Tangará da Serra é um município brasileiro do estado de Mato Grosso, Região Centro-Oeste do país. É o sexto município mais populoso de seu estado, com população de 112.547 habitantes, conforme a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2024.

Criado em 13 de maio de 1976, sua economia baseia-se na prestação de serviços, agroindústria e agricultura, com destaque para a produção de soja e cana-de-açúcar. O comércio é considerando um dos mais estruturados no interior de Mato Grosso. O município é um polo regional, possuindo também diversos atrativos turísticos, como cachoeiras, pousadas e parques. A origem do nome advém do pássaro Tangará.

Sua área é de 11.323,640 km² e a distância até Cuiabá, capital administrativa estadual, é de 240 quilômetros.

É banhada por vários rios e córregos, sendo o mais importante o Rio Sepotuba. Há destaque também para suas cachoeiras, sendo a Salto das Nuvens e o Salto Maciel as mais conhecidos.

História

Origens e Pioneirismo

Inicialmente, a área que hoje constitui o município de Tangará da Serra ficou por um longo tempo povoada pelos povos indígenas Nhambiquara e Paresi.

Segundo as crônicas de Barbosa de Sá os primeiros contatos com outros povos se deram no século XVIII com o aprisionamento dos índios Pareci na cabeceira do rio Sepotuba no início do século XX, quando a Comissão liderada por Cândido Rondon palmilhava a região em 1913, com o auxílio dos índios Pareci e Nhambiquara. A Comissão abriu uma rodovia nos chapadões dos Pareci (construiu uma casa para Rondon no Assentamento Antônio Conselheiro e uma ponte sobre o Rio Sepotuba), implantou uma estação de telégrafo e fez estudos sobre a flora e a fauna locais. Na sequência, vários extrativistas mudaram-se para o local interessados pela mata de poaia, planta medicinal.

Em seu projeto inicial, a área de Tangará da Serra deveria formar uma comunidade japonesa, que não teve êxito devido às más relações do Japão no cenário mundial, que também influía o Brasil, durante a Segunda Guerra Mundial. Assim, apenas as glebas de brasileiros ganharam liberação para colonização, a partir de 1954.

Em 1959, a Companhia de Terras instala-se em Tangará da Serra com o objetivo de implantar uma colônia de terras e o cultivo de café, arroz, milho e feijão. A intensa propaganda fez com que várias famílias migrassem de outros estados para a região, no anseio de possuírem terras bem maiores em relação às que já possuíam onde viviam. Os senhores Júlio Martinez Benevides, Fábio Lissere, Joaquim Aderaldo de Souza e Joaquim Oléa fundaram a Sociedade Imobiliária Tupã para a Agricultura (SITA) para implantar loteamentos na região de Tangará da Serra, por causa do clima e do solo fértil, condições que já haviam incentivado o loteamento de Glebas Santa Fé, Esmeralda e Juntinho (no então município de Barra do Bugres).

A SITA queria formar um centro agrícola. Primeiro vieram os madeireiros, para limpar os terrenos que depois foram distribuídos para os colonos. Nos primeiros tempos, a cafeicultura teve presença marcante na economia de Tangará da Serra.

Formação Administrativa e Etimologia

Com o sucesso do loteamento Tangará da Serra, houve a elevação à categoria de distrito em 6 de janeiro de 1969, através da Lei Estadual 2.906, no município de Barra do Bugres.João Carlos Vicente Ferreira, Pe. José de Moura e Silva, Cidades de Mato Grosso: origem e significado de seus nomes (Cuiabá: CDD, 1998, p. 126-127 Logo, nasce o sentimento de emancipação política, mas ainda não havia motivação para a criação de novos municípios, o que logo fez a Comunidade Local pressionar o Governo Federal e Estadual. Houve ainda a tentativa de José Armando Barbosa Mota, então prefeito de Barra do Bugres, ao qual pertencera Tangará da Serra, propondo a transferência da sede do município para a região além da Serra Tapirapuã.Milton Rozeira, Tangará da Serra, Sua Terra, Sua Gente (Campo Mourão: Polvo Distribuidora de Livros, 1999), p. 34-35

Em 13 de maio de 1976 houve a emancipação política do município, através da Lei Estadual nº 3.687/1976, com áreas desmembradas dos municípios de Barra do Bugres e Diamantino. Os pioneiros deram ao lugar o nome inspirado no pássaro Tangará e na Serra de Tapirapuã, batizando a localidade como Tangará da Serra.

