O Financial Times Stock Exchange 100 Index, também chamado de FTSE 100 Index, FTSE 100, FTSE ou, informalmente, "Footsie", pronunciado /ˈfʊtsi/, é o índice de ações mais conhecido do Reino Unido. Reúne as 100 blue chips de maior capitalização de mercado negociadas na Bolsa de Valores de Londres.
História O índice começou a ser calculado em 3 de janeiro de 1984. A Bolsa de Valores de Londres o criou para acompanhar melhor a atividade do mercado. Após sua apresentação pública em 14 de fevereiro, o índice substituiria o FT 30, do jornal Financial Times.Michie, 1999, p. 573.Makepeace, 2020, p. 51. Até 10 de fevereiro, a bolsa ainda o chamava de "SE 100", sem mencionar o Financial Times, que não havia participado de sua elaboração. A bolsa acabou reconhecendo o valor de ter o jornal no lançamento oficial.Kynaston, 1997, p. 133.
Em maio de 1984, o London Traded Options Market, ou LTOM, pertencente à própria bolsa, lançou um contrato de opções baseado nos dados do FTSE em tempo real. A concorrente LIFFE se apressou para lançar seu contrato futuro na mesma ocasião.Kynaston, 1997, p. 131.
O uso do índice cresceu, embora a negociação de contratos baseados nele demorasse a se firmar. Em 1985, o volume anual de contratos futuros do FTSE ficou abaixo de 89.000, muito distante dos 15 milhões de lotes negociados em contratos do S&P 500.Kynaston, 1997, p. 328. Em 1986, a ampla desregulamentação financeira promovida por Margaret Thatcher e as privatizações de empresas do índice que receberam grande atenção pública, como British Telecom, British Gas e British Aerospace, culminaram no Big Bang. O novo índice, as privatizações de grandes empresas, os derivativos negociados na LIFFE e a divulgação pelo Financial Times fizeram do FTSE 100 o indicador mais usado para acompanhar as altas e baixas do mercado acionário britânico.Michie, 1999, p. 574.
As privatizações prosseguiram em 1987, com a British Airways e a British Petroleum. A venda desta última foi concluída no mesmo dia da Segunda-feira Negra, quando começou uma queda de 21,73% do índice em dois dias. Em um deles, a perda chegou a 12,22%, a maior queda diária do índice. Enquanto o índice despencava, a negociação de contratos futuros atingiu o recorde de 9.111 contratos em um único dia. Na semana anterior à quebra, a média havia sido de 2.400 contratos por dia.Kynaston, 1997, p. 178.
Na primavera de 1992, o LTOM foi vendido à LIFFE por um valor simbólico, reunindo a negociação dos derivativos do FTSE 100 em uma única bolsa.Kynaston, 1997, p. 256.Michie, 1999, p. 618. Esses instrumentos ainda eram negociados apenas por investidores institucionais, pois o alto investimento necessário para oferecer negociação eletrônica limitava o acesso dos pequenos investidores.Kynaston, 1997, p. 207. Mesmo assim, os volumes anuais de contratos futuros e de opções do FTSE atingiram novos recordes em 1992, de 2,6 milhões e 2,2 milhões, respectivamente.Kynaston, 1997, p. 329. No outono, o Banco da Inglaterra, sob orientação do Tesouro britânico no governo de John Major, não conseguiu sustentar a libra esterlina no Mecanismo Europeu de Taxas de Câmbio. A rápida desvalorização da libra na Quarta-feira Negra e a saída desse mecanismo beneficiaram muito as empresas do FTSE que operavam no exterior, pois suas exportações ficaram mais baratas de um dia para o outro.Kynaston, 1997, p. 257. O índice, que fechou em 2.370,0 pontos em 15 de setembro de 1992, quase triplicou até o fim da década e alcançou 6.930,2 pontos em 30 de dezembro de 1999.
