A Majora foi uma empresa portuguesa com sede no Porto, dedicada ao fabrico de brinquedos e jogos infantis e juvenis.

Descrição A Majora estava sedeada no Porto, tendo sido considerada pelo jornal Público como uma «empresa histórica» daquela cidade. Possuía uma fábrica na Rua Delfim Ferreira. Ao longo de cerca de setenta e quatro anos de existência, lançou mais de três centenas de produtos, entre brinquedos e jogos de tabuleiro. Alguns dos seus produtos alcançaram uma grande notoriedade entre o público, como o Sabichão, o Mikado, o Jogo da Glória e o Monopólio. Grande parte do seu acervo era baseado em desportos, como a Volta a Portugal em Bicicleta, Rallye Automóvel, Corridas de Cavalos ou Pontapé ao Goal, inspirado no futebol.

Além da produção de brinquedos, a organização também contou com uma divisão para a publicação de livros destinados às crianças, a Editorial Infantil Majora.

História Fundação e expansão A empresa teve a sua origem em 1939, tendo o seu fundador sido Mário José António de Oliveira, que se inspirou nos jogos de tabuleiro fabricados na Alemanha. Porém, só foi oficialmente constituída em 1943, em sociedade com o seu irmão, formando a Mário J. Oliveira & Irmão, tendo o nome da marca, Majora sido inspirado nas iniciais do nome do pai, Mário José de Oliveira. Inicialmente estava baseada na cave da habitação dos seus pais, na Avenida da Boavista, no Porto, e só apenas ter sido oficialmente criada é que transferiram as operações para um edifício próprio, na Rua das Taipas. Foi pioneira no fabrico de brinquedos, tendo sido a primeira unidade deste tipo em território nacional.

Inicialmente os seus produtos eram fabricados principalmente em madeira e cartolina, sendo pintados à mão por Mário Oliveira, usando práticas artesanais que foram icónicas da marca. Os seus primeiros brinquedos didácticos foram cubos alusivos à carochinha, aos quais se seguiram outros jogos, como o Rapa o Tacho e a Roda da Sorte, tendo o seu primeiro produto original sido o Pontapé ao Goal. Posteriormente foram lançados outros produtos de sucesso, como o Jogo da Glória, o Ludo ou o Stop, e em 1962 O Sabichão, que se tornou num dos principais títulos da marca.

Em 1954, a Editorial Infantil Majora registou as seguintes colecções de livros na Inspecção Superior das Bibliotecas e Arquivos: Coelhinho Branco, Pequeno Detective, Salta-Pocinhas, Gato Preto e Sarapico Mafrrico O Diário Popular de 25 de Maio de 1955 noticiou que a editora que tinha publicado duas obras de Fernando de Castro Pires de Lima, Os Três Príncipes e outros Contos para Crianças e O Pinto Calçudo. Em 1958 já a Majora era conhecida no Algarve, uma vez que na edição de 14 de Dezembro desse ano do jornal Folha do Domingo se recomendou um «dos muitos jogos «Majora» que tanto agradam as crianças» entre a listagem de presentes a oferecer durante a época natalícia.

Em 1968 a empresa expandiu as suas operações com a construção de uma unidade fabril na Rua Delfim Ferreira, no Porto. Iniciou-se assim um período de grande desenvolvimento da marca, durante os finais da década de 1970 e inícios da de 1980.

Declínio e encerramento Nas últimas décadas do século XX, o mercado nacional dos brinquedos começou a ser dominado por grandes empresas internacionais, como a Hasbro e a Mattel, ameaçando a posição da Majora. Até aos anos noventa, a empresa fabricou o jogo Monopólio sob licença da Hasbro. Nesta época, uma parte substancial da produção foi transferida para a China. Apesar desta situação, ainda conseguiu lançar novos produtos, baseados em personagens de programas de televisão, como o Ruca, o Noddy e o Panda. O seu auge do ponto de vista da rentabilidade foi atingido entre 2006 e 2009, quando a empresa ganhava aproximadamente cinco milhões de Euros por ano. Em 2010 começou a comercializar um conjunto de jogos para idosos, concebidos em colaboração com a Escola Superior de Educação de Paula Frassinetti, respondendo desta forma a uma crescente área de mercado. Em 2011 começou a fabricar brinquedos a preços mais reduzidos, e em 2012 lançou uma aplicação para telemóvel baseada no Sabichão, numa tentativa de inovar o seu leque de produtos. Porém, estas medidas não foram suficientes para salvar a empresa, levando ao encerramento da fábrica do Porto nos princípios de Março de 2013, tendo sido despedidos dos últimos trinta trabalhadores, embora em Outubro desse ano a empresa ainda estivesse em funcionamento.

A companhia foi oficialmente dissolvida em 2014 pelos herdeiros dos fundadores, tendo a posse das marcas sido transferida para o Banco Montepio.

Reinício das operações Em Janeiro de 2014, o conglomerado The Edge Group afirmou que iria adquirir e relançar as antigas instalações da Majora, num investimento de 1,6 milhões de Euros, dos quais cerca de 600 mil foram para comprar a marca ao Montepio.Revista Sábado n.º 596 (1 de Outubro de 2015), Empresário com 12 mil horas de voo, pág. 79. De acordo com um comunicado do grupo, os planos para o relançamento da marca incluíam a criação de uma «componente digital», que tinha como propósito «regressar às origens e voltar a reunir pais e filhos à volta de jogos de tabuleiro». Entrevistado em 2017 pela Forbes, o presidente executivo do The Edge Group, José Luís Pinto Basto, explicou que «a Majora faz parte da nossa infância de uma forma muito positiva, pelo que houve uma parte emotiva no nosso envolvimento».

Em novembro de 2022, é noticiado que a empresa detida pela família Feist, a Concentra Brinquedos, tinha comprado a Majora ao The Edge Group por 800 mil euros. Desta forma, fundiram-se «as duas maiores e mais antigas empresas portuguesas de brinquedos», reunindo «quase 150 anos de experiência acumulada neste setor», como referiu Ricardo Feist, CEO da Concentra, numa entrevista ao Jornal Económico. Na sequência deste processo, a Concentra lançou uma linha de produtos baseados nos antigos jogos da Majora, nomeadamente o Sabichão, o Jogo da Glória, o Ludo e o Stop, «com uma imagem renovada e um twist mais moderno». Além destes produtos icónicos, a marca iria igualmente comercializar mais de vinte de novos jogos licenciados de empresas estrangeiras, como a Missão a Marte 2049, produzido em cooperação com a National Geographic. Outra das principais alterações foi no logotipo, que originalmente tinha uma figura a jogar uma bola, e passou a ter duas figuras construídas no jogo do Tangram, tendo a presidente executiva da Majora, Catarina Jervell, explicado que «pretendemos pôr as crianças a brincar umas com as outras, estimular as relações humanas e a inteligência emocional». Porém, Ricardo Feist comentou que a produção seria totalmente feita na China, uma vez que «em Portugal já não existe indústria de fabrico de brinquedos e, portanto, não seria competitivo tentar reativar qualquer produção no nosso país».

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