Piên é um município brasileiro localizado no sudeste do estado do Paraná. Localiza-se na Região Metropolitana de Curitiba, a sul da capital do estado, distando desta cerca de 86 km. Ocupa uma área de , sendo que estão em perímetro urbano, e sua população em 2019 foi estimada em habitantes.

A sede tem uma temperatura média anual de e na vegetação do município predomina a Floresta Ombrófila Mista. Com 68,77% de seus habitantes vivendo na zona urbana, o município contava, em 2009, com quatro estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,694, considerando como médio em relação ao estado.

Colonizadores portugueses instalados no litoral paranaense, chegaram ao interior do estado à procura de um novo local para se estabelecerem. Descobriram na época o povoado de Tietê, até virem à região mais tarde denominada de Piên, em torno de 1850. As famílias começaram a desflorestar a área a ser conquistada, e se ocuparam da agricultura. As mais importantes atividades econômicas eram a erva-mate e a farinha de milho. Fundado por meio da Lei Estadual do Paraná de n.º 4338, de 25 de janeiro de 1961, foi implantado no dia 1.º de novembro do mesmo ano, emancipado de Rio Negro.

Etimologia O topônimo Piên, de acordo com certos autores, procede do piar dos gaviões, ave da família dos falconídeos, presente em enorme quantidade nesta região, à época de seu povoamento. Outra versão afirma que Piên é de procedência tupi-guarani e quer dizer “coração”..

História

Origens e povoamento A história da população pienense possui associação direta com a construção da Estrada da Mata, que foi concretizada desde o século XVIII. Foi essa via de transporte que atraiu os povoadores para a grande região sudeste do Paraná. A Estrada da Mata era uma parte do Caminho das Tropas, trecho que ia de Viamão, no Rio Grande do Sul, até a cidade de Sorocaba, no estado de São Paulo..

À beira dessa estrada boiadeira surgiram muitos pousos, ou invernadas, que eram utilizados como refúgio para os tropeiros e pastagem para o rebanho, que se recuperava do percurso de longos trechos. Algumas destas paragens se transformariam em cidades grandes, as quais irradiariam equilíbrio social, cultural e econômico ao redor delas. Nessa situação nasceu Rio Negro, que progrediu de modo satisfatório desde meados do século XIX.

O solo fértil de Piên sempre movimentou muita gente. Os primeiros residentes na região foram os Vieira, uma enorme família, de procedência portuguesa, que ali se estabeleceu, ocupando-se da lavoura. Com o tempo, e, em consequência da chegada de outras famílias, constituiu-se um pequeno povoado que apresentava alguma segurança para os seus habitantes.

Formação administrativa e história recente left|thumb|Brasão municipal na fachada da câmara de vereadores. Em 28 de março de 1890, foi estabelecido o Distrito Policial de Piên, sendo que, em 1905 o povoado foi promovido à condição de Distrito Administrativo e Judiciário, com território subordinado ao município de Rio Negro.

Somente em 25 de janeiro de 1961, por meio da Lei Estadual do Paraná n.º 4338, aprovada pelo governador Moisés Lupion, foi fundado o município de Piên. O território foi emancipado de Rio Negro, e sua implantação oficial ocorreu no dia 1.º de novembro de 1961, sendo primeiro prefeito o Sr. Frederico Guilherme Giese.

Em 1996, a cidade passou a se desenvolver industrialmente. Com a instalação da empresa portuguesa Tafisa (hoje Arauco do Brasil), o município começou um processo de adaptação diante de uma nova realidade econômica. E que adicionadas às demais empresas já implantadas, como a Famossul, as fábricas ocuparam seu lugar como carro-chefe na renda urbana.