Após a Emancipação

Desde a emancipação, a cidade assumiu uma importante posição de polo regional, sendo um dos principais municípios do interior de Mato Grosso. Sua economia, que esteve por muito tempo ligada à cafeicultura, passou a diversificar-se cada vez mais. A migração, tão marcante na história do município, se acentuou ainda mais após a emancipação. Em poucos anos, Tangará da Serra se fortaleceu e cresceu rapidamente, superando, inclusive, o município de origem, Barra do Bugres, bem como outros municípios já constituídos há muito tempo na região.OLIVEIRA, C. E. Famílias e Natureza. As relações entre famílias e ambiente na colonização de Tangará da Serra - MT (Tangará da Serra: Sanches Ltda, 2004)

O desenvolvimento urbano exigiu melhorias na infraestrutura, aliadas com Planejamento Urbano e a criação de um Plano Diretor Municipal, além de investimentos significativos em diversos setores.

Geografia

O município possui uma área de 11.565,976 km². Localiza-se a uma latitude 14º 37' 10" sul e a uma longitude 57º 29' 25 " oeste. As reservas indígenas ocupam 53% do território tangaraense.Em Tangará da Serra o povo indígena é respeitado O Fuso Horário em vigor é o UTC -4:00.

Clima

O clima do município é o tropical chuvoso quente e úmido, dividido em dois períodos bem definidos: chuvas entre setembro e abril, e estiagem entre maio e agosto. Com temperaturas médias entre 16 e 36 graus, variando de acordo com a época do ano, é considerada uma cidade quente. No inverno, Tangará da Serra costuma ficar entre as cidades que registram as menores temperaturas no estado. Em julho de 2013, os termômetros chegaram a marcar 7,4 graus, batendo o recorde anual.

Relevo e vegetação

direita|thumb|Pássaro Tangará, ave que inspirou o nome do município. O relevo tangaraense é caracterizado pela topografia plana (95%), enquanto, topografias suavemente onduladas e montanhosas formam 5% do relevo. A localização de Tangará da Serra entre as serras de Tapirapuã e dos Parecis delimita dois ecossistemas importantes no território brasileiro: o Pantanal (Sul) e o Chapadão do Parecis (Norte). A Serra dos Parecis é o divisor de águas entre as bacias do Amazonas (Norte) e do Paraguai-Paraná (Sul). O solo é de formação basáltica, que data, aproximadamente, 120 milhões de anos. As características marcantes deste solo são o basalto chumbo cinzento e diabásios intercalados. Quanto à vegetação, Tangará da Serra possui matas densas nas encostas e no alto da Serra Tapirapuã, e cerrado no alto da Serra dos Parecis.

Hidrografia As características geográficas de Tangará da Serra propiciam a ocorrência de inúmeras nascentes de rios e águas cristalinas, cachoeiras e matas abundantes. O município é banhado por diversos rios, sendo os mais importantes o Rio Sepotuba, Rio Formoso e Rio Juba.

Demografia miniaturadaimagem|Rua José Cândido Melhorança

Segundo a estimativa do IBGE, publicada em agosto de 2011, a população era de habitantes. Já em 2013, a população estava estimada em habitantes. Em 2018, a população estava estimada em habitantes. Em 2020, A cidade tinha 105.771 habitantes. Tangará da Serra é a principal cidade da Mesorregião do Sudoeste Mato-Grossense e corresponde a 3% da população de Mato Grosso. Cerca de 90% da população vive na Zona Urbana do município, sendo 50,2% homens e 49,8% mulheres. Já os jovens com menos de 20 anos formam 38% da população total.Perfil Demográfico de Tangará da Serra A migração caracteriza o perfil demográfico do município, que atrai pessoas de diferentes estados do país. O município é considerado uma área de povoação recente, tendo em vista que seu início data a década de 1960, com um grande número de migrantes, vindos, principalmente, dos estados de Minas Gerais, São Paulo, Paraná e alguns estados do Nordeste. A partir da década de 1980, mais migrantes da Região Sul passaram a compor a população de Tangará da Serra.

