Tumiritinga é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce, estando situado a cerca de a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.
A sede, localizada na margem do rio Doce, tem uma temperatura média anual de e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica. Com 68% da população vivendo na zona urbana, Tumiritinga contava, em 2009, com quatro estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,626, considerando como médio em relação ao estado.
O povoamento do município teve início no começo do século XX, com as obras de locação da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e da primeira estação ferroviária da cidade. A localidade se desenvolveu principalmente à base do comércio, tendo se tornado distrito de Tarumirim em 1938 e emancipado em 1948, instalando-se em 19 de março de 1949.
Situa-se em Tumiritinga uma das principais praias de água doce da região, a Praia do Jaó, na margem do rio Doce, cujo conjunto paisagístico abrange pontos como uma área de eventos com 5 mil m², uma área de preservação ambiental e a Praça Silvio Perez. Na praia é realizado um dos maiores carnavais do entorno da cidade, o Carnajaó, que em algumas edições atrai milhares de pessoas em seus dias de festa.
Etimologia
Tumiritinga vem do tupi antigo ytu + mirĩ + ting + -a, significando "cachoeira pequena e clara".
História
thumb|esquerda|Praça Tiradentes com a Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus ao fundo Até por volta de 1910, a área do atual município de Tumiritinga era uma fazenda pertencente ao coronel Xandoca. Nesta ocasião, foi construída a primeira estação ferroviária da localidade, atendida pela Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). Os trabalhadores da ferrovia se fixaram nas proximidades, cujo lugar que recebeu o nome de Parada da Cachoeirinha, dando início ao povoamento. O antigo nome se deve à existência de uma pequena queda no rio Doce. Pouco tempo depois, o desenvolvimento do comércio começou atrair famílias oriundas de Queiroga (atual Itanhomi).
O lugar pertencia ao município de Tarumirim. Dado o crescimento populacional e econômico, pela lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, foi criado o distrito de Cachoeirinha, que passou a se denominar Tumiritinga pela lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943. Foi emancipado pela lei estadual nº 336, de 27 de dezembro de 1948, sendo instalado em 1949. A lei nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, criou o único distrito do município, São Geraldo de Tumiritinga.
Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constitui a zona urbana. Situa-se a 18°58'45" de latitude sul e 41°38'43" de longitude oeste e está a uma distância de 363 quilômetros a leste da capital mineira. Seus municípios limítrofes são Governador Valadares, a norte; Alpercata, a noroeste; Capitão Andrade e Itanhomi, a oeste; Conselheiro Pena, a sul; e Galileia, a leste.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Governador Valadares. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Governador Valadares, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce.
Relevo, hidrografia e meio ambiente thumb|esquerda|Rio Doce em Tumiritinga visto da Praia do Jaó O relevo do município de Tumiritinga é predominantemente plano. Em aproximadamente 40% do território tumiritinguense há o predomínio de lugares aplainados, enquanto que cerca de 30% é coberto por mares de morros e os 30% restantes são terras acidentadas. A altitude máxima encontra-se na Serra Queiroguinha, que chega aos 560 metros, enquanto que a altitude mínima está na foz do rio Caratinga no rio Doce, com 187 metros. Já o ponto central da cidade está a . Os rios Doce, Caratinga e Preto e o ribeirão Traíras são os principais cursos hídricos que passam por Tumiritinga, fazendo parte da bacia do rio Doce. O rio Doce, inclusive, banha a zona urbana.
Por vezes, na estação das chuvas, os mananciais que cortam o município, principalmente o rio Doce, sofrem com a elevação de seus níveis, provocando enchentes em suas margens, o que exige a existência de um sistema de alerta contra enchentes eficaz. A cidade foi uma das mais afetadas pelas enchentes de 1979, que atingiram vários municípios do leste mineiro banhados pelo rio Doce e seus afluentes. Atualmente existe uma série de estações pluviométricas e fluviométricas instaladas em Tumiritinga, que são administradas pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e que visam a alertar a população de uma possível enchente.
A vegetação predominante no município é a Mata Atlântica, sendo que os principais problemas ambientais presentes, segundo a prefeitura em 2010, eram o assoreamento de corpos d'água e as queimadas. A cidade conta, entretanto, com Conselho Municipal de Meio Ambiente, criado em 2005 e de caráter paritário.
