Maratona de Londres é uma corrida de rua disputada na distância de 42,195 km no mês de abril na capital da Inglaterra, por milhares de atletas, profissionais e amadores, desde 1981. Além de ser uma das mais importantes maratonas do mundo, integrante da World Marathon Majors e com um total de prêmios de cerca de US$1 milhão, também é uma grande celebração anual esportiva da cidade, transmitida ao vivo pela televisão para diversos países.
Organizada pela primeira vez em 1981 por Chris Brasher, jornalista e campeão olímpico dos 3000 m com barreiras em Melbourne 1956, e pelo atleta galês John Disley, tornou-se com o decorrer dos anos uma gigantesca prova disputada por mais de 35 mil atletas, com grande tradição de apoio à caridade no país, levantando cerca de 450 milhões de libras em donativos nos trinta anos de sua existência, e é citada no Guiness Book of Records como o evento anual que mais levanta fundos para caridade, com um total de 47,2 milhões de libras conseguidos apenas em 2009. Hoje é dirigida pelo filho de Chis Brasher, Hugh, como diretor de prova e Nick Bitel, como chefe-executivo, e patrocinada pelo conglomerado indiano de tecnologia de informação Tata Consultancy Services, tendo oficialmente o nome de TCS London Marathon. A BBC a transmite ao vivo para todo o mundo.
Com um dos níveis técnicos mais altos do mundo, devido à presença de grandes corredores internacionais atraídos pelos altos prêmios em dinheiro oferecidos pelos organizadores, a prova é realizada num percurso plano e rápido – responsável por alguns recordes mundiais já obtidos ali – em volta do Rio Tâmisa, passando por diversos pontos históricos da cidade como o Parlamento britânico, o Palácio de Buckingham e a Torre de Londres.
Apesar da participação dos maiores maratonistas do circuito mundial em cada edição, é a massa humana de corredores amadores que dá o ar de festa à competição. Milhares deles, de dezenas de países diferentes, caracterizados como personagens dos mais divertidos aos mais estranhos, como frutas ou com fantasias de mais de 4 m de altura, participam da corrida carregando canecas onde recolhem donativos dados pelo público mais tarde dedicados à caridade pela organização da prova e são os principais responsáveis por atraírem quase um milhão de espectadores às ruas para incentivar e torcer pelos competidores.
Como um atrativo a mais, os corredores que disputam a prova tem o privilégio de participar da única maratona do mundo disputada em dois hemisférios, ocidental e oriental, pois a cidade de Londres é cortada pelo Meridiano de Greenwich, cruzado diversas vezes durante o percurso.
História Em 1979, depois de participarem da Maratona de Nova York, Chris Brasher e John Disley resolveram criar uma competição de igual envergadura na Grã-Bretanha. Depois de voltar a Nova York no ano seguinte para observar e aprender os meandros da organização e do levantamento de suporte financeiro para tal empreitada, em 1981 ele conseguiu um patrocínio de 50 mil libras com a Gilette, estabeleceu o status de ajuda à caridade para o evento e delineou seis objetivos que a corrida devia ter, na esperança de conseguir repetir o sucesso e a participação popular que havia visto nos Estados Unidos e transformar Londres numa cidade capaz de sediar grandes eventos de rua.
A primeira maratona foi realizada em 29 de março de 1981 e contou com mais de 20 mil inscrições. 6.747 atletas foram aceitos e 6.255 conseguiram completá-la. Como toque especial de inauguração, terminou num empate, depois que o norte-americano Dick Beardsley e o norueguês Inge Simonsen cruzaram a linha de chegada de mãos dadas, após correrem juntos longa parte do percurso. A britânica Joyce Smith foi a primeira entre as mulheres. thumb|right|175px|Corredores durante a edição de 1990. Desde então, seu tamanho e popularidade só fizeram crescer e o nível técnico aumentar. Quatro recordes mundiais e dezenas de recordes nacionais já foram quebrados nela. Em 1983, a primeira categoria de atletas em cadeiras de roda foi criada e a maratona foi associada com a diminuição do estigma em torno de pessoas com deficiências físicas.London Marathon. Museum of London. Retrieved on 2009-04-29. Até 2009, 746.635 atletas já a haviam corrido. Em 2010, 36.549 corredores cruzaram a linha de chegada, o maior número em sua existência.