Crescimento Populacional Em 2018, a população estimada pelo IBGE era de 101.764 habitantes. Desde a década de 1990 a cidade tem experimentado um crescimento populacional expressivo, chegando a uma média de crescimento de 30% a cada cinco anos. Nos últimos anos, a cidade teve um crescimento relativamente alto, sendo este notado com o número elevado de casas em construção nos bairros do setor norte do município, juntamente com o surgimento de outros loteamentos de grande porte.

Pobreza e desigualdade Segundo o IBGE, no ano de 2003, o Coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social era de 0,44, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 o melhor. Naquele ano, a incidência da pobreza, medida pelo IBGE, era de 33,63%, o limite inferior da incidência de pobreza era de 30,88%, o superior era de 36,39% e a incidência de pobreza subjetiva era de 27,03%. . O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Tangará da Serra é considerado alto pelo alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Em 2010 seu valor era de 0,729, ocupando a ª posição entre os municípios brasileiros. O rápido crescimento da população entre as décadas de 1990 e 2000, provocado pelo desenvolvimento econômico do município, fez com que fossem criados novos loteamentos na cidade, os quais muitos destes não possuíam, a princípio, boa infraestrutura, mas que vêm ganhando obras de urbanização ao longo dos anos.

Religião Conforme dados do Censo de 2010, realizado pelo IBGE, a população tangaraense é formada por católicos apostólicos romanos (64,03%), evangélicos (23,86%), sem religião (6,82%), tradições indígenas (1,50%), espíritas (1,02%), testemunhas de Jeová (0,62%), umbanda e Candomblé (0,17%), ateus (0,16%), católicos apostólicos brasileiros (0,10%, budistas (0,07%), Tradições Esotéricas (0,03%), espiritualistas (0,01%) e católicos ortodoxos (0,01%), e a partir de 2016 também os mórmons.

Desenvolvimento Humano No período 1991-2000, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Tangará da Serra cresceu 14,87%, passando de 0,679 em 1991 para 0,780 em 2000. A dimensão que mais contribuiu para este crescimento foi a Educação, com 41,3%, seguida pela Longevidade, com 34,7% e pela Renda, com 24,1%. Neste período, o hiato de desenvolvimento humano (a distância entre o IDH do município e o limite máximo do IDH, ou seja, 1 - IDH) foi reduzido em 31,5%.

Se mantivesse esta taxa de crescimento do IDH-M, o município levaria 10,2 anos para alcançar São Caetano do Sul (SP), o município com o melhor IDH-M do Brasil (0,919), e 3,4 anos para alcançar Sorriso (MT), o município com o melhor IDH-M do estado (0,824).

Em 2000, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de Tangará da Serra é 0,780. Segundo a classificação do PNUD, o município está entre as regiões consideradas de médio desenvolvimento humano (IDH entre 0,5 e 0,8).

Em relação aos outros municípios do Brasil, Tangará da Serra apresenta uma situação boa: ocupa a 758ª posição, sendo que 757 municípios (13,6%) estão em situação melhor e 4812 municípios (86,3%) estão em situação pior ou igual.

Atualmente no Brasil existem 5570 municípios.

Em relação aos outros municípios do Estado, Tangará da Serra apresenta uma situação boa: ocupa a 14ª posição, sendo que 13 municípios (9,15%) estão em situação melhor e 129 municípios (90,8%) estão em situação pior ou igual.

O índice de seu IDH é superior à média estadual, que é de 0,796. Posteriormente supera também a média nacional, que é de 0,718.

Economia