Juan Filloy (Córdoba, 1 de agosto de 1894 - Córdoba, 15 de julho de 2000) foi um escritor e jurista argentino.

Foi reconhecido por autores como David Viñas, Jorge Luis Borges, Julio Cortázar, Leopoldo Marechal, Juan José Saer, Adolfo Prieto e Mempo Giardinelli, entre outros, e recebeu vários reconhecimentos, apesar do que, seu pouco interesse em promover suas obras fez com que seja um autor desconhecido do grande público, convertendo-o em um autor de culto dentro das letras rioplatenses."A los 105 años murió el escritor cordobés Juan Filloy", Clarín, 16.7.2000"El escritor de los tres siglos", Página/12, 17.7.2000

Biografia Juan Filloy nasceu em 1° de agosto de 1894 na cidade de Córdoba, sendo o segundo filho de Benito Filloy, um camponês espanhol de Pontevedra, Galiza, e de Dominique Grange, uma camponesa francesa natural de Toulouse, que ganhava a vida como curandeira e lavadeira; de tal maneira que seu sobrenome se pronuncia Fiyoy e não Filoy, "porque é um sobrenome galego e não irlandês".Mempo Giardinelli, Así se cuenta un cuento, Capital Intelectual, Buenos Aires, 2012, pág. 151

Realizou os estudos primários na escola Normal Alejandro Carbó e os secundários no colégio Nacional de Monserrat da Cidade de Córdoba.

Em 1912 a família, composta por seus pais e os irmãos Benito (c. 1891- 1976), Rosa e Manuel, instalou o cinema, teatro e bar Imperial com um investimento que, embora distinto, não aumentou a prosperidade do grupo.

Em 1913 atuou como bibliotecário ad-honorem da biblioteca Popular Vélez Sarsfield (fundada em 11 de maio de 1909), localizada no mesmo bairro General Paz de sua infância e adolescência; no ano seguinte ocupou o cargo de secretário da entidade."Juan Filloy, el hombre de los tres siglos"

Embora nunca tenha jogado futebol, foi sócio fundador do clube Talleres, entidade da qual chegou a ser secretário e presidente da delegação que viajou ao Chile em 1923. Em 1918 teve participação ativa na Reforma Universitária, quase ao mesmo tempo em que trabalhava como desenhista caricaturista. Foi membro da Federação Argentina de Boxe e dirigiu combates de Luis Ángel Firpo.

Em 1920, recém-graduado em Direito na Universidade Nacional de Córdoba, mudou-se para Río Cuarto, cidade na qual residiria durante sessenta e quatro anos. Em sua cidade adotiva foi um dos fundadores do Museu de Belas Artes de Río Cuarto e do Golf Club (esporte que nunca praticou). Durante sessenta anos foi colaborador do jornal El Pueblo de Río Cuarto, no qual escrevia uma coluna diária com comentários de atualidade, crítica literária ou teatral.

Publicou sua primeira obra, Periplo, crônicas de uma viagem de dois meses na qual percorreu toda a costa do Mediterrâneo, em 1930. Durante os nove anos seguintes publicou outros seis livros, incluindo três romances (¡Estafen!, Op Oloop e Caterva), um livro de poemas (Balumba), uma espécie de geografia poética da Argentina (Aquende) e um volume de prosas poéticas (Finesse), todos em edições de autor de pouco alcance, para depois deixar de publicar durante quase três décadas, durante as quais atuou como juiz, embora nunca tenha deixado de escrever. Em reportagens posteriores, explicou esse silêncio editorial por incompatibilidades com suas funções jurídicas:Em 1933 começou a se corresponder com Paulina Warshawsky, uma professora entrerriana filha de judeus ingleses que conhecia um amigo de Filloy. Finalmente, em 1935 se conheceram pessoalmente em Buenos Aires. Em palavras do escritor: «Nos conhecemos na tarde de uma sexta-feira, começamos a namorar no sábado, noivamos no domingo e nos casamos na segunda». Permaneceram juntos durante quase cinquenta anos, até a morte de Paulina em 1984, e tiveram seus filhos Fernán e Monique."Paulina y Juan Filloy, una historia de amor sin tuteo". Puntal, 13.2.2010

Entre 1967 e 1973, a editorial Paidós reeditou seus romances ¡Estafen! e Op Oloop, aos quais se agregou um publicado pela primeira vez, La potra, em uma coleção dirigida por Bernardo Verbitsky, o que gerou um redescobrimento de sua obra, até que Filloy voltou a publicar em edições de autor. Outro de seus romances, Vil & Vil (1975), foi proibido pelo governo militar e foi interrogado durante várias horas, ao cabo das quais o libertaram porque só falou de literatura.

