Oceania ou Oceânia é uma região geográfica que inclui a Australásia, a Melanésia, a Micronésia e a Polinésia. É geralmente considerada um continente, enquanto a Austrália continental é considerada sua massa continental. Abrangendo os hemisférios oriental e ocidental, no centro do hemisfério aquático, estima-se que a Oceania tenha uma área terrestre de cerca de 9 milhões de quilômetros quadrados e uma população de cerca de 46,3 milhões de pessoas em 2024. É o menor continente em área terrestre e o segundo menos populoso depois da Antártida. É o lar da terceira maior área remanescente de floresta tropical da Terra, que cobre grande parte da ilha da Nova Guiné.

Apresenta uma mistura diversificada de economias, desde os mercados financeiros altamente desenvolvidos e globalmente competitivos da Austrália, Polinésia Francesa, Havaí, Nova Caledônia e Nova Zelândia, que ocupam posições elevadas em termos de qualidade de vida e Índice de Desenvolvimento Humano, até as economias muito menos desenvolvidas de Quiribati, Papua-Nova Guiné, Tuvalu, Vanuatu e Nova Guiné Ocidental. O maior e mais populoso país da Oceania é a Austrália, e a maior cidade é Sydney. A Pirâmide Carstensz, na Indonésia, é o pico mais alto da Oceania, com 4.884 metros de altura.MacKay (1864, 1885) Elements of Modern Geography, p. 283

Os primeiros habitantes da Austrália, Nova Guiné e das grandes ilhas a leste chegaram há mais de 60 mil anos. A Oceania foi explorada pela primeira vez por europeus a partir do século XVI. Exploradores portugueses, entre 1512 e 1526, chegaram às Ilhas Tanimbar, a algumas das Ilhas Carolinas e ao oeste da Nova Guiné. Exploradores espanhóis e neerlandeses seguiram-se, depois britânicos e franceses. Na sua primeira viagem, no século XVIII, James Cook, que mais tarde chegou às altamente desenvolvidas Ilhas Havaianas, foi ao Taiti e seguiu a costa leste da Austrália pela primeira vez. A chegada de colonizadores europeus nos séculos subsequentes resultou numa alteração significativa no panorama social e político da Oceania. O teatro do Pacífico foi palco de importantes conflitos durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial.

A arte rupestre dos aborígenes australianos é a tradição artística continuamente praticada mais antiga do mundo."Oceanic art", The Columbia Encyclopedia, Sixth Edition 2006. A maioria dos países da Oceania são democracias parlamentares, com o turismo servindo como uma grande fonte de renda para as nações insulares do Pacífico.

Etimologia O topônimo Oceania foi designado ao continente por iniciativa do naturalista francês René Primevère Lesson (Rochefort, 1794 — id, 1849), o qual também era médico e farmacêutico naval. Quando era tripulante da corveta Coquille, viajou por um bom tempo pelo Oceano Pacífico com a missão de realizar pesquisas científicas para servir de fonte de seus livros de anatomia e taxonomia de mamíferos, pássaros, beija-flores. Além disso, há depoimentos de viagens, livros de história e botânica datados de 1828. Daí a origem etimológica do termo: a palavra "oceano" acrescida do sufixo "ia", da mesma forma que acontece com outros topônimos tais como Germânia, Betânia, Transilvânia, Tripolitânia, entre outros.

A forma "Oceania" (sem acento circunflexo, ou seja, com a sílaba tónica em "ni") é usual e aceita no Brasil, sendo normal mas considerada incorreta em Portugal. A forma "Oceânia" é constante na maioria das fontes consagradas, ainda que o uso prefira a pronúncia "Oceania".

História

thumb|esquerda|Aborígenes australianos em 1939. Durante os Períodos Glaciais, Austrália, Nova Guiné e Tasmânia eram ligadas por pontes terrestres, formando um único continente, conhecido como Sahul. Os australoides, primeiro povo a habitar a região, eram os antepassados dos atuais papuas e dos aborígenes australianos, que devem ter chegado a Sahul há anos.

