Sete Lagoas em números (2022) Nível Matrículas Docentes Escolas (total) Ensino pré-escolar 8.101 801 65 Ensino fundamental 25.109 1.588 80 Ensino médio 7.579 809 43

Está instalado no bairro Itapoã, desde 2009, o Campus Sete Lagoas da Universidade Federal de São João del-Rei (CSL-UFSJ). Oferecendo cusos de ensino superior prioritariamente nas áreas das Ciências Agrárias e da Tecnologia de Alimentos, e investimentos em pesquisa científica, atividades de extensão e parcerias com instituições de ensino, pesquisa e setor produtivo.