Crissiumal é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul, localizado na mesorregião Noroeste Rio-grandense e na microrregião de Três Passos, a uma latitude de 27º30'00'' sul e a uma longitude de 54º06'03'' oeste, estando a uma altitude de 410 metros. Sua população estimada em 2025 era de para uma área de 362,032 km². O município é banhado pelo Rio Uruguai e seu principal acesso é pela estrada RS-207, sendo também atendido pela RS-305.
Antes da chegada dos colonizadores europeus, Crissiumal era ocupado por indígenas. Foi somente em 1933 que começaram a se estabelecer famílias vindas das "Colônias Velhas". Com o passar dos anos a população da colônia foi aumentando até que em 1944 Crissiumal se tornou distrito, e em 1954, município. A versão de sua etimologia é a de que o nome se originou de criciúma, uma planta abundante na região, e que na língua tupi significa vara lisa e dobrada ou taquara pequena. Atualmente sua principal fonte de renda é o setor de serviços que representa 60% do PIB municipal, seguido da agropecuária, com destaque para a produção de soja, milho, leite e suínos.
O município conta ainda com uma importante tradição cultural, que vai desde sua dança até a literatura, a música e o esporte. Um dos principais e o mais tradicional clube de futebol é o Tupi Futebol Clube, fundado em maio de 1949. Crissiumal também é sede de variados eventos, além de possuir diversos pontos turísticos, como o Castelo, o monumento O Pioneiro e o Balneário Três Ilhas. É conhecida como Cidade Sorriso e Terra dos Goleiros.
Etimologia
O nome da cidade surgiu a partir de uma planta arbustiva, comum na região, chamada criciúma. A palavra criciúma provavelmente se originou do tupi e significa vara lisa e dobrada ou taquara pequena. Segundo o dicionário Michaelis, é a denominação dada a plantas do gênero Criciuma ou Bambusa, da família das gramíneas. A etimologia da palavra é desconhecida e a grafia correta é quiriciuma, pois, de acordo com Anchieta, não há encontro consonantal no idioma tupi-guarani.
História
Pré-história, colonização e emancipação esquerda|miniaturadaimagem|Mapa da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul de 1856 com o Rio Uruguai e seus afluentes da margem esquerda que demonstra que é possível que Crissiumal, devido à proximidade desse rio, era conhecido desde aquele ano Os primeiros habitantes de Crissiumal foram os índios tupi-guaranis. Esses índios cultivavam milho, mandioca e inhame que eram usados para obter outros alimentos e bebidas de reduzido teor alcoólico. Na década de 1930 havia dois agrupamentos de índios com 60 a 70 famílias nas localidades de Bela Vista e Linha Porto Alegre, onde, na década de 1970, foram encontrados duas mós de moinho, um par de esporas, lanças e grutas nas quais havia fornos de barro. Esses dois agrupamentos eram originários do Paraguai, onde participaram de um levante contra o governo. Como não obtiveram êxito, passaram a ser perseguidos e fugiram para terras brasileiras. Não existem evidências da passagem, em terras crissiumalenses, de bandeirantes ou de localização de missões jesuíticas dirigidas por religiosos.
