Braço do Norte é um município brasileiro, localizado no sul do estado de Santa Catarina, a 75 m de altitude. Pertencente à mesorregião do Sul Catarinense e microrregião de Tubarão, localiza-se ao sul de Florianópolis, capital estadual, distando desta cerca de 173 km. Ocupa uma área de 212,045 km², tendo uma população de habitantes, segundo estimativa 2021 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, sendo então o 42º mais populoso de Santa Catarina e o quarto de sua microrregião. A cidade é banhada pelo rio Braço do Norte.

Os primeiros moradores a fixarem-se na região, ao longo do rio Braço do Norte, entre a Barra do Norte e o atual centro de Braço do Norte, estabeleceram-se oficialmente em 1873, guiados pelo padre Guilherme Roer. Fundaram a Colônia Espontânea do Braço do Norte.

Braço do Norte foi desmembrado de Tubarão em 1955. De Braço do Norte foram desmembrados: Rio Fortuna, em Santa Rosa de Lima, em São Ludgero, em

O centro de Braço do Norte localiza-se principalmente entre e no entorno das praças Padre Roer e Coronel Collaço.

Toponímia 300px|miniatura|esquerda|Placa comemorativa, Praça Coronel Collaço. A data correta é 1862, não 1826! A origem do topônimo Braço do Norte provém da época da conquista de terras a montante do rio Tubarão após a ocupação do atual centro da cidade de Tubarão, quando os desbravadores encontraram a foz do atual rio Braço do Norte no rio Tubarão, braço fluindo do norte geográfico, no atual distrito de Barra do Norte pertencente ao município de São Ludgero. A partir do início do século XIX, com a subsequente abertura de caminhos para Lages por tropeiros serranos, quando Lages foi integrada à Capitania de Santa Catarina em 1820, um desses caminhos foi a estrada da Serra do Imaruí, partindo do rio Tubarão em sentido norte e margeando o rio Braço do Norte passando em Braço do Norte no atual bairro Lado da União, onde Guerrilha instalou uma pousada destinada aos tropeiros.

O atual município de Braço do Norte, a primeira colonização alemã no litoral sul de Santa Catarina, teve diferentes denominações, oficiais ou não: Guerrilha, devido ao posseiro José Mariano Guerrilha (1839); Quadro do Norte, devido ao formato de suas quadras, projeto do agrimensor Carlos Othon Schlappal, que projetou as largas ruas do centro, quando somente cargueiros (animais de carga, cavalos e muares) conseguiam transitar até o porto de Gravatal (1879). Os colonos estabelecidos em Braço do Norte, acompanhados pelo padre Guilherme Roer, estabeleceram-se onde está situado atualmente o centro de São Ludgero; Collaçópolis, devido ao Coronel Collaço, de acordo com lei do ano 1926; Braço do Norte, denominação definitiva fixada por lei do ano 1928.

GuerrilhaQuadro do NorteCollaçópolisBraço do Norte

Primitivos habitantes: os bugres Os índios das matas do vale do Braço do Norte não eram carijós. Entre o litoral e a serra viviam os bugres, xoklengs, botocudos e aweikomas, os últimos senhores primitivos das terras do vale.Dall'Alba, João Leonir: O Vale do Braço do Norte. Orleans: Edição do autor, 1973, página 17. No vale do Braço do Norte jamais foi feita qualquer tentativa séria de pacificação.Dall'Alba, João Leonir: O Vale do Braço do Norte. Orleans: Edição do autor, 1973, página 18.

Ocupação inicial do Vale do Braço do Norte A ocupação do vale do Braço do Norte iniciou com a abertura de um caminho dos tropeiros do Planalto Serrano até o Porto de Laguna em 1773, passando então pelas margens do rio Tubarão onde aflui o rio Braço do Norte, localidade conhecida como Barra do Norte. A evolução de sua ocupação foi mapeada pelo trabalho investigativo do padre João Leonir Dall'Alba.

Caminho dos Tropeiros - Serra do Imaruí Na grafia antiga, Imaruí era grafado como Imaruhy e Maroim.Arary Cardozo Bittencourt. O menino de Oficinas. Volume I: Recontando o sul catarinense e em especial Tubarão. Tubarão: Copiart, 2008, página 63.

