Hong Kong (; romanização do mandarim pinyin: Xiānggǎng, romanização do mandarim Wade-Giles: Hsiang1-kang3, ; romanização do cantonês jyutping: Hoeng1gong2, romanização do cantonês Yale: Hēunggóng, ; em Hacá: Hiong1-gong3; , ) é uma das duas regiões administrativas especiais (RAE) da China (RPC), sendo a outra Macau, situada na costa sul da China e delimitada pelo delta do Rio das Pérolas e pelo Mar da China Meridional. É conhecida por seu horizonte repleto de arranha-céus e por seu profundo porto natural. Com uma área de e uma população de sete milhões de pessoas, Hong Kong é uma das áreas mais densamente povoadas do mundo. A população da cidade é composta por 95% de pessoas de etnia chinesa e 5% de outros grupos étnicos. A maioria chinesa Han da cidade é originária, principalmente, das cidades de Guangzhou e Taishan, na vizinha província de Guangdong.
Hong Kong tornou-se uma colônia do Império Britânico após a Primeira Guerra do Ópio (1839-1842). Originalmente confinada à Ilha de Hong Kong, as fronteiras da colônia foram estendidas em etapas para a Península de Kowloon em 1861 e, em seguida, para os Novos Territórios, em 1899. Foi ocupada pelo Império do Japão durante a Guerra do Pacífico, após a qual o controle britânico foi retomado até 1997, quando a China reassumiu a soberania da cidade. Durante a era colonial, a região adotou a mínima intervenção do governo sob o ethos do não-intervencionismo positivo. A era colonial teve grande influência na atual cultura de Hong Kong, muitas vezes descrita como o lugar onde o "Oriente encontra o Ocidente", e no seu sistema educacional, que costumava seguir o sistema do Reino Unido até que reformas fossem implementadas em 2009.
Sob o princípio do "um país, dois sistemas", Hong Kong tem um sistema político diferente do da China continental. O judiciário independente de Hong Kong funciona no âmbito da common law. A Lei Básica, a constituição da cidade, estipula que Hong Kong deve ter um "alto grau de autonomia" em todas as esferas, exceto nas relações exteriores e na defesa militar. Embora tenha um sistema multipartidário em desenvolvimento, um pequeno círculo do eleitorado controla metade da sua legislatura. O chefe de governo da cidade é selecionado por um Comitê de Seleção/Eleição com 400 a 1200 membros, durante os primeiros 20 anos.
Como um dos principais centros financeiros internacionais, Hong Kong tem uma grande economia de serviço capitalista caracterizada pelo baixo nível de impostos e pelo livre-comércio, sendo que a sua moeda, o dólar de Hong Kong, é a oitava mais negociada no mundo. Seu pequeno território e a consequente falta de espaço causaram uma forte demanda por construções mais densas e altas, o que desenvolveu a cidade como um centro para a arquitetura moderna e a tornou uma das mais verticais do planeta. Hong Kong também tem um dos maiores PIB per capita do mundo. O espaço denso também resultou numa rede de transportes altamente desenvolvida, com uma taxa de transporte de passageiros superior a 90%, a maior do mundo. Hong Kong tem várias boas colocações em classificações internacionais de vários temas. Por exemplo, sua liberdade e competitividade econômica e financeira, qualidade de vida, percepção de corrupção e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) estão todos classificados nas mais altas posições. De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que Hong Kong tenha a segunda maior expectativa de vida do planeta.
