Igarapé-Miri é um município do estado do Pará, na região norte do Brasil, que pertence à Região Imediata de Abaetetuba (Região Intermediária de Belém).

Igarapé-Miri é conhecido como a "Capital Mundial do Açaí", por ser o maior produtor e exportador do fruto no mundo, título confirmado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que em estudo divulgado no ano de 2017, aponta que o município chega a produzir 305,6 mil toneladas, equivalente a 28% da produção nacional . Além da fama ligada ao plantio do açaí, a hospitalidade da população é outro ponto forte do município.

Localizado na margem direita do rio homônimo, na zona fisiográfica Guajarina, região de integração do Baixo-Tocantins, Igarapé-Miri é também berço dos grandes músicos paraenses; a tradição artística é um dos pontos fortes de Igarapé-Miri. Da terra do açaí saíram o Rei do Carimbó Pinduca, Aldo Sena, o Rei da Guitarrada, Dona Onete a Rainha do Carimbó chamegado (ritmo que surgiu em Igarapé-Miri), Tonny Brasil (criador do Tecnobrega), Pim, artista de grande sucesso nas décadas de 70 e 80 e vários outros artistas de prestígio regional e nacional.

Etimologia

Traduzido do tupi, Igarapé-Miri significa "Caminho de Canoa Pequena", da junção de ygara (canoa), pé (caminho) e mirim (pequeno). Ou seja, igarapé pequeno. O nome faz referência ao rio homônimo que banha a cidade, o mesmo não permite a entrada de grandes embarcações.

História A região onde hoje se encontra o Estado do Pará, foi diversas vezes invadida desde o início do século XVI, por holandeses e ingleses, que tinham como objetivo a exploração de especiarias como: sementes de urucum, guaraná e pimenta. Com a finalidade de consolidar a região como território português, em 1616, foi fundado o Forte do Presépio, primeira construção significativa, na então chamada Santa Maria de Belém do Grão-Pará, a atual capital do estado, Belém. Além de defender o território, expandindo a ocupação pelo vale amazônico, a expulsão dos invasores do litoral também possibilitou o impulso militar dos portugueses na região e a exploração da biodiversidade local.

Nos últimos anos do século XVII, já era forte o interesse pelas madeiras amazônicas utilizadas na construção de embarcações ou edifícios no Reino. Naquela época, foi estabelecido em terras ribeirinhas, onde hoje está a Cidade de Igarapé-Miri, uma Fábrica Nacional para extração, aparelhamento e depósito de madeiras, que dali eram exportadas para Belém em abundância e das melhores qualidades. Esse estabelecimento chamou a atenção de colonos para o local, começando assim o povoamento na região.

Das Fábricas Nacionais da Província do Grão-Pará, a de Igarapé-Miri era a mais proficiente e de maior renome, talvez, pelo fato de estar situada nos terrenos planos, sólidos e férteis que se estendiam desde a margem do Rio Sant’Ana de Igarapé-Miri, pelo centro, até a descida do Rio Itanimbuca, bem como, pela abundância de caça, a salubridade do lugar e o fato de não ser conhecido, naquela localidade, nenhum caso das febres paludosas que existem em grande parte dos interiores da Amazônia.

A Sesmaria João Mello Gusmão, conseguiu em 1º de outubro de 1710, do governador e capitão-general do Maranhão, Cristóvão da Costa Freire, a concessão de duas léguas de terras em Igarapé-Miri, as quais iam do Rio Cataiandeua, prolongando-se até o Rio Santo Antonio. Entre as terras cedidas a João Mello Gusmão, estava o terreno onde foi estabelecida a Fábrica Nacional. Este ato do governo a favor de quem sequer residia nos terrenos cedidos, causou grande descontentamento entre os então posseiros, agricultores e comerciantes que ali haviam se estabelecido. Grande parte dos prejudicados, dirigiram suas reclamações ao governador que não os atendeu, sendo a sesmaria confirmada pelo Rei Dom João V, em 20 de janeiro de 1714.

