O Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata (MLSTP-PSD) é um partido político de São Tomé e Príncipe orientado no espectro de centro-esquerda à esquerda. É o mais antigo e um dos principais partidos políticos do país.
Fundado em 1960 foi, inicialmente, uma organização nacionalista de luta pela independência de São Tomé e Príncipe, transformando-se num partido político após a descolonização, em 1974. Conquistou o poder em 1974, governando o país ininterruptamente até 1991.
Originalmente como uma agremiação nacionalista e depois socialista, na década de 1990 adoptou a social-democracia e o socialismo democrático.
História Foi nos grupos estudantis da Escola de Enfermagem de São Tomé (EEST; designada atualmente por Instituto Superior de Ciências de Saúde da Universidade de São Tomé e Príncipe) e do Colégio-Liceu de São Tomé, que desenvolveram-se os primeiros debates acerca do moderno movimento nacionalista santomense. O Massacre de Batepá, em 1953, foi outro marco importante e fundamental na formação do pensamento anticolonial santomense. Grupos de jovens santomenses, oriundos das instituições de ensino citadas, reuniram-se algumas vezes, na altura de 1958, em Bobo Forro e outras vezes em Boa Morte, criando uma Convergência de Lutas. Esse grupo era liderado por Guadalupe de Ceita, e tinha outros nomes como Miguel Trovoada, Leonel Mário d'Alva, Filinto Costa Alegre, Oné dos Santos e Marcelo da Veiga.
Fundação do CLSTP Numa reunião em setembro de 1960 realizada em Librevile, no Gabão, a Convergência de Lutas uniu-se a outros grupos nacionalistas, anticoloniais e comunistas contrários ao domínio colonial português em São Tomé e Príncipe. Nessa reunião ficou definida a criação de uma organização comum, denominada Comité pela Libertação de São Tomé e Príncipe (CLSTP), estabelecendo seu comitê central no Gabão. Participaram da fundação do CLSTP algumas jovens figuras, como Carlos Graça, Miguel Trovoada, Guadalupe de Ceita, Francisco TenreiroZ (participou no princípio, mas desfiliou-se em seguida), Leonel Mário d'Alva, Manuel Pinto da Costa, Manuel de Nazaré Mendes e Pedro Vaz de Alcântara. Miguel Trovoada foi eleito seu primeiro Secretário-Geral e representante oficial no exterior.
Em 18 de abril de 1961 o CLSTP participou da reunião que fundou a Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas (CONCP), uma organização de coordenação e cooperação entre os movimentos de libertação nacional das colónias portuguesas. Graças ao trabalho da CONCP, em 1962 o MLSTP é reconhecido pela Organização de Unidade Africana (OUA) como único e legítimo representante do povo do arquipélago.
Logo no início, houve a formação de duas tendências no CLSTP, com a de Librevile, comandada por Trovoada e Graça, de visões mais conservadoras, e a de Acra, comandada por Ceita, Oné dos Santos e Virgilio Carvalho, de visões mais radicais e socialistas. A divisão entre os grupos acentuou-se em 1965, a partir da acusação de que Trovoada fazia mal emprego e desviava os recursos do partido. Com o golpe de 1966 no Gana, o núcleo de Acra se dispersa e a tendência liderada por Ceita perde força. Outro fator crucial no quadro do nacionalismo santomense é que o regime de salazarista proibiu, controlou e reprimiu toda a acção política, chegando a prender alguns nomes importantes ligados ao CLSTP, como Pedro Vaz de Alcântara, Alda do Espírito Santo e Marcelo da Veiga.
Refundação e mudança de nome: MLSTP miniatura|200px|esquerda|Maria da Graça Amorim, Ministra dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, e membra do Bureau do MLSTP, assina a Segunda Convenção de Lomé (ACP/CEE), em 1979. O MLSTP, desde muito cedo, deu bastante protagonismo às mulheres na participação e na formulação das políticas. No início da década de 1970, no calor da Guerra Colonial Portuguesa, o CLSTP estava desorganizado, pois Miguel Trovada, seu Secretário-Geral, havia abandonado as funções. Ceita tomou a frente como Presidente da Comissão Provisória e, numa reunião em Acra, no Gana, no primeiro semestre de 1972, na casa onde estava instalado, ele, sua esposa, Virgilio Carvalho, Hugo Azancot de Menezes e António Tomás Medeiros delinearam a retomada do CLSTP, com Medeiros como Secretário-Geral interino. Neste mesmo ano, Ceita, buscando maior respaldo à reorganização do movimento, convocou uma nova reunião em 12 de junho de 1972, em Malabo, na Guiné Equatorial, onde o CLSTP foi oficialmente convertido em Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP) e foi constituído um novo Bureau político do MLSTP. Na reunião, Manuel Pinto da Costa foi eleito Secretário-Geral, com Ceita, Leonel Mário d'Alva, Miguel Trovoada, Carlos Graça, José Fret Lau Chong, João d'Alva Torres, Oné dos Santos e Alexandrina Barros como membros do Bureau político do MLSTP.
Depois da Revolução dos Cravos de Abril de 1974 em Portugal, o MLSTP, que ainda não podia operar no território, constituiu a Associação Cívica Pró-MLSTP, que foi liderada por Alda do Espírito Santo, Carlos Tiny, Filinto Costa Alegre, Olegário Tiny, Manuel Vaz Fernandes, António Ramos Dias e Alda Bandeira. Essa entidade passou a desenvolver intensa atividade política, constituíndo-se como a principal tendência marxista-leninista do MLSTP, levando a cabo grandes greves e manifestações e confrontações com forças policiais e militares.
A forte mobilização popular dos Cívicos/MLSTP pressionou a Organização das Nações Unidas (ONU) e Portugal que, após intervenção do secretário-geral da ONU Kurt Waldheim, em agosto de 1974, reconheceu o direito à autodeterminação e independência de São Tomé e Príncipe. O reconhecimento do MLSTP como único interlocutor nas negociações veio somente em 26 de novembro de 1974, por influência dos militares vermelhos.
Independência e governo de partido único Após um breve período de transição de poderes, foram organizadas eleições para uma Assembleia Constitutiva, onde o MLSTP obteve todas as 16 vagas. Leonel Mário d'Alva, do MLSTP, tornou-se primeiro chefe de governo de São Tomé independente em 21 de dezembro de 1974, porém sob governo de transição definido por Portugal.
Em 7 de julho de 1975 foi eleita uma assembleia representativa do povo de São Tomé e Príncipe, com todas as cadeiras consquistadas pelo MLSTP. A independência completa é proclamada a 12 de julho de 1975 por Nuno Xavier, Presidente da Assembleia Constituinte. O presidente do partido, Pinto da Costa, torna-se Presidente da nação, e Trovoada, secretário-geral do partido, torna-se Primeiro Ministro. A Constituição foi promulgada em 12 de dezembro de 1975, atribuindo poder absoluto ao Presidente, tornando-se o MLSTP então a única agremiação partidária legal da nação.
Uma tentativa de golpe de Estado em 1978 fez com que o MLSTP endurecesse a política interna e tomasse uma orientação cada vez mais socialista. Isso levou o país a estreitar laços de cooperação com Cuba, Alemanha Oriental, União Soviética, Angola e Guiné-Bissau. Nomes como os de Miguel Trovoada, Filinto Costa Alegre, Daniel Daio, Leonel Mário d'Alva e Evaristo Carvalho foram expulsos.
Porém, a partir de 1984, começou a se organizar a facção liberal-pragmática (autodeclarados "renovadores"), liderados inicialmente por Joaquim Rafael Branco. Dentre outras coisas, essa facção priorizou a interlocução com nações ocidentais, como a França e o Gabão (e, a partir de 1985, até mesmo os Estados Unidos), trazendo para dentro do MLSTP figura outrora afastadas e pouco identificadas com os ideais socialistas, como Graça, Costa Alegre e Daniel Daio. Por outro lado, nomes marxistas, como os de Alda do Espírito Santo, Maria da Graça Amorim e Francisco Fortunato Pires, começaram a ser marginalizados.
MLSTP-PSD no pós-socialismo miniatura|esquerda|200px|Comício do MLSTP-PSD nas eleições presidenciais de 2021. No final de 1989, a facção liberal-pragmática, liderada por Rafael Branco, Daniel Daio, Pinto da Costa, Ceita, Costa Alegre e Graça, então já dominante no partido, iniciou a pressão pela transição para um sistema multipartidário burguês, depois de um debate numa conferência nacional do partido. Aproveitando a própria conferência, a maior parte da facção liberal-pragmática, liderada por Ceita, Daniel Daio, Alda Bandeira e Costa Alegre, fundam o Grupo de Reflexão (que daria origem ao partido PCD-GR). Uma nova constituição nacional foi aprovada unanimemente pelo Comitê Central do MLSTP, e ratificada pelo referendo de agosto de 1990.
No Congresso do MLSTP em outubro de 1990, Carlos Graça é apontado como novo Secretário Geral, sucedendo a Manuel Pinto da Costa. Ainda, o nome do partido é reformulado para "Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe – Partido Social Democrata" (MLSTP-PSD). Isso pôs o MLSTP-PSD como o primeiro movimento de libertação lusófono a abandonar o socialismo, antes mesmo da queda da União Soviética. Na época, este movimento foi interpretado como de aproximação do partido santomense com o partido português Partido Social Democrata (PPD/PSD). Entretanto, com o PCD-GR e depois a própria ADI a ocupar o mesmo campo ideológico, e consequentemente esse posto, a partir da década de 2000 o MLSTP-PSD voltou a estar mais proximo de partidos políticos lusófonos de centro-esquerda, incluindo o Partido Socialista (PS) de Portugal e o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA).
Nas primeiras eleições parlamentares multipartidárias, em 20 de janeiro de 1991, o MLSTP-PSD obteve 30,5% dos votos, garantindo assim 21 das 55 cadeiras no parlamento e uma relevante bancada de oposição. Nas eleições presidenciais do mesmo ano, o candidato único independente Miguel Trovoada emergiu como sucessor de Pinto da Costa.
Durante as eleições regionais de dezembro de 1992, o MLSTP-PSD obteve um resultado expressivo, com 70% dos votos, vencendo em cinco das sete províncias. Nas eleições legislativas seguintes, em 3 de outubro de 1994, o partido conquista 27 das 55 cadeiras e retorna ao poder. Graça, o líder do partido, torna-se então primeiro-ministro. O governo de Graça foi marcado pelo aprofundamento das políticas neoliberais e de arrocho sobre os rendimentos da classe trabalhadora promovidos pelos governos do PCD-GR (1991-1994), marcando o frágil caráter reformista da social democracia adoptada pelo MLSTP-PSD. Em março de 1995 o partido venceu as eleições legislativas na ilha do Príncipe. Nas eleições presidenciais de 1995, o presidente Miguel Trovoada (ADI) foi reeleito no segundo turno, derrotando o ex-presidente Pinto da Costa (MLSTP-PSD) pela segunda vez.
Num Congresso Extraordinário do MLSTP-PSD, organizado em maio de 1998, Pinto da Costa foi eleito unanimemente presidente do partido, cargo que ocupou até 2005. Nas eleições de 8 de novembro de 1998, o MLSTP-PSD conquistou, pela primeira vez, maioria parlamentar absoluta, com 31 deputados. Em 27 de fevereiro de 2001 Pinto da Costa candidatou-se novamente às eleições presidenciais e perdeu mais uma vez, desta vez para Fradique de Menezes, que obteve 55 % dos votos. Nas eleições legislativas de março de 2002 o partido novamente obteve maioria da cadeiras, porém com apenas 24 das 55 cadeiras, assim sendo forçado a constituir uma coalização governamental. Na formação do governo, Maria das Neves (MLSTP-PSD) tornou-se a primeira mulher a chefiar o governo do país.
Em 27 de fevereiro de 2005, Guilherme Posser da Costa, antigo primeiro ministro, foi eleito líder do partido em substituição a Pinto da Costa. Após três derrotas eleitorais consecutivas, incluíndo as eleições autárquicas de 2010, Posser da Costa demitiu-se da liderança do MLSTP-PSD. Em 28 de agosto de 2010 assumiu como interino o vice-presidente Dionísio Dias. Em janeiro de 2011, Aurélio Martins foi eleito o novo presidente da agremiação.