Itapetim é um município brasileiro do estado de Pernambuco. É conhecido como Ventre Imortal da Poesia. Sua população no censo do IBGE de 2022 era 13.791 habitantes, sendo o 8º município mais populoso da Microrregião do Pajeú. De acordo com o IBGE, Itapetim é o município mais setentrional de Pernambuco e contém o ponto mais ao norte do estado no continente: a comunidade rural de Fava de Cheiro (ou Lagoa de Dentro).

É terra-mãe dos grandes poetas repentistas, dentre eles os irmãos Batista (Dimas, Otacílio e Louro) e Rogaciano Leite. Itapetim surgiu como um povoado de 1885, sob o nome de Umburanas, em homenagem à espécie de árvore homônima (Commiphora leptophloeos), comum na região. Durante muito tempo, era um distrito de São José do Egito. Em 1938, o distrito mudou de nome para São Pedro das Lages, posteriormente Itapetininga, mas sendo configurado para Itapetim em 1943. Em 29 de dezembro de 1953, o município desmembrou-se de São José do Egito.

Devido à sua localização no Complexo Itapetim, do Lineamento Patos, formação rochosa que remonta à Orogênese Brasiliana, Itapetim também é um município com alta concentração de formações rochosas e inselbergues, além de minérios como ferro, magnésio, quartzito e ouro. Minerais dos quais foram explorados por antigas minas, como a Mina de Piedade do Ouro, mas que foram desativadas pela inviabilidade econômica na região.

Atualmente, a mineração em Itapetim ocorre de forma descontínua. Três ocorrências exibem valores significativos em teores de ouro: Pimenteiras, no povoado de Pimenteira do Ouro; Sertãozinho que abrigava a Mina de Piedade do Ouro; e Degredo, no município de Brejinho.

Etimologia "Itapetim" é um oriundo da língua tupi, significando "pedra achatada branca", através da junção de itá ("pedra"), peb ("achatado") e ting ("branco). Pedra Solta.

História

Período pré-colonial De acordo com registros históricos, Itapetim era povoada há milhares de anos por populações nativas. Existem sítios arqueológicos e artes rupestres nas comunidades rurais de Boa Vista e Riacho Salgado, revelando habitação pré-histórica no município. Por exemplo, na Pedra do Letreiro, no município vizinho de Brejinho, há arte rupestre com formato de répteis.

Até o século XVIII, a região era habitada por uma comunidade indígena denominada Babico, que posteriormente foi invadida pelos colonizadores portugueses. Entretanto, devido à falta de pesquisas e estudos arqueológicos, mais informações sobre os Babicos são escassas.

Século XIX O município de Itapetim teve, inicialmente, o nome de Umburanas, em referência à árvore de mesmo nome, cuja sombra abrigava a pequena feira do povoado. Posteriormente, também foi chamado de São Pedro das Lages. Em 1878, deu-se início à feira de Umburanas, possuindo itens como tecido, louças, joias, calçados, dentre outros.

O povoado surgiu em 1885, fundado por Amâncio Pereira, que construiu as primeiras casas e, com seu espírito empreendedor, organizou a feira, incentivou a construção da primeira capela, fundou o primeiro estabelecimento comercial e atraiu diversas famílias de municípios vizinhos. Os primeiros habitantes da vila, também considerados os fundadores da mesma, foram Amâncio Pereira José, José Antônio e Virgulino Soares.

Também deu-se início à povoação com a chegada de dois portugueses: Pedro Mendes de Barros e Inácio Cunha. Os portugueses viram a área como ideal para a agricultura, incluindo plantações de milho, feijão, mandioca, batata-doce, e para a pecuária, como a criação de bovinos, caprinos e aves domésticas. Amâncio, vendo o crescimento da população umburanense, construiu a primeira casa comercial de alvenaria de Itapetim, a qual permanece até os dias atuais.