A área onde se encontra Crissiumal foi um dos últimos espaços a serem ocupados pelo homem branco no Rio Grande do Sul. Inicialmente a região era ocupada por índios de diversas etnias. No final do século XIX tomou impulso, por meio da remoção de entraves burocráticos e a criação de mecanismos legais e logísticos de incentivo, a colonização do norte e noroeste do Rio Grande do Sul. Como as terras das "colônias velhas" já se encontravam ocupadas e o crescimento populacional exigia a abertura de novas fronteiras para os filhos dos colonos e para os novos imigrantes, vários projetos de colonização foram implantados no final do século XIX e início do século XX permitindo a migração rumo à região norte. Surgiu assim em 1890 a "Colônia Ijuí" composta por imigrantes recém chegados da Europa, descendentes de colonos da colônias velhas e povos nativos. Mais próximo a Crissiumal, os colonos se estabeleceram na "Colônia Militar do Alto Uruguai", em 1879, que mais tarde, em 1944, formaria ao município de Três Passos. miniaturadaimagem|463x463px|Crissiumal em 1935, dois anos após sua fundação O povoamento e ocupação de Crissiumal começou nos primeiros anos de 1930 com colonizadores dos municípios de Estrela, Lajeado, Sobradinho, Venâncio Aires e Roca Sales no Rio Grande do Sul, e de Laguna, Tubarão, Criciúma e Urussanga em Santa Catarina. O primeiro homem branco a chegar em Crissiumal foi Domingos Maccari, capataz da firma Dahne, Conceição & Cia., em 1930. Depois vieram Domingos Meneghel, em 1933, Adolfo Rinaldi, Ivo dos Santos, Albino Löwe, Domingos Maccari, Bernardo Dickel e Miguel Schutz, alguns deles com suas famílias. Em 6 de janeiro de 1936 foi rezada a primeira missa e a primeira capela foi construída em 23 de janeiro do mesmo ano. A fertilidade das terras atraiu parentes e conhecidos dos pioneiros e, por isso, novos colonizadores chegaram a Crissiumal. Estradas foram abertas na mata e carroças e caminhões levavam, para os centros maiores, os produtos da colônia. No livro História de Crissiumal, José Raymundo Pletsch descreveu, com informações de Adelina Frieda Schütz, o cenário de Crissiumal no início de sua colonização:
Schwanke e Pohl também relatam a maneira como os primeiros colonizadores chegaram a Crissiumal: miniaturadaimagem|O primeiro veículo motorizado de Crissiumal, em 1935. No dia 6 de janeiro de 1936, Crissiumal foi reconhecida como povoado. Em 1º de janeiro de 1941 ocorreu o primeiro batizado e no dia 3, o primeiro casamento, entre Ruy Mesch e Josefina Focking, celebrado pelo primeiro pároco Padre Sebastião Rademaker. Em 1944, Crissiumal e Três Passos se uniram para buscar a emancipação e, em 28 de dezembro de 1944, o Decreto-lei estadual nº 716 criou o município de Três Passos e o Distrito de Crissiumal. No Censo de 1950, o Distrito de Crissiumal possuía mais habitantes que a sede do município e, por isso, houve um movimento emancipacionista e, em um plebiscito, em 1954, a população decidiu desmembrar-se de Três Passos. A Lei estadual nº 2 553 criou, em 18 de dezembro de 1954, o município de Crissiumal.
Da emancipação aos anos 1990 Egon Theophilo Heinsch descreveu, em seu livro Crissiumal: um pouco de história: o Tupy F. C. e sua luta, o ambiente da cidade em 1956: Após a emancipação, houve eleições diretas para prefeito e vereadores em 20 de fevereiro de 1955. Somente Lauro Pedro Thomaz foi candidato a prefeito, que se elegeu, tomou posse no dia 28 de fevereiro de 1955 e governou até o dia 1º de janeiro de 1960. Durante seu governo a subprefeitura foi adaptada e nela funcionou o setor administrativo e o poder legislativo por algum tempo. Também foram melhoradas e alargadas estradas municipais, elaborado o Plano Diretor da cidade, contratados novos professores, construídas escolas, eletrificada a sede, a vila de Humaitá e Vista Nova, e poços artesianos foram perfurados para fornecer água potável, contudo não foi encontrada água nesses poços. esquerda|miniaturadaimagem|Casa em estilo enxaimel construída em 1948 O segundo prefeito, Alcido Brust, foi eleito por voto direto e secreto pela coligação PTB-PRB. Durante sua administração houve a instalação de rede telefônica municipal, construção do parque de obras, instalação de uma britadeira, construção de escolas de madeira com recursos do governo do Estado denominadas de brizoletas, instalação de energia elétrica em Lajeado Crissiumal, Vista Alegre e Linha Porto Alegre, construção de prédio de alvenaria do Grupo Escolar Rocha Pombo com recursos do governo do Estado, e a Praça 25 de julho foi remodelada.
O terceiro prefeito foi Pedro Harry Hoffmann, que governou de 1964 a 1969. Durante seu mandato foram calçadas e arborizadas algumas ruas da sede, concluída a Praça 25 de Julho, construídos o alicerce e a parte baixa da nova prefeitura, instalados mais de 100 aparelhos telefônicos, eletrificadas 12 localidades, instalado um escritório da ASCAR, construído o parque de exposições, e criadas e construídas 14 novas escolas primárias.
