98 Octanas é um filme dramático português de 2006, realizado por Fernando Lopes, e co-escrito com crítico de cinema João Lopes a partir de uma história de Diogo Seixas Lopes. O filme de estrada é protagonizado por Rogério Samora e Carla Chambel, interpretando respetivamente Diniz e Maria, personagens que se encontram por acaso numa estação de serviço e partem juntos pela autoestrada.
Sinopse Ele e ela, Dinis e Maria, não se conhecem. Algures, numa área de serviço da autoestrada Lisboa - Porto, ele pára para descansar. Ela também lá está e parece tão à deriva quanto ele: é um encontro fortuito que talvez não tenha nada de fortuito. Quase sem palavras, partem os dois no carro dele. A partir daí, sucedem-se as áreas de serviço, os motéis, as conversas e os silêncios, os mistérios e as revelações. Ele e ela desenham o mapa de uma aventura interior cujo destino ambos desconhecem. Em todo o caso, ela espera que ele a conduza a um lugar primordial, quase mítico: a casa da avó. Na sua solidão, cada um deles pode, pura e simplesmente, perder-se... ou, talvez, encontrar o outro.
Elenco
Rogério Samora, como Diniz. Carla Chambel, como Maria. Fernando Heitor, como Barman. Fernando Lopes, como Mafioso. Joaquim Leitão, como Padre. Márcia Breia, como Avó Pilar. Pedro Melo.
Dados técnicos
Produção: Clap Filmes Formato: 35mm cor Som: Dolby digital Produtor: Paulo Branco Cenografia: Zé Branco Música: Bernardo Sassetti Director de fotografia: Edmundo Díaz Sotelo Decoração: Maria José Branco Director de som: Pedro Melo Montagem: Miguel Ceitil e Fernando Lopes
Produção Desenvolvimento Trata-se de uma longa-metragem da Clap Filmes com a Madragoa Filmes, produzida de Paulo Branco, com fotografia de Edmundo Díaz e música de Bernardo Sassetti que, a partir da ideia de um fado, compôs um bolero.
O argumento de 98 Octanas resultou de uma parceria de Fernando Lopes com o crítico de cinema João Lopes e foi escrito a partir de um texto de Diogo Lopes, filho do realizador, que retrata o universo das autoestradas e das estações de serviço. Esta longa metragem marca a segunda colaboração de argumento do realizador e do crítico de cinema depois de Lá Fora. O diálogo "- Vamos para onde? - Longe. - E onde é que isso fica? - Perto." é o mais célebre do filme.
Casting Rogério Samora, colaborador frequente de Fernando Lopes desde Matar Saudades, foi convidado pelo realizador para protagonizar 98 Octanas. Rogério Samora havia sido o ator principal dos últimos filmes de Fernando Lopes ao lado de Alexandra Lencastre. Para este filme, Fernando Lopes decidiu não renovar a contracena e apostar em Carla Chambel, que o impressionou pela "força e por ter um rosto de estranheza, quase de bicho". A par de Samora e Chambel, três outros actores dão corpo ao filme: Márcia Breia, Fernando Heitor e Joaquim Leitão.
Gravações O filme foi rodado nos distritos de Brangança e Coimbra, em Mirandela e Penacova, em jeito de "road movie" e de forma cronológica, à medida que o enredo se ia desvendando, o que permitiu um maior envolvimento dos atores. A experiência de rodagem foi bastante intensa e cansativa para o realizador, que perdeu seis quilos no processo.
Lançamento 98 Octanas estreou a 26 de maio na edição de 2006 do Festival de Cannes. O filme viria a estrear nos cinemas em Portugal a 14 de setembro de 2006.
A longa metragem foi editada em DVD e distribuída pela Atalanta Filmes em março de 2007.
Festivais O filme fez parte da seleção dos seguintes Festivais internacionais de cinema: Festival de Cannes (França, maio de 2006). Festival de Turin (Itália, 2006). Festival CinePort (Brasil, 2007). MICEC Mostra Internacional de Cinema Contemporâneo Europeu de Barcelona (Espanha, 2007).
Recepção A crítica considerou a longa metragem um road movie enérgico e inteligente, ainda que tenham apontado algumas falhas à estrutura do guião. Entre os mais críticos, Luís Miguel Oliveira (Ípsilon) refere a inexistência de um fio condutor que atribui aos diálogos uma artificialidade e deixa os protagonistas numa deriva que fica sempre por resolver. Ariel Schweitzer (Cahiers du Cinéma) e Eduardo Prado Coelho (Público) ressalvaram a performance de Carla Chambel, não só caracterizando a sua sensualidade como explosiva, mas defendendo que a sua força impressionante a faz parecer romper a própria tela. A banda sonora de Bernardo Sassetti foi também bastante elogiada.
Premiações
|rowspan="8" |2007 |rowspan="3" |Globos de ouro |Melhor filme |98 Octanas, Fernando Lopes | | rowspan="3" | |- |Melhor ator |Rogério Samora
|Melhor atriz |Carla Chambel |
Ver também Cinema de Portugal
Referências
Ligações externas
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