A demarcação da sesmaria foi requerida por João Mello Gusmão, e contestada por diversos posseiros, que exigiam elevadas indenizações pelas benfeitorias existentes nos terrenos, por isso, Gusmão, foi obrigado a vender-lhes, a maior parte das terras, cabendo ao agricultor e comerciante português, Jorge Valério Monteiro, comprar a parte onde estava situada a referida fábrica. Jorge Valério Monteiro, casou-se com Anna Gonçalves de Oliveira, filha do agricultor Antonio Gonçalves de Oliveira. Devido ao seu casamento e a boa compra que fez, viu prosperar o seu comércio, e em agradecimento a Nossa Senhora Sant’Ana, madrinha de sua esposa, mandou construir uma linda capela, onde era anualmente festejada a imagem da santa. 

A Paróquia de Igarapé-Miri Precisando Jorge Valério educar seus filhos na Europa, resolveu vender ao agricultor João Paulo de Sarges Barros, suas propriedades, inclusive o terreno onde estava a capela. Sarges de Barros, prosperou muito após adquirir o terreno de Jorge Valério e continuou a festejar Nossa Senhora Sant’Ana, agora com maior riqueza, mandando abrir uma grande área nas vizinhanças da capela, onde anualmente eram construídas centenas de barracas para acolher as pessoas que vinham para as festas ali celebradas.

351x351px|Detalhe do “Prospecto da Freguezia de Sta Anna, no Garapé-Mirim”, de André SchWebel (1756).|alt=Detalhe do “Prospecto da Freguezia de Sta Anna, no Garapé-Mirim”, de André SchWebel (1756).|miniaturadaimagem|esquerda A notícia da fertilidade do solo de Igarapé-Miri, a riqueza de seus habitantes e o brilhantismo dessas festas, corriam longe, motivo pelo qual para lá imigravam muitos estrangeiros, que se estabeleciam como comerciantes e agricultores. Tudo isso contribuía para a riqueza de Sarges Barros, que em louvor a Nossa Senhora Sant’Ana, mandou reconstruir a capela, dando-lhe então a forma de uma igreja. João Paulo de Sarges Barros, tinha um filho, de nome João Sarges de Barros, estudando para ser padre. Era um grande desejo do pai, que esse filho um dia virasse vigário de sua amada igreja. Com este intuito, entregou a mesma ao Bispo Dom Frei Miguel de Bulhões, o qual pela pastoral de 29 de dezembro de 1752, a transformou em paróquia colada.

O Bispo voltou em visita a Paróquia Colada de Igarapé-Miri em junho de 1754, e em sua presença compareceu João de Sarges Barrros, que declarou doar à imaculada Nossa Senhora Sant’Ana, o terreno que ali possuía. Dessa doação foi lavrado o seguinte termo, em 25 de junho do referido ano, sendo testemunhas o beneficiado João Coelho da Silva, Manuel Caetano de Azevedo, Manuel Pereira Soares, Pedro Celestino Lobato, Alexandre Luiz da Silva, Antonio Gonçalves de Aguiar e Romualdo de Sá e Souza. Conforme desejo de seu pai, o Padre João de Sarges Barros foi o primeiro pároco da Paróquia Colada de Igarapé-Miri, tendo falecido no ano de 1777. A fundação da Paróquia de Igarapé-Miri, deu ao povoado novos elementos de vida, desenvolvimento, grandeza e prosperidade, concorrendo para isso, não somente a fertilidade do solo, mas também a existência de um furo em um igarapé chamado Rebibio, afluente do Rio Moju, que varava no Igarapé-Assú (Rio Igarapé-Miri Velho), afluente do Rio Igarapé-Miri. centro|miniaturadaimagem|781x781px|Entardecer no Rio Igarapé-Miri, que deu nome a cidade, que aparece ao fundo. Foto: Railson Wallace Rodrigues

Canal do Carambolas miniaturadaimagem|233x233px|Velha visão da vegetação do Canal de Igarape-Miri. por Edouard Riou, 1867 A fertilidade do solo de Igarapé-Miri fez com que os seus habitantes prosperassem. Porém esse desenvolvimento era entravado pela difícil locomoção para a capital Belém, pois as viagens pela baía, a remo, eram impraticáveis. Em 1810, segundo o Tenente-Coronel Agostinho Monteiro, existia no rio Igarapé-Miri uma fazenda agrícola pertencente a Sebastião Freire da Fonseca, mais conhecido por Carambolas, natural de Mazagão na África. Carambolas foi o idealizador da escavação do Canal, para substituir o obstruído Furo Velho, havendo ele mesmo escolhido o traçado em linha reta entre os rios Igarapé-Miri e Mojú.