Teve destaque na imprensa o crime político contra o prefeito eleito Loir Drevek. O chefe do executivo morreu depois de levar um tiro na cabeça antes de tomar posse, no dia 17 de dezembro de 2016. Ele sucederia o ex-prefeito Gilberto Dranka, suspeito de ser o mandante do crime. Gilberto foi preso pela Polícia Civil no final de janeiro de 2017, escondido no forro de gesso de sua mansão. Com a morte do prefeito eleito, assumiu o poder executivo municipal o então vice, Livino Tureck, com duração de mandato até 2020.

Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é de , sendo que km² constituem o perímetro urbano. Situa-se a 26° 05′ 53″ de latitude sul e 49° 25′ 45″ de longitude oeste e está a uma distância de 85 quilômetros a oeste da capital paranaense. Limita-se com: Quitandinha ao norte; estado de Santa Catarina (Rio Negrinho, São Bento do Sul e Campo Alegre) ao sul; Agudos do Sul a leste; e Rio Negro e Campo do Tenente a oeste.

De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Curitiba. Até então, com a vigência das divisões em micro e mesorregiões, pertencia à microrregião de Rio Negro, que, por seu turno, estava incluída na mesorregião Metropolitana de Curitiba.

Geomorfologia, meio ambiente e hidrografia

Os principais solos do município de Piên são dos tipos: argilosos, cambissolos, latossolos, litólicos e gleissolos. Sua altitude é de , no Primeiro Planalto Paranaense. Piên tem, como aspecto prevalente, um relevo acidentado, que alcança mais de 25% de sua superfície total. Os demais 75% possuem como característica um relevo de planaltos ou com suave ondulação. Essa situação possibilita a ocorrência de dois gêneros de ocupações bem típicas, tanto na fundiária (tamanho das propriedades), como na característica de uso do solo e como ele é aproveitado (cultivos, métodos de manuseio do terreno), assim como no modo como as famílias sobrevivem e se organizam em sociedade. As principais formações vegetais do município são a floresta ombrófila mista montana e a ombrófila aluvial. Em relação à fauna, a ave-símbolo do município é o gavião, que deu origem ao nome da cidade.

O município de Piên situa-se na bacia do rio Negro, divisa entre os estados do Paraná e Santa Catarina, e é um dos principais afluentes da margem esquerda do Iguaçu, em seu trecho médio. As sub-bacias principais que banham o município são: a bacia do rio Piên, a do Poço Frio, a do ribeirão Lajeado do Caçador, a do Picacinho e a do Palmito. Também formam a rede hidrográfica do município as microbacias dos rios do Bugre, Monjolinho, do Pires, ribeirão da Ponte Alta, da Boa Vista, do Gado, Cachoeira, Mosquito, Letreiro e arroio Xaxim, etc. Todos constituem tributários diretos e indiretos da margem direita do rio Negro. Os principais rios, que atravessam o município, descem prevalentemente na direção norte-sul. A bacia do rio Ribeirão Vermelho banha a região a noroeste do município, que segue direção contrária às outras bacias da municipalidade (S e SE para NW), para o da Várzea, no de Quitandinha. Uma bacia secundária, afluente do rio Piên, banha a malha urbana do município de Piên. As principais bacias hidrográficas do distrito de Trigolândia são as dos rios dos Pires, Monjolinho e Ponte Alta; este último banha com seus afluentes boa parte do mesmo.

Clima Na região do município de Piên, conforme a classificação do clima de Köppen, o clima prevalente é o Cfb, que apresenta um clima subtropical úmido mesotérmico, de verões amenos e com ocorrência de geadas severas e frequentes, sem estação seca. Possui umidade relativa do ar de cerca de 82,5%. Prevalecem os ventos da direção leste/nordeste, sendo os mais comuns, os procedentes do leste, ventos marítimos.

O mês mais quente é janeiro com máxima pouco superior a e o mais frio julho com mínima próxima dos . As chuvas são abundantes durante o ano todo, não havendo a ocorrência de uma estação seca. O índice pluviométrico do município é de , sendo o mês mais chuvoso janeiro e julho o menos chovediço.

