Maria Cristina, Princesa Miguel de Kent (nascida von Reibnitz; Karlovy Vary, ) é a esposa de Miguel de Kent, neto de Jorge V do Reino Unido e de Maria de Teck.

Maria Cristina é uma decoradora de interiores e escritora, tendo publicado vários livros sobre as família reais da Europa. Ela também realiza seminários e apoia seu marido nos seus trabalhos públicos. Não realiza deveres oficiais, porém ocasionalmente já representou Isabel II em funções internacionais.

Infância e família Maria Cristina nasceu Freiherr Maria Cristina Anna Agnes Hedwig Ida von Reibnitz em 15 de janeiro de 1945, em Karlovy Vary, então parte da Checoslováquia ocupada pela Alemanha nazi e oficialmente designada Karlsbad, nos Sudetas de população alemã, atualmente na Chéquia. Nasceu no Jagdschloss Inselthal, a propriedade familiar herdada da sua avó materna austríaca, princesa Hedwig von Windisch-Graetz (1878–1918), filha primogénita de Alfredo III, Príncipe de Windisch-Grätz, que exerceu funções como 11.º Ministro-Presidente da Áustria e foi presidente do Conselho Imperial entre 1895 e 1918.

Nasceu na família Reibnitz, uma antiga casa nobre alemã de origem proveniente da Silésia, cuja linhagem pode ser documentada desde 1288 com Henricus de Rybnicz. A sede ancestral da família era o Burg Läusepelz, hoje Rybnica, na atual Polónia. Pela linha paterna, descende dos burgraves de Dohna, de Herrand III von Trauttmansdorff e da família Nostitz, linhagens que figuram igualmente entre os antepassados de Isabel II.

É a filha mais nova de Freiherr Günther Hubertus von Reibnitz (1894–1983) e da sua segunda esposa, condessa Maria Anna Carolina Franziska Walburga Bernadette Szapáry von Muraszombath, Széchysziget und Szapár (1911–1988), filha de Frigyes Szapáry, embaixador austro-húngaro em São Petersburgo no início da Primeira Guerra Mundial. Pela linha materna, Maria Cristina descende da Casa de Lobkowicz e de outras famílias principescas austríacas, ligações que a unem por laços de sangue ao seu marido, a Isabel II e a Carlos III. É também descendente de Henrique II de França, tanto através da sua esposa, Catarina de Médici, como da sua amante, Diana de Poitiers, uma ligação que a própria assinalou nos seus escritos históricos. Por esta linha, descende igualmente de Peter Paul Rubens, pintor barroco flamengo e diplomata que foi armado cavaleiro tanto pelos monarcas Habsburgo como pelos Stuart.

O pai de Maria Cristina foi membro do Partido Nazi e serviu como oficial de cavalaria nas Waffen-SS durante a Segunda Guerra Mundial. À medida que o Exército Vermelho avançava nos meses do conflito, a família abandonou as suas propriedades e mudou-se para a Baviera, então integrada na zona de ocupação americana da Alemanha. Os seus pais divorciaram-se em 1946 e Maria Cristina, a mãe e o irmão mais velho, Friedrich von Reibnitz, mudaram-se para a Austrália. No início da década de 1960 viveu com o pai na sua exploração agrícola em Moçambique, então sob administração portuