Cidreira é um município brasileiro localizado na Aglomeração Urbana do Litoral Norte, instituída pela Lei Complementar Estadual 12.100/2004, do estado do Rio Grande do Sul.
Cidreira possui uma das praias mais antigas do estado para veraneio. É juntamente, com Balneário Pinhal, a praia mais próxima da capital, Porto Alegre.
Hoje, ainda demonstra um destaque junto ao turismo estadual e nacional, e já foi uma das praias mais populares e frequentadas do Rio Grande do sul, que era de grande prestígio turístico. Teve importância naval pois possui um farol, que já é centenário; possui grande destaque na pesca, justamente pelo seu extenso mar, a plataforma de pesca de Cidreira, suas três lagoas e seus inúmeros banhados; tem apresentado esforços para se destacar em turismo, música, e cinema. É no seu território que está o polêmico estádio Sessinzão, que foi construído com capacidade para 17.000 pessoas, quando a cidade possuía pouco mais de 8.000 habitantes.
Cidreira é composta por 5 bairros oficiais: Salinas, Nazaré, Centro, Ildo Meneghetti e Costa do Sol, sendo que existem também os bairros e regiões não oficiais, tais como o Parque dos Pinus, o Bairro da Antena, a Fortaleza, as Cabras e a parte de divisa com Balneário Pinhal ao sul, conhecido popularmente de "Pinheira" ou Pinheira Gaúcha (junção de Pinhal e Cidreira fazendo referência a divisa entre os municípios). Com uma população que, de acordo com o IBGE, atinge 17.071 habitantes, distribuídos em uma área pouco maior que o município de Canoas, Cidreira é uma das cidades menos povoadas de todo o Litoral Gaúcho.
Cidreira é bastante conhecida entre os gaúchos, porém o destaque turístico maior fica para outras praias populares no litoral norte do Rio Grande do Sul, como Tramandaí, Xangri-lá, Capão da Canoa, Torres, dentre outras. Destaca-se a beira da praia, que é praticamente deserta no inverno, o que é muito valorizado por moradores e turistas que preferem a paz e tranquilidade à agitação.
Outro aspecto destaque de Cidreira é a construção civil, pois a cidade encontra-se em meio a processo de urbanização, ainda em estágios iniciais. Os ônibus urbanos têm apenas dois trajetos, e o principal é a linha Salinas-Costa do Sol, pois os principais bairros estão enfileirados, sendo que basta cruzá-los para percorrer por todo o território urbano do município. Abrigava em seu interior, até o segundo semestre de 2012, um dos campus da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul, que posteriormente devido às más condições estruturais do prédio doado pela prefeitura e pela falta de opções de transporte, acabou mudando-se para o município de Osório.
História
O território de Cidreira já era habitado por indígenas muito antes da chegada dos primeiros européus, depois servindo para passagem de colonizadores, bandeirantes e tropeiros.
Os Campos das Cidreiras, como era conhecida toda a região, limitavam-se ao sul com os Campos do Quintão, ao norte com os Campos de Taramanday, a oeste com os Campos de Viamão e a Leste com o oceano Atlântico.
Em 1749 a Estância das Cidreiras era de propriedade de Domingos Fernandes de Oliveira, Sargento-Mor da Colônia de Sacramento que a vendeu para Manuel Pereira Franco, almoxarife-Mor da mesma colônia.
Em 1767, a Coroa de Portugal doou a sesmaria de Cidreira para o almoxarife-mor Manuel Pereira Franco. Possuía de frente 4,5 léguas (29.700m), com 2,5 léguas de orla marítima (16.500m) e era composta pelas fazendas Cidreira, Rondinha, Roca Velha, Ponta do Mato e Porteira. Posteriormente, devido à sonegação de impostos, a Coroa confiscou as terras para serem leiloadas.
Em 1819 a sesmaria de Cidreira foi comprada por Luiz José Ferreira Saraiva, legando ao filho Francisco Pereira Saraiva as terras do norte: Roca Velha, Rondinha e Cidreira.
Somente após 1860 começaram a vir para Cidreira os primeiros veranistas, ficando em casas de palha, com chão de areia batida. Dentre os pioneiros encontravam-se as famílias Cauduro, Pilla, Boppe, Mostardeiro, Chaves Barcellos, Bins, J.H. Santos e outras.
Devido ao difícil acesso não havia moradores, o que passou a ocorrer após a construção do primeiro farol, destacando-se João Neves, fiscal do governo estadual, que passou a residir ali para impedir a construção de casas sem a autorização do governo. Nessa época a praia era popularmente chamada de Pernambuquinho.
A partir de 1930 começaram a surgir as primeiras casas de madeira, sendo construída (em madeira) a Igreja Nossa Senhora da Saúde, surgindo, também, os Hotéis Atlântico (no local onde hoje é a estação rodoviária), Farroupilha (atualmente Edifício Alvorada), Castelo, Farol, Cidreira e outros.
Em 1950 foi iniciada a construção da estrada ligando Porto Alegre ao litoral (concluída em 1958), desenvolvendo-se o processo de urbanização de Cidreira/Pinhal. Em 1954, a CEEE instalou o primeiro gerador de energia elétrica, seguindo-se na década de 1960 o primeiro posto telefônico e o serviço de tratamento da água, pela Corsan.
O município teve a sua origem em Santo Antônio da Patrulha, passando mais tarde a pertencer a Osório e, por fim, a Tramandaí – até que, em 9 de maio de 1988, foi emancipado.
Gentílico O nome seria derivado da erva-cidreira, podendo ser a erva-cidreira (Aloysia triphylla), o capim-cidró (Cymbopogum citratus) e a melissa (Melissa officinalis). Jacy Waldyr Fischer, no livro Origem dos nomes dos municípios gaúchos e seus distritos, considera que o nome está relacionado à primeira. Outra possibilidade seria a relação com uma localidade chamada Cidreira, em Portugal. Não há, porém, provas documentais da origem do nome.
Geografia Localiza-se a uma latitude 30º10'52" sul e a uma longitude 50º12'20" oeste, estando a uma altitude de 0,60 metro. No verão, a população estimada é de mais 500 mil pessoas. Possui uma área de 241,94 km².
O vento concede feições marcantes nas copas de árvores e arbustos da vegetação das matas de restinga, que estão a cerca de 3 km da linha da praia. Na vegetação psamófica, é considerado marcante o seu xeromorfismo, com presença de folhas reduzidas, que são lustrosas na face superior, coriáceas, com acúleos e espinhos. Essa configuração é vista também em outras praias da região.
Praias Praia das Cabras Praia de Salinas Praia de Nazaré Praia de Cidreira Praia Ildo Meneghetti Praia Costa do Sol Balneário da Fortaleza
Demografia Em 2022, possuía uma população de 17.071 habitantes. Esse município tem uma área territorial de 243,419 km² e uma densidade demográfica de 70,13 hab/km². Há uma densidade domiciliar de cerca de 2,49 moradores por residência.
Em 2010, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de Cidreira é de 0,729 , indicando um nível razoável de desenvolvimento humano. A escolarização para crianças de 6 a 14 anos é alta, atingindo 99,1%.
Em comparação com outros municípios, Cidreira está na 115ª colocação no estado, na 308ª colocação na região Sul e na 2.014ª colocação no Brasil em termos de população.
Composição da população Observando a pirâmide etária de Cidreira, segundo os dados do IBGE de 2022 conferimos um envelhecimento da população e diminuição no número de jovens entre 2010 e 2022, na cidade de Cidreira.miniaturadaimagem|400x400px|Pirâmide Etária de Cidreira (RS), 2010. Fonte: IBGE, 2010. https://sidra.ibge.gov.br/tabela/1378#/n6/4305454/ miniaturadaimagem|Pirâmide etária de Cidreira segundo os dados do IBGE de 2022. Fonte: IBGE (2022)|400x400px
Nascidos Vivos Em 2022, nasceram 166 crianças cujas mães residiam em Cidreira. Pelo fato de não possuir hospital/maternidade, o número de nascimentos em Cidreira foi de apenas 2 crianças, sendo 1 parto domiciliar.