Demografia

Em 2010, a população do município foi contada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em habitantes. Segundo o censo daquele ano, habitantes eram homens e mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e na rural. Da população total naquele ano, 2 859 habitantes (25,44%) tinham menos de 15 anos, (73,5%) tinham de 15 a 64 e pessoas (5,78%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 73,11 e a taxa de fecundidade por mulher era de 1,89.

Em 2010, a população era composta por 8 931 brancos (79,49%), 278 negros (2,47%), 42 amarelos (0,37%), pardos (17,61%) e 6 indígenas (0,05%). Considerando-se a região de nascimento, eram nascidos no Sudeste (0,80%), 33 no Nordeste (0,29%), 14 no Centro-Oeste (0,13%) e 11 031 no Sul (98,17%). habitantes eram naturais do Paraná (81,81%) e, desse total, eram nascidos em Piên (57,80%). Entre os 2 043 naturais de outras unidades da federação, Santa Catarina era o estado com maior presença, com 1 790 pessoas (15,93%), seguido por São Paulo, com 71 residentes (0,63%), e pelo Rio Grande do Sul, com 48 no município (0,43%). thumb|Paróquia N. S. das Graças.|left O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Piên é considerado médio pelo PNUD, sendo que seu valor é de 0,694 (o 2078.º maior do Brasil). A cidade possui a maioria dos indicadores próximos à média nacional segundo o PNUD. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,616, o do de longevidade é de 0,802 e o de renda é de 0,677. De 2000 a 2010, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo reduziu em 4,9% e em 2010, 88,7% da população vivia acima da linha de pobreza, 7,8% se encontrava na mesma e 3,5% estava abaixo. O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,432, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. A participação dos 20% da população mais rica da cidade no rendimento total municipal era de 47,2%, ou seja, 0,7 vezes inferior à dos 20% mais pobres, que era de 4,9%.

De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população municipal está composta por: católicos (86,35%), 1 357 evangélicos (12,08%) e 120 pessoas sem religião (1,07%). Segundo divisão da Igreja Católica, a cidade sedia a Paróquia Nossa Senhora das Graças, subordinada à Diocese de São José dos Pinhais.

Política, administração e subdivisões

A administração se dá pelos poderes Executivo e Legislativo. O representante do governo municipal de Piên eleito nas eleições municipais em 2016 foi Loir Drevek, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro, que conquistou, ao todo, votos (50.71% dos eleitores), tendo Livino Tureck como vice-prefeito. Loir Drevek foi assassinado antes de tomar posse e o vice, Livino Tureck, morreu em novembro de 2018. Em 17 de março de 2019, houve nova eleição para a escolha do prefeito para o término da gestão 2017/2020.Com prefeito assassinado e vice morto, cidade da Grande Curitiba tem eleições fora de época Bem Paraná

Já, o poder legislativo, no que lhe concerne, é constituído pela câmara, composta por 9 vereadores eleitos para mandatos de quatro anos (em observância ao disposto no artigo 29 da Constituição). Está formada por duas cadeiras do PSD, duas do PMDB, uma cadeira do PR, uma do PSDB, uma do PDT, uma do PSDB e uma do PP. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao executivo, especialmente o orçamento participativo (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

Havia eleitores em julho de 2014, o que representa 0,111% do total do estado. O município de Piên é regido por lei orgânica e pertence à Comarca de Rio Negro, de entrância intermediária.

Piên está subdividido em dois distritos, sendo eles a sede e Trigolândia. Segundo a prefeitura, o município também é dividido em dezoito bairros (Aterrado Alto, Avencal, Boa Vista, Campina dos Crespins, Campina dos Maia, Campo Novo, Cerro Verde, Gramados, Lageado, Mosquito, Palmitos, Palmito de Cima, Picacinho, Pocinho, Poço Frio, Poço Frio dos Moreiras, Quicé e Vermelhinho).

Economia left|thumb|Indústria da Arauco do Brasil.