Após a morte de sua esposa em 1984, voltou a residir na cidade de Córdoba, onde continuou escrevendo apesar de sua avançada idade. Publicou Karcino, um tratado de palíndromos, e Esto fui, memórias de infância. Por esse tempo também apareceu Don Juan, uma antologia de textos seus a cargo de Mempo Giardinelli, amigo e divulgador da obra de Filloy, e quem também o entrevistou para sua revista Puro cuento em 1987.

Cumprindo seu desejo de ser «um homem de três séculos», faleceu enquanto dormia a sesta em seu apartamento em 15 de julho de 2000, a poucas semanas de completar 106 anos. Em seu velório compareceram as principais personalidades da cultura de Córdoba, e foi sepultado no cemitério San Jerónimo da capital provincial. No final desse ano, a biblioteca da Universidade de Río Cuarto foi batizada com seu nome.

O escritor Dado que, assim como Juan L. Ortiz, nunca se preocupou em promover sua obra, preferindo publicar em edições de autor de tiragens limitadas destinadas a seus amigos, a obra de Filloy tem sido e continua sendo desconhecida do grande público, o que não impediu que seja elogiado por algumas importantes figuras literárias. Assim, o escritor e crítico David Viñas sustentou que «A produção de Filloy dos anos trinta se localiza, por sua qualidade, entre as obras de Roberto Arlt, o teatro de Armando Discépolo e a poesia de Oliverio Girondo»., e o crítico Adolfo Prieto disse dele: «há uma capacidade inventiva, um despreconceito frente às formas tradicionais da narrativa e um tão regozijante manejo do idioma, que desgarram a obra de Juan Filloy do contexto histórico da novelística de seu tempo e aconselham uma atenção particularizada da mesma».Adolfo Prieto, Diccionario básico de la literatura argentina. Centro Editor de América Latina, Buenos Aires, 1968. Pág. 59. Da mesma forma, influenciou autores como Julio Cortázar, que o menciona em suas obras Rayuela (no capítulo 108) e La vuelta al día en ochenta mundos (no texto «De la seriedad en los velorios»); ou Leopoldo Marechal, em seu romance El banquete de Severo Arcángelo. Sua obra se caracteriza principalmente por uma crítica aos costumes humanos, crítica efetuada mediante o humor recorrendo frequentemente à paródia e à ironia.

O pesquisador Hugo Aguilar, docente da Universidade Nacional de Río Cuarto, dividiu a produção filloyana em três períodos:

Uma primeira etapa compreendida entre 1930 e 1939, onde «se mostra como um escritor convencional, com um estilo clássico com algumas audácias estruturais, e uma riqueza léxica notável»."La novela censurada de Juan Filloy", La Voz del Interior, 18.6.2005 Esta etapa culminaria em Caterva.

Uma segunda etapa compreendida entre 1971 e 1982, onde Filloy abandona as convenções tradicionais da narrativa e experimenta com narrações corais, sem um narrador central. Deste período, Aguilar destaca os romances Vil & Vil e L'Ambigú, embora também possa ser mencionado La potra, que Filloy julgava como seu romance preferido entre os que havia escrito.Mempo Giardinelli, ídem., p. 155.

Uma terceira etapa compreendida entre 1988 e 2000, que abrange a última parte de sua produção.Hugo Aguilar, «Ignitus: un lugar, un texto, una explicación» Revista Borradores, UNRC, N° X/XI, año 2009-2010.

Entre as curiosidades de sua obra literária merecem destaque sua afición aos palíndromos ―dos quais publicou mais de oito mil, o que o converte no maior realizador de palíndromos em língua espanhola― e aos megassonetos, que consistem em 14 séries de 14 sonetos, dos quais publicou oitocentos e noventa e seis. Outra curiosidade consiste em que todos os títulos de suas obras têm sete letras, e o fato de ter pelo menos um título com cada uma das letras do alfabeto.

