thumb|300px|Santíssima Trindade. A procedência do Espírito Santo na Trindade é o tema da controvérsia sobre a cláusula FilioqueVitral na Igreja de São Merry, em Paris

Filioque () é uma frase encontrada na versão do Credo niceno-constantinopolitano em uso na Igreja Latina. Ela não está presente no texto grego desse credo como formulado originalmente no Primeiro Concílio de Constantinopla, onde se lê apenas que o Espírito Santo procede "do Pai":

O texto, na versão latina, fala do Espírito Santo como procedendo "do Pai e do Filho":

Frequentemente diz-se que o primeiro caso conhecido da inserção da palavra Filioque na versão latina do Credo niceno-constantinopolitano ocorreu no Terceiro Concílio de Toledo (589) e que a sua inclusão a partir daí se espalhou espontaneamenteEugene F. Rogers, Jr, The Holy Spirit: Classic and Contemporary Readings (Wiley, John & Sons 2009 ISBN 9781405136235), 85 por todo o Império dos Francos. No século IX, o Papa Leão III, ainda que aceitando a doutrina da procedência do Espírito Santo do Pai e do Filho, se opôs à adoção da cláusula Filioque. Em 1014, porém, o canto do credo — com a Filioque — foi adotado na celebração da Missa em Roma.

A inserção foi inspirada pela doutrina, tradicional no Ocidente e encontrada também em Alexandria, que foi declarada dogmaticamente pelo Papa Leão I em 447, e que é chamada filioquismo. A esta doutrina opõe-se a doutrina do monopatrismo, formulada por Fócio (veja Cisma de Fócio), patriarca de Constantinopla, que manteve que a frase "que procede do Pai" (τὸ ἐκ τοῦ Πατρὸς ἐκπορευόμενον) do Credo niceno-constantinopolitano deve ser interpretada no sentido de "que procede do Pai sozinho (τὸ ἐκ μόνου τοῦ Πατρὸς ἐκπορευόμενον).John Panteleimon Manoussakis, For the Unity of All: Contributions to the Theological Dialogue between East and West (Wipf and Stock 2015 ISBN 978-1-49820042-4), p. 17Lucas Francisco Mateo-Seco, Teología trinitaria: Dios Espíritu Santo (Ediciones Rialp 2005 ISBN 978-84-3213527-9), p. 144Giuseppe Ferraro, "Lo Spirito Santo nella Trinità secondo i Greci e i Latini" em La Civiltà Cattolica 1996 I, pp. 230–231

Os conflitos entre os defensores dessas duas doutrinas contribuíram para o Grande Cisma do Oriente de 1054 e ainda constituem um obstáculo para as tentativas de reunião das Igrejas Católica e Ortodoxa.Wetterau, Bruce. World history. Nova Iorque: Henry Holt and company. 1994.

Novo Testamento Anthony E. Siecienski afirma que é importante reconhecer que "o Novo Testamento não afirma explicitamente a procedência do Espírito Santo como a teologia posterior entende e define a doutrina". Apesar disso, há "certos princípios estabelecidos no Novo Testamento que formataram a futura teologia trinitária e, em particular, textos que tanto os latinos quanto os gregos utilizaram para apoiar as suas respectivas posições frente à controvérsia da cláusula Filioque".

Em , Jesus diz que o Espírito Santo "…há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar" e se argumenta que, nas relações entre as Pessoas da Trindade, uma delas não poderia "tomar" ou "receber" () nada das outras exceto através da "procedência".Oxford Dictionary of the Christian Church (Oxford University Press 2005 ISBN 978-0-19-280290-3), article Double Procession of the Holy Spirit Trechos como ("soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.") eram vistos pelos Padres da Igreja, especialmente Atanásio, Cirilo e Epifânio, como base para dizer que o Espírito Santo "procede substancialmente de ambos", do Pai e do Filho, citado em Outros trechos que tem sido utilizados no debate incluem , , , nos quais o Espírito Santo é identificado como "Espírito de seu Filho", "Espírito de Cristo" e "Espírito de Jesus Cristo", e em trechos do Evangelho segundo João sobre o envio do Espírito Santo por Jesus (, e )

Controvérsia da Filioque Possíveis usos primitivos Descobertas recentes mostraram que a mais antiga introdução conhecida do "e do Filho" no credo niceno-constantinopolitano pode ter sido num concílio local realizado no oriente, o Concílio de Selêucia-Ctesifonte, na Pérsia, por volta de 410 d.C."the recent discovery that the earliest known introduction of the Filioque clause may have come →..→→." - Annuarium Historiae Conciliorum, xxxii, 2000, p. 10, cited in Norman Tanner, New Short History of the Catholic Church (Burns & Oates 2011 ISBN 9780860124559), pp. 68-69. Isto colocaria o evento vinte anos antes do cisma nestoriano separar a Igreja na Pérsia, que ficaria conhecida após o cisma como Igreja do Oriente, da Igreja do Império RomanoO'Leary, De Lacy, The Syriac Church and Fathers (Society for Promoting Christian Knowledge, London 1909, reproduced by Gorgias Press 2002 ISBN 9781931956055), chapter VI, "The Nestorian Schism". A Igreja do Oriente não inclui o "e do Filho" em sua versão do credo.

Concílios ecumênicos sobre o credo thumb| 250px| direita| Credo niceno-constantinopolitano (381) na sua forma litúrgica grega colocado num ícone do Primeiro Concílio de Niceia (325). O primeiro concílio ecumênico, chamado de Concílio de Niceia (325), fechou o seu credo com as palavras "e no Espírito Santo". O segundo, chamado de Concílio de Constantinopla (381), citava o Espírito Santo como tendo "procedido do Pai" (), baseado em ().

O terceiro, chamado de Primeiro Concílio de Éfeso (431), citou o credo em sua forma original de 325 e não na de 381, decretando em seu sétimo cânone:

Enquanto o Concílio de Eféso proibiu a criação de um credo diferente que rivalizasse o do primeiro concílio ecumênico, foi o credo do segundo concílio que foi adotado liturgicamente no oriente e, posteriormente, numa variação latina, no ocidente. Esta variação ocidental continha duas adições: "Deus de Deus" () e "e do Filho" ().

O quarto concílio ecumênico, o Concílio de Calcedônia (451), citou o credo de 381 e formalmente o tratou como mandatório, juntamente com o de 325.The Filioque: A Church Dividing Issue?: An Agreed Statement (em inglês); El Filioque: ¿Un Tema Que Divide A La Iglesia?: Declaración De Acuerdo (em espanhol) No início do século VI, esse credo era amplamente utilizado na liturgia do oriente e, no final do mesmo século, em partes do ocidente, algo que pode ter se iniciado com o Terceiro Concílio de Toledo (589)

Padres da Igreja