Por alvará de 9 de setembro de 1820, Lages, então pertencente à capitania de São Paulo, teve seu território transferido para a capitania de Santa Catarina. Fato este que ativou o tráfego de mercadorias entre o planalto e o litoral catarinense, transportadas sobre o lombo de animais de montaria. Sobre a ligação entre o planalto serrano catarinense (Lages) e seu litoral sul (Laguna), passando pelo vale do Braço do Norte, estabelecem dois registros do historiador João Leonir Dall'Alba:

Talvez ainda na primeira metade do século XIX abriu-se nova serra e nova estrada, esta pela Serra do Imaruí, nome que lhe foi atribuído quase na certeza por tratar-se de estrada de tropas que contornava a lagoa de Imaruí e passava em Imaruí.João Leonir Dall'Alba: Colonos e Mineiros no Grande Orleans, 1986, página 300

Via de ligação entre o planalto serrano catarinense e o litoral, o caminho das tropas, aberto mais a casco que a picareta, conduz até o Porto de Gravatal ou diretamente à Lagoa de Imaruí. No caminho um único morador, no atual Lado da União, o famigerado ex-revolucionário Guerrilha. Isto por volta de 1840.João Leonir Dall'Alba: Colonos e Mineiros no Grande Orleans, 1986, página 392

Era a estrada dos serranos, ou estrada do Imaruí. Partindo da localidade que lhe deu o nome, passava nas proximidades do atual Braço do Norte e, alcançando e margeando o rio Laranjeiras, escalava os contrafortes da Serra Geral, pelas fraldas do Morro da Igreja. Estrada de tropas, mas de Gravatal a Braço do Norte prestava-se a carro de boi. O Gravatal, aliás, era um centro de irradiação de estradas: Para a serra, para Imaruí, para Teresópolis, para a vila de Tubarão. Sem contar sua via principal, o rio Capivari, que conduzia a maioria dos produtos coloniais para Laguna. A canoa era o meio de condução mais rápido e cômodo, largamente utilizada por todos. Canoas escavadas em grandes troncos, guarnecidas de tábuas na parte superior. Impulsionadas a remo, puxadas da praia ou, nos campos de Piratuba e da Laguna, tocadas a vela.Dall'Alba, João Leonir: O Vale do Braço do Norte. Orleans: Edição do autor, 1973, página 56.

Guerrilha José Mariano Guerrilha, proveniente de Lages, fugindo com os rebeldes farroupilhas após a entrada das forças legalistas em 1838, estabelece-se com venda e pousada de tropas na margem direita do rio Braço do Norte, no caminho da Serra do Imaruí, no atual bairro Lado da União, ocupando terras como posseiro.

Sesmarias de Rabello e dos Mirandas 800px|miniatura|centro|Mapa original das sesmarias Rabello e Miranda, com data de 4 de novembro de 1884, acervo do Arquivo Público e Histórico Amadio Vettoretti, Tubarão, Santa Catarina

Os atuais distritos de Barra do Norte (São Ludgero) e Ilhota (Orleans) foram as primeiras terras efetivamente ocupadas no vale do Braço do Norte, por duas famílias que obtiveram grandes extensões de terra, em 1839: as sesmarias de Rabello e dos Mirandas. No Arquivo Nacional, documento 54 da caixa 1148, lavra de João Leonir Dall'Alba,Dall'Alba, João Leonir: Colonos e Mineiros no Grande Orleans, 1986, página 287 consta: "Terra do Rabello". A primitiva concessão, na foz do rio Braço do Norte com o Tubarão, limitava-se com estes rios. Subia o Tubarão, até alcançar a linha Miranda, e o Braço do Norte, até o rio Mar Grosso. Em 1860 já fora subdividida entre herdeiros: na Barra do Norte, Francisco Rabello Vieira. Seguia-se-lhe, Tubarão acima, José Antônio Amorim, Manuel Pereira Gomes, Ana Carolina de Figueiredo, Ana Garcia e Manuel Domingos de Oliveira. Em frente, na outra margem, morava Marcos Fernandes.

Antes porém, em 1807, uma sesmaria tinha sido concedida a José de Souza Pacheco, na margem direita do rio Tubarão, na região do atual Pindotiba.

Gravatal No curso da penetração conquistadora da região, em 1842 instala-se em Gravatal João Martins de Souza. Mais tarde, usando canoas para fazer o transporte de mercadorias pelo rio Capivari, foi o fundador do Porto de Gravatal, transportando os colonizadores das terras do Braço do Norte e da Colônia Grão Pará, e depois levando por via fluvial seus produtos para comercialização no Porto de Laguna.