A seguinte onda significativa de emigrantes só aconteceu em 6000 a.C., quando povos austronésios vindos de Taiwan se espalharam pelas Filipinas e Índias Orientais e chegaram à Nova Guiné, miscigenando-se com os nativos australoides, originando a heterogênea população da Melanésia. Por volta de 1500 a.C., esses austronésios, os maiores navegantes da pré-história, chegaram às Fiji — vindos de Vanuatu e, pouco depois, a Tonga e a Samoa, ponto de partida para a posterior expansão polinésia para o Pacífico Oriental, acabando na ocupação de ilhas tão distantes como o Havaí, ao norte, a Nova Zelândia ou Aotearoa (seu nome polinésio), ao sul e a ilha de Páscoa ou Rapa Nui, ao leste.

thumb|direita|220px|Fotografia aérea da Baía de Sydney. A povoação das ilhas da Micronésia teve origens étnicas distintas: filipinos em Palau e Yap, habitantes do arquipélago Bismarck nas ilhas Truk, tuvaluanos (que encontram origem nas Fiji ou MPI) nas Ilhas Marshall, por exemplo. Isso é comprovável por traços culturais e linguísticos. Já os povos da Polinésia encontram origens étnicas, linguísticas e culturais semelhantes. Símbolos da cultura polinésia conhecidos mundialmente são as estátuas tiki e a festa lūʻau, além de seu estilo de tatuagem.

Os austronésios guiaram-se unicamente com a localização dos astros, direção do vento e características das ondas — que revela a localização de ilhas. Dominavam a cerâmica, que foi um dos símbolos da cultura lápita, cujo estilo singular desta era ricamente decorado e que, em cerca de 500 a.C., foi substituída por peças simples e sem decoração na Samoa. Também dominavam a agricultura, encontrando subsistência no taro, no inhame, na batata-doce, na mandioca, na banana, no coco, na cana-de-açúcar e no arroz.

A colonização da Austrália

thumb|Retrato do comandante James Cook, por Nathaniel Dance (1775). Os britânicos incorporaram a Austrália aos seus domínios em 1770. No ano da incorporação oficial, habitaram a ilha-continente cerca de 300 mil nativos, divididos em mais de 600 tribos, que falavam mais de 500 dialetos. Estes nativos eram caçadores-coletores, desconhecendo a prática da agricultura.

No século XVIII, a ocupação britânica restringiu-se à implantação de colônias penais, a mais importante delas nas proximidades da cidade de Sydney, e à fixação de um pequeno número de colonos, que constataram as grandes possibilidades de se desenvolver a pecuária com sucesso na colônia.

A pecuária e o coito, principalmente a ovina, cresceu em imponência no século XIX, bem como a atividade agrícola, principalmente voltada à produção do trigo. O que provocou um grande surto populacional na colônia ao longo desse século foi, no entanto, a descoberta de ouro na província de Vitória. Na virada do século, a população australiana era de aproximadamente três milhões de habitantes. Em 1901, a Austrália transformou-se numa federação autônoma, a Comunidade da Austrália, iniciando um acelerado processo de expansão da agropecuária e da indústria. Isso determinou a necessidade de se incrementar, particularmente no pós-guerra, as correntes migratórias. De 1945 a 1970, o país recebeu aproximadamente três milhões de imigrantes, cerca de 50% de origem britânica. Atualmente a Austrália é um dos países que exercem maior controle sobre a imigração estrangeira.

A colonização da Nova Zelândia

Quando a Nova Zelândia foi formalmente ocupada pelos britânicos em 1840, as suas ilhas eram habitadas pelos maoris, povo de origem polinésia. De 1845 a 1870, com a intensificação da colonização, ocorreram pesados conflitos entre britânicos e maoris, contrários à ocupação de suas terras. Derrotados, os maoris, que foram reduzidos de para pouco mais de , assinaram uma série de acordos com os colonizadores.

A atividade agropecuária foi a mais importante para o sucedimento da colonização. Destacaram-se a criação de ovinos para produção de lã e o cultivo de trigo, na fértil planície de Canterbury. A partir de 1860, foi a extração do ouro que funcionou como importante fator de atração populacional, garantindo a continuidade do processo de colonização.