Em 2024, o mercado londrino teve o maior número de saídas de empresas desde a crise financeira de 2008. As empresas citavam a possibilidade de obter avaliações mais altas e custos menores ao transferir suas ações para a Bolsa de Valores de Nova York. Entre elas, Ashtead Group, CRH e Flutter somavam quase £ 120 bilhões da capitalização de mercado do FTSE 100. As aquisições por fundos de private equity reduziram ainda mais o conjunto de empresas que poderiam integrar o índice, e a Hargreaves Lansdown também se preparava para deixar a bolsa. Em todo o mercado londrino, houve cinco saídas para cada nova emissão. No fim do ano, havia especulações sobre o futuro de integrantes antigos do índice, como British American Tobacco, Rio Tinto e Shell.
Características O índice tem o código de negociação UKX e é mantido pela FTSE Russell, subsidiária integral do London Stock Exchange Group, criada como uma joint venture entre o Financial Times e a Bolsa de Valores de Londres. Seu cálculo é feito em tempo real, com divulgação a cada segundo enquanto o mercado está aberto.
Em junho de 2026, a capitalização de mercado do índice era de £ 2,492 trilhões. O FTSE 100 reúne as 100 maiores empresas com nacionalidade atribuída ao Reino Unido pela FTSE Russell, listadas no segmento principal da Bolsa de Valores de Londres, que atendem aos critérios de elegibilidade, classificadas pela capitalização de mercado total antes da aplicação dos fatores de investibilidade.FTSE UK Index Series Ground Rules. FTSE Russell, julho de 2026. Consultado em 15 de setembro de 2026. O valor de mercado total de uma empresa é calculado multiplicando-se o preço de sua ação pelo número total de ações emitidas. O índice acompanha apenas as mudanças no valor de mercado das empresas, sem contabilizar os dividendos que um investidor poderia reinvestir. Para acompanhar o efeito da variação dos preços somada aos rendimentos, usa-se o FTSE 100 Total Return Index, um índice de retorno total. Nas quatro décadas até 2026, o índice de retorno total quase dobrou cinco vezes, enquanto o FTSE 100 dobrou pouco mais de três vezes.
miniatura|Índice de retorno total de 1986 a 2026 Muitas dessas empresas concentram suas operações no exterior. Por isso, as oscilações do índice dão uma indicação limitada do desempenho da economia britânica e são bastante afetadas pelas taxas de câmbio da libra esterlina. O FTSE 250 acompanha melhor a economia do Reino Unido, pois tem uma proporção menor de empresas com operações internacionais.
Embora o FTSE All-Share tenha uma cobertura mais ampla, o FTSE 100 é, de longe, o indicador do mercado acionário britânico mais utilizado. Outros índices relacionados são o FTSE 250, que reúne as 250 maiores empresas depois das integrantes do FTSE 100, o FTSE 350, que reúne os índices FTSE 100 e FTSE 250, o FTSE SmallCap, o FTSE Fledgling e o FTSE AIM UK 50. O FTSE All-Share reúne o FTSE 100, o FTSE 250 e o FTSE SmallCap.
As empresas do índice se distribuem por 18 supersetores da Industry Classification Benchmark, ou ICB. Em 30 de junho de 2026, quatro deles tinham capitalização de mercado superior a £ 250 bilhões. Os setores bancário, de saúde, de bens e serviços industriais e de energia somavam cerca de 53% da capitalização do índice. Na mesma data, AstraZeneca e HSBC tinham valor de mercado superior a £ 200 bilhões cada e, juntas, respondiam por aproximadamente 18% da capitalização.
+ Capitalização dos supersetores da ICB em junho de 2026, arredondada para o bilhão de libras esterlinas mais próximo Supersetor da ICB Capitalização, em bilhões de libras esterlinas Bancos 451 Saúde 325 Bens e serviços industriais 297 Energia 259 Recursos básicos 214 Alimentos, bebidas e tabaco 174 Lojas de produtos de cuidados pessoais, farmácias e supermercados 159 Serviços financeiros 136 Serviços de utilidade pública 118 Seguros 88 Produtos e serviços de consumo 61 Tecnologia 56 Viagens e lazer 38 Telecomunicações 35 Imóveis 30 Varejo 26 Mídia 17 Construção e materiais 4
A composição do FTSE é revista a cada trimestre. Algumas empresas entram no índice e outras saem, o que provoca oscilações no volume de negociação e nos preços à medida que os participantes do mercado reajustam suas carteiras.