Registro de Robert Christian Avé-Lallemant O médico e viajante alemão Robert Christian Avé-Lallemant esteve de 5 a 7 de junho de 1858 em Tubarão, onde foi hóspede do Coronel Collaço, que na época era capitão da Guarda Nacional. Partiu em 7 de junho de 1858 para Lages, passando por Pindotiba, na época denominada Raposa, e seguindo o Rio Tubarão até suas nascentes na Serra Geral. Sobre o início de sua viagem ao longo do rio Tubarão descreve: "... O braço principal do rio já está cultivado até Raposa; mas, a partir dali, tudo está no mato e no silêncio da natureza, embora aquelas brenhas ocultem maravilhosos pedaços de terra, capazes de melhor cultura. Há um braço setentrional do rio, com a sua zona florestal, inteiramente inaproveitado.Refere-se aqui à desembocadura do rio Braço do Norte no rio Tubarão. Dali parte uma via fluvial para o pequeníssimo tráfego do planalto. O Braço do Norte reúne as mais belas terras de pastagem à planície do Capivari; ali está escondido o germe de uma colônia alemã, na qual fique em equilíbrio a lavoura e a criação de gado."Viagens pelas Províncias de Santa Catarina, Paraná e São Paulo (1858). Editora Itatiaia, 1980, página 210

Distrito de Rio Bonito Em 1860 instalam-se no atual distrito de Rio Bonito, vindo por Gravatal, Manoel Augusto, Francisco Sombrio, Jerônimo André, o velho Sabino, João Costa, Manoel Ferreira e Antônio Geremias. Nesta época foi aberta uma estrada para tropas e carro de boi.Dall'Alba, João Leonir: O Vale do Braço do Norte. Orleans: Edição do autor, 1973, página 248. Trata-se aqui da estrada ligando o Porto de Gravatal com o caminho dos tropeiro da Serra do Imaruí.

Pioneiros do Quadro do Norte Em 1862 Tomás Pinto interna-se nas matas do Vale do Braço do Norte, fugindo da justiça, após cometer um crime de morte em Desterro. Acompanham-no José Marcolino da Rosa, Leandro Demétrio e Manuel Nazário Correia, com as respectivas famílias.

Barra do Norte 400px|miniatura|direita|Antiga estação Braço do Norte da Estrada de Ferro Donna Thereza Christina (EFDTC) em Barra do Norte, destruída na enchente de 1974 Os Rabello e Miranda foram os primeiros a obter terras na região, em 1839.Dall'Alba, João Leonir: O Vale do Braço do Norte. Orleans: Edição do autor, 1973, página 160 Em 1865, provindos de Tubarão, estabeleceram-se na Barra do Norte Pedro Zeferino, Tomás da Silva, Marcos Fernandes de Lima e Pedro Martins de Sousa.Dall'Alba, João Leonir: O Vale do Braço do Norte. Orleans: Edição do autor, 1973, página 22. Isto segundo a tradição, pois não foram encontradas fontes escritas destes dados.Walter Zumblick: Este meu Tubarão ...! 2º Volume. Tubarão: Edição do autor. Março de 1976, página 299. Em 1908 foi feita uma balsa, em frente a Pedrinhas. Foi depois aberta a estação Braço do Norte da Estrada de Ferro Donna Thereza Christina.

Sesmaria Gaspar Xavier Neves Na confluência do rio Bonito com o rio Braço do Norte havia uma sesmaria do coronel Gaspar Xavier Neves, desde o rio Capivari (em Gravatal).Dall'Alba, João Leonir. O Vale do Braço do Norte, p. 19 Gaspar Xavier Neves foi um sesmeiro que não se instalou nestas suas terras e nem seus descendentes lá estiveram. O agrimensor Carlos Othon Schlappal relata que "estas terras foram deixadas em mata, também pelos herdeiros". A rodovia SC-438, do bairro Trevo de Braço do Norte seguindo para Gravatal percorre suas antigas terras, sobre o caminho aberto pelos tropeiros da Serra do Imaruí, ligando Braço do Norte ao Porto de Gravatal.

Travessão No atual bairro Travessão (sua denominação provém da faixa de terras conhecida como Travessão dos Neves, relativo à família de Gaspar Xavier Neves, faixa esta que se estendia desde Braço do Norte até Gravatal), atual distrito de Braço do Norte, residia na época da instalação das 52 famílias de colonos alemãs o capitão Vasco Fernandes de Oliveira.Dall'Alba, João Leonir. O Vale do Braço do Norte, pags. 56 e 133

Estrada de Ferro Donna Thereza Christina