A Nova Zelândia passou à condição de colônia britânica em 1870, alcançando sua autonomia política após a Primeira Guerra Mundial. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a Nova Zelândia deixou de pertencer à esfera de influência britânica, passando à esfera de influência dos Estados Unidos.

Geografia thumb|300px|Regiões da Oceânia

A Oceania está localizada entre os oceanos Índico e Pacífico e é formado por milhares de ilhas de diversas extensões, desde pequenos atóis coralígenos até a Austrália, pouco menor que o Brasil. Ocupa ao todo uma área de mais de 8 900 000 km2 nos quatro hemisférios: estende-se de 21 graus de latitude norte a 50 graus de latitude sul e de 111 graus de longitude leste a 119 graus de longitude oeste. Limita-se ao norte com o Estreito de Torres e os mares de Timor e Arafura, a leste com o Mar de Coral e o Mar da Tasmânia, ao sul com o Estreito de Bass e o Oceano Índico e as "Kamangas" a oeste novamente com o Oceano Índico."

Atravessada pela linha do Equador e pelo Trópico de Capricórnio, a Oceania localiza-se nas zonas climáticas intertropical e temperada do sul. Devido à sua grande extensão de leste para oeste, abrange oito fusos horários, inclusive a linha que determina a mudança de data (Linha internacional de mudança de data).

thumb|esquerda|O monte Otemanu em Bora Bora, na Polinésia Francesa

Além de inúmeras possessões não independentes, administradas por países europeus, pelos Estados Unidos ou por nações desenvolvidas do continente, a Oceania inclui 14 Estados soberanos, entre os quais se destacam a Austrália e a Nova Zelândia, pelo grande desenvolvimento econômico, e a Papua-Nova Guiné, o segundo país do continente em população e área territorial.

Os demais, de extensão reduzida, população numericamente inexpressiva e economia subdesenvolvida, são: Fiji, Samoa Ocidental, Nauru, Tonga, ilhas Salomão, Vanuatu, Quiribáti, Palau, Estados Federados da Micronésia e Tuvalu. Devido ao grande número de ilhas, costuma-se dividir o continente em:

Australásia: são as maiores ilhas, Austrália, Tasmânia, Nova Guiné e geograficamente, porém não cultural e historicamente, a Nova Zelândia; Melanésia ("ilhas negras"): o nome é derivado de melanina, pigmento escuro da pele, e alude à cor dos habitantes dessas ilhas pouco extensas, localizadas, em sua maioria, ao norte, nordeste e leste da Austrália. Grande parte delas são possessões francesas e britânicas; as que constituem países independentes são Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão, Vanuatu e Fiji; thumb|220px|direita|Pertencente ao Chile, a ilha de Páscoa abriga um mistério histórico: de que forma seus antigos habitantes transportaram e puseram de pé as enormes estátuas espalhadas pela ilha Micronésia ("pequenas ilhas"): formada por ilhas muito pequenas, situadas ao norte e nordeste da Melanésia. O Reino Unido e os Estados Unidos possuem o maior número de territórios dessa área. Quiribáti, Palau, Estados Federados da Micronésia, Ilhas Marshall e Nauru são os países independentes desse grupo; Polinésia ("muitas ilhas"): corresponde às ilhas mais distantes da Austrália, dispersas por uma grande área do Pacífico. São em sua maioria possessões britânicas, francesas e Chilena. Os países independentes da Polinésia são Tonga, Samoa, Tuvalu e, historicamente e culturalmente (o último em relação aos seus povos aborígenes), a Nova Zelândia (nome polinésio: Aotearoa). O estado estadunidense do Havaí e a ilha chilena Rapa Nui ou ilha de Páscoa também fazem parte da Polinésia.

Embora grande parte das ilhas seja de origem vulcânica ou formada por atóis coralígenos, as características físicas do continente oceânico são muito variadas. Por isso, faremos um estudo setofizado de seus traços dominantes.