Salto de esqui é um esporte olímpico de inverno criado na Noruega no início do século XIX. Espalhou-se pela Europa e pela América do Norte no início do século XX através, principalmente, de Sondre Norheim, pioneiro do esqui moderno.

As pistas de salto são classificadas de acordo com a distância que os esquiadores percorrem no ar, e têm especificações quanto à área de largada, à curvatura e à área de decolagem. Cada salto é avaliado de acordo com a distância percorrida e o estilo executado. A pontuação da distância está relacionada ao K-point, linha desenhada na área de pouso, alguns metros antes do fim da colina, e que serve como referencial para os saltos. A pontuação de cada juiz que avalia o estilo pode alcançar um máximo de 20 pontos, sendo descontados pontos em caso de erros, imprecisões ou imperfeições na decolagem, no voo ou no pouso.

A técnica dos saltos evoluiu com o decorrer dos anos, passando de saltos com os esquis paralelos, o corpo curvado para frente até o quadril e os braços estendidos para frente (técnica Kongsberger, a primeira largamente utilizada), até saltos com os esquis em formato de V, o corpo inteiramente curvado para frente e os braços estendidos para trás, junto ao cóccix (estilo V, a técnica utilizada nos dias atuais).

Esporte majoritariamente masculino durante várias décadas, o salto de esqui começou a ter grande participação feminina na década de 1990, mas a primeira competição oficial reconhecida pela Federação Internacional de Esqui só ocorreu em 1998, na Suíça. Eventos femininos foram incluídos no Campeonato Mundial de Esqui Nórdico em 2009 e na Copa do Mundo em 2011. Após uma tentativa frustrada de inclusão no programa dos Jogos Olímpicos de Inverno em 2010, as mulheres participaram pela primeira vez do evento em 2014. Além dos Jogos Olímpicos, do Mundial e da Copa do Mundo, as principais competições de salto de esqui são o Torneio Quatro Pistas, o Holmenkollen Ski Festival e o Campeonato Mundial de Voo de Esqui. É de uma dessas pistas, que permitem saltos de mais de 170 metros de distância, o recorde de distância em um salto, 253,5m, estabelecido em 2017 por Stefan Kraft.

História thumb|direita|220px|Primeira edição do Holmenkollen Ski Festival, em 1892.

Assim como a maioria das modalidades de esqui nórdico, o salto de esqui surgiu na Noruega no século XIX. Embora haja registros de saltos desde o final do século XVIII, Ole Rye é considerado o primeiro saltador da história, ao alcançar uma distância de 9,5m em 1808. Atribui-se ao norueguês Sondre Norheim o título de "pai" do esporte moderno, por ter vencido a primeira competição com prêmios, um evento que aconteceu em 1866 na cidade norueguesa de Høydalsmo. As primeiras competições, entretanto, ocorreram alguns anos antes, também na Noruega.

A primeira grande competição de salto de esqui ocorreu em 1875 na colina de Husebybakken. Com a piora das condições climáticas e a falta de estrutura para acomodar o público crescente, o evento foi transferido em 1892 para a colina de Holmenkollbakken e tornou-se um dos principais campeonatos do mundo, sendo realizado até hoje.

No final do século XIX, Sondie Nordheim e o também esquiador Karl Hovelsen emigraram para os Estados Unidos e começaram a desenvolver o esqui no país. Ao mesmo tempo, começavam a ser fundados os primeiros clubes de esqui da Alemanha. Em 1924 o salto fez parte do programa da primeira edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Chamonix, França, e seria disputado em todas as edições seguintes.

Em 1935 foi fundada em Planica, Eslovênia, a primeira pista de ski flying (voo de esqui), como são chamadas as pistas que permitem voos muito longos. Nesta pista foram realizados o primeiro salto com mais de cem metros de distância (pelo austríaco Josef Bradl em 1936) e o primeiro com mais de duzentos metros de distância (pelo finlandês Toni Nieminen em 1994).

