Chapecó é um município brasileiro localizado no Oeste do estado de Santa Catarina, na região Sul do Brasil, distando aproximadamente 553 km da capital estadual, Florianópolis. Sua população total em 2026, conforme estimativa do IBGE, era de habitantes, sendo o sexto município mais populoso de Santa Catarina.“Estimativas da população residente nos municípios brasileiros com data de referência em 1.º de julho de 2026”. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2026. Consultado em 2 de setembro de 2026. Em vias de se tornar uma cidade média-grande, Chapecó é a maior cidade do Oeste Catarinense e possui o quinto maior PIB municipal do estado, com R$ 17,6 bilhões em 2023. Sedia a Região Geográfica Intermediária de Chapecó e a Região Geográfica Imediata de Chapecó.“Divisão Regional do Brasil em Regiões Geográficas Imediatas e Regiões Geográficas Intermediárias 2017”. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2017. Consultado em 2 de setembro de 2026.

Importante centro industrial, financeiro e educacional, Chapecó destaca-se pela produção e exportação de alimentos industrializados e pela cadeia produtiva de suínos.“CAIXA financia R$ 180 milhões para investimentos em infraestrutura urbana em Chapecó (SC)”. Caixa Econômica Federal. 5 de junho de 2024. Consultado em 2 de setembro de 2026.Hentz, Carla; Hespanhol, Rosangela Aparecida de Medeiros. “A agroindústria de carnes de aves e suínos e a dinâmica do consumo produtivo em Chapecó/SC”. Caminhos de Geografia. v. 24. n. 92. p. 403–423. 4 de abril de 2023. doi:10.14393/RCG249263668. Consultado em 2 de setembro de 2026. Possui a segunda maior rede de influência entre os municípios catarinenses, atrás apenas da capital Florianópolis, polarizando 142 centros urbanos que reuniam habitantes em 2018.“Mapa 46 — Arranjo Populacional de Chapecó/SC — Capital Regional B (2B)”. Regiões de Influência das Cidades 2018. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2020. Consultado em 2 de setembro de 2026.Farias, Wellinton Azzolini. A produção do espaço periurbano: um estudo sobre Chapecó (SC). Dissertação de mestrado. Universidade Federal da Fronteira Sul, Chapecó. 2024. Consultado em 2 de setembro de 2026. É sede da Região Metropolitana de Chapecó e exerce significativa influência não só no Oeste Catarinense, mas também no noroeste do Rio Grande do Sul e no sudoeste do Paraná, sobretudo do ponto de vista econômico e da oferta de serviços.

Chapecó ganhou projeção internacional após o acidente do Voo LaMia 2933 em 2016, envolvendo a Associação Chapecoense de Futebol, clube local, que matou 71 pessoas incluindo a maioria dos jogadores e dirigentes do time principal da Chapecoense.Phillips, Tom. “Chapecoense plane crash: victims to be honoured with mass wake at stadium”. The Guardian. 30 de novembro de 2016. (em inglês). Consultado em 2 de setembro de 2026.Marcos, Ana; Lafuente, Javier. “El accidente de avión del Chapecoense deja al menos 71 muertos en Colombia”. El País. 30 de novembro de 2016. (em espanhol). Consultado em 2 de setembro de 2026. É conhecida como "Capital da Agroindústria" e "Capital do Oeste",“Chapecó 102 — Calendário de Eventos”. Prefeitura de Chapecó. 21 de agosto de 2019. Consultado em 2 de setembro de 2026.“Vem aí o Feirão Empreende e Emprega Chapecó”. Prefeitura de Chapecó. 20 de outubro de 2022. Consultado em 2 de setembro de 2026. além de possuir oficialmente o título de "Capital Catarinense dos Eventos de Negócios".“Lei nº 16.722, de 8 de outubro de 2015”. Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina. Consultado em 2 de setembro de 2026.

