A Batalha de Hidaspes foi um confronto no qual os macedônios, liderados por Alexandre o Grande, derrotaram os indianos liderados pelo rei Poro. No final, o exército macedônio conquistou a região de Paurava e Alexandre submeteu Poro, posteriormente conquistando sua lealdade e o nomeando um Sátrapa da região.

Apesar da campanha ter sido dispendiosa, a decisão de Alexandre de cruzar o Hidaspes, cheio de monções, a fim de pegar o exército de Poro no flanco, foi referida como uma de suas "obras-primas" em combate.Burn 1965, p. 150 O envolvimento dos macedônios com os indianos no rio Hidaspes continua sendo um evento histórico muito significativo no que diz respeito as Guerras de Alexandre, o Grande, pois resultou na exposição das influências políticas e culturais gregas ao subcontinente indiano, produzindo assim obras como a arte greco-budista, que continuaria a impactar as relações entre Gregos e Indianos por séculos.

Local A batalha teve lugar nas margens orientais do rio Hidaspe, (atualmente chamado de Jhelum), afluente do rio Indo, próximo às atuais cidades de Jhelum e Bhera, no Paquistão.

O início da campanha da Índia Por dois anos, Alexandre o Grande esteve continuamente em campanha, tanto no inverno como no verão. Agora, em 327 a.C., enquanto a "primavera estava quase no fim", o exército precisava realizar a árdua travessia do Indocuche e voltar a Alexandria no Cáucaso. O tempo estava menos severo e Alexandre descobrira "rotas mais curtas" do que em março de 329 a.C., mas mesmo assim o exército tinha de subir provavelmente uns metros sobre a Passagem de Kaosh. Era, portanto, importante reduzir o tamanho do trem de bagagem, que havia sido engordado pelo butim adquirido durante o saque de centros rebeldes. Alexandre e seus companheiros deram o exemplo botando fogo em algumas de suas posses e os macedônicos destruíram o que era supérfluo para suas necessidades e as de sua família (pois a maioria deles era acompanhada por concubinas asiáticas e seus filhos). As principais tropas cruzaram em dez dias, mas o transporte do material pesado continuou durante os meses de verão. Nesse meio tempo, Alexandre treinava seu exército multirracial. Ele ampliou Alexandria com soldados inadequados e pessoas da localidade, e substituiu o administrador incompetente por um de seus companheiros. Quando partiu, deixou uma guarnição: essa seria sua base avançada. O sátrapa da região do Paropâmiso era Tiriéspis, um persa, e Alexandre acrescentou à sua satrapia algumas terras no vale superior do rio Cabul.

No inverno de 327 a.C., Alexandre sacrificou a Atena e embarcou para a conquista de "Indike", a terra do rio Indo e seus afluentes, que hoje constitui o Paquistão e a Caxemira. Aristóteles declarara que a Índia, por ser a região a leste do rio Indo (Arriano Ind. 2.5), era uma península que apontava para leste em direção ao oceano exterior, uma área tão pequena que do pico do Cáucaso um homem poderia ver o oceano em um dia claro. Alexandre sabia agora que "Indike" era muito maior, mas sua confiança em Aristóteles o levou a dirigir sua campanha continuamente a leste para tentar chegar ao oceano. Se ele conquistasse essa "índia", possuiria "toda a Ásia", como dissera a Farasmanes. Os povos da região, chamados coletivamente "indos", tinham fama de excelentes lutadores. Sua infantaria era armada com arcos excepcionalmente longos e poderosos, dardos ou, por vezes, lanças longas, e todos tinham espadas. A cavalaria atacava com dardos. A infantaria e a cavalaria traziam, ambas, pequenos escudos de couro e tinham pouca ou nenhuma armadura de proteção. Felizmente para Alexandre, os "indos" eram desunidos; tribo lutava contra tribo e rei contra rei. Onde prevalecia o sistema de castas, os soldados eram uma classe separada, pai era sucedido por filho e eles não atacavam a casta dos lavradores. Alexandre ainda precisava aprender que a população dentro de "Indike" era extremamente grande.