No ano de 1821 Carambolas começou os serviços de escavações que se prolongaram por longos meses. Os trabalhos foram iniciados a partir do rio Igarapé-Miri, no dia 21 de maio de 1821, e somente quando já faltavam pouco mais de cem metros, no dia 7 de agosto de 1822, é que começaram as escavações a partir do lado da margem do rio Mojú.

Porém, aconteceu que o grupo de escravos que escavavam a partir do rio Igarapé-Miri, e os que escavaram a partir do rio Mojú, deixaram de pé um paredão de cerca de quatro metros de terra, abrindo apenas, no meio dele uma estreita passagem. No dia 23 de novembro de 1823, os escravos estavam escavando, e sobreveio uma violenta enchente no rio Mojú, provocando chamado Fenômeno das Águas Vivas, que fez desabar o paredão, matando 18 escravos. No local onde o paredão caiu, formou-se uma pequena queda d’água. 

Aberto o Canal, este recebeu alguns reparos por parte do governo da província.

Criação do Município, Vila e, Cidade miniaturadaimagem|277x277px|Vila Sant'Ana de Igarapé-Miri, por Edouard Riou, 1867

Na vigência do regime político imperial, em outubro de 1843, um decreto criou o Município de Igarapé-Miri, sendo a freguesia que abrigava a igreja de Sant'Ana, elevada a categoria de vila.

No dia 23 de maio de 1896, a lei estadual nº 438 eleva a então Vila Sant'Ana de Igarapé-Miri a categoria de cidade, tendo sua denominação simplificada, pela lei estadual, passando a condição de cidade com o nome de Igarapé-Miri.Pelo decreto estadual nº 6, de 4 de novembro de 1930, o município de Igarapé-Miri foi extinto, sendo seu território anexado ao município de Abaetetuba e os seus distritos passando a figurar como zona administrativa. Pelo decreto estadual nº 78, de 27 de dezembro de 1930, o município é criado novamente e é constituído por 2 distritos: Igarapé-Miri e do extinto município de Moju. Pelo decreto estadual nº 931, de 22 de março de 1933, desmembra do município de Igarapé-Miri o distrito de Moju é restabelecido como sub-prefeitura. 

Na divisão territorial de 1937-38, o município de Igarapé-Miri foi dividido em quatro distritos: Igarapé-Miri (sede), Anapu, Maiauatá e Meruú, que ainda hoje constituem os núcleos populacionais mais expressivos.

centro|miniaturadaimagem|780x780px|Cidade de Igarapé-Miri com destaque as torres da Igreja Matriz de Sant'Ana, prédio mais antigo da cidade. Foto: Railson Wallace miniaturadaimagem|301x301px|Alunos em frente ao primeiro prédio do Grupo Escolar de Igarapé-Miri. 1928. esquerda|miniaturadaimagem|144x144px|Antônio Gonçalves Nunes, o Barão de Igarapé-Miri. esquerda|miniaturadaimagem|149x149px|Rita Borges Machado Acatauassú Nunes, a Baronesa de Igarapé-Miri (casada com o Barão de Igarapé-Miri) é uma miriense de 1844, filha do Comendador Domingos Borges Machado Acatauassú com Dona Ana Teresa Gonçalves Acatauassú.

Grupo escolar pioneiro A história da instituição educativa situada em Igarapé-Miri, hoje nomeada como Escola Municipal de Ensino Fundamental Manoel Antônio de Castro, remonta ao início do século XX, quando foi criado o Grupo Escolar Estadual que constituiu a sua experiência embrionária em nosso município.

O Grupo Escolar de Igarapé-Miry, primeira designação recebida, foi inaugurado no dia 27 de abril de 1904. Sendo a primeira escola miriense, com sede na Rua Rui Barbosa, onde hoje se localiza a grande torre da Telemar. A tão almejada escola começou a funcionar com o curso primário, cobrindo de 1ª a 5ª séries. Seu primeiro diretor foi o professor Aristides dos Reis e Silva. Na época a cidade de Igarapé-Miri era bem pequena e apenas essa escola era suficiente para atender a demanda de estudantes. O tipo de construção era em enchimento, ou seja, um tecido de estacas preenchido com barro e finalmente rebocado com massa cimentada. Está arrolada no documentário “a Educação no Pará” (Pará, 1987) o Grupo está dentre as mais antigas escolas do interior do estado.