Mariluz (pronúncia em português: /maɾilˈuʃ/ 10px|link= ouça) é um município brasileiro no interior do estado do Paraná, região Sul do país. Está situado no extremo sudeste da Região Metropolitana de Umuarama (RMU), fazendo divisa com a Região Metropolitana de Campo Mourão. Pertence à Região Geográfica Intermediária de Maringá e à Região Geográfica Imediata de Umuarama (anteriormente pertencente à mesorregião do Noroeste Paranaense e à microrregião de Umuarama). Distante a noroeste de Curitiba, capital estadual, a cidade desenvolveu-se entre as margens dos ribeirões Gavião e Jacutinga, e sua toponímia é uma alusão a Marília, município do estado de São Paulo.
Sua população, conforme estimativas do IBGE de 2021, era de habitantes, sendo o oitavo município mais populoso da RMU e o 192.º mais populoso do Paraná. Ocupa uma área de , da qual estão em perímetro urbano. Sua sede está localizada a de altitude em relação ao nível do mar, com uma temperatura média anual de . A vegetação original do município é predominantemente do tipo Floresta Estacional Semidecidual, e a taxa de arborização das vias públicas é de 96,71%.
Com uma taxa de escolarização da ordem de 99%, o município contava, em 2019, com 8 estabelecimentos de ensino. Conforme o Relatório de Desenvolvimento Humano, do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD), divulgado em 2010, Mariluz apresenta Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) médio, de 0,639, ocupando a 373.ª posição no ranking estadual e 3312.ª no nacional. Entre os indicadores sociais que contribuíram para esse resultado estão: a taxa de mortalidade infantil é de 17 óbitos a cada mil nascidos vivos; 82,4% dos habitantes acima de 15 anos são alfabetizados; os serviços de saneamento ambiental são oferecidos a 47,2% das residências; e a expectativa de vida é de 72 anos.
O município continha um índice de Gini, a medida clássica de desigualdade, de 46,2%, abaixo da média do Mercosul de 48,1%. O rendimento médio de alguém que pertence aos 20% com rendimentos mais altos era 10,72 vezes maior do que o de alguém nos 20% mais baixos. O número de cidadãos que viviam com rendimentos abaixo do limiar de pobreza atingiu 13,9%, numa redução face aos 37,8% registrados em 2000, que ainda assim atinge 1,4 mil indivíduos.
Mariluz faz parte da chamada "Grande Umuarama", que ultrapassa os 304 mil habitantes e que compõe aproximadamente 2,68% da população do estado. Foi povoada majoritariamente por imigrantes portugueses, italianos, alemães e, mais tarde, também por japoneses, cujos descendentes, os nipo-brasileiros, deram grande impulso à sociedade. Os emigrantes trouxeram avanços nas atividades agrícolas e a descoberta do solo fértil como vocação econômica mariluzense, sendo que, ainda hoje, é uma importante fonte de renda, juntamente com a indústria e o comércio.
A Igreja Matriz de Santo Antônio, construída entre 1956 e 1958 em estilo colonial, é um dos principais monumentos religiosos tanto de Mariluz quanto da Região Metropolitana de Umuarama.
Topônimo "Mariluz" é um termo híbrido, formado pelos nomes “Maria” e “Luz”. “Maria” (do nome hebraico מרים, transl. Miriam) é nome pessoal feminino, havendo duas possibilidades para sua origem: “Miriam”, cujos étimos são as palavras “mar”, significando “gota” + “yâm”, que significa “mar” ou “mar” + “yâm”, cujo significado ao todo é "gota de mar" e “Myrian”, que designa vidência, e resultou “Maria” em latim e grego antigo. O termo “Luz” é nome pessoal feminino, muito comum na Espanha, originalmente “Maria de la Luz”, um dos aspectos da mãe de Jesus em culto popular. O nome “Maria da Luz” também era comum em Portugal e no Brasil, sendo Nossa Senhora da Luz a padroeira de Lisboa e de Curitiba. O gentílico dos habitantes de Mariluz é mariluzense.