Obras Ao longo de seus quase 106 anos de vida, Filloy desenvolveu uma vasta obra literária em todos os gêneros: romance, conto, artigo, poesia, ensaio, nouvelle, tradução ou história, além de criar textos híbridos que cruzam elementos de vários gêneros, somando um total de mais de cinquenta obras, o que converte Filloy em um dos autores mais prolíficos de seu país. Em vida do autor foram publicadas vinte e sete obras, entre 1930 e 1997:

Romances

¡Estafen! (1931) Op Oloop (1934) Caterva (1938) Ignitus (1971) La potra (1973) - segundo volume da saga Los Ochoa. Grande Prêmio de Honra de Literatura 1971. Vil & Vil (1975) L’Ambigú (1982) La purga (1992) Sagesse (1995) Sexamor (1996) - terceiro volume da saga Los Ochoa. Decio 8A (1997) - quarto volume da saga Los Ochoa.

Contos

Yo, yo y yo (1971) Los Ochoa (1972) - primeiro volume da saga Los Ochoa. Tal cual (1980) Gentuza (1991) Mujeres (1991)

Poesia

Balumba (1932) Finesse (1939) Usaland (1973) Elegías (1994) Sonetos (1996)

Não ficção

Periplo (1930) - Crônicas de viagem Aquende (1935) - Geografia poética da Argentina. Urumpta (1977) - Ensaios Karcino (1988) - Palíndromos Esto fui (1994) - Memórias

Outras três obras foram publicadas sob forma de artigos no citado jornal El Pueblo e em La Nación de Buenos Aires:

Jjasond Metopas Ñanpilm.

Com tudo, várias obras de Filloy permanecem inéditas:

Ambular Changüí Churque Eran así Gaudium Homo sun Ironike Item Más Llovizna Miss Liv Nepente Nefilim Quolibet Recital Revenar Sicigia Tanatos Todavía Witness Xinglar Zodíaco.

Prêmios Ao longo de sua vida, Filloy recebeu numerosos reconhecimentos.

Grande Prêmio de Honra da SADE, 1971. Pena de Prata do Pen Club, 1978. Membro da Academia Argentina de Letras, 1980. Ordem ao Mérito da República, Itália, 1986. Doutor honoris causa pela Universidade Nacional de Río Cuarto, 1989. Chevalier de l'Ordre des Arts et des Lettres, França, 1990. Prêmio Esteban Echeverría, Gente de Letras, 1991. Prêmio Trajetória, Fondo Nacional de las Artes, 1993. Prêmio Konex Romance: Quinquênio 1984 - 1988, 1994. Pena de Ouro do Pen Club, 1994. Pena de Honra do Pen Club, 1995. Personalidade Eminente da Cultura Nacional, 1996. Grande Prêmio de Honra, Fundación Argentina de Poesía, 1996. Maior Notável, Congresso da Nação Argentina, 1997.

O jornal La Nación, do qual foi colunista durante anos, chegou a propô-lo como candidato ao Prêmio Nobel de Literatura, embora a moção não tenha prosperado."Mempo Giardinelli, Don Juan de las siete letras", La Nación, 13.7.2003

Bibliografia crítica sobre sua obra

Don Juan. Antología de Juan Filloy. Seleção, estudo e prólogo a cargo de Mempo Giardinelli. Buenos Aires: Ediciones Desde la Gente, 1995. 128 pp. Juan Filloy. El escritor escondido. Mónica Ambort. Córdoba: Op Oloop Ediciones, 1992. 140 pp. Atípicos en la literatura latinoamericana. Noé Jitrik (compilador). Buenos Aires: Oficina de Publicaciones del Ciclo Básico Común, UBA, 1997 Anatomía de Op Oloop. Hermenéutica de la novela Op Oloop de Juan Filloy. Héctor González Quintana. Río Cuarto: Universidad Nacional de Río Cuarto, 1994. 122 pp. Anatomía de La Potra. Hermenéutica de la novela La Potra de Juan Filloy. Héctor González Quintana. Río Cuarto: Universidad Nacional de Río Cuarto, 1996. 172 pp. Resquicios de la Ley : una lectura de Juan Filloy. Sandra Gasparini. Buenos Aires : Universidad de Buenos Aires, 1994. 47 pp. Juan Filloy : libertad de palabra : textos críticos y antología. Ed.Stella Maris Colombo. Santa Fe: Fundación Ross, 2000. Filloy o el yo global. Candelaria de Olmos y Carlos Gazzera. En El Jabalí. Revista de poesía, Año VIII, N° 13. Págs. 45-59. Buenos Aires, 2001. Filloy en tres tiempos. Correspondencia en torno a Balumba. Candelaria de Olmos. Córdoba: Centro de Estudios Avanzados de la Universidad Nacional de Córdoba y Editorial Alción, 2006.115 pp.