A primeira capela foi erguida em 1890, em frente à casa de Amâncio, como parte da Paróquia de São José do Egito. Na mesma data, o padre José Gomes, então vigário, celebrou a primeira missa no local. esquerda|miniaturadaimagem|Igreja Matriz de Itapetim sendo aprimorada em 1920|224x224px

Século XX Com o crescimento da população, em 1914, foi construída uma nova capela, maior e mais adequada para a comunidade. Mais tarde, essa capela foi ampliada e se tornou a matriz da freguesia, sendo considerada uma das igrejas mais altas da região.

A paróquia de Itapetim foi criada em 1927 por Dom José Lopes, bispo da Diocese de Pesqueira, tendo como primeiro vigário o padre João Leite de Andrade.

Pelo Decreto-Lei nº 92, de 31 de março de 1938, o distrito passou a se chamar São Pedro das Lages. No quadro de divisão territorial estabelecido pela Lei nº 235, de 9 de dezembro de 1938, foi registrado como Itapetininga, mas posteriormente, pelo Decreto-Lei nº 952, de 31 de dezembro de 1943, recebeu o nome definitivo de Itapetim.

O município foi desmembrado de São José do Egito, tornando-se vila e, posteriormente, elevado à categoria de cidade pela Lei nº 1818, de 29 de dezembro de 1953. A instalação oficial ocorreu em 1º de junho de 1954. A comarca de Itapetim foi criada pelo mesmo Decreto-Lei Estadual nº 1818, de 29 de dezembro de 1953, e confirmada posteriormente pela Lei nº 2567, de 22 de dezembro de 1963.

Exploração aurífera esquerda|miniaturadaimagem|Mina de ouro na comunidade rural de Pimenteira do OuroEm meados da década de 1940, uma mina de ouro foi descoberta na região do distrito de Piedade do Ouro, sendo inicialmente considerada a terceira maior mina de ouro do Brasil. Atualmente, ela é considerada não-oficialmente como a quinta maior jazida do Brasil. A promessa era de que a extração de diferentes minérios, principalmente metais, fosse a principal fonte econômica de Itapetim, município tradicionalmente voltado para a agricultura e a cultura popular. Na época, centenas de garimpeiros trabalharam no local.

Todavia, com o tempo, o ouro da mina foi se tornando economicamente inviável. Segundo o Projeto Itapetim, o que se extraía, geralmente em pouca quantidade, não compensava os altos custos de infraestrutura, transporte e equipamentos. Em janeiro de 1983, os custos chegavam a ser 5 vezes maiores que o desmonte. O município era remoto, longe de grandes centros urbanos, com acesso limitado e baixo nível de infraestrutura. Ainda assim, o Projeto informou que a identificação dos pontos falhos que estavam causando a perda de minérios era dificultosa, tornando-se impossível corrigi-los ou melhorá-los. A campanha de sondagem do Projeto Itapetim, que visava buscar informações sobre a mineração, havia sido descontinuada em 1982.

Em 1983, havia oito setores de mineração no chamado Distrito Aurífero de Itapetim. Na parte oeste: Sertãozinho, drenado pelo Rio Pajeú, sendo o mais explorado e onde estava a Mina de Piedade do Ouro; Degredo, no município de Brejinho e pouco explorado; Santo Aleixo, próximo a Degredo; e Pedro Amâncio, ao sudoeste da Barragem de Piedade. Na parte leste, formada principalmente por rochas meta-sedimentares: Zé de Cabrinha, ao sul do povoado de Piedade do Ouro; Pimenteiras, banhado pelo Riacho Mulungu e onde havia grande concentração de garimpo; Gurgueia, no povoado do Cariri/Mulungu, banhado pelo Riacho Gurgueia, entretanto pouco conhecido; e Catolé, a leste do Cariri.

No mesmo ano, foi projetado um pequeno programa da lavra, através do método "shrinkage stopping". Foi realizado um engenho-piloto para a construção de uma mina em Itapetim, denominado Engenho Piloto Projeto Itapetim-C.C. 2229010, possuindo capacidade para extrair até 1 tonelada de minérios por hora moendo a 80 mesh. Em turnos de 8 horas, seria esperado uma produção de 6 toneladas. Em cada turno, seriam mobilizados 11 operários, excluindo motoristas, mecânicos e supervisão. O controle de produção era feito diariamente através de tabelas. Ao todo, o Projeto Itapetim gastou Cr$ 82.604.680,00 com a campanha de sondagem, descontinuada em 1982.

