Turma da Mônica em Uma Aventura no Tempo é um filme de animação brasileiro de 2007 dirigido por Mauricio de Sousa e escrito por Didi Oliveira, Emerson Bernardo de Abreu e Flavio de Souza. É o décimo segundo filme baseado nos personagens das revistas em quadrinhos da Turma da Mônica, sendo o quarto feito para os cinemas. A história é sobre uma máquina do tempo criada por Franjinha que Mônica acidentalmente quebra com seu coelho de pelúcia Sansão, fazendo com que ela, Cebolinha, Cascão, Magali e Bidu partam em busca de quatro elementos que ficaram perdidos em épocas diferentes.
A ideia para um filme de aventura no tempo envolvendo os personagens era antiga, de acordo com Mauricio. O cartunista havia feito uma parceria "muito produtiva" com a Diler & Associados, Miravista Pictures, Labocine Digital e Buena Vista International. Após trabalhar nos roteiros em São Paulo, a equipe foi para o Rio de Janeiro trabalhar com a animação, junto com a Labocine. O filme foi produzido em dez a doze meses e o orçamento foi de mais de sete milhões de reais. Foi o primeiro filme da Turma da Mônica em que os dubladores gravaram as vozes dos seus personagens antes da animação ser feita.
O primeiro trailer de Uma Aventura no Tempo foi lançado em abril de 2006. Seu lançamento foi programado originalmente para dezembro daquele ano, contudo a data de estreia foi adiada por duas vezes (primeiro para janeiro de 2007 e, finalmente, para fevereiro). Após o lançamento de um álbum de figurinhas e uma pré-estreia, o filme foi lançado oficialmente no dia 16 de fevereiro de 2007. Faturando mais de dois milhões de dólares de receita mundial e sendo assistido por mais de 600 mil espectadores nos cinemas brasileiros, o filme foi recebido de maneira positiva pela crítica, sendo citado como um dos melhores filmes de Mauricio de Sousa e um dos maiores lançamentos de 2007 no Brasil. Uma Aventura no Tempo ganhou o prêmio de melhor animação durante a vigésima cerimônia do Troféu HQ Mix.
Enredo 240px|miniatura|left|Cebolinha, Mônica, Magali e Cascão antes de entrarem na máquina do tempo em busca dos elementos perdidos Franjinha está construindo uma máquina do tempo, que funciona ao reunir as moléculas dos quatro elementos básicos da natureza: ar, água, fogo e terra. Todavia, seu laboratório é invadido por Cebolinha e Cascão, que estavam fugindo da Mônica. Mônica atira seu coelho de pelúcia Sansão em direção aos dois, mas acaba atingindo a máquina. Assim, os elementos são enviados para épocas distintas, e fazem com que o tempo na Terra fique cada vez mais devagar, forçando Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali e o cachorro Bidu a partir em busca dos elementos perdidos, usando a própria máquina de Franjinha. Cebolinha vai para o espaço buscar o elemento ar, Cascão vai para o Brasil colônia buscar o elemento água, Mônica vai para a pré-história buscar o elemento fogo e Magali volta para a época quando todos da turma ainda eram bebês para buscar o elemento terra.
Elenco A seguir apresenta-se o elenco de Uma Aventura no Tempo, na ordem dos créditos.Créditos do filme Turma da Mônica em Uma Aventura no Tempo (2007).
Antecedentes e produção De acordo com Mauricio de Sousa, diretor do filme, a ideia de uma aventura no tempo era antiga. Ele declarou: "Há anos eu queria misturar os personagens e suas famílias e colocá-los numa aventura diferente na telona." A equipe de Mauricio começou a se reunir em seus estúdios em São Paulo, escrevendo e reescrevendo diversas vezes o roteiro, no qual trabalharam "muito" antes de iniciar a produção do filme em si, e também fizeram os cenários. A música, os arranjos e a criação do som foram feitos nesses estúdios. Mauricio declarou: "As músicas [...] criaram um pacote sonoro não visto em nenhum filme nosso. O público vai ser envolvido pelo som."
Uma Aventura no Tempo foi gravado na Mauricio de Sousa Produções. Para o filme, Mauricio fez uma parceria "muito produtiva" com a Diler & Associados, Miravista Pictures, Labocine Digital e Buena Vista International. Segundo ele, as parcerias mudaram "tudo": "Somado, tudo transformou a história em cinema de verdade. Os jovens com quem trabalhamos cresceram lendo a Turma da Mônica. Eles sabiam tudo sobre os personagens [...] Sem contar a direção de arte, o roteiro, os efeitos visuais. Desta vez, está tudo diferente." A idade média dos desenhistas da Labocine era de 25 anos, sendo que a grande maioria era autodidata. Segundo Mauricio, ele ficou tão impressionado com o trabalho inicial da empresa que desenhou cada personagem agradecendo.
O Tribuna da Imprensa publicou em 16 de abril de 2006 que o orçamento era de 6,8 milhões de reais, sendo 1,7 só para o lançamento e 3 milhões obtidos da Buena Vista. Em 20 de janeiro de 2007, o Correio Braziliense publicou que o orçamento do filme foi de 7,06 milhões de reais, sendo que 6,265 milhões foram obtidos pela Diler & Associados. O filme teve apoio da Lei Rouanet e ficou em produção por dez a doze meses; um recorde, segundo Mauricio: "Mesmo nos Estados Unidos, levam-se dois ou três anos para se fazer um longa de animação".
