Abel Neves (Montalegre, Abril de 1956) é um poeta, dramaturgo e romancista português.
Biografia Nasceu na vila de Montalegre, em 1956.
Segundo uma entrevista que o autor deu à Câmara Municipal de Montalegre em 2014, iniciou a sua carreira ligada ao teatro em 1979, tendo sido membro de uma companhia teatral em Lisboa durante cerca de doze anos. Começou depois a colaborar noutras vertentes audiovisuais, como a literatura e a televisão, tendo trabalhado num leque muito diversificado de séries, como a Rua Sésamo. Também exercia como coordenador no programa das Oficinas de Escrita do Texto Dramático, em companhias teatrais, centros dramáticos e em estabelecimentos de ensino superior.
Destacou-se como escritor, tendo sido o autor de um grande número de obras, compreendendo peças de teatro, romances, livros de poesia e pelo menos um ensaio. As suas peças de teatro incluem os títulos Amadis, Touro, Terra, Amo-te, Atlântico, Finisterrae, Arbor Mater, Lobo-Wolf, El Gringo, Inter-Rail, Além as estrelas são a nossa casa, Supernova, Fénix e Kota-Kota, A Caminho do Oeste, Amor-Perfeito, Olhando o céu estou em todos os séculos, Provavelmente uma pessoa, Nunca estive em Bagdad, Madressilva, Qaribó, Ubelhas - Mutantes e Transumantes, Vulcão, Querido Che. Uma das peças mais destacadas foi a Supernova, baseada nos registos de Pero Vaz de Caminha sobre a descoberta do Brasil, onde o autor tentou criar uma aventura de moldes paralelos à descrita pelo cronista, num contexto moderno. No ano de 2000, foi levada à cena em várias cidades de Portugal e em Salvador, no Brasil, em co-produção entre o Teatro Nacional de São João e várias associações culturais portuguesas e brasileiras. Em 2002, participou num evento internacional promovido pela Casa Europeia de Escrita Contemporânea, no Estúdio-Teatro da Comédie Française, em Paris, tendo apresentado a sua obra Além as estrelas são a nossa casa, traduzida para francês por Alexandra Moreira da Silva e Jorge Tomé.
Os seus textos teatrais, nomeadamente os da antologia Além as estrelas são a nossa casa, foram elogiados pelo dramaturgo António Augusto Barros, da companhia Escola da Noite, que comentou em 2000 ao jornal Público que «Quando li pela primeira vez "Para pintar o guarda-rios", pareceu-me um texto apenas poético. Reconheço que não vi nem metade. É que também é teatralmente muito bem construído». Em 2014, a sua peça Sabe Deus Pintar o Diabo, ganhou o prémio de Melhor Texto Português Representado em 2013, organizado pela Sociedade Portuguesa de Autores.
Em 2013, envolveu-se numa polémica com a Imprensa Nacional-Casa da Moeda no âmbito do novo acordo ortográfico quando afirmou que aquela editora tinha-se recusado a publicar três das suas peças de teatro, uma vez que o autor não queria alterar o texto para as novas regras ortográficas. Segundo o jornalista e escritor Octávio Santos, do jornal Público, aquela decisão da Casa da Moeda infrigingia o Código do Direito de Autor e dos Direitos Conexos, fundado na legislação a nível internacional, onde se dava aos autores o direito de utilizarem a linguagem que eles pretendessem nas suas obras. O próprio autor manifestou-se contra o novo acordo ortográfico num artigo de opinião, publicado no jornal Público em 15 de Janeiro de 2013, tendo então comentado que «A sensação que dá o Acordo é o de ter de vestir-se uma farda que pode nem alterar muito a figura, mas até também por isso mesmo não valha a pena usar-se por desfigurar o corpo firme, estabelecido e sem vantagem na alteração», e questionou se «Não será preferível defender a singularidade, a riqueza da língua, em vez do propósito da unicidade?».
Em termos de romances, lançou a obra Corações piegas, publicada em 1996 pela editora Cotovia, Asas para que vos quero, editada pela Cotovia em 1997, Sentimental, publicada em 1999 pelas Edições ASA, Centauros - imagens são enigmas, lançada pela Asa em 2000; Precioso, publicada pela editora Dom Quixote em 2006, e Cornos da Fonte Fria, lançada pela Sextante em 2007. Os seus livros de poesia incluem Eis o amor a fome e a morte, publicada pela Cotovia em 1998, e realça-se também o seu ensaio sobre teatro Algures entre a resposta e a interrogação, editada em 2002 pela Cotovia.
