Grupo Cultural AfroReggae é uma organização não governamental fundada em 1993, com a missão de promover impacto social por meio da arte, da cultura e da educação. Voltada especialmente para jovens de favelas e periferias urbanas, a instituição busca ampliar oportunidades para grupos estigmatizados e menos favorecidos, combatendo preconceitos, reduzindo desigualdades e visando a promoção da inclusão produtiva e a mobilidade social.Sobre – AfroReggae
Nos últimos anos, o AfroReggae passou por um processo de reestruturação programática, com foco na atuação no setor digital da economia criativa. Atualmente, desenvolve iniciativas nas áreas de audiovisual, games e música, com o objetivo de fortalecer comunidades e ampliar o impacto social por meio da inovação e da inserção de jovens no universo tecnológico e criativo.Danilo Costa, do AfroReggae – Meio & Mensagem
Em 2025, o Grupo Cultural AfroReggae passou a integrar a coalizão internacional Peace in Our Cities, dedicada à redução da violência urbana e coordenada pelo Center on International Cooperation, da New York University. A entrada ocorreu após representantes da PiOC conhecerem ações desenvolvidas pelo AfroReggae em favelas do Rio de Janeiro, incluindo iniciativas de inclusão digital, educação, cultura e fortalecimento comunitário. A participação na coalizão conecta a organização brasileira a uma rede global de cidades e instituições multilaterais comprometidas com políticas públicas para a construção da paz e prevenção da violência.
Ainda em 2025, o Grupo Cultural AfroReggae foi contemplado com o Prêmio Asas, iniciativa da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro destinada a reconhecer pontos de cultura com forte atuação comunitária no estado. No mesmo ano, a instituição recebeu o Diploma Heloneida Studart, concedido pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que distingue pessoas e organizações que se destacam pela promoção de práticas e ações culturais de relevante impacto social.
História A organização foi criada por José Pereira de Oliveira Junior que começou sua carreira promovendo festas de funk e reggae no Centro do Rio de Janeiro, tornando-se posteriormente empreendedor social. Com o surgimento do jornal impresso Afro Reggae Notícias, em 21 de janeiro de 1993. Um mês após a chacina de Vigário Geral, começou um trabalho que deu início a uma nova forma de educação e inclusão da favela como parte da cidade.
A ONG iniciou o seu trabalho e inaugurou seu primeiro Núcleo Comunitário de Cultura, atualmente Centro de Cultura Digital Waly Salomão, justamente em Vigário Geral. Inicialmente, o grupo passou a oferecer oficinas de reciclagem de lixo, percussão e de dança afro dentro da favela. O trabalho da instituição se expandiu e alcançou os moradores das favelas de Parada de Lucas, Cantagalo, Complexo do Alemão, da Penha e outros municípios, como Nova Iguaçu.
O AfroReggae passou a desenvolver projetos em áreas pobres, violentas e muitas vezes comandadas pelo tráfico de drogas. Além da atuação nos núcleos, por meio de oficinas, aulas, eventos, entre outros, o grupo também passou a trabalhar na formação de grupos artísticos, programas de televisão, publicações sobre temáticas sociais, entre outros.
José Júnior deixou a função executiva no Grupo Cultural AfroReggae e passou a ocupar o cargo de presidente do conselho da organização, que passou a ser dirigida por um colegiado de diretores. Ele também se tornou CEO e showrunner da AfroReggae Audiovisual, que é um empreendimento independente voltado à produção de conteúdo audiovisual.
Em julho de 2024, o AfroReggae concedeu o título de Membro Honorário ao economista Armínio Fraga Neto, ex-presidente do Banco Central do Brasil. A homenagem reconhece o apoio institucional prestado por Fraga às iniciativas da organização e seu compromisso com causas sociais voltadas à inclusão e ao desenvolvimento. A entrega simbólica foi realizada na sede da Gávea Investimentos, no Rio de Janeiro.
Em 2025, o Diretor Executivo Danilo Costa afirmou que a organização passou por uma reestruturação metodológica na última década, com foco na digitalização e na empregabilidade. Segundo ele, “os pilares atuais do AfroReggae são audiovisual, games e música, sempre com o viés digital”, refletindo a adaptação da entidade às novas demandas sociais e tecnológicas.
Nova Atuação Programática AfroGames O AfroGames é um programa voltado à inclusão digital de jovens de favelas por meio dos esportes eletrônicos e do desenvolvimento de jogos digitais. A primeira unidade foi instalada em Vigário Geral, no Rio de Janeiro, considerada o primeiro centro de treinamento de eSports dentro de uma favela no Brasil.
O programa expandiu suas atividades para outras regiões, incluindo Centros de Treinamento no Complexo da Maré – nas comunidades de Nova Holanda e Morro do Timbau – e no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, onde funciona dentro de uma escola municipal. Em 2025, com patrocínio do Guaraná Antarctica por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Rio de Janeiro, o AfroGames transformou uma antiga base da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) em um novo Centro de Treinamento no Mandela, na região de Manguinhos, Zona Norte do Rio.
O AfroGames oferece trilhas formativas em Criação de Jogos e eSports, além de aulas de inglês técnico.
Como parte de sua metodologia, o AfroGames promove a Copa AfroGames, um torneio de eSports realizado na Arena AfroGames, no Cantagalo, com equipes formadas por alunos do programa. O evento também conta com atrações culturais e participação de equipes convidadas, reforçando o papel da iniciativa como ferramenta de inclusão, formação e protagonismo juvenil.
O programa também realiza a AfroGames Jam, uma maratona de desenvolvimento de jogos voltada aos alunos das turmas de Design e Criação de Jogos. Divididos em equipes, os participantes desenvolvem jogos digitais com foco em temas como sustentabilidade, responsabilidade social e inovação, apresentando os resultados em sessões de pitch para uma banca avaliadora.