Também é um polo universitário, sediando a Reitoria e um dos seis campi da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS).“Campus Chapecó”. Universidade Federal da Fronteira Sul. Consultado em 2 de setembro de 2026.“Gabinete do Reitor”. Universidade Federal da Fronteira Sul. Consultado em 2 de setembro de 2026. Na cidade também estão instalados o Centro de Educação Superior do Oeste da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc),“Centro de Educação Superior do Oeste”. Universidade do Estado de Santa Catarina. Consultado em 2 de setembro de 2026. a Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó)“Unochapecó”. Universidade Comunitária da Região de Chapecó. Consultado em 2 de setembro de 2026. e o campus Chapecó da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc).“Campus Chapecó”. Universidade do Oeste de Santa Catarina. Consultado em 2 de setembro de 2026. Chapecó também exerce papel de referência regional na área da saúde. O Hospital Regional do Oeste (HRO), localizado no município, presta atendimento de média e alta complexidade e é referência para mais de 130 municípios, abrangendo uma população de aproximadamente 1,5 milhão de pessoas.“Nova UTI adulto do Hospital Regional do Oeste entra na fase final”. Associação Hospitalar Lenoir Vargas Ferreira. 16 de junho de 2026. Consultado em 2 de setembro de 2026.

centro|miniaturadaimagem|800px|Vista panorâmica do centro de Chapecó.

Etimologia

O topônimo Chapecó é de origem kaingang, embora não exista consenso quanto ao seu significado original. A bibliografia especializada registra diferentes interpretações para a palavra, que já era utilizada pelos Kaingang para denominar elementos da paisagem regional antes da consolidação do atual município.D'Angelis, Wilmar da Rocha. “Para uma história dos índios do oeste catarinense”. Revista Cadernos do CEOM. v. 19. n. 23. p. 265–343. Consultado em 2 de setembro de 2026.Manfroi, Ninarosa Mozzato da Silva. A história dos Kaingáng da Terra Indígena Xapecó (SC) nos artigos de Antonio Selistre de Campos: Jornal A Voz de Chapecó 1939/1952. Dissertação de mestrado. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. 2008. Consultado em 2 de setembro de 2026.

Uma das interpretações registradas relaciona a forma indígena Xaembetkó aos termos xá, associado a cachoeira, e embetkó, referente a uma modalidade de caça noturna, denominação que teria sido aplicada por analogia às pescarias realizadas no rio Chapecó. Outra interpretação, difundida na historiografia regional, associa o nome à ideia de "caminho" ou "passagem". Também se tornou conhecida a interpretação segundo a qual o topônimo derivaria dos elementos echa, apê e gô, traduzidos como "donde se avista o caminho da roça".Venson, Letícia Maria. "Donde se avista o caminho da roça": José Bernardino Bormann e a colônia militar do Xapecó. Dissertação de mestrado. Universidade Federal da Fronteira Sul, Chapecó. 2020. Consultado em 2 de setembro de 2026. Em razão dessas diferentes interpretações e das alterações sofridas pelo topônimo ao longo do tempo, não há uma tradução única considerada conclusiva pela bibliografia.

As grafias Chapecó e Xapecó foram utilizadas em diferentes momentos. Estudos baseados na documentação histórica regional indicam que a forma com Ch predominava até meados da década de 1930, quando documentos oficiais passaram a empregar com maior frequência a grafia Xapecó. O uso oficial de Xapecó está claramente documentado na década de 1940. O Decreto-Lei federal nº 6.550, de 31 de maio de 1944, que estabeleceu a divisão administrativa do Território Federal do Iguaçu, denominava oficialmente de Xapecó o município então integrante daquele território.“Decreto-Lei nº 6.550, de 31 de maio de 1944”. Câmara dos Deputados. 31 de maio de 1944. Consultado em 2 de setembro de 2026.