Expectativa de Vida Em 2010, a expectativa de vida ao nascer em Cidreira, Rio Grande do Sul, é de 75,89 anos. Esse indicador é fundamental na área de saúde, pois reflete o número médio de anos que se espera que um indivíduo viva. Vale ressaltar que a expectativa de vida está relacionada às condições socioeconômicas e é relevante para orientar políticas públicas.
Taxa de Mortalidade Infantil Em 2020, a taxa de mortalidade infantil em Cidreira, Rio Grande do Sul, é de 18,07 óbitos por mil nascidos vivos. Isso significa que, a cada mil bebês nascidos, cerca de 18 não sobrevivem até o primeiro ano de vida. Vale lembrar que essa taxa é um indicador importante para avaliar a qualidade do sistema de saúde e as condições de vida da população.
Subdivisões Distritos +DistritoPopulação Cidreira 7962 Costa do Sol 920
Economia As principais atividades econômicas em Cidreira, Rio Grande do Sul incluem serviços, comércio varejista, alimentos, restaurantes e construção. Além disso, a cidade tem destaque na pesca devido ao seu extenso mar, plataforma de pesca, lagoas e banhados. A Praia de Cidreira é conhecida e frequentada por turistas, oferecendo infraestrutura completa com bares, restaurantes e quiosques, além de atividades como surf e stand-up paddle.
Turismo Cidreira também tem muitos pontos turísticos e locais curiosos no seu território, que ajudam a contribuir na visão peculiar que os visitantes têm da cidade: a rodoviária abandonada do Ildo Meneghetti, que tem grande parte do seu território coberto por areia; os Camaronitos, estátuas espalhadas por toda a cidade.
Mais de 50% do território de Cidreira é coberto por dunas. Uma parte dessas dunas é chamada de lençóis cidreirenses, em homenagem aos lençóis maranhenses. O acesso fica na RS 786, próximo ao parque eólico (há uma placa indicando o lugar). Com uma extensão de, aproximadamente 40 km², é área de preservação permanente. Com as chuvas ocorre a formação de piscinas naturais. Plataforma de pesca Lagoa Country Club É considerada Praia de Naturalismo Eventual. Possui cerca de 120 pescadores artesanais Concha acústica, onde ocorrem shows gratuitos para a população.miniaturadaimagem|Concha Acústica de Cidreira
Iemanjá O turismo religioso na cidade ganhou no ano de 2016 uma das maiores estátuas de Iemanjá no Brasil. Tradicionalmente no início de fevereiro a cidade realiza a Festa de Iemanjá com shows e com procissões.
Arquitetura
A crescente demanda para construção de casas de veraneio trouxe nova concepção às questões arquitetônicas. Muitos arquitetos dedicaram-se à construção na praia. As empresas ofereciam casas de madeira, destacando-se os avarandados em toda volta da casa. As construções de alvenaria também começaram a ganhar as praias. Uma das primeiras casas de alvenaria de Cidreira é a famosa Vila Otília, que ainda hoje guarda suas características originais.
A arquitetura em Cidreira acompanhou a fase de grande desenvolvimento da construção civil no litoral. Em pouco tempo grandes casas estavam sendo construídas na praia. Destaca-se que a maioria das primeiras casas de alvenaria ainda estão preservadas. Seguiram-se as construções de dois pisos, sempre buscando aproveitar a vista para o mar. As casas de alvenaria foram tomando o lugar dos tradicionais chalés, bangalôs e ranchos. Cidreira é uma das praias com maior número de casas tradicionais preservado.
Política
Por volta de 1984 a comunidade cidreirense encontrava a necessidade de possuir uma administração própria pois ainda pertencia ao município de Tramandaí. No Cidreira Praia Clube (CPC) foi criada uma comissão que lutaria pela emancipação de Cidreira, que seria finalmente conquistada em 1988, tendo Remy Carniel como seu primeiro prefeito.
A sede da prefeitura abrigava toda a parte administrativa do município e ainda um posto de saúde. Após a primeira gestão foi ampliada ganhando um terceiro andar, mais salas e um auditório para mais de 400 pessoas. Nessa época Cidreira recebia um setor de TI.