Obras Teatro Amadis [ed. Imprensa Nacional/Casa da Moeda, Lisboa, 1987] Anákis [ed. Sociedade Portuguesa de Autores, Lisboa 1987] Touro [ed. Europress, Lisboa, 1986] Terra [ed. Edições Cotovia, Lisboa, 1991; 2ª Edição: Edições Húmus, Famalicão, 27 de Março de 2021] Medusa [ed. Sociedade Portuguesa de Autores, Lisboa, 1994 Amo-te [Edições Húmus, Fevereiro de 2022] Atlântico [ed. Edições Cotovia, Lisboa, 1997; 2ª Edição: Edições Húmus, Famalicão, 19 de Abril de 2021] Finisterrae [ed. Edições Cotovia, Lisboa, 1997; 2ª Edição: Edições Húmus, Famalicão, Maio de 2021] Arbor Mater [ed. Edições Cotovia, Lisboa, 1997; 2ª Edição: Edições Húmus, Famalicão, Junho de 2021] El gringo [ed. Edições Cotovia, Lisboa, 1998] Lobo-Wolf [ed. Edições Cotovia, Lisboa, 1998] Inter-rail [ed. Edições Cotovia, Lisboa, 1999] Além as estrelas são a nossa casa [ed. Edições Cotovia, Lisboa, 2000; 2ª Edição: Edições Húmus, Famalicão, Janeiro de 2021] Olhando o céu estou em todos os séculos - [ed. Companhia das Ilhas, Lajes do Pico, 2015] Supernova [ed. Cena Lusófona, Coimbra, 2000] Fénix e Kota-Kota Amor-Perfeito - um disparate em três actos [Edições Húmus, Famalicão, 28 de Fevereiro de 2021] A caminho do oeste Nunca estive em Bagdad [ed. Revista Galega de Teatro, nº 65, Inverno de 2010; Companhia das Ilhas, Lajes do Pico, 2015; 2ª Edição: Edições Húmus, Setembro de 2021] Provavelmente uma Pessoa [ed. Revista Magma, Lajes do Pico, 2007] Qaribó Ubelhas, mutantes e transumantes Querido Che - [ed. Companhia das Ilhas, Lajes do Pico, 2015] Este Oeste Éden - [ed. Companhia das Ilhas, Lajes do Pico, 2015] Saloon Yé-Yé A Visita A mãe e o urso [ed. Revista O escritor - Associação Portuguesa de Escritores, nº24/25, Dezembro de 2009] Valdete [ com o título Vulcão: ed. Teatro Nacional D. Maria II/Bicho do Mato, Lisboa, 2009; 2ª Edição: Edições Húmus, Famalicão, Janeiro de 2021. O Senhor de La Fontaine em Lisboa [espectáculo de marionetas] Jardim suspenso - (Prémio Luso-Brasileiro de Dramaturgia António José da Silva, 2009) - (ed. Sextante Editora, Lisboa 2010) Clube dos pessimistas [ed. Companhia das Ilhas, Lajes do Pico, 2015] Flores para mim [ed. Companhia das Ilhas, Lajes do Pico, 2015] Atlântica [Leitura Pública com Adriana Londoño, Clovys Torres e Martha Meola] Sabe Deus pintar o Diabo (Prémio SPA (Sociedade Portugues de Autores) Teatro - 2014: Melhor Texto Português Representado, em 2013) - [ed. Cadernos de Cena - Companhia de Teatro de Braga, Braga, 2013; Edições Húmus, Janeiro de 2022 - versão para duas actrizes] Cruzeiro [ed. Companhia das Ilhas, Lajes do Pico, 2015] Jardim de estrelas Purgatório [ed. Companhia das Ilhas, Lajes do Pico, 2015] Ainda o último judeu e os outros [ed. adab edições, V. N. de Famalicão, Julho de 2016] António e Beatrix (ed. Companhia de Teatro de Braga, 2018) As voltas da lua - [Edições Húmus, Famalicão, 29 de Fevereiro de 2020] Às vezes uma roseira [Edições Húmus, Famalicão, 29 de Fevereiro de 2020]. Atlântica [Edições Húmus, Famalicão, 29 de Fevereiro de 2020] Campos Elísios[Edições Húmus, Famalicão, 29 de Fevereiro de 2020] Casino [Edições Húmus, Famalicão, 29 de Fevereiro de 2020] Chove e sol em Paris - [Edições Húmus, Famalicão, 29 de Fevereiro de 2020] Flor e cinza [Edições Húmus, Famalicão, 29 de Fevereiro de 2020] Madressilva [Edições Húmus, Famalicão, 29 de fevereiro de 2020] Magnético [Edições Húmus, Famalicão, 29 de Fevereiro de 2020] Nero, príncipe do universo [Edições Húmus, 29 de Fevereiro de 2020] O franguito das bodas de prata [Edições Húmus, 29 de Fevereiro de 2020] Ossman [Edições Adab/Húmus, Julho de 2016] Pertinho da torre Eiffel [Edições Húmus, 29 de Fevereiro de 2020] Sniper [Edições Húmus, 29 de Fevereiro de 2020] Solitário [Edições Húmus, 29 de Fevereiro de 2020] Imortal e mortal [Edição "Visita aos clássicos", Iniciativa do Teatro Nova Europa, Edições Húmus, Fevereiro de 2022 Olho de vidro e céu de agulha [Edições Húmus, Famalicão, Setembro 2022]