Ponderação Nos índices FTSE, as ações são ponderadas pela capitalização ajustada pelo free float, sujeita aos limites de propriedade estrangeira aplicáveis. Assim, empresas maiores e com mais ações disponíveis para negociação têm maior peso no índice. A fórmula básica desses índices é a seguinte.
Em sua forma expandida,
Para cada componente, de até, em geral, , no instante , multiplicam-se o preço da ação, a quantidade de ações e o fator de free float. A soma desses produtos é dividida pelo divisor do índice para obter seu valor.
O free float é a proporção das ações emitidas que a FTSE Russell considera disponível para negociação. A organização calcula esse percentual com base em informações públicas e o arredonda para quatro casas decimais. A capitalização ajustada pelo free float é a capitalização de mercado da empresa multiplicada pelo fator aplicado no índice. Ações com restrições à negociação, como as detidas por pessoas ligadas à empresa, ficam fora do cálculo.Free Float Restrictions. FTSE Russell, junho de 2025. Consultado em 15 de setembro de 2026.
Em um instante em que não haja alterações, pode-se obter o divisor reorganizando a fórmula básica.
Como qualquer índice de preços, o FTSE 100 passa por mudanças decorrentes de eventos societários ou da entrada e saída de empresas. O divisor é ajustado para reduzir o efeito dessas mudanças sobre o valor do índice e manter seu cálculo fiel às oscilações dos preços de mercado.
A FTSE Russell usa a fórmula desenvolvida por Hermann Paasche para ajustar o divisor com os valores anteriores a um evento societário. A variação do índice decorrente desse ajuste é usada para calcular seu novo valor no dia do evento.
A fórmula de Paasche é
em que
Símbolo Definição Índice de Paasche Preço do componente no início do dia , após os ajustes decorrentes de um evento societário ou de outro evento Preço do componente no primeiro dia de cálculo do índice Número de ações do componente incluídas no índice no início do dia
Como o cálculo sempre parte do valor anterior, sem recorrer a uma base fixa, usa-se um índice de Paasche encadeado para unir cada novo valor ao anterior. Sua fórmula é
Isoladamente, o índice de Paasche encadeado não ajusta o valor de fechamento anterior, o que produz uma diferença anormal de preços. Para manter a continuidade, a FTSE Russell usa um fator de ajuste de preços, expresso por , na fórmula
O valor do índice, , é o produto de seu valor no período anterior, , por uma razão entre duas somas. No numerador, somam-se os produtos do preço pela quantidade de cada componente, de a , no instante . No denominador, somam-se os produtos do preço de cada componente no instante por sua quantidade de ações e seu fator de ajuste de preços no instante .
Contratos futuros Os contratos futuros de referência do FTSE 100 são negociados na ICE Futures Europe, ou ICEU, anteriormente chamada de London International Financial Futures Exchange, a LIFFE. Cada contrato vale 10 libras esterlinas multiplicadas pela pontuação do índice e tem as especificações abaixo.
+ Especificações do contrato FTSE 100, código Z Tamanho do contrato 10 GBP × pontuação do índice Bolsa ICEU Setor Índices Código do contrato Z Variação mínima de preço 0,5 Valor da variação mínima 5 GBP Valor do ponto-base 10 Moeda GBP Casas decimais 1
No último dia de negociação de cada contrato futuro trimestral, o preço de liquidação é determinado por um leilão intradiário de todas as ações do FTSE 100 na Bolsa de Valores de Londres, com início às 10h15.
Valores recordes O índice atingiu os seguintes valores recordes.
Categoria Máxima histórica Data Fechamento 10.910,55 27 de fevereiro de 2026 Intradiária 10.989,45 31 de julho de 2026
O índice começou em 3 de janeiro de 1984, com uma base de 1.000 pontos. O maior valor de fechamento, de 10.910,55 pontos, foi atingido em 27 de fevereiro de 2026. A máxima intradiária, de 10.989,45 pontos, foi alcançada em 31 de julho de 2026.
Retornos anuais A tabela apresenta a evolução anual do FT 30 de 1969 a 1983 e do FTSE 100 a partir de 1984.