O primeiro Campeonato Mundial de Esqui Nórdico a realizar provas em duas pistas, normal e longa, foi o de 1962, em Zakopane, Polônia. Na temporada 1990/91 as competições foram divididas em qualificatória e final, o que permitiu o aumento no número de participantes nos eventos.

Regras Pista thumb|direita|300px|Modelo de uma pista de salto de esqui. A-B = área de saída; t = zona de decolagem; HS = comprimento total da colina; P-L = área de pouso; K = K-point. thumb|direita|300px|Pistas do Parque Olímpico de Whistler, que recebeu o salto de esqui nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2010.

As pistas são compostas pela rampa (construída) e pela colina (construída ou natural) e são classificadas de acordo com a distância que os esquiadores percorrem no ar, entre a saída da rampa e o pouso. Cada pista possui um K-point, espécie de "alvo" que os saltadores devem alcançar e que é um pouco mais curto que o fim da colina. As medidas de cada classe de pista são as seguintes:

Tipo de pista Comprimento K-pointPista curta até 49m até 44mPista média 50m a 84m 45m a 74mPista normal 85m a 109m 75m a 99mPista longa mais de 110m mais de 100mVoo de esqui mais de 185m mais de 170m

A estrutura da pista é composta por um plano inclinado que compreende os possíveis pontos de onde os saltadores largarão (a escolha do local exato da largada é feita pelos árbitros antes do início da competição), uma curva cuja angulação diminui à medida que o ponto final se aproxima e a zona de decolagem, outro plano inclinado. A colina tem início logo abaixo da zona de decolagem e se estende até a área de pouso, na qual está localizado o K-point.

A área de saída deve ter os locais de largada separados por uma distância de 40 cm e ser projetada de modo a propiciar a máxima velocidade possível na decolagem. A área de pouso deve ser coberta apenas por neve, não pode ter nenhum obstáculo e as laterais devem ser protegidas por guard rails. Os locais de competição ainda devem ter uma torre na qual os cinco juízes se posicionam em cabines individuais para avaliar os saltos sem a interferência dos outros juízes, e uma plataforma para os treinadores.

Arbitragem A coordenação das competições de salto de esqui é feita pelo Comitê de Competição, composto pelo Chefe de Competição (que gerencia o evento), pelo Secretário (responsável por entregar aos árbitros a documentação do evento, como listas de partida e de resultados, e por acatar os protestos dos competidores), pelo Chefe de Pista (que prepara a pista por sobre a qual os esquiadores saltam), pelo Medidor Oficial (responsável por posicionar os marcadores de distância na pista e medir seu comprimento total), pelo Chefe de Cálculos (que contabiliza a pontuação de cada salto), pelo Chefe de Segurança (que controla a entrada e saída de pessoas da área de competição), pelo Chefe de Instalações Técnicas (responsável pelo funcionamento de equipamentos de medição eletrônica de distância, de resfriamento da pista, de comunicação etc.), pelo Chefe de Equipamentos (que distribui os equipamentos para os demais membros do comitê) e pelo Chefe de Primeiros Socorros (que coordena o atendimento e o resgate de qualquer pessoa que precise, inclusive os espectadores).

Competição thumb|direita|250px|Fase de voo. Durante a descida, o saltador não pode utilizar bastões ou qualquer tipo de assistência, inclusive externa (como um empurrão na largada). O salto só é autorizado quando toda a área de competição (pista, colina e área de pouso) estiverem livres. Um semáforo (de duas ou três fases) e um relógio próximos à barra de largada indicam a atitude a ser tomada pelo saltador. Os eventos mais importantes, como Jogos Olímpicos de Inverno e Campeonatos Mundiais, possuem semáforos de três fases. Neles, o sinal vermelho é acompanhado por um relógio em contagem regressiva, durante o qual o atleta deverá ficar na lateral da pista. Na fase amarela, o cronômetro segue em contagem progressiva e o atleta terá de 10 a 45 segundos (tempo a ser decidido pelos árbitros) para se posicionar na barra. A fase verde dura dez segundos e o saltador deverá obrigatoriamente sair da barra de largada dentro desse tempo.

