thumb|direita|300px|A relação sexual na posição missionária, a mais comum das posições sexuais humanas, em uma pintura feita por Édouard-Henri Avril Relação sexual, coito ou cópula são termos que se referem principalmente à inserção e fricção do pênis, geralmente ereto, na vagina, com a finalidade de estimulação sexual ou reprodução, o que também se denomina sexo vaginal. As relações sexuais proporcionam intimidade física entre duas ou mais pessoas e são geralmente praticadas pelo ser humano com o propósito de prazer físico ou emocional, contribuindo para o fortalecimento de laços afetivos.

Embora os termos "relação sexual" e, em particular, "coito", se refiram geralmente à penetração peniana-vaginal e à possibilidade de criação de descendência (que é o processo de fecundação designado reprodução), também podem ser usados em referência a outras formas de sexo penetrativo. * * Entre as outras formas de sexo penetrativo estão a penetração do ânus pelo pênis (sexo anal), penetração da boca pelo pênis ou penetração oral dos genitais femininos (sexo oral), penetração sexual através dos dedos ou penetração com o auxílio de objetos sexuais. Os atos sexuais não penetrativos, como a masturbação mútua, ou formas não penetrativas de cunilíngua, não estão geralmente incluídos na definição de relação sexual, * embora também possam contribuir para estabelecer relações socioafetivas e fazer parte das relações sexuais. O termo "sexo" é frequentemente usado como forma abreviada de "relação sexual", embora se possa referir a qualquer forma de atividade sexual. Uma vez que estas atividades implicam o risco de contrair doenças sexualmente transmissíveis, e embora o risco de transmissão seja significativamente menor durante o sexo não penetrativo, geralmente é aconselhada a prática de sexo seguro.

Existem diversas perspectivas sobre aquilo que constitui e diferencia a relação sexual humana de outras atividades sexuais, o que pode também influenciar as perspectivas sobre saúde sexual. Consoante a jurisdição, existem diversas leis que proíbem a realização de determinado tipo de relações sexuais, como o incesto, relações com menores de idade, sexo extraconjugal, prostituição, sodomia, violação ou zoofilia. As crenças religiosas também influenciam as decisões pessoais em relação às relações sexuais ou outro tipo de atividade sexual, como por exemplo as decisões sobre a virgindade, ou em relação à definição de políticas públicas. As perspectivas religiosas sobre a sexualidade diferem significativamente entre as religiões e até mesmo entre vertentes da mesma religião, embora existam tópicos quase universais, como a proibição do adultério.

As relações sexuais entre não humanos e com a finalidade de reprodução são geralmente denominadas "cópula". Na maior parte dos mamíferos, o acasalamento e cópula ocorrem durante o cio, o período de maior fertilidade durante o ciclo reprodutivo feminino, o que aumenta as probabilidades de fertilização. No entanto, os bonobos, os golfinhos e os chimpanzés praticam relações sexuais independentemente de a fêmea estar ou não no cio, praticando ainda atos sexuais entre parceiros do mesmo sexo.* * Tal como o ser humano pratica relações sexuais fundamentalmente por prazer, presume-se que a finalidade deste comportamento animal seja idêntica, e que contribua de igual forma para o fortalecimento de relações socioafetivas.

Comportamentos

Definições thumb|Uma pintura do século XIX realizada por Achille Devéria, onde se observa um casal realizando relação sexual vaginal thumb|Uma interpretação erótica feita no século XIX, por Édouard-Henri Avril do imperador Adriano e Antínoo em uma relação sexual anal Os comportamentos em torno da relação sexual também podem ser definidos por diferentes termos, incluindo coito, cópula ou sexo, sendo esta última a mais utilizada por ser uma abreviação. O termo coito é derivado das palavras latina coitio e coire, que significam "unir-se juntos"; * ele descreve uma variedade de atividades sexuais onde são usados termos do latim antigo, mas geralmente se refere apenas e exclusivamente à relação peniana-vaginal, que é frequentemente denominada como coito vaginal ou sexo vaginal. Estes termos, resultantes da abreviação de relação sexual vaginal, se relacionam com qualquer atividade sexual onde a vagina está envolvida, principalmente em casos de penetração, bem como a relação sexual entre casais de lésbicas.Ver página 302 para informações sobre orgasmo, e páginas 285–286 para definições, predomínio e duração das relações sexuais. A cópula, ao contrário, na maioria das vezes é utilizada para o acasalamento de animais não humanos; geralmente é definido pelo ato de reprodução sexuada ocasionado pela transferência do esperma de um macho para uma fêmea. Raramente o termo é usado para a procriação entre homens e mulheres, e em menor escala, sobre qualquer atividade sexual entre humanos.

Embora o uso dos termos sexo e relação sexual são os mais predominantes ao se tratar da relação peniana-vaginal no discurso tradicional, * Ver página 11 em diante e páginas 47–49 para pontos de vista sobre a influência da perda da virgindade na relação sexual; * * outras palavras são utilizadas em diferentes países, conforme afirma a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ela escreve que "as culturas e as linguagens diferentes da inglesa possuem outros termos para a relação sexual, sendo que o significado deles pode variar um pouco". Na língua portuguesa, o principal termo além dos supracitados para referir-se ao ato é transa, que geralmente se relaciona a uma relação peniana-vaginal. Além destes, vários vocábulos de expressão vulgar e eufemistas são usados para identificar a relação sexual, como o termo foda e a frase "dormir junto". Adicionalmente, a penetração do pênis ereto na vagina é referida como intromissão, palavra que se origina do latim immissio, que significa "inserção do pênis".

