Vigia de Nazaré, também chamada apenas Vigia, é um município brasileiro do estado do Pará, pertencente à Zona Fisiográfica do Salgado. Localiza-se no norte brasileiro, a uma latitude 00º 51' 30" sul e longitude 48º 08' 30" oeste.
Toponímia A Vila de Vigia (ou Vila de Nossa Senhora de Nazareth da Vigia) foi constituída a partir da aldeia de Uruitá, do Tupi Guarani: "cesto de pedras", morada de uma tribo de índios tupinambás. Onde os colonizadores construíram um posto fiscal, para verificar as embarcações que abasteciam Belém (capital do estado do Pará).
Embora não se conheça uma só fonte histórica que garanta a informação sobre a a fundação de Vigia, a crônica popular consagrou que o município foi criado em 6 de janeiro de 1616, seis dias antes da fundação da capital, Belém do Pará, por Francisco Caldeira Castelo Branco durante expedição de ocupação da Capitania do Grão-Pará (do tupi-guarani, "rio do tamanho do mar", que decorre do rio Pará). Quando muito, os portugueses, a caminho do interior do continente, criaram o posto de "vigia" militar, para "vigiar" o acesso de embarcações pelo furo que separa a ilha de Colares, que então foi chamada de Ilha do Sol. A lógica dessa crônica é a própria geografia do litoral: a ilha de Colares é separada do continente por um furo ao sul da Baía do Marajó, que no passado foi chamado de Rio Taubapará (fonte: Ensaio Corogáfico do Estado do Pará, de Antonio Baena), hoje Rio Guajará-Mirim (no Google identificado como Furo da Laura). Seguindo no sentido oeste, o furo leva à Baía do Sol, em frente à ilha de Mosqueiro. Sabe-se que os portugueses que fundaram Belém, em 12 de janeiro de 1616, contaram com a orientação dos franceses, que antes dos portugueses frequentaram a foz do Amazonas. Os militares portugueses desconheciam o trajeto e apelaram aos franceses, que negociaram uma espécie de "deleção premiada", tendo sido presos em São Luís do Maranhão, de onde partiu a caravana, no Dia de Natal de 1615. O trajeto pelo Guajará-Mirim seria um caminho mais seguro citado pela maioria dos navegadores, inclusive os naturalistas europeus que chegaram à Amazônia no período colonial. Vigia, onde de fato os portugueses instalaram um posto militar para controlar o tráfego de embarcações pela Baía do Marajó, chamado de "Vigia" - que complementou o topônimo, acrescentado ao nome da Vila de Nossa Senhora de Nazaré, em 1693. Hoje, com base em uma lei do início do Século XXI, o município se chama Vigia de Nazaré.
Os primitivos habitantes da região foram os índios Tupinambá, que viviam na aldeia Uruitá (do Tupi Guarani, "cesto de pedras"), sob jurisdição das missões da Companhia de Jesus. Neste aldeamento, os colonizadores construíram um posto de controle. Talvez só muito mais tarde é que Vigia poderia ter se configurado como "Posto Fiscal" de embarcações que se dirigiam a Belém.miniaturadaimagem|Ato de adesão da cidade a Independência Com o advento da Lei Pombalina, expedida em 1750 , os jesuítas foram expulsos do Brasil; os da Vigia (5 padres e um leigo) foram presos em 1761. Os jesuítas estavam em Vigia desde a década de 1730. As negociações foram iniciadas em 1729 pelo padre José Lopes, que obteve da Câmara local o terreno onde construíram o colégio e a igreja. A historia da Companhia revela que em 1732 os missionários já lecionavam provavelmente na casa construída antes da Igreja da Mãe de Deus, onde depois abrigaram as atividades educacionais, no salão sobre a sacristia do templo. Chamado de Mãe de Deus, foi o segundo mais importante colégio da Companhia em toda a Amazônia. A Igreja da Mãe de Deus é um templo com traços do "barroco brasileiro" (Barroco Retardo) único em todo o continente americano; os jesuítas construiram apenas outra igreja com a mesma arquitetura, porém, bem longe, na Índia.