Por muitos anos, a Maratona de Londres e a Polytechnic Marathon, também corrida na área de Londres e existente desde 1909, competiram pela preferência popular, até que em 1996 a segunda deixou de existir, devido à popularidade da primeira. Em seus mais de trinta anos de história, ela registrou a morte de doze corredores, a mais recente delas ocorrida em 2012, quando Claire Squires, uma cabeleireira de 30 anos, teve um colapso e morreu na metade do percurso. Ela havia acabado de abrir uma página no site JustGiving, conhecido no país por fazer coleta de doações de todos os tipos para pessoas necessitadas e deficientes, em nome da instituição de caridade Samaritans. Em poucas horas depois que a notícia de sua morte começou a circular, o valor das doações na página de Claire subiu de 500 libras para 600 mil libras. Por outro lado, o boxeador Michael Watson tornou-se um herói nacional e alvo das manchetes de toda a imprensa britânica quando, em 2003, após ser diagnosticado como incapaz de voltar a andar depois de um nocaute sofrido nos ringues, disputou e completou a maratona em seis dias.
Em 2018, a rainha Elizabeth II deu início à maratona, remotamente através de um botão, desde o castelo de Windsor. Em 2020, devido à pandemia de Covid-19 ela foi realizada em outubro, ao invés do tradicional mês de abril, e disputada apenas por um pequeno grupo de atletas de elite num percurso de 19 voltas em torno do St. James Park, fechado ao público.
Na edição de 2026, ela conquistou dois feitos para o Guiness Book of Records: se tornou a maratona onde pela primeira vez um atleta quebrou oficialmente a barreira das duas horas para a distância, com a vitória do queniano Sabastian Sawe em 1:59:30 e a maior do mundo em número de participantes que completaram a prova, com 60.512 largando e 59.830 cruzando a linha de chegada.
Percurso O percurso da prova se espalha pela área plana em torno do rio Tâmisa, e é considerado um dos mais competitivos e rápidos do mundo. A corrida tem largadas em três pontos separados: a "largada vermelha", no sul de Greenwich Park, a "largada verde", em St. John's Park e a "largada azul", em Shooter's Hill Road. As três ondas de corredores convergem então para leste em Charlton e se encontram na altura do km 4,5 em Woolwich, próximo ao Quartel da Artilharia Real. thumb|right|275px|O mapa do percurso. Quando os corredores chegam aos 10 km, passam pelo Old Royal Naval College em direção ao dique seco do Cutty Sark, em Greenwich. Passando por Surrey Quays nas Docklands, cruzam a Jamaica Road até atingir a marca da meia-maratona atravessando a Tower Bridge. Indo novamente para leste pela Highway, atravessando Wapping, passam por Limehouse e Mudchute na Isle of Dogs, antes de virarem para Canary Wharf. Quando o percurso chega ao bairro residencial de Poplar, os competidores correm para o oeste descendo a Poplar High Street de volta a Limehouse e cruzando a Commercial Road. De lá, retornam à via The Highway, para as ruas do alto e baixo Tâmisa.
Chegando à parte final da prova, o percurso passa em frente à Torre de Londres. Nos últimos seis quilômetros, a London Eye (Roda do Milênio) aparece aos olhos, antes dos atletas virarem à direita na Birdcage Walk para completar os últimos 350 metros, com a visão do Big Ben e do Palácio de Buckingham à frente, terminando o percurso e cruzando a linha de chegada na larga avenida The Mall, em frente ao Palácio de St. James.
Recordes Londres faz parte da World Marathon Majors, grupo que congrega as maiores maratonas anuais do mundo, não apenas pelo seu tamanho e popularidade mas pela qualidade técnica. Cinco recordes mundiais já foram estabelecidos na prova. Os dois primeiros nos anos 1980, na maratona feminina, com as norueguesas Grete Waitz (1983 – 2:25:29) e Ingrid Kristiansen (1985 – 2:21:06), este último levando treze anos para ser superado. Em 2002, o marroquino Khalid Khannouchi, então naturalizado norte-americano, abaixou a própria marca anterior, conquistada em Chicago em 1999, para 2:05:38. No ano seguinte, um novo recorde feminino foi estabelecido pela britânica Paula Radcliffe (2003 – 2:15:25), marca tão expressiva entre as mulheres que se manteve imbatível por dezesseis anos – e continua sendo o recorde de Londres – quando foi quebrado pela queniana Brigid Kosgei, bicampeã das edições de 2019 e 2020, na Maratona de Chicago. Em 2026, o queniano Sabastian Sawe estabeleceu mais uma vez o recorde mundial, quebrando a barreira histórica de 2 horas para os homens, vencendo em 1:59:30. Na mesma edição, a etíope Tigst Assefa marcou novo recorde mundial feminino em maratonas exclusivamente para mulheres, com o tempo de 2:15:41.