Ficção Narrativa Corações piegas [Edições Cotovia, Lisboa, 1996; Círculo de Leitores, Lisboa, 1998] Asas para que vos quero [Edições Cotovia, Lisboa, 1997] Sentimental [Edições Asa, Porto, 1999] Centauros - imagens são enigmas [Edições Asa, Porto, 2000] Precioso [Publicações D. Quixote, Lisboa, 2006] Cornos da fonte fria [Sextante Editora, Lisboa, 2007] Lisboa aos seus amores [Sextante Editora, 2010] Um optimista acima dos enxofres [Edições Húmus, 2018] O espírito das vacas [Prémio Literário Bento da Cruz - ex aequo, 2018 - Edições Húmus, Março de 2019] Francolim [Edições Húmus, Dezembro de 2021]
Poesia Eis o amor a fome e a morte [Edições Cotovia, Lisboa, 1998] Quasi Stellar [Língua Morta, Lisboa, Fevereiro de 2013] Úsnea [Edições Averno, Lisboa, Fevereiro de 2015] Escuro celeste dos olhos [Edições Averno, Lisboa, Setembro de 2019]
Ensaio Algures entre a resposta e a interrogação [Edições Cotovia, Lisboa, 2002] Andar às vozes - Algures entre a resposta e a interrogação [Edições Húmus, Famalicão, Maio de 2022
Conto O bibliófago e mais historietas breves [Edições Húmus/Adab, Vila do Conde, Abril, 2017]
Traduções Teatro Além as estrelas são a nossa casa (Tradução francesa: Au-delà les étoiles sont notre maison - Alexandra Moreira da Silva e Jorge Tomé [Éditions Theatrales, Paris, 2004]) Nunca estive em Bagdad (tradução francesa: Je ne suis jamais allé à Bagdad - Alexandra Moreira da Silva [Les Solitaires Intempestifs, Besançon, 2007]; tradução romena: Niciodata n-am fost la Bagdad - Adriana Coman - [Teatru portughez contemporan, Antologie de Andrea Dumitru, Fundatia Culturalã Camil Petrescu, Bucaresti, 2007]; tradução alemã: Ich war nie in Bagdad - Marianne Gareis [Revista Theater der Zeit, Berlin, 2007]; tradução castelhana: Nunca estuve en Bagdad - Luz Peña Tovar; tradução húngara: Soha nem voltam Bagdadban- Mohácsi Árpád; tradução inglesa: Never been in Bagdad - Duncan McLean; tradução polaca: Nigdy Nie Bylem w Bagdadzie - Michal Lipszyc [Revista Dialog, Varsóvia, 2010]) Finisterrae (Tradução castelhana: Finisterrae - Ignacio Pajón Leyra [Ediciones Antigona, Madrid, 2009]) Vulcão (Tradução francesa: Volcan - Alexandra Moreira da Silva) Provavelmente uma Pessoa (tradução francesa: Probablement quelqu'un - Jean-Baptiste Fournier) Clube dos pessimistas: (Tradução francesa: Le club des pessimistes - Jean-Baptiste Fournier) Jardim suspenso (Tradução galega: Xardín suspenso - Manuel Guede Oliva e Cándido Pazó) Ainda o último judeu e os outros (tradução ucraniana: Larissa Semenova) António e Beatrix (tradução romena: Marinela Banioti)
Ficção Narrativa El Espiritu de las vacas 8tradução castelhana de María Alonso Seisdedos - Edições De Conatus, Madrid, Setembro 2020)
Antologias Teatro Anthologie Critique des Auteurs Dramatiques Européens (1945-2000), Michel Corvin, [Éditions Theatrales, Paris, 2007] European Theatre Today - 2010 9th edition [European Theatre Convention, Junho, 2010]
Poesia Lisboa com os seus poetas - Colectânea de Poesia sobre Lisboa, org. Adosinda Providência Torgal e Clotilde Correia Botelho [Publicações D. Quixote, Lisboa, 2000] 366 Poemas de Amor - Antologia organizada por Vasco da Graça Moura [Quetzal Editores, Lisboa,2003] Poezz - Jazz na Poesia em Língua Portuguesa, org. José Duarte e Ricardo António Alves [Almedina, Coimbra, 2004]
Revistas Telhados de Vidro, nº 16, [Editora Averno, Lisboa, Abril de 2012] Telhados de Vidro, nº 18, [Editora Averno, Lisboa, Maio de 2013] Telhados de Vidro, nº 23 [Editora Averno, Lisboa, Novembro de 2018] Deitar a língua de fora, [Edições Língua Morta , Lisboa, Julho de 2012] Resumo - a poesia em 2012, [Documenta/Fnac, Lisboa, Março de 2013] Resumo - a poesia em 2013, [Documenta/Fnac, Lisboa, Março de 2014]