Alguns títulos de Mariluz foram colecionados no decorrer de sua história, sendo um dos apelidos mais famosos o de Princesinha do Oeste. De acordo com a disponibilidade da história, essa alcunha surgiu devido à cidade ser considerada a mais bonita da região noroeste do Paraná. Outro título dado ao município foi o de Cidade do Café, por ter sido amparado inicialmente pelo plantio e comercialização do fruto do cafeeiro.
História Pré-história A região de Mariluz, cidade interiorana do estado brasileiro do Paraná, vem sendo habitada pelo homem há milhares de anos. Os primeiros a percorrê-la foram grupos de caçadores-coletores, de tradição Umbu, que deixaram diversos vestígios na região sob a forma de pré-cerâmicos caracterizados, principalmente, pela grande presença de pontas de projéteis. A ocupação destas populações foi tanto em abrigos, sempre que os mesmos estivessem naturalmente disponíveis, como a céu aberto. Existem sítios multifuncionais com reocupação relativamente frequente, sendo alguns, somente estações de caça. Geralmente estão localizados próximos a arroios, rios, banhados ou lagoas. Os artefatos líticos típicos seriam pontas de projétil pedunculadas, triangulares, foliáceas, de formas e dimensões variadas, lascas, raspadores, furadores e percutores, aparecendo ainda talhadores, buris, grandes bifaces, lâminas polidas de machado, polidores e picões. Trata-se de uma indústria sobre lascas, onde a matéria-prima mais utilizada é o riolito, seguido pelo silexito, basalto, arenito silicificado e quartzo cristal. As pontas de projéteis evidenciam retoques por pressão, sendo que estes retoques também aparecem em raspadores e facas. Ainda ocorrem furadores, bifaces, talhadores e plainas, além de grande quantidade de microlascas.
Além disso, a região era cortada por um caminho indígena, rico em ramais, denominado Peabiru, que também era utilizado pelos conquistadores europeus, como Aleixo Garcia em 1524, Cabeza de Vaca em 1541 e Ulrich Schmidl em 1552.
Século XX Surgimento da Vila thumb|esquerda|O núcleo urbano primitivo da cidade em torno de 1950 thumb|esquerda|A primeira escola pública e primeira professora do município, Alvina de Oliveira Branco, em 1956 thumb|esquerda|Igreja Matriz de Santo Antônio em 1960
O surgimento da vila que originou Mariluz é controverso, mas pode-se enumerar uma série de fatores que contribuíram para isso. A partir do final da década de 1940 e início da década de 1950, verifica-se os relatos da presença mais constante de atividades econômicas sendo desenvolvidas onde hoje se situa o município. Trata-se, no entanto, de ações isoladas de exploração florestal e a abertura de fazendas e estradas na densa mata, sem qualquer menção a assentamentos populacionais com atos de urbanização.
Entre 1951 e 1952 instaura-se as primeiras fazendas destinadas ao cultivo de café. Nessa mesma época, Francisco Antônio da Silva chega a região e, no ano seguinte, auxiliado por José Alfredo de Almeida, organiza a Colonizadora Mariluz, empresa constituída para que se colocasse em prática a ideia de fundar uma cidade. Após a demarcação do loteamento, a empresa pôs-se a vender os lotes urbanos e rurais a, na grande maioria, marilienses que vieram para a região com o intuito de plantar café. O trabalho de organização espacial da cidade contou com a ajuda do agrimensor Laudelino Rosa de Mello e a administração geral do processo de venda de lotes ficou a cargo de João da Silva Lavandeira.
O solo fértil e os ganhos fáceis obtidos da cultura cafeeira permitiram o crescimento rápido do núcleo urbano inicial. Em 1955, foi instalada a primeira serraria da cidade de propriedade de uns dos fundadores o senhor Abel de Oliveira que no ano seguinte já contava com diversos estabelecimentos comerciais, em especial a Agroindustrial Mariluz de propriedade de José Alfredo de Almeida. No dia 6 de agosto de 1956, realiza-se a primeira missa, celebrada pelo frei Gaspar da paróquia de Cruzeiro do Oeste, no prédio da biblioteca municipal e, nesse mesmo ano, inicia-se a construção da Igreja Matriz de Santo Antônio, que viria a ser concluída em 1958.