O maior vencedor da prova é o bicampeão olímpico queniano Eliud Kipchoge (2015-16-18-19). Entre as mulheres, a maior vencedora é a norueguesa Ingrid Kristiansen, também quatro vezes campeã (1984-85-87-88).
Vencedores Nota: recorde da prova M e F recordes mundiais anteriores 20px|borda|Recorde mundial = recorde mundial em vigor Masculino AnoAtletaPaísTempo2026Sabastian Sawe 1:59:30 20px|borda|Recorde mundial2025Sabastian Sawe 2:02:272024Alexander Munyao 2:04:012023Kelvin Kiptum 2:01:252022Amos Kipruto 2:04:392021Sisay Lemma 2:04:012020Shura Kitata 2:05:412019Eliud Kipchoge 2:02:372018Eliud Kipchoge 2:04:172017Daniel Wanjiru 2:05:482016Eliud Kipchoge 2:03:052015Eliud Kipchoge 2:04:422014Wilson Kipsang 2:04:292013Tsegay Kebede 2:06:042012Wilson Kipsang 2:04:442011Emmanuel Mutai 2:04:402010Tsegay Kebede 2:05:182009Samuel Wanjiru 2:05:102008Martin Lel 2:05:152007Martin Lel 2:07:412006Felix Limo 2:06:39 2005Martin Lel 2:07:352004Evans Rutto 2:06:18 2003Gezahegne Abera 2:07:562002Khalid Khannouchi 2:05:38 2001Abdelkader El Mouaziz 2:07:09 2000António Pinto 2:06:36 1999Abdelkader El Mouaziz 2:07:571998Abel Antón 2:07:57 1997António Pinto 2:07:55 1996Dionicio Cerón 2:10:00 1995Dionicio Cerón 2:08:30 1994Dionicio Cerón 2:08:53 1993Eamonn Martin 2:10:50 1992António Pinto 2:10:02 1991Yakov Tolstikov 2:09:17 1990Allister Hutton2:10:10 1989Douglas Wakiihuri 2:09:03 1988Henrik Jørgensen 2:10:20 1987Hiromi Taniguchi 2:09:50 1986Toshihiko Seko 2:10:02 1985Steve Jones 2:08:16 1984Charles Spedding 2:09:571983Mike Gratton 2:09:43 1982Hugh Jones 2:09:241981Inge Simonsen Dick Beardsley 2:11:48 Feminino AnoAtletaPaísTempo2026Tigst Assefa 2:15:412025Tigst Assefa 2:15:502024 Peres Jepchirchir 2:16:162023Sifan Hassan 2:18:332022Yalemzerf Yehualaw 2:17:262021Joyciline Jepkosgei 2:17:432020Brigid Kosgei 2:18:582019Brigid Kosgei 2:18:202018Vivian Cheruiyot 2:18:312017Mary Keitany 2:17:01 2016Jemima Sumgong 2:22:58 2015Tigist Tufa 2:23:222014Edna Kiplagat 2:20:212013Priscah Jeptoo 2:20:152012Mary Keitany 2:18:372011Mary Keitany 2:19:192010 (1) Aselefech Mergia 2:22:382009Irina Mikitenko 2:22:122008Irina Mikitenko 2:24:142007Zhou Chunxiu 2:20:382006Deena Kastor 2:19:35 2005Paula Radcliffe 2:17:422004Margaret Okayo 2:22:35 2003 (2) Paula Radcliffe2:15:252002Paula Radcliffe 2:18:56 2001Derartu Tulu 2:23:57 2000Tegla Loroupe 2:24:33 1999Joyce Chepchumba 2:23:221998Catherina McKiernan 2:26:26 1997Joyce Chepchumba 2:26:51 1996Liz McColgan 2:27:54 1995Małgorzata Sobańska 2:27:43 1994Katrin Dörre 2:32:34 1993Katrin Dörre 2:27:09 1992Katrin Dörre 2:29:39 1991Rosa Mota 2:26:14 1990Wanda Panfil2:26:31 1989Véronique Marot 2:25:56 1988Ingrid Kristiansen 2:25:41 1987Ingrid Kristiansen 2:22:48 1986Grete Waitz 2:24:54 1985Ingrid Kristiansen 2:21:06 1984Ingrid Kristiansen 2:24:261983Grete Waitz 2:25:29 1982Joyce Smith 2:29:431981Joyce Smith 2:29:57
(1) : a vitória de russa Liliya Shobukhova em 2010 foi anulada por doping.