Cada salto é pontuado de acordo com a distância percorrida e o estilo executado. Na avaliação do estilo, os juízes devem levar em conta todos os movimentos do saltador, desde a decolagem até o pouso, considerando os aspectos de precisão, perfeição, estabilidade e impressão geral. São avaliados a utilização da eficiência aerodinâmica do corpo e do esqui, a postura de braços, pernas e esqui durante o voo, a sucessão de movimentos durante o pouso e a posição durante a desaceleração. Cada nota pode chegar a no máximo vinte pontos.

thumb|esquerda|250px|Preparação para o pouso na posição Telemark. As três fases do salto (voo, aterrissagem e desaceleração) são avaliadas da seguinte forma: na fase de voo, os saltadores devem fazer um movimento agressivo de decolagem, assumir a posição ideal de voo de forma rápida e suave e iniciar a preparação para a aterrissagem no momento adequado. A dedução máxima de pontos para esta parte é de cinco. Na aterrissagem, o saltador deve verticalizar o corpo, posicionar os braços para frente ou para cima, deixar os esquis paralelos, posicionar uma perna à frente da outra e dobrar os joelhos, de modo a conseguir um pouso suave e equilibrado. A perna de trás deve estar ainda mais flexionada que a da frente (esta posição é chamada de Telemark, e o saltador que não a executar pode perder dois pontos). Um máximo de cinco pontos pode ser deduzido nesta parte. Na desaceleração, o saltador deve manter a posição Telemark por dez a quinze metros e em seguida retornar à postura vertical, de forma suave e relaxada e com os esquis paralelos. A dedução máxima para esta parte (equivalente a uma queda) é de sete pontos.

thumb|direita|250px|Pista de Predazzo, Itália, em que é possível perceber a área de pouso, o K-point e a linha que demarca o fim da pista. Cada um dos cinco jurados dá sua nota, sendo desconsideradas a maior e a menor e somadas as três restantes, gerando a nota final de estilo.

A distância do salto é calculada a partir do ponto final da decolagem até o ponto em que o primeiro pé do saltador toca o solo. Se o atleta cair no pouso, o ponto considerado é aquele em que qualquer parte de seu corpo toca o chão. Ao longo da pista devem estar posicionados fiscais responsáveis por indicar a distância do salto. Aquele em cujo campo visual ocorrer o pouso deverá marcar a distância com uma precisão de meio metro, posicionando sua mão próximo à marcação na lateral da pista que indique a distância. Meios metros são sinalizados com um braço levantado. Equipamentos eletrônicos para medição da distância são permitidos, mas a presença dos fiscais é sempre obrigatória.

A pontuação da distância é atribuída em relação ao K-point. Saltadores que atingem exatamente essa marca recebem 60 pontos. Para cada metro a mais ou a menos, é somada ou subtraída, respectivamente, uma quantidade de pontos determinada previamente e que varia de acordo com a posição do K-point. Por exemplo, em pistas com K-point de 80m a 99m, cada metro equivale a dois pontos, ou seja, um esquiador que saltar 103m em uma pista com K-point de 90m recebe 86 pontos (103 - 90 = 13 x 2,0 = 26 + 60 = 86). Na mesma pista, um esquiador que saltar 85,5m recebe 51 pontos (85,5 - 90 = - 4,5 x 2,0 = - 9 + 60 = 51).

A pontuação final do salto é a soma das pontuações do estilo e da distância. Se essa soma resultar em um número negativo (um salto extremamente curto, por exemplo), será atribuída a pontuação zero ao saltador. Se dois ou mais atletas terminarem a competição com a mesma pontuação, um empate é declarado e os atletas são classificados na mesma posição.

Técnica thumb|direita|250px|Técnica Kongsberger, a primeira largamente utilizada.