Vigia, distante de Belém apenas 1éguas, foi uma vila muito próspera, com grande atividade cultural no final do século XIX. Foi um dos lugares que resistiu à Independência do Brasil, tal a atividade política de portugueses. Por ocasião da Revolução da Cabanagem, em 1835 Vigia foi palco de um dos mais graves acontecimentos: os revoltosos, naquele ano, tomaram a vila em duas ocasiões, em maio e em junho: no dia 23 deste mês, atacaram o "Trem de Guerra" (residência do Juiz de Paz) e ali mataram mais de 60 pessoas, incluídos todos os vereadores locais, entre eles, Pedro Raiol, pai do Domingos Antônio Raiol, o Barão de Guajará, que naquele ano tinha apenas cinco anos de idade. Os cabanos saquearam o comércio local, mataram adeptos dos portugueses, estupraram as mulheres, obrigaram o vigário celebrar missa em ação de graças à Revolta. No início de 1836, os revoltosos foram dominados, muitos foram mortos ou presos, com a chegada do Major Francisco Sérgio de Oliveira, sob aordem do Marechal Soares de Andréa, que comandou a reação do governo
Vigia foi nomeada vila em 1693, em homenagem à Nossa Senhora de Nazaré. A devoção à padroeira foi levada ao lugar pelos portugueses dos Açores que colonizaram a região. Em 1697, o jesuíta José Ferreira, superior da Companhia de Jesus, retornando ao Maranhão, passou pela Vila da Vigia e constatou que a comunidade tinha por devoção "a milagrosa imagem de Nossa Senhora de Nazaré". O registro consta do livro "Crônica dos Padres da Companhia de Jesus no Estado do Maranhão", do cronista da Companhia, o missionário alemão João Bettendorff, que faleceu em Belém em 1699. Sua obra foi publicada somente em 1910, pelo Instituto Brasileiro de História e Geografia (IBHG) e republicada pelo governo do Estado e pelo Senado Federal.
Em 2 de outubro de 1854, Vigia foi elevado a categoria de cidade.
Geografia Localiza-se na Zona do Salgado. Sua população estimada em 2019 é de 53.686 habitantes, distribuídos em uma área de 401,589 km².
Patrimônio Histórico Capela do Senhor dos Passos ou Igreja de Pedras A Capela do Senhor dos Passos (Igreja de Pedras) datada do século XVIII, é um templo construído pelos Jesuítas toda em pedras sobrepostas e sem reboco. Conhecida, hoje, como Igreja do Bom Jesus, porque lhe guardava a imagem. Nessa época foi transferida para a Igreja da Madre de Deus, para que a Igreja de Pedras fosse concluída, mas com a expulsão dos jesuítas de Portugal e das províncias do Brasil, em 1759, por ordem do Marquês de Pombal, a construção da capela ficou inacabada e abandonada, sofrendo demolições e transformações. Na década de 30, um intendente local mandou demolir o que restava das paredes laterais e, com as pedras, mandou construir o cais de arrimo da cidade. A Igreja revela estrutura de pedras lavradas, peças de mármore e imagens antigas. A técnica construtiva é pedra com agregado de uma mistura de massa de argila crua e cal que era obtida de materiais tirados dos sambaquis, ou depósitos pré-históricos de conchas, comuns no litoral brasileiro. Em dezembro de 2011, ganhou o título de Primeira Maravilha do Pará.
Santuário Madre de Deus
Em 28 de fevereiro de 1733, o padre provincial da Companhia de Jesus, José Lopes, superior do Colégio da Mãe de Deus, com despacho do Senado da Câmara da Vila da Vigia de Nazaré, iniciou a edificação da Igreja da Madre de Deus. O templo construído em estilo barroco (Barroco Retardo), com elevados campanários, com varandas sustentadas por colunas do estilo toscana, um salão superior (onde funcionou o colégio da Mãe de Deus) sacristia adornada com um painel dedicado à Virgem Maria. Seriam 11 telas de passagens da vida da Mãe de Deus, hoje apenas 9 resistem; não se sabe a autoria e a data de criação das obras, que medem, cada uma, cerca de 1,10 m de largura por 1,10 m de altura. O painel é completado com um oratório onde se vê um crucifixo; o tetro da sacristia tem 4 caixotões com pinturas que remetem à tíotulos alegóricos da Virgem Maria: "Estrela do Mar", "Estrela da Manhã", "Pura como Sol", "Bela como a Lua".
