Lauzane Paulista é um bairro da zona norte da cidade de São Paulo, pertencente ao distrito do Mandaqui e administrado pela Subprefeitura de Santana-Tucuruvi. Nos documentos relativos às primeiras décadas de formação do bairro, a denominação aparece como Lausanne Paulista, em referência à cidade de Lausana, na Suíça. A grafia atual é Lauzane Paulista, enquanto a forma histórica foi preservada no nome do clube de futebol e de outras instituições locais.

História Antes do loteamento, a área apresentava características predominantemente rurais, com chácaras dedicadas à agricultura, propriedades de veraneio e atividades de extração mineral. Um histórico municipal registra que, em 1876, já viviam no futuro bairro o francês Pedro Gabone e a italiana Francisca Boccaccio Gabone, seguidos por famílias como os Gabriel, Bandini, Colombane, Rosolen e Simões. A agricultura constituía uma das principais atividades econômicas dos primeiros moradores. Parte do território era conhecida como Fazenda da Pedreira, explorada inicialmente pela família Menezes e posteriormente pela empresa Bandini, Lascala & Companhia.

A antiga Pedreira dos Menezes fornecia pedras utilizadas em obras da cidade. Em 1894, seus proprietários obtiveram autorização para implantar um ramal particular ligado ao Tramway da Cantareira, empregado no escoamento do material extraído. Denominada Ramal dos Menezes, a linha conectava a pedreira ao sistema ferroviário que ligava a zona norte às áreas centrais de São Paulo. Posteriormente, o ramal também contribuiu para o acesso às chácaras e propriedades existentes em seus arredores.

A propriedade que daria origem ao bairro foi adquirida em outubro de 1917 por Alberto Savoy, em período próximo ao seu casamento com Maria Bandini Savoy. Diferentemente do que afirmavam narrativas memorialísticas anteriores, Alberto Savoy não nasceu em Lausana: era brasileiro, nascido em 1878, filho dos imigrantes suíços Antônio Savoy e Maria Rosalina Perroud. A propriedade estendia-se do Córrego Mandaqui à estrada da Parada Pinto e era atravessada pelo Ramal dos Menezes. A família utilizava o local para veraneio e o acessava pela estação Mandaqui do Tramway da Cantareira, complementando o percurso com um veículo de tração animal particular. A chácara possuía uma residência principal em forma de bangalô, casa de caseiro e estufa; essas construções permaneceram preservadas até a década de 2000. miniaturadaimagem|Mapa do bairro em 1931. Em 1924, os Savoy iniciaram o parcelamento de parte da propriedade, formando inicialmente a Vila Savoy, que daria origem ao Lausanne Paulista. O nome fazia referência à ascendência suíça da família e foi empregado como elemento de distinção e divulgação do empreendimento. A topografia acidentada, associada nas propagandas às paisagens suíças, também foi utilizada para promover o loteamento, embora os pesquisadores ressaltem que não se tratava de uma tentativa de reproduzir a Suíça em São Paulo. Os terrenos apresentavam dimensões e preços variados, destinando-se tanto às camadas populares quanto aos setores médios que buscavam alternativas aos aluguéis e imóveis mais caros das áreas centrais.

O parcelamento ocorreu por meio de diferentes promotores imobiliários. A família Savoy vendeu parte da gleba a Francisco Amaro, cuja empresa passou a comercializar, a partir de 1925, os terrenos situados na margem direita do córrego do Lausanne. Os Savoy continuaram atuando entre a margem esquerda desse curso d’água e a margem direita do córrego Mandaqui, promovendo arruamentos, vendendo lotes e construindo casas destinadas à locação. A Olaria Savoy forneceu tijolos e telhas empregados em parte das primeiras residências do bairro. Após a morte de Francisco Amaro, em 1929, seus terrenos passaram, na década seguinte, à Sociedade Civil Lausanne Paulista, formada por Piero Roversi, José Gonçalves Carneiro e suas respectivas famílias. Os novos responsáveis mantiveram a denominação do empreendimento, que já havia se consolidado entre os moradores.

A cartografia de 1930 registra uma ocupação ainda esparsa, concentrada ao redor da estrada do Guacá, da rua Conselheiro Moreira de Barros e do Tramway da Cantareira. O bairro era atravessado pelo córrego do Lausanne, também denominado Ribeirão do Pilão d’Água, e limitado em parte pelo córrego Mandaqui. Estradas rurais, como as do Bispo, do Guacá e da Parada Pinto, coexistiam com os primeiros arruamentos do loteamento. Os terrenos apresentavam dimensões diversas, e as maiores concentrações de construções encontravam-se entre os cursos d’água e os antigos caminhos de ligação com Santana.

O Lauzane Paulista Futebol Clube desempenhou papel relevante na formação das relações comunitárias do bairro. A prática do futebol já estava presente na antiga Fazenda da Pedreira por meio do Pedreira Futebol Clube. Em 1927, Alberto Savoy, membros da família Bandini e antigos associados da agremiação fundaram o Lausanne Paulista Futebol Clube, associando a instituição esportiva ao loteamento. Na década de 1930, o clube tornou-se conhecido como “Tigre da Cantareira” e, a partir de 1939, passou a contar com arquibancadas, quadras poliesportivas e instalações para a prática de bocha. Além da função esportiva, sua praça de esportes tornou-se espaço de encontros, festivais e organização comunitária, contribuindo para a abertura de ruas e para a concentração de novas moradias em seus arredores entre as décadas de 1930 e 1950.

Outros equipamentos passaram a compor o núcleo social do bairro. A Paróquia Santo Antônio do Lausanne teve origem em uma pequena capela organizada na década de 1930 e foi elevada à condição de paróquia nos anos 1950. Juntamente com o clube, a igreja abrigava quermesses, procissões, reuniões e atividades comunitárias. Na década de 1960, o governo estadual desapropriou o terreno da primeira Praça de Esportes Alberto Savoy para construir o Grupo Escolar Castro Alves. O clube recebeu indenização e transferiu sua sede para outro terreno do bairro, adquirido com o auxílio da família Savoy. A nova instalação passou a contar com estádio, arquibancadas de concreto e ginásio poliesportivo.

Entre as décadas de 1960 e 1980, a abertura de novas vias e a canalização do córrego Mandaqui, associada à implantação da Avenida Engenheiro Caetano Álvares, ampliaram a integração do Lauzane Paulista ao restante da zona norte. A família Savoy e seus descendentes participaram da abertura de alguns logradouros, entre eles a rua Maria Bandini Savoy, onde foi instalada a nova sede do clube. A urbanização e a valorização imobiliária modificaram progressivamente a antiga paisagem rural. Entre os vestígios históricos identificados em estudo publicado em 2023 estavam parte da antiga pedreira, incorporada ao estacionamento do Supermercado Trimais, a Paróquia Santo Antônio do Lausanne, o clube de futebol e algumas residências remanescentes da ocupação inicial.

Na pesquisa Onde estão os imóveis novos mais caros de SP? feita pela revista Exame a Avenida do Guacá apresenta o metro quadrado mais caro da Zona Norte, 5.684 reais.Preços na zona norte são os menores da cidade

Categoria:Bairros do Mandaqui