Atualmente, os pesquisadores definem a relação sexual como relação peniana-vaginal, enquanto os outros tipos de atividades recebem termos específicos, como por exemplo, sexo anal e sexo oral. * Os estudantes universitários Richard M. Lerner e Laurence Steinberg afirmam que os pesquisadores "raramente discutem sobre como eles definem o sexo ou mesmo se eles próprios possuem divergências na definição do termo", onde eles concluem dizendo que "esta forma cultural de pensamento acaba limitando o pensamento do pesquisador e as ideias que tem em mente". Este foco na relação peniana-vaginal acaba relegando outras formas de atividade sexual mútua feitas nas preliminares, onde não as considera como um "sexo de verdade", bem como limita as definições do estupro. Também existe a preocupação de estudiosos que, conceitualmente, ao misturar o coito vaginal com outras funções sexuais, não se obtenha dados relacionados às atividades praticadas por pessoas não heterossexuais.

As relações vaginal, anal e oral, em especial suas formas penetrativas, são as atividades sexuais mais reconhecidas como relações sexuais. * * Embora as atividades sexuais onde não ocorre penetração ou não ocorre contato direto com a vagina sejam consideradas como uma relação sexual de fato, elas também são consideradas como mantenedoras da "virgindade técnica", principalmente se tratando do sexo oral e anal. * * A perda da virgindade é frequentemente referida como fruto da relação peniana-vaginal, porque os casais heterossexuais, embora possam realizar as outras duas formas de sexo anteriormente citadas, possam conservar a virgindade caso estes não pratiquem o ato reprodutivo do coito. Já os casais gays podem utilizar o ato de frotting ou o sexo oral (felação) como forma de manterem-se virgens, sendo que a perda é definida com a relação peniana-anal com penetração, sendo que a maioria dos homens define o frotting e o sexo oral como suas principais formas de realizarem a relação sexual. As lésbicas definem a perda da virgindade com o sexo oral (cunilíngua) ou com a dedilhada (termo utilizado para a masturbação feminina), sendo que o tribadismo também pode ser considerado como uma forma primária da realização da relação sexual.

Estudos em relação à definição de relação sexual provocam conflitos e divergências entre os resultados apresentados. Um estudo de 1999 feito pelo Instituto Kinsey examinou a definição de sexo com base em uma amostra aleatória de 1991 feita com 599 estudantes universitários de 29 estados norte-americanos, a qual relatou que "todos os estudantes consideraram que a relação peniana-vaginal configurava o sexo, enquanto que 19–20% não considerava isto para o sexo anal, e cerca de 60% afirmou que o contato oral-genital (felação e cunilíngua) não constituía sexo". Da mesma forma, um estudo publicado em 2003 na Revista Canadense de Sexualidade Humana focou nas definições do termo sexo e realizou uma pesquisa com estudantes universitários dos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália. Como conclusão, apresentou que "enquanto a grande maioria dos que responderam (cerca de 97%) nos três estudos incluíram a relação peniana-vaginal na definição de sexo, uma quantidade um pouco menor (cerca de 70%) considerou a relação peniana-anal como forma de prática" e que "os comportamentos oral-genital foram considerados sexo por 32% a 58% dos entrevistados". O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) afirmou em 2009 que "[e]mbora não existam registros de pesquisas nacionais sobre a prática de sexo oral por parte de adolescentes, alguns dados sugerem que muitos deles praticam o ato por não o considerarem como "sexo", permanecendo assim, em suas mentes, com a consciência limpa".

A especificidade de questões referentes à atividade sexual pode afetar também as definições de relações sexuais ou outros comportamentos sexuais. Outro estudo do Instituto Kinsey coletou amostras de 484 pessoas, com idade entre 18 e 96 anos. O estudo concluiu que "cerca de 95% dos participantes concordaram que a relação peniana-vaginal configurava sexo". No entanto, os números se alteravam quando as questões se tornavam mais específicas: 11% das pessoas que haviam respondido sim na pergunta anterior, afirmaram que o ato sexual só existe quando o homem chega ao orgasmo, caso contrário, isto não configura sexo; "cerca de oitenta por cento dos que responderam afirmaram que a relação peniana-anal configura o sexo; já cerca de 70% acredita que o sexo oral configura uma relação sexual". O uso do preservativo também influencia na opinião dos homens; vários deles afirmam que o uso da proteção da camisinha faz com que o mesmo não se torne "sexo de verdade". Um estudo relatou que as gerações mais velhas do sexo masculino, que apresentam mais de 65 anos, em particular, não veem como atividade sexual algo que utiliza uma proteção de um preservativo. Esta mesma opinião é compartilhada entre os homens da África, onde o sexo com preservativo é conhecido como emasculação, onde não acontece o contato direto do pênis com a genitália.

Vínculos e variações de estímulo