O templo, em alvenaria de pedra, estrutura do telhado em madeira de lei, cobertura com telha de barro, frontispício formado por um corpo central e duas torres com campanários compostos por três janelões sineiros de arco de meio ponto. A fachada é encimada por cornija onde se destaca uma escultura em alabastro da Senhora do Leite, que reproduz a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, preservada em Portugal, obra atribuída a São José. A escultura instalada em Vigia, no formato camafeu, mede 1 metro de altura e 0,75 m de largura. Já foram feitas duas reproduções, em resina sintética, dessa obra, que confirma o reconhecimento da Companhia, a devoção a Nossa Senhora de Nazaré.
Osjesuíotas dotaram o templo de rico acervo de arte sacra, incluindo grande quantidade de prataria, que ao longo do século XX foi surrupiada. Peça apreciável do ponto de vista artístico são o cruicifixo esculpido emm madeira policromada, de estilo barroco, e tamanho fora do cmum, tnaõ gndem, e que hopje está pendente sobre o altar da n ave central; sob o altar do sacrpario, se vê o "Senhor Morto", tambpem esculpido em amdeira policromada. No alto do retábolo altar-mor está incriustado o santuário de Nossa Senhora das Neves, padroeira do munic´pipio. A imagem de Nossa Senhora de Nazaré, que denomina a atual paróquia de Vigia, e que é carregada na procissão do Círio, é uma iamgem de roca, vestrida com comant.
tombada em 1950 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) é considerada Patrimônio da Cultura Nacional, tendo sido tombada com a denominação de Igreja de Nossa Senhora da Madre de Deus, em 14 de dezembro de 1954, inscrita no Livro do Tombo de Belas Artes, mediante o o processo nº 434-T-1954, de 14 de dezembro de 1954.
Em dezembro de 2024, a Igreja Madre de Deus foi elevada a Santuário Diocesano na região, sendo o primeiro templo a receber tal título na região da Diocese de Castanhal.
Mercado de Peixe
Antigamente, em função da técnica utilizada para a conservação do pescado que era comercializado no município, existia o velho mercado de peixe, conhecido pela população como a Salgadeira, na esquina da Boulevard melo Palheta com a travessa Vilhena Alves. O constante crescimento da atividade pesqueira transformou o velho mercado de peixe num lugar antiquado para o povo vigiense. Impróprio para as atividades pesqueiras e com instalações precárias, fatos que inspiraram o prefeito Manoel de Souza Leal a iniciar a construção de um logradouro mais adequado para a comercialização do pescado na Vigia de Nazaré. No período compreendido entre os anos de 1943 e 1945, na administração de Jorge Corrêa, com o apoio do interventor do Pará , Joaquim de Magalhães Cardoso Barata e com acompanhamento do engenheiro vigiense Jonas Brito, foi construído o novo Mercado Municipal, mais tarde conhecido como Mercado de Peixe. Escolha do local tinha a intenção de modificar e sanear a frente da cidade, na época, ocupada pelos quintais das casas que deveria ter suas edificações com portas e janelas voltadas para o rio Guajará – Mirim. O prédio possui implantação, obedecendo ao alinhamento da via pública, técnica construtiva em alvenaria de tijolo, vãos com vergas retas e cobertura com telha de barro tipo francesa.
Trem de Guerra No início do século n casa existia na Vigia, um casarão que era moradia e local de trabalho do Juiz de Paz do município, João de Sousa Ataíde, e armazenava as armas e munições da Guarda Municipal da Vigia. Este foi denominado Trem de Guerra. No período da Cabanagem, quando o movimento se espalhou pelo interior do Estado do Pará, a então Vila de Vigia, foi invadida pelos revoltosos em 1835. Durante o primeiro assalto à Vila da Vigia, os cabanos dominaram o Paço Municipal, onde funcionava o Senado da Câmara, obrigando as autoridades legalistas vigienses a se refugiarem-se no Trem de Guerra, também conhecido como Casa-Quartel. Esse prédio foi onde o movimento cabano operou o mais violento e sangrento episódio da Cabanagem na Vila da Vigia, quando foram assassinados todos os moradores e os militares vigienses que se encontravam aquartelados no Trem de Guerra.