Etimologia O nome Hong Kong é originário do seu principal produto de exportação do período colonial. O pau-de-águila, uma madeira resinosa escura e perfumada usada em incenso e perfume, era este produto. A sua presença constante no porto da cidade, fez com que ganhasse o apelido de "porto perfumado" (em cantonês é "trầm hương" — romanização do cantonês; "hēunggóng"). Em um dado momento da história, o apelido do porto transformou-se no nome da cidade.A fragrância 'mais cara do que ouro': madeira infectada é cobiçada pelo aroma por Ingrid Piper da BBC Travel Reproduzido pelo Portal BOL em edição de 30/06/2017
História Domínio chinês e ocupação britânica
thumb|esquerda|Possivelmente a pintura mais antiga da ilha de Hong Kong, mostrando o assentamento à beira-mar que se tornou a Cidade de Victoria
A ocupação humana de Hong Kong data do Paleolítico. A região foi inicialmente incorporada no Império Chinês, durante a Dinastia Qin, e serviu como porto nas dinastias Tang e Song. O primeiro visitante europeu de que há registo foi o português Jorge Álvares.
O contacto com o Reino Unido foi estabelecido após a Companhia Britânica das Índias Orientais ter estabelecido uma feitoria na cidade vizinha de Cantão. Durante a Guerra do Ópio , Hong Kong foi ocupado pelo Reino Unido e em 1898 a China entregou o território por um prazo de 99 anos. A partir dessa data, a nova colónia britânica passou a ser um importante centro de comércio.
Século XX thumb|esquerda|Hong Kong nos anos 1930 thumb|esquerda|Soldados do Império do Japão entram no território de Hong Kong, durante a Segunda Guerra Mundial
No processo que levou ao estabelecimento da República da China, em 1912, Hong Kong serviu de refúgio político para muitos dos opositores ao antigo regime. Após 1912 o nacionalismo chinês afirmou-se hostil relativamente a potências externas. Entre 1925 e 1927 este regime proibiu o acesso de navios ingleses aos portos do Sul da China, facto que comprometeu seriamente o comércio de Hong Kong. A guerra sino-japonesa da década de 1930 levou a China a procurar apoio contra o Japão junto de países europeus como a Inglaterra, o que facilitou as até então difíceis condições de relacionamento entre ambos os países.
A Segunda Guerra Mundial, deflagrada em setembro de 1939, veio dificultar ainda mais a vida económica da ilha. Em 1941, os japoneses, após 18 dias de combate (ver Batalha de Hong Kong), conquistaram a colónia. Esta ocupação durou 3 anos e 8 meses. Com a rendição incondicional do Japão (1945), os Britânicos reocuparam o território e retomaram a pujança de grande centro comercial da Ásia. Assistiu-se a uma forte industrialização baseada nos têxteis. Hong Kong tornou-se o maior porto de mercadorias mundial e o seu produto interno bruto per capita é dos mais elevados do Mundo. O território é uma potência comercial e um importantíssimo centro financeiro.
Durante a guerra da Coreia, em 1950, os Estados Unidos boicotaram o comércio com a China comunista, uma medida que afectou consideravelmente a actividade comercial de Hong Kong. Para fazer face a este embargo, a ilha promoveu o desenvolvimento da sua indústria, nos anos 1950 e 1960, tarefa facilitada pela afluência de refugiados que proporcionavam excelente mão de obra barata e dinheiro. Neste período, a política liberal de Hong Kong atraiu muitos investidores estrangeiros, resultando num boom económico que fez da ilha uma das regiões mais ricas e mais produtivas da Ásia. thumb|Vista da Ilha de Hong Kong em 1988, ainda sob domínio britânico thumb|Pessoas marcham com a bandeira britânica de Hong Kong no dia da transferência da soberania para a China
O crescimento econômico causou, no entanto, algum descontentamento entre os trabalhadores, uma vez que estes auferiam salários muito baixos. Este mal-estar desencadeou motins no Verão de 1967, promovidos por simpatizantes da revolução cultural chinesa. Para combater esta situação o Governo lançou uma legislação laboral; aumentou as habitações públicas e investiu mais em obras públicas, restaurando assim a estabilidade na década de 1970.
Devolução para a China
Durante a década de 1970, o número de imigrantes não parava de aumentar e a grande maioria vinha da China. Além disso, as relações entre as duas nações eram mais amistosas. Nos anos seguintes vieram inclusivamente a verificar-se operações militares e financeiras conjuntas entre a China e Hong Kong.