Animação e cenários 210px|miniatura|esquerda|Esboço de uma cena do filme Após o trabalho feito nos estúdios de São Paulo, a equipe foi para o Rio de Janeiro trabalhar com a Labocine que, em geral, ficou encarregada da animação, computação gráfica e pós-produção. A primeira etapa foi a produção de um avant trailer, que "é a primeira vez que se começa um trabalho pela parte final, que é a divulgação dele", mas essa estratégia foi "muito bem-vinda", pois serviu para que os 62 desenhistas exercitassem o traço de Mauricio. No estúdio, era feito primeiramente um layout a partir do roteiro, e do storyboard um layout das ambientações do filme. Era feito um estudo à lápis, uma "arte final simplificada", que depois era escaneada e feito um estudo de cor no computador. Inicialmente, não eram todos os cenários que eram desenhados, mas sim apenas "o geral". Depois, a Labocine, com esse material, montava os cenários definitivamente e, por fim, mandava a composição final para o estúdio, para aprovação. Este era o último processo do estúdio: quando a animação e o cenário estavam prontos, os dois eram juntados, aplicando correção de cor, sombra e outros tipos de efeitos especiais.
Vozes As vozes foram gravadas antes das animações em si, o que foi destacado por Marcio Araujo, responsável pela música, como importante devido ao timing das vozes com a animação. Marli Bortoletto, a voz de Mônica, disse no making of do filme que, apesar da estratégia ser boa por "dar oportunidade para criar", não se sabia se essa era intenção original do roteirista. Elza Gonçalves, a voz de Magali, concordou. Bianca Rinaldi, a voz de Cabeleira Negra, disse que estava muito apreensiva e nervosa, pois era sua primeira vez dando vida a um personagem já existente, sendo que, em outros trabalhos, o personagem era visto apenas no final. Quando o processo de dublagem foi iniciado, Mauricio e sua equipe acharam que este estava "sem dinamismo". Então, eles chamaram os dubladores para o estúdio, pedindo para que eles "recheassem o filme de cacos", "inventando piadinhas", como uma forma de dar frescor ao diálogo. De acordo com Mauricio, esta estratégia "criou um novo ritmo, que os animadores adoraram seguir", deixando o filme mais dinâmico e mais moderno.
Música Uma Aventura no Tempo contou com os compositores Carol Camanho, Gabriel Rocha, Gustavo Toledo, Heverton Lustosa, Jansen Raveira, Leonardo Mateus e Marcelo Penna, além de composição adicional de Daniela Serpa e Eduardo Pacheco. Marcio Araujo ficou responsável pela direção musical, músicas (com Danilo Adriano), arranjos e execução (com Marcelo Souza). Quatro músicas, todas editadas pela Sônica Editora Musical Ltda., estão presentes no filme:
"Máquina do Tempo", com 9 Volts; "Triste Floresta", com "Bandinha da Turma"; "Uma Aventura no Tempo", com "Bandinha da Turma" e 9 Volts; "Cabeleira Negra", com Bianca Rinaldi.
A penúltima conta com um clipe que é reproduzido nos créditos do filme, dirigido por Clewerson Saremba e Rodrigo Gava.
Lançamento Em 7 de julho de 2004, em uma matéria sobre o Cine Gibi (2004), o Correio Braziliense publicou: "Para 2005, a novidade é um longa em que a Turma da Mônica viaja no tempo". No dia 17 de novembro de 2005, o Tribuna da Imprensa publicou que o filme estava previsto para ser lançado em dezembro do ano seguinte, notando: "precisa produzir primeiro, porque dinheiro já tem [...] custará R$ 6 milhões". No dia 13 de abril do ano seguinte, um trailer para o filme foi publicado. Três dias depois, o Correio Braziliense publicou uma notícia dizendo que o trailer do filme já estava sendo exibido nos cinemas, o que também foi dito pela Tribuna da Imprensa no mesmo dia, e repetiu a afirmação de que o filme seria lançado em dezembro. O Tribuna da Imprensa também relatou que o filme seria exibido na Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha.
Em 24 de julho e 21 de setembro de 2006, o Jornal do Commercio e o Tribuna da Imprensa, respectivamente, disseram que o filme estava previsto para ser lançado em janeiro do ano posterior. Entretanto, as previsões não ocorreram. Em janeiro de 2007, foi lançado um site oficial baseado em Flash, contando com sinopse, trailer, papéis de parede, protetores de tela e emoticons do filme. Foi feita uma promoção com o Correio Braziliense para ganhar um álbum de figurinhas do filme, bem como quatro figurinhas deste, nos dias 3 e 4 de fevereiro de 2007.
Uma Aventura no Tempo teve pré-estreia em 10 de fevereiro, no cinema Embracine do shopping center Casapark. Aqueles que apresentassem o "cartão VIP" do Correio Braziliense ganhariam um ingresso para duas pessoas. O filme foi lançado oficialmente nos cinemas em 16 de fevereiro. Um DVD do filme contendo seu making of, três jogos, galerias, imagens de esboços e storyboards, clipes das músicas, uma entrevista ao Zapping Zone, trailers e material DVD-ROM com seis jogos, seis papéis de parede e um protetor de tela foi lançado em 4 de julho de 2007. Nele, o filme conta com legendas em português, espanhol e inglês, além de closed captions e língua brasileira de sinais. Uma Aventura no Tempo foi exibido na TV Globo no dia 2 de outubro de 2010. O filme foi lançado na Netflix pela primeira vez em outubro de 2012. Foi mostrado no projeto Cine Pipoca da Biblioteca Pública do Paraná nos dias 11 e 18 de setembro de 2019.
Recepção Bilheteria e vendas Até o início de março, o filme já tinha gerado um milhão de dólares e, até o dia 18, tinha atraído espectadores. No total, o filme faturou dólares internacionalmente, e vendeu mais de 530 mil ingressos. O Correio Braziliense disse em 2014 que o filme somou mais de 600 mil espectadores. A Agência Nacional do Cinema (Ancine) informou em 2015 que mais de 51 mil cópias em DVD foram vendidas.
Crítica