Devido ao rápido progresso, pela Lei n.º 29, de 23 de agosto de 1958, cria-se o Distrito Administrativo, com o nome de Mariluz. A denominação da localidade foi dada pela Colonizadora Mariluz, com o objetivo de se homenagear os pioneiros, predominantemente pessoas vindas da cidade de Marília, estado de São Paulo.
Após a elevação da vila à categoria de distrito, Mariluz viu-se em desenvolvimento acelerado. Cria-se o primeiro hospital, farmácia, posto de gasolina, abrem-se novas serrarias e demais estabelecimentos. Todos estes feitos foram gerando as condições necessárias para que seus moradores começassem a lutar pela sua emancipação. Em 29 de novembro de 1963, pela Lei n.º 4.788, foi criado o município de Mariluz, com território desmembrado do município de Goioerê. A instalação ocorreu a 14 de dezembro de 1964, sendo primeiro prefeito Ramiro Rojo Souto.
Povoamento A região de Mariluz integra a vasta região norte do Paraná, cuja história de ocupação em larga escala, deflagrada essencialmente a partir da década de 1940, confunde-se com a da expansão acelerada e extensiva da fronteira agrícola estadual, capitaneada pela atividade cafeeira. Desenvolvida em grande parte como um prolongamento agrícola da economia cafeeira paulista, a expansão alastrou-se rapidamente por sobre áreas de terras da mais alta fertilidade, praticamente desabitadas, que passaram a constituir uma excelente válvula de escape para inversões lucrativas de amplas parcelas do capital acumulado no núcleo mais dinâmico do capitalismo nacional, localizado na Região Sudeste do país e centrado em São Paulo.
Por meio do loteamento das terras para venda em pequenas parcelas, a Colonizadora Mariluz atraiu para a região milhares de trabalhadores que, juntamente com suas famílias, formaram pequenas e médias propriedades voltadas à produção para consumo próprio e para a comercialização. Nesse processo, distintas correntes imigratórias, formadas basicamente por paulistas, mineiros e nordestinos, mas também por imigrantes com origem nas áreas pioneiras de ocupação do Estado, no leste paranaense, penetraram o vasto território, conformando uma onda intensa e acelerada de povoamento que, paulatinamente, desarticulava a incipiente economia primitiva local. Assim, não apenas as áreas rurais experimentaram incrementos substantivos de população, ao longo desse período, mas também o meio urbano se expandiu rapidamente. Nesse contexto de acelerado crescimento populacional, Mariluz alcançou o início da década de 1970 concentrando cerca de 23 mil habitantes.
O município de Mariluz, formado essencialmente por solos do tipo arenito Caiuá, passou a sofrer um rápido processo de erosão e de esgotamento para práticas agrícolas, sob os efeitos do forte movimento expansivo da fronteira agrícola da etapa precedente. A substituição dos cafezais cedeu espaço principalmente à ampliação extensiva das pastagens, agudizando o quadro de desarticulação da estrutura fundiária de pequenos estabelecimentos de parceiros arrendatários, predominante até então, e de expulsão populacional. Desse modo, entre 1970 e 1980 o município evidenciou as mais altas taxas de decréscimo populacional dentre as cidades paranaenses, tanto em termos rurais quanto no que se refere ao conjunto da população. Nas décadas seguintes, esse processo permaneceu dos mais elevados do Estado, sofrendo sucessivas quedas ao longo do período 1970-2010, reduzindo-se pela metade.
Últimas décadas Em 1975, um fenômeno climático ocorrido na madrugada de 18 de julho daquele ano, chamado de Geada Negra, que cobriu quase todo o território paranaense, dizimou as plantações cafeeiras, causando sérias consequências na economia do município e de todo o estado.
Os pequenos produtores, se depararam com a falência, sendo obrigados a venderem suas terras para os fazendeiros, proprietários de grandes extensões de terra, que iniciaram a plantação de algodão e de soja e a criação de gado.
Mariluz perdeu o posto de produtor de café, e não havia desenvolvido um crescimento urbano razoável para a sua subsistência.
Geografia thumb|Imagem de satélite de Mariluz.