Entretanto, críticas argumentaram que o Engenho Itapetim foi montado sem ter conhecimento de quaisquer características do minério, sem ter feito qualquer teste tecnológico, sem qualquer equacionamento e dimensionamento do equipamento, sendo montado com alguns equipamentos disponíveis a custos insignificantes. De acordo com os argumentos, para se montar um engenho piloto, é necessário conhecer, pelo menos, algumas características do minério ou a semelhança do mesmo com o de outra mineração. Portanto, seria necessário realizar testes tecnológicos a escala de laboratório, determinar um fluxograma adequado e dimensionar o equipamento. Houve a sugestão de construir um novo engenho em Itapetim, mas a ideia era considerada prematura.

Em 1984, houve tentativas de recuperar o ouro em Itapetim através da lixiviação, mas não foram bem-sucedidas. No setor Sertãozinho, foi planejada a construção de uma Lavra Experimental. através do método "shrinkage stopping", prevendo uma extração de até 60 toneladas por dia e até 1500 toneladas por mês do minério. De acordo com o Projeto Itapetim, responsável pelo planejamento, a mina e a barragem de Piedade do Ouro seriam utilizadas como fonte de abastecimento de água, fornecendo 3 mil litros por hora. No ano seguinte, em 1985, a Mina de Piedade foi oficialmente fechada, após mais de quatro décadas de atividades.

Em 1992, a busca pelo ouro continuou com a segunda fase de reativação do Projeto Itapetim, visando explorar os minérios contidos no município, além de Brejinho e da Serra do Teixeira, o último sendo escolhido para a construção de trincheiras. A reativação focou na exploração do setor Degredo, que, por estar mais distante do setor principal Sertãozinho, era pouco explorado.

Em 1999, a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) calculou até 607 kg de ouro contido na comunidade rural do Sertãozinho. Entretanto, como citado anteriormente, o depósito apresentou-se antieconômico por estar presente em quantidades que não justificavam os custos envolvidos na sua extração. Na ocasião, o foco estava nas composições xistosas de Pimenteira do Ouro, que encontravam-se em uma zona mesoproterozóica com predominância de muscovita-biotita, xistos e intercalações de metavulcânicas félsicas e intermediárias.

Em 2000, estudos exploraram o Complexo Itapetim, uma formação rochosa que surgiu há cerca de 638 milhões de anos durante a Orogênese Brasiliana, um grande evento de formação de montanhas que contém vários minérios. Ele é composto principalmente por um tipo de granito (monzogranito porfirítico) que contém fragmentos de outra rocha chamada diorito. Mais tarde, essa formação foi atravessada por fraturas onde se infiltraram diques de granodiorito. Geografia Itapetim está a uma altitude média de 637 metros acima do nível do mar e sua área é de 411,875 km². Destes, 2,02 km² estão em área urbana. As regiões de influência de Itapetim são o Arranjo Populacional de Patos, o Centro Subregional A (3A) e São José do Egito - Centro de Zona B (4B). Está na Região Intermediária de Serra Talhada e Região Imediata de Afogados da Ingazeira, bem como na Microrregião do Pajeú e na Mesorregião do Sertão Pernambucano.

É formado por três distritos: A sede, São Vicente e Piedade do Ouro, além de centenas de comunidades rurais. Observação que Piedade do Ouro é classificado como um distrito apenas pela Prefeitura Municipal, mas não pelo IBGE, pois não atende aos critérios envolvidos para ser categorizado como tal. Além do mais, Itapetim é o município mais setentrional do estado de Pernambuco e contém o ponto mais setentrional do estado no continente: o povoado de Fava de Cheiro, também conhecido como Lagoa de Dentro.

Localiza-se à latitude 07°22'42" sul e à longitude 37°11'25" oeste e está a 267 km de distância da capital estadual Recife em linha reta. Limita-se com: São José do Egito (oeste e sul), Brejinho (oeste) e o estado da Paraíba (norte e leste). miniaturadaimagem|Um inselbergue no município vizinho de Brejinho

Geomorfologia