A relação entre o aborto induzido e a saúde mental é um tópico de controvérsia política. Embora em algumas mulheres o aborto esteja associado a sentimentos negativos e perturbações clinicamente significativas, problemas semelhantes a estes também estão associados a situações em que se leva uma gravidez indesejada a termo. Dadas estas duas alternativas, as melhores evidências científicas sugerem que um único aborto induzido durante o primeiro trimestre em mulheres adultas não apresenta maiores riscos de saúde mental do que levar uma gravidez indesejada a termo. As evidências são menos claras em situações de abortos sucessivos e interrupções tardias da gravidez após a 20ª semana devido a anormalias do feto.
A American Psychological Association's Task Force on Mental Health and Abortion norte-americana concluiu que os problemas de saúde mental após o aborto estão muito provavelmente associados a fatores de risco preexistentes. Entre estes fatores de risco estão terminar uma gravidez que é desejada, a pressão de terceiros para terminar a gravidez, a oposição ao aborto dos parceiros, família ou amigos, a falta de apoio de outros e vários traços de personalidade (como falta de autoestima e pessimismo) e antecedentes de problemas de saúde mental anteriores à gravidez. Uma vez que estes fatores de risco também predispõem algumas mulheres a reações negativas após o parto, a Task Force concluiu que a maior prevalência de perturbações mentais entre mulheres com antecedentes de aborto é muito provavelmente causada por estes outros fatores, e não pelo aborto em si. O melhor indicador de problemas de saúde mental na sequência de um aborto são antecedentes de problemas de saúde mental anteriores à gravidez.
O National Collaborating Centre for Mental Health britânico concluiu igualmente que um único aborto durante o primeiro trimestre não aumenta o risco de problemas de saúde mental, quando comparado com os riscos associados a levar uma gravidez a termo. Uma revisão sistemática da literatura de 2008 sobre o aborto e saúde mental concluiu que os estudos de maior qualidade demonstravam consistentemente que existiam poucas ou nenhumas consequências negativas do aborto, enquanto os estudos de pouca qualidade eram mais suscetíveis a relatar consequências negativas.
Apesar do consenso médico de que um único aborto durante o primeiro trimestre não aumenta o risco de problemas de saúde mental, alguns grupos antiaborto têm continuado a alegar a existência de uma associação entre o aborto e problemas de saúde mental. Alguns destes grupos usam o termo "síndrome pós-abrto" para se referir aos efeitos psicológicos negativos que associam ao aborto. No entanto, este "síndrome pós-aborto" não é reconhecido como síndrome pela comunidade médica. Os médicos e os grupos pró-escolha têm alegado que o esforço por popularizar a noção de um "síndrome pós-aborto" é uma tática usada pelos grupos autointitulados "pró-vida" com objetivos políticos. "Currently, there are active attempts to convince the public and women considering abortion that abortion frequently has negative psychiatric consequences. This assertion is not borne out by the literature: the vast majority of women tolerate abortion without psychiatric sequelae." Alguns estados dos Estados Unidos têm obrigado a que os pacientes sejam informados de que o aborto aumenta o risco de depressão e suicídio, apesar das evidências científicas que contrariam estas alegações.
Ver também Depressão pós-parto
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