Clima Maiores acumulados diários de chuva registrados em Tumiritinga por meses Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 29/01/2013 Julho 13/07/1990 Fevereiro 26/02/1999 Agosto 26/08/1984 Março 16/03/1979 Setembro 30/09/2003 Abril 16/04/1980 Outubro 21/10/1984 Maio 10/05/2010 Novembro 30/11/1997 Junho 13/06/2009 Dezembro 18/12/2013 Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) O clima tumiritinguense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), tendo temperatura média anual de 22,7 °C com invernos secos e amenos e verões chuvosos e com temperaturas elevadas. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.
A precipitação média anual é de mm, sendo julho o mês mais seco, quando ocorrem apenas . Em janeiro, o mês mais chuvoso, a média fica em . Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos , especialmente entre julho e setembro. Em julho de 2012, por exemplo, a precipitação de chuva em Tumiritinga não passou dos . Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar.
Segundo dados da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), de 1974 a 2023 o maior acumulado de chuva registrado em 24 horas em Tumiritinga foi de no dia 16 de março de 1979. Outros grandes acumulados foram de em 30 de novembro de 1997, em 18 de dezembro de 2013 e em 29 de janeiro de 2013. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Tumiritinga é o 658º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais, com uma média anual de 2,179 raios por quilômetro quadrado.
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e na zona rural. Da população total, habitantes (28,25%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (62,40%) tinham de 15 a 64 anos e 588 pessoas (9,34%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 74,6 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 2,4. thumb|esquerda|Vista da Igreja Matriz do Sagrado Coração de Jesus
Em 2010, segundo dados do censo do IBGE daquele ano, a população tumiritinguense era composta por brancos (24,71%); 745 negros (11,84%); 113 amarelos (1,80%); pardos (61,59%) e quatro indígenas (0,06%). Considerando-se a região de nascimento, quatro eram nascidos na Região Norte (0,07%), 101 na Região Nordeste (1,61%), no Sudeste (97,41%) e 17 no Centro-Oeste (0,28%). habitantes eram naturais do estado de Minas Gerais (92,71%) e, desse total, eram nascidos em Tumiritinga (53,13%). Entre os 459 naturais de outras unidades da federação, Espírito Santo era o estado com maior presença, com 146 pessoas (2,32%), seguido por São Paulo, com 95 residentes (1,51%), e pelo Rio de Janeiro, com 55 habitantes residentes no município (0,87%).
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Tumiritinga é considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,626 (o 3561º maior do Brasil). A cidade possui a maioria dos indicadores próximos à média nacional segundo o PNUD. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,482, o valor do índice de longevidade é de 0,827 e o de renda é de 0,615. De 2000 a 2010, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo reduziu em 47,8% e em 2010, 76,3% da população vivia acima da linha de pobreza, 15,5% encontrava-se na linha da pobreza e 8,1% estava abaixo e o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,46, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. A participação dos 20% da população mais rica da cidade no rendimento total municipal era de 50,3%, ou seja, 11 vezes superior à dos 20% mais pobres, que era de 4,6%.
De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população de Tumiritinga está composta por: católicos (57,70%), evangélicos (29,94%), 598 pessoas sem religião (9,50%), 18 espíritas (0,28%) e 2,58% estão divididas entre outras religiões. Sedia a Paróquia Sagrado Coração de Jesus, subordinada à Diocese de Governador Valadares.
Política e administração thumb|direita|Prefeitura de Tumiritinga A administração municipal se dá pelos Poderes Executivo e Legislativo. O Executivo é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários. O Poder Legislativo, por sua vez, é constituído pela câmara municipal, composta por nove vereadores. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento participativo (Lei de Diretrizes Orçamentárias).
Em complementação ao processo Legislativo e ao trabalho das secretarias, existem também conselhos municipais em atividade, entre os quais dos direitos da criança e do adolescente, que foi criado em 2009, e o conselho tutelar. Tumiritinga se rege por sua lei orgânica, que foi promulgada em 19 de março de 1990, e é termo da Comarca de Conselheiro Pena, do Poder Judiciário estadual, de primeira entrância, juntamente com os municípios de Alvarenga, Cuparaque e Goiabeira. O município possuía, em fevereiro de 2017, eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que representa 0,036% do eleitorado mineiro.
Economia No Produto Interno Bruto (PIB) de Tumiritinga, destacam-se a agropecuária e a área de prestação de serviços. De acordo com dados do IBGE, relativos a 2011, o PIB do município era de R$ . mil reais eram de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes e o PIB per capita era de R$ . Em 2010, 57,41% da população maior de 18 anos era economicamente ativa, enquanto que a taxa de desocupação era de 8,52%.