Durante o verão, os emissários de Alexandre avançaram e garantiram a submissão das comunidades tribais a oeste do Indo e de uma comunidade a leste do rio, e seus governantes — na maioria reis — haviam dado garantias de fidelidade. Ele então convocou-os, e eles vieram com presentes e promessas de entregar seus elefantes de guerra. Mas Alexandre não se deixou enganar. Tomando sob seu comando uma enorme e extraordinária força, penetrou na região montanhosa que seria a fronteira noroeste da Índia. O primeiro grupo de tribos, os aspásios, desafiou-o. Quando eles se fecharam em suas cidades fortificadas, Alexandre capturou-as uma a uma de assalto; e quando concentraram suas forças, Alexandre derrotou-as, levando 40 mil prisioneiros e 230 mil bois, de acordo com Ptolomeu. O grupo seguinte, os gureus, aceitou seu governo. Os assacenos reuniram um exército de dois mil cavalarianos, 30 mil soldados de infantaria e 30 elefantes, mas ante a aproximação dele, se dispersaram para defender suas cidades. Resistiram nos primeiros meses de 326 a.C.. A luta foi tão feroz quanto em Bactriana e Sogdiana e Alexandre empregou os mesmos métodos, destruindo os primeiros centros e os habitantes como rebeldes, perdoando outros e, nos estágios finais, estabelecendo novas cidades (por exemplo, em Arigeu e Bazira), guarnecendo algumas cidades existentes e colocando postos de guarda em pontos estratégicos.

Alexandre deveu o sucesso à sua velocidade de movimento com as forças de cavalaria (pois usava arqueiros montados, lançadores de dardos montados e infantes chamados "dimachas"), sua artilharia e suas tropas de assalto nos cercos e à habilidade dos comandantes subordinados como Crátero e Ptolomeu. Batalhas formais eram raras e nelas a falange em formação era imbatível. O número de macedônicos mortos foi pequeno, mas muitos, incluindo Alexandre duas vezes, foram feridos por flechas. A resistência mais árdua foi em Mássaga, onde os assacenos foram reforçados por sete mil mercenários do leste do Indo. Quando o comandante assaceno foi morto por um tiro de catapulta, a sua viúva iniciou negociações durante as quais os sete mil mercenários saíram e acamparam próximo dos macedônios. Durante a noite, ocorreu uma rutura do acordo — Ptolomeu e/ou Aristóbulo atribuem-no aos mercenários e outros escritores a Alexandre — e o resultado foi que os mercenários foram cercados e mortos. Finalmente, para mostrar que a resistência nunca teria sucesso, Alexandre atacou a "Rocha de Aornus" (Pir-Sar), que Héracles, dizia-se, por duas vezes falhara em tomar.

Alexandre sentiu uma "ânsia" (pothos) por superar Héracles. Alexandre e Ptolomeu, comandando forças distintas, conquistaram um caminho de subida com um movimento em tenaz. Fez-se então uma ponte sobre uma ravina, como na rocha de Chorienes, e a partir da ponte um pico foi capturado "com incrível audácia". Finalmente, dos dois grupos que subiam à noite, sete homens chegaram ao topo (sendo o primeiro Alexandre) e derrotaram o inimigo. Como comentou sir Mark Aurel Stein, o sucesso deveu-se ao "génio de Alexandre e à coragem e resistência dos seus valentes macedônios", pois em todas essas operações, os Homens do Rei e suas tradicionais tropas de apoio representaram o papel principal.

No curso dessa campanha, Alexandre e seus macedônicos acreditavam que haviam sido precedidos não apenas por Héracles, mas também por Dioniso. Os próprios indianos reforçavam essa ideia dizendo que Dioniso fundara ali uma cidade chamada Nisa e que Dioniso plantara a hera, que crescia ali e em nenhuma outra região da Índia. Os macedônicos deleitaram-se ao ver a hera e outros supostos sinais da presença de Dioniso, e o próprio Alexandre foi tomado de uma "ânsia" por visitar os lugares sagrados. Fizeram-se sacrifícios a Dioniso; Alexandre declarou Nisa uma cidade livre; e 300 cavalarianos de Nisa serviram com os macedônicos até o outono de 326 a.C. Assim, enraizou-se a ideia de que Dioniso e Héracles haviam lutado na região oeste do Indo, mas que nunca cruzaram o grande rio. Alexandre e seus macedônicos planejavam superá-los.