A grafia oficial foi restabelecida como Chapecó pela Lei estadual nº 247, de 30 de dezembro de 1948, que fixou a divisão administrativa e judiciária de Santa Catarina para o período de 1949 a 1953 e entrou em vigor em 1.º de janeiro de 1949.“Lei nº 247, de 30 de dezembro de 1948”. Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina. 30 de dezembro de 1948. Consultado em 2 de setembro de 2026. A documentação histórica do Arquivo Público do Estado de Santa Catarina registra expressamente o ato como a mudança de Xapecó para Chapecó.“Relação dos municípios e distritos catarinenses, sua lei de criação de distrito e de município, com a data e sua instalação”. Arquivo Público do Estado de Santa Catarina. Consultado em 2 de setembro de 2026. Apesar da alteração legal, a discussão sobre o emprego de X ou Ch ainda apareceu na imprensa local durante os primeiros meses de 1949.

A forma Xapecó permaneceu na toponímia regional, sobretudo na denominação da Terra Indígena Xapecó, localizada no oeste de Santa Catarina.

História

Ocupação pré-colonial e povoamento regional esquerda|miniaturadaimagem|Caverna no distrito de Figueira. O território do atual município apresenta evidências de ocupação humana anteriores à colonização europeia. Pesquisas arqueológicas registraram em Chapecó sítios com materiais cerâmicos e líticos associados a diferentes ocupações pré-coloniais, sobretudo nas proximidades dos rios Uruguai e Chapecó.Carbonera, Mirian; Lino, Jaisson Teixeira; Onghero, André Luiz; Giaretta, Jéssica Alberti. “A distant past, a present heritage: The pre-colonial settlements of Chapecó, Brazil”. Boletín Antropológico. v. 39. n. 101. p. 67–98. 2021. doi:10.53766/BA/2021.01.101.03. Consultado em 2 de setembro de 2026. Na área urbana do distrito de Figueira, o sítio SC-CH-03 reúne galerias subterrâneas cadastradas em 1979 durante pesquisas arqueológicas realizadas na região.Dmitruk, Hilda Beatriz. “Ocupação pré-colonial do oeste catarinense”. Revista Cadernos do CEOM. v. 19. n. 23. p. 99–148. Consultado em 2 de setembro de 2026.

A presença Kaingang antecede a formação das atuais divisões político-administrativas. No século XIX, grupos kaingang ocupavam e circulavam por um amplo território entre Palmas, os rios Chapecó e Irani e o alto Uruguai.Souza, Almir Antonio de; Bernaski, Joice. “O capitão comandante dos índios – Vitorino Condá, nos campos de Palmas, no Iranin e no Chapeco: os Kaingang e as terras indígenas do planalto meridional no Século XIX (1839-1844)”. Revista Cadernos do CEOM. v. 28. n. 42. p. 97–104. 2015. Consultado em 2 de setembro de 2026. Também se encontravam estabelecidas na região populações caboclas, cuja subsistência estava ligada à agricultura, à criação de animais, à extração de erva-mate e aos caminhos de tropeiros.Poli, Jaci. “Caboclo: pioneirismo e marginalização”. Revista Cadernos do CEOM. v. 19. n. 23. p. 149–188. Consultado em 2 de setembro de 2026.

Disputas territoriais e criação do município

+ Vinculações históricas 22px|border|link=Império do Brasil Império do Brasil — Província de São Paulo 1822–1853 22px|border|link=Império do Brasil Império do Brasil — Província do Paraná 1853–1889 22px|border|link=Paraná Paraná 1889–1916 22px|border|link=Santa Catarina Santa Catarina 1916–1943 22px|border|link=Território Federal do Iguaçu Território Federal do Iguaçu 1943–1946 22px|border|link=Santa Catarina Santa Catarina 1946–atualidade O quadro refere-se ao território do atual município. A jurisdição da região foi disputada por Santa Catarina e São Paulo e, posteriormente, pelo Paraná até 1916. A área também esteve envolvida na disputa territorial entre Brasil e Argentina, solucionada em 1895.Geller, Odair Eduardo. O Contestado entre Santa Catarina e o Paraná: uma questão de limite territorial nos limites da Nação. Dissertação de mestrado. Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo. 2006. Consultado em 2 de setembro de 2026.“Tratado de limites entre Santa Catarina e Paraná”. Arquivo Público do Estado de Santa Catarina. 20 de outubro de 1916. Consultado em 2 de setembro de 2026.