Em 2023, o antigo picadeiro do Anfiteatro Benjamin de Oliveira foi transformado na Arena AfroGames, considerada a primeira arena de eSports do mundo situada dentro de uma favela. Localizada no Cantagalo-Pavão-Pavãozinho, Zona Sul do Rio de Janeiro, o espaço é utilizado para formação de jovens em jogos como Free Fire, Valorant e EA Sports FC, além de sediar eventos como a Copa AfroGames, que inclui competições, shows e atividades culturais.
Em agosto de 2025, o AfroGames realizou a 3ª edição da Copa AfroGames, reconhecida como o maior torneio de eSports já sediado em uma favela no Brasil, com mais de 150 jovens competidores e público acima de mil pessoas. O evento foi destacado internacionalmente pelo site Esports Radar como o mais importante realizado em contexto de favela no país.
O AfroGames conquistou reconhecimento internacional ao ser eleito pela Organização das Nações Unidas (ONU) como projeto modelo do ano em 2019, em razão de sua proposta de inclusão digital, educação e profissionalização em eSports. No Brasil, foi homenageado no Prêmio eSports Brasil pela sua relevância social e pelo impacto de abrir novas perspectivas para jovens de favelas.
Criado em 2022, o Crespo Music é o selo musical do AfroReggae, voltado para a descoberta, produção e valorização de artistas negros e oriundos de favelas e áreas periféricas. A proposta do selo é oferecer suporte técnico e visibilidade profissional a talentos locais, promovendo diversidade e inclusão no mercado fonográfico nacional.
O selo conta com estúdio próprio no Centro de Cultura Digital Waly Salomão, em Vigário Geral, equipado com tecnologia Dolby Atmos, e mantém parcerias com a Virgin Music Brasil (distribuição), a Universal Music Publishing (direitos autorais) e a UBC (apoio institucional).
O catálogo do selo inclui trilhas originais para séries produzidas pela AfroReggae Audiovisual em parceria com a Globoplay, como Arcanjo Renegado e A Divisão. Em 2024, lançou a trilha sonora da terceira temporada de Arcanjo Renegado, com produção de Sany Pitbull & Crespo Music; o tema de abertura, “Mercadores da Fé”, foi composto por MC Aori. Em 2025, lançou a trilha sonora da quarta temporada de A Divisão.
Também em 2024, o artista Jefinho, vinculado ao selo, se apresentou na cerimônia de abertura da cúpula internacional Y20, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, representando a favela na principal atividade cultural do fórum de juventude do G20.
Em julho de 2025, a Virgin Music Group realizou uma visita ao estúdio do Crespo Music, em Vigário Geral, acompanhando ensaios e gravações de artistas do casting. A visita contou com a presença de Alessandra Bruno, Country Manager Brasil da Virgin Music Group, reforçando a parceria institucional entre as organizações.
Centro de Cultura Digital Waly Salomão No Centro Cultural Waly Salomão, localizado no Parque Proletário de Vigário Geral, na Zona Norte do Rio de Janeiro, o AfroReggae deu seus primeiros passos, abrindo caminho para o crescimento da instituição. Waly Salomão, que dá nome ao núcleo, foi grande entusiasta da causa do grupo. Já em 1994, ele dizia que o AfroReggae seria uma potência social e cultural.
Atualmente, o espaço concentra atividades nas áreas de cultura, tecnologia e formação profissional. Ali funcionam o estúdio da Crespo Music — com estrutura de gravação em tecnologia Dolby Atmos —, o Centro de Treinamento do programa AfroGames, e oficinas artístico-culturais voltadas para crianças e adolescentes, como ballet e percussão. Entre 2023 e 2024, as oficinas contaram com apoio da TV Globo, beneficiando 150 jovens com aulas regulares, acompanhamento pedagógico e apoio psicossocial.
Agência Segunda Chance Criado em 2008, o principal foco do projeto é empregar ex-detentos, facilitando sua reintegração à sociedade. O projeto ativa o processo de ressocialização dando apoio psicológico e regularização de documentos desde o momento de saída do sistema prisional. Essas pessoas são encaminhadas pelo projeto a postos de trabalho e têm seu desempenho no ambiente de trabalho acompanhado pela equipe do Segunda Chance. O projeto promove a inclusão social através da inserção no mercado de trabalho.
A agência recebe candidatos, analisa os currículos, faz uma entrevista inicial e os encaminha às empresas parceiras. Também cabe à instituição supervisionar a performance de cada empregado. Os dados dos candidatos, empresas e vagas são cadastrados em um banco de dados digital. Assim, os encaminhamentos são feitos diretamente no sistema e as empresas recebem por e-mail as fichas dos candidatos encaminhados para as entrevistas.
Desde 2024, a Agência passou a contar com o apoio do Instituto Ação Pela Paz, organização que atua na promoção de direitos e na reintegração de egressos do sistema prisional.
Conexões Urbanas O Conexões Urbanas é um projeto sociocultural criado pelo Grupo Cultural AfroReggae em 2001, com o objetivo de promover a valorização da cultura das favelas por meio de grandes eventos artísticos gratuitos realizados dentro das comunidades. A iniciativa busca ampliar o acesso à arte, fortalecer o sentimento de pertencimento e fomentar o protagonismo de moradores locais.
A primeira edição do projeto ocorreu no Morro da Formiga, com a participação de Fernanda Abreu. Ao longo dos anos, o Conexões Urbanas levou artistas como Caetano Veloso, Marisa Monte, Gilberto Gil, O Rappa, Titãs e Cidade Negra a comunidades do Rio de Janeiro, como Vila Cruzeiro, Inhaúma e Vigário Geral.