O Forte de São Joaquim da Jequitaia localizava-se na praia da Jequitaia, perto de Monte Serrat, limite norte da primitiva cidade de Salvador, no litoral do estado brasileiro da Bahia.
História Trata-se do último forte erguido para a defesa de Salvador, embora em data que não foi possível apurar. Foi visitado em 1859 pelo Imperador D. Pedro II (1840-1889), que registrou em seu diário de viagem:
"28 de Outubro - (...) Antes de voltar para casa visitei os fortes de Jequitaia e de Lagartixa. No primeiro estão os artifícies e no segundo o laboratório pirotécnico. Os artífices [sob o comando do Capitão Albino Adolfo Barbosa de Almeida] estão mal alojados, porque a abóbada deixa passar àgua por causa do terraço asfaltado que tem por cima, e nas grandes marés e ressaca, a água invade o dormitório que lhes serve para tudo, sendo as camas como as da cavalaria. Os gêneros vêm do Corpo Fixo de 15 em 15 dias; mas o açúcar e o arroz não me parecem bons, como os achei no Corpo Fixo. O armamento e correame, com exceção das armas arrecadadas, estão limpos, mas são já bastante antigos. Há a mesma queixa a respeito dos sapatos, e os capotes azuis são ralos. O xadrez é mau, principalmente o de cima, abobadado, onde estão os soldados de correção, por acanhado demais e falto de ar. Os artífices dão guarda para o forte e para o arsenal onde trabalham, vencendo gratificação além do soldo. Há por tudo 84 praças militares no forte." (PEDRO II, 2003:163)
No contexto da Questão Christie (1862-1865), o "Relatório do Estado das Fortalezas da Bahia" ao Presidente da Província, datado de 3 de agosto de 1863, dá-o como reparado, citando:
"(...) É um quadrilátero com o desenvolvimento próximo de 78 braças, das quais formam o plano de fogo 327 palmos, montando 11 peças, sete de calibre 24 e quatro de 18.
Suas construções estão reparadas e bem conservadas; mas cumpre observar que o plano, todo lajeado e bem construído, em que se movem os reparos, além da sua escassa largura (26 1/2 palmos) é superior ao nível de terrapleno, formando um degrau de dois palmos de altura, e não tem a declividade própria; donde resulta que o serviço da colocação das peças em bateria deverá ser penoso e difícil no caso em que os reparos saltem fora da plataforma com a impulsão do recúo, o que aliás a pouca largura desta permite prever.
Conviria pois fazer-lhe as reparações que a devem corrigir.
Além disso convém cimentar o terraço para consolidá-lo, ladrilhar o chão das casas e pintá-las.
Finalmente resta-me observar que transformação da atual prisão do Forte em depósito de pólvora parece de utilidade; e que é bem sensível a falta d'água no recinto do Forte, necessidade que pode ser sanada ou com a colocação de uma pena d'água derivada do encanamento da cidade (o que é melhor), ou com a abertura de uma cisterna que receba as águas dos telhados convenientemente encanadas." (ROHAN, 1896:51, 60)
SOUZA (1885), denomina-o Forte de Jequitaia ou Forte do Noviciado. Observa que, tendo estado artilhado com seis peças, era incapaz de resistência pela sua insuficiente elevação, que o deixava vulnerável a um bombardeio (op. cit., p. 94). Em 1896 encontrava-se completamente desarmado (RIGHB, Vol. 3, nr. 7, mar/1896. nota à p. 60). Esteve ocupado pela Societé Construction du Port de Bahia, que ergueu os seus escritórios sobre o seu terrapleno, desfigurando-o por completo (CAMPOS, 1940. apud: PEDRO II, 2003:163, nota 296).
GARRIDO (1940) complementa que formava um quadrilátero com as edificações do antigo Arsenal de Guerra e da Estação Central dos Caminhos de Ferro (op. cit., p. 93).
BARRETTO (1958) denomina-o também como Forte de São Joaquim, e acrescenta que, à sua época (1958), estava ocupado pelo CPOR - Curso de Preparação de Oficiais da Reserva (op. cit., p. 187). Absorvido pela antiga sede da PETROBRAS, atualmente é difícil de ser visto (PEDRO II, 2003:163, nota 296).
Bibliografia BARRETO, Aníbal (Cel.). Fortificações no Brasil (Resumo Histórico). Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1958. 368p. GARRIDO, Carlos Miguez. Fortificações do Brasil. Separata do Vol. III dos Subsídios para a História Marítima do Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Naval, 1940. PEDRO II, Imperador do Brasil. Viagens pelo Brasil: Bahia, Sergipe, Alagoas, 1859-1860 (2ª ed.). Rio de Janeiro: Bom Texto; Letras e Expressões, 2003. 340 p. il. ROHAN, Henrique de Beaurepaire. Relatorio do Estado das Fortalezas da Bahia, pelo Coronel de Engenheiros Henrique de Beaurepaire Rohan, ao Presidente da Província da Bahia, Cons. Antonio Coelho de Sá e Albuquerque, em 3 ago. 1863. RIGHB. Bahia: Vol. III, nr. 7, mar/1896. p. 51-63. SOUSA, Augusto Fausto de. Fortificações no Brazil. RIHGB. Rio de Janeiro: Tomo XLVIII, Parte II, 1885. p. 5-140.
Ver também Lista de fortificações da Bahia
Ligações externas
Sao Joaquim Jequitaia Categoria:Fundações no Brasil do século XIX