Miguel dos Anjos da Cunha Lisboa Trovoada GColL (São Tomé, 27 de dezembro de 1936) é um advogado, professor e político santomense. Foi primeiro-ministro entre 1975 e 1979 e presidente entre 1991 e 2001.

Biografia Miguel Trovoada nasceu na cidade de São Tomé, em 27 de dezembro de 1936. É filho de Lourenço dos Anjos Trovoada e de Teresa Francisca da Cunha Lisboa. Teve como irmãos Jaime, Ivone e Dayse.

Estudou o nível secundário em Angola e se formou em direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em Portugal.

Fez parte de um grupo de jovens santomenses que criaram a Convergência de Lutas em 1958. Esse grupo era liderado por Guadalupe de Ceita, e tinha outros nomes como Trovoada, Leonel Mário d'Alva, Filinto Costa Alegre, Oné dos Santos e Marcelo da Veiga. A Convergência de Lutas foi o grupo fundamental que permitiu a criação do Comitê pela Libertação de São Tomé e Príncipe (CLSTP) em 1960, e que, em 1972, seria rebatizado como Movimento pela Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP). Articulou as políticas do movimento no Gabão, onde trabalhava como secretário-geral e diretor de assuntos estrangeiros da entidade entre 1960 e 1972. Trabalho junto à Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas (CONCP) para o reconhecimento do CLSTP pela Organização da África Unida, em 1961. Nesse período contou com suporte de Hugo Azancot de Menezes, que lhe forneceu refúgio e suporte contra as perseguições políticas do regime salazarista.

Com Carlos Graça, liderou uma das tendências do CLSTP, chamada Librevile, de visões mais conservadoras, e que era oposta à tendência de Acra, comandada por Ceita, Oné dos Santos e Virgilio Carvalho, de visões mais radicais e socialistas. A divisão entre os grupos acentuou-se em 1965, a partir da acusação de que Trovoada fazia mal emprego e desviava os recursos do partido. Sua liderança no CLSTP foi, realmente, mais fraca, se comparada com a de outros líderes anticoloniais de territórios lusófonos. No início da década de 1970 havia abandonado o CLSTP, e dedicava-se a trabalhar como professor no Gabão. Por conta disso, em 1972 foi substituído por Manuel Pinto da Costa (seu antigo companheiro de classe) no comando do CLSTP/MLSTP.

Em 7 de julho de 1975 foi eleita uma assembleia representativa do povo de São Tomé e Príncipe, com todas as cadeiras consquistadas pelo MLSTP. Com o resultado, tornou-se primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, servindo entre 1975 e 1979. No período, acumulou também o cargo de Ministro dos Negócios Estangeiros.

Em setembro de 1979, numa reunião do Conselho Coordenador (depois substituído pelo Comité Central), Trovoada foi acusado de ter incitado os protestos contra o recenceamento da população, ocorridos em agosto de 1979. Além disso, foi descoberta a sua ligação com um suposto plano de assassinato de Pinto da Costa. Com voto majoritário, o Conselho Coordenador o declarou "inimigo do povo e traidor". Ficou encarcerado por 21 meses, sendo solto em julho de 1981 após uma campanha internacional. Ficou exilado em Paris entre 1981 e 1990.

Em abril de 1990, Evaristo Carvalho e Daniel Daio, já rompidos com o MLSTP, convidaram Miguel Trovoada para se candidatar a presidente com o apoio do Grupo de Reflexão (GR), então maior organização oposicionista do país. Ceita, líder do GR, desligou-se da organização em maio de 1990 em protesto a esse movimento.

Em 3 de março de 1991, Trovoada foi eleito presidente como candidato único independente. A sua eleição foi garantida com forte apoio do Partido de Convergência Democrática - Grupo de Reflexão (PCD-GR; sucessor do GR). Quando disputou a presidência em 1991, não pertencia à nenhuma agremiação política, porém, no final de seu primeiro mandato fundou um novo partido, a Ação Democrática Independente (ADI). Foi reeleito presidente em 1996, já como candidato da ADI, derrotando, em segundo turno, a Pinto da Costa (MLSTP-PSD).

Na presidência do país, foi agraciado com o Grande-Colar da Ordem da Liberdade de Portugal a 12 de outubro de 1992. Enquanto presidente, sofreu uma tentativa de golpe de Estado em 1995, perpetrada por Manuel Quintas de Almeida. Ficou deposto por 8 dias, retornando ao poder em seguida.

Em 2008 tornou-se Secretário Executivo da Comissão do Golfo da Guiné. No mesmo ano, seu filho Patrice Trovoada foi escolhido como primeiro-ministro do país, exercendo o cargo durante 4 meses.

Vida pessoal Casou com Helena e foi pai de Patrice, Yure e Deyse Trovoada.

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