A partir de 1965, Crissiumal passou a ser área de segurança nacional por ter fronteira com a Argentina e por isso o prefeito passou a ser nomeado pelo Presidente da República. O primeiro prefeito nomeado foi Benno Bender, que comandou o Executivo municipal de 7 de julho de 1971 a 9 de agosto de 1975. Durante sua administração houve abastecimento da sede com água pela Corsan, construção da Delegacia de Polícia, da Escola Estadual de 2º Grau Ponche Verde e de alguns prédios escolares. O segundo prefeito nomeado foi Pedro Osvaldo Scheid, que administrou de 9 de agosto de 1975 a 1º de agosto de 1980 e durante seu governo foram instalados a LBA, o Cebem e a Apae, construídas novas escolas, construído o prédio novo da Prefeitura, instalada a torre de retransmissão de televisão, instalada a pedreira e um posto avançado do Banco do Brasil.
O terceiro prefeito nomeado foi Carlos Willy Grün, cujo mandato durou de 1º de agosto de 1980 a 1º de janeiro de 1986 e neste período foi construído o Ginásio de Esportes, o monumento O Pioneiro, o prédio da Companhia Riograndense de Telecomunicações - CRT e implantado o sistema de Discagem Direta a Distância - DDD, construída a primeira creche e concluído o segundo piso da Prefeitura Municipal. Após a redemocratização foram extintas as áreas de Segurança Nacional, e Crissiumal voltou a ter eleições diretas para prefeitos e vice-prefeitos. O prefeito que governou de 1986 a 1988 foi Henrique Ebeling e durante seu mandato ocorreu o asfaltamento da Avenida Castelo Branco, a construção de pontes e de escolas. O prefeito que governou entre 1989 a 1992 foi Luiz de Rosso.
Formação administrativa Antes de sua colonização, o município pertencia a Porto Alegre, depois a Rio Pardo em 1809, e a Cachoeira em 1819 e a Espírito Santo de Cruz Alta em 1834. Após a colonização pertenceu a Palmeira das Missões, que se chamava Santo Antônio da Palmeira, e depois a Três Passos. Quando Crissiumal pertencia a Palmeira das Missões, integrava o 11º Distrito desse município, com sede em Santa Teresinha. Em 1944 foi criado o Distrito de Crissiumal pelo Decreto-lei estadual nº 716 de 28 de dezembro, a partir dos distritos de Ivagací, Três Passos e Campo Novo. Em 1954, a Lei Estadual nº 2553 de 18 de dezembro criou o município de Crissiumal, que se desmembrou de Três Passos. Em 1955 foram criados os distritos de Candelária (Lei Municipal nº 54 de 12 de dezembro), Esquina Gaúcha (Lei Municipal nº 58 de 28 de dezembro), e Planalto (Lei Municipal nº 59 de 28 de dezembro), e em 1957, o Distrito de Lajeado Grande (Lei Municipal nº 179 de 9 de julho). Em 1959, Crissiumal perdeu parte de seu território devido a emancipação de Humaitá. Em 1963, o Distrito de Candelária de desmembrou de Crissiumal para formar o município de Boa Vista do Buricá. Em 1987, a lei municipal nº 851 de 12 de dezembro criou o Distrito de Vista Nova.
História recente esquerda|miniaturadaimagem|Vista do centro da cidade em 2017 a partir da Avenida Santa Rosa próximo à Praça Recanto Verde Henrique Ebeling reelegeu-se prefeito e administrou de 1993 a 1996. Em 1997 Alvício Pereira Duarte assumiu a prefeitura e governou até 2000. Em 2001 tomou posse como prefeito Walter Luiz Heck que se reelegeu e administrou até 2008, quando, no ano seguinte, assumiu Sérgio Drumm, que ocupou o cargo até 2012.
Em 1998 foi criado o Pacto Fonte Nova com o objetivo de apoiar pequenos proprietários rurais para a produção de matérias-primas, agro-industrialização e produção de alimentos. Junto com o programa, criou-se o Serviço de Inspeção Municipal (SIM), que libera Alvarás de Inspeção Municipal, que atestam a qualidade e origem dos produtos industrializados. No final de 2002 as 30 agroindústrias que existiam criaram a cooperativa Cooper Fonte Nova com o objetivo de fortalecer as atividades dos agricultores.