Em Aorno, Alexandre estava próximo à Caxemira, o reino de Abisarés, que ajudara os assacenos e agora dava refúgio aos sobreviventes de Aorno. Alexandre não o perseguiu. Voltou-se para sul, capturou alguns elefantes de guerra, encontrou madeira adequada e construiu navios que foram lançados no Indo. Como sátrapa de toda a região, Alexandre nomeou um macedônico, Filipo, e como guardião da Rocha de Aorno, um leal indiano, Sisicoto. Eles se mostraram dignos de confiança; quando ocorreu um levante na Assacênia naquele mesmo ano, Alexandre foi informado por Sisicoto, e Felipe e Tiriespe restauraram a ordem. Como nos outros lugares, Alexandre impôs a paz e garantiu uma promessa de progresso em suas novas cidades.

Ao sair de Niceia, próximo a Alexandria no Cáucaso, Alexandre enviara o grosso do exército, comandado por Heféstion e Pérdicas, pela rota direta via Passo Khyber até o Indo. Eles dominaram por rendição ou capturaram por assalto todos os centros habitados (pois eles ficavam na principal linha de comunicações de Alexandre); e fortificaram e guarneceram um deles, Orobatis. Quando o governante indiano do distrito de Peuce-laotis se rebelou, sua cidade caiu após um cerco de trinta dias. Um indiano foi nomeado governador da cidade. Heféstion havia sido instruído a construir uma ponte sobre o Indo, e por isso mandou fazer botes que serviriam como pontões. Eles eram feitos de madeira local em seções, que podiam ser transportadas por terra e montadas, e os maiores eram um par de triakontoroi. Quando Alexandre chegou, na primavera de 326 a.C., as forças unidas realizaram um grande festival com jogos atléticos e equestres. Alexandre sacrificou aos deuses de costume e um governante indiano, Taxiles, forneceu oferendas sacrificiais para os soldados: três mil cabeças de gado e mais de 10 mil carneiros. Os presságios dos sacrifícios foram favoráveis. Ao alvorecer, o próprio Alexandre foi o primeiro a cruzar para a "Índia", uma terra totalmente desconhecida para o mundo grego.

O exército que cruzou o Indo montava a cerca de 75 mil combatentes, dos quais a maior parte eram infantes da Macedônia, dos Bálcãs e da Ásia Ocidental. Na cavalaria, os acompanhantes estavam constituídos de tal forma que as quatro hiparquias que acompanhavam Alexandre eram constituídas principalmente de acompanhantes macedônicos. Ele precisaria deles como cavalaria pesada em batalhas formais. Nossas fontes mencionam os lançadores de dardos montados que eram persas, os arqueiros montados dahas, os bactrianos e os sogdianos, e certamente havia outras unidades, como, por exemplo, os trácios.

A batalha do Hidaspes esquerda|thumb|350px|Alexandre atravessa o rio Hidaspes, cortesia do Departamento de História da Academia Militar dos Estados Unidos. O governo de Alexandre havia sido aceito com antecedência e presentes foram trocados na mais pródiga escala entre Alexandre e Taxiles. Após a morte deste, nessa mesma época, seu filho adotou o mesmo nome dinástico. Esse jovem Taxiles colocou sua capital, Taxila (Bhir), à disposição de Alexandre e forneceu cinco mil soldados para servi-lo.

Em Taxila, Alexandre recebeu enviados e presentes de governantes menores das redondezas e de Abisares, governante da Caxemira. Sacrificou aos deuses de costume, celebrou um festival com concursos atléticos e equestres e tomou suas providências administrativas. Filipo, um macedônio, foi nomeado sátrapa da região. Taxiles foi recompensado com território adicional. Uma guarnição macedônia foi posta em Taxila; soldados inadequados foram deixados ali e os botes da ponte do rio Indo foram transportados desmontados para o objetivo seguinte de Alexandre, um inimigo de Taxiles chamado Poro.