A Ermida de Nossa Senhora das Mercês é uma ermida católica, dedicada a Nossa Senhora das Mercês, localizada no Caminho das Vinhas, freguesia de Feteira, concelho de Angra do Heroísmo. O edifício original foi construído por volta de 1590, mantendo ainda muitos dos seus traços originais. Historial Por volta de 1590 o padre Manuel Martins Coelho Baião, ao tempo vigário da freguesia da Ribeirinha, a cujo território o lugar então pertencia, edificou a expensas suas uma ermida no lugar da Canada das Vinhas, então desprovido de habitação permanente, destinado a celebrar missa durante o período das vindimas, quando os proprietários dos vinhedos ali existentes ali se fixavam durante algumas semanas em abrigos improvisados.Pedro de Merelim, As 18 Paróquias de Angra : Sumário Histórico. Angra do Heroísmo, 1974, pp. 73-75.
O lugar manteve-se despovoado até ao início do século XVIII e, quando ali já residiam 6 famílias, foi ganhando progressivamente vida própria. Nesse período, a ermida, que entretanto tinha passado à posse da família Toste Parreira, constituiu-se como o centro da vida comunitária, embrião da atual freguesia da Feteira.
Em 10 de setembro de 1863 o lugar da Feteira foi elevado a curato sufragâneo da paroquial de São Pedro da Ribeirinha, tendo a Ermida de Nossa Senhora das Mercês como local de culto. Ao tempo o local teria cerca de 300 habitantes permanentes. Foi primeiro cura o padre Domingos Correia de Ávila.
A ermida, que ao tempo era propriedade de Inácio Toste Parreira, era demasiado pequena para nela se instalar o Santíssimo Sacramento em sacrário permanente, o que obrigava a recorrer à paroquial da Ribeirinha sempre que algum enfermo necessitasse de comungar. Em consequência, logo após a elevação a curato surgiu a iniciativa de construir uma igreja com dimensões adequadas, sendo intenção ampliar a ermida. Contudo, o proprietário opôs-se à ideia e não cedeu o terreno para a construção. Perante a recusa, e porque tinha acabado de ser construída a nova estrada real ligando Angra a São Sebastião sem recurso à antiga estrada litoral, foi resolvido construir a nova igreja junto àquela estrada, no local onde o Caminho das Vinhas (hoje das Mercês) nela desembocava.
Em consequência dessa opção, após a construção da nova igreja, hoje a Igreja de Nossa Senhora da Consolação, inaugurada em 1868, a ermida deixou de ter funções públicas, ficando a cargo dos seus proprietários. A mudança de orago da igreja paroquial resultou de Inácio Toste Parreira não ter autorizado a transferência da imagem de Nossa Senhora das Mercês, que o povo almejava para padroeira. A solução foi aceitar, aquando da inauguração da igreja paroquial, a oferta de uma imagem de Nossa Senhora da Consolação, oferecida por Maria Luísa Guedes Sampaio, ao tempo viúva de Diogo Labatt. Contudo, a benfeitora impôs como condição que a imagem mantivesse a invocação, o que obrigou a mudar a invocação da igreja. Contudo, o orago do curato, hoje freguesia, manteve-se como Nossa Senhora das Mercês, pois a Santa Sé não autorizou a mudança.
A ermida mantém uma festividade anual, reminiscência da antiga festa que se fazia aquando das vindimas.
Ver também Lista de edificações de carácter religioso dos Açores Império do Espírito Santo das Mercês Feteira
Ligações externas
Nossa Senhora Merces Feteira Igreja Nossa Senhora Merces Feteira Categoria:Ermidas da Região Autónoma dos Açores