Em 1982, a China e o Reino Unido iniciaram conversações para a devolução da soberania sobre Hong Kong à primeira. Um acordo assinado em 1984, em Pequim, se decidiu que o território voltasse à soberania chinesa em 1 de julho de 1997. Em conformidade com o acordado, o regresso de Hong Kong à soberania chinesa após 156 anos de administração colonial britânica deu-se às 00h00 daquele dia.
O agora território chinês tem o status de Região Administrativa Especial, de acordo com a fórmula "um país, dois sistemas", também aplicada a Macau, que ganhou a partir de 20 de dezembro de 1999. Deste modo, o território continua a ser um porto livre e um centro financeiro internacional, e, exceto nas áreas da defesa e da política externa, tem uma autonomia interna, inclusive a fiscal. Durante algum tempo, foi mantida a liberdade de imprensa.
Geografia
thumb|esquerda|Fotografia aérea da Ilha de Hong Kong (direita) e de Kowloon (esquerda)
Hong Kong está localizado na costa sul da China, a 60 km a leste de Macau, no lado oposto do delta do Rio das Pérolas. É cercada pelo Mar da China Meridional, a leste, sul e oeste, e pelas fronteiras da cidade de Shenzhen e da província de Guangdong, ao norte sobre o rio Shenzhen. O território de de área ( de terra e de água) é constituído principalmente pela Ilha de Hong Kong, Lantau, Península de Kowloon e os Novos Territórios, bem como cerca de 260 outras ilhas.
Como muito do terreno de Hong Kong é montanhoso, com declives acentuados, menos de 25% da área do território é urbana e cerca de 40% da área restante está reservado para parques e reservas naturais. A maior parte do território de desenvolvimento urbano consiste na Península de Kowloon, ao longo da borda norte da Ilha de Hong Kong e em assentamentos espalhados por todos os Novos Territórios. A maior elevação do território está em Tai Mo Shan, a uma altura de 958 metros acima do nível do mar. Ao longo de Hong Kong, a linha da costa irregular e curvilínea também proporciona-o com muitas baías, rios e praias.
Apesar da reputação de Hong Kong de ser um território intensamente urbanizado, o território tem feito muito esforço para promover um ambiente verde, e a crescente preocupação pública recente levou a restrição severa de recuperação de terras novas da Baía de Victoria.
Meio ambiente thumb|Áreas de desenvolvimento urbano e vegetação são visíveis nesta imagem de satélite com cores falsas thumb|Vista aérea da ilha Lantau. thumb|Praia Ham Tin Wan com o Pico Sharp ao fundo (à esquerda), em Tai Long Wan, Sai Kung.
A conscientização do meio ambiente está crescendo e como Hong Kong sofre com o aumento da poluição agravada pela sua geografia e o número sem fim de edifícios altos. Aproximadamente 80% da poluição atmosférica da cidade provém da China Continental e de Macau, já que compartilharam também o delta do Rio das Pérolas. Em 2011, o índice de poluição atmosférica (API) desenvolvido pelas autoridades ultrapassou o nível 100 ("muito elevado") em mais de 20% do ano, dez vezes mais do que em 2005. O índice é "alto" 70% do tempo e "médio" menos de 10% do tempo. De acordo com o jornal Le Monde: "Também se deve acrescentar que a API é incrivelmente tolerante. Calculado com base na concentração dos cinco principais poluentes, o índice de Hong Kong faz com que os limiares de exposição considerados perigosos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) pareçam ser aceitáveis para o grande público. A Universidade de Hong Kong estima que 3 200 mortes por ano são atribuíveis à poluição do ar. No entanto, de acordo com um dos autores do estudo, "estes números são mínimos e só têm em conta os efeitos a curto prazo da poluição na saúde da população. O impacto total será muito maior quando os resultados dos estudos de coorte de longo prazo forem integrados. "A poluição também causa 160 mil dias de hospitalização e mais de 7 milhões de consultas médicas por ano, a um custo de 40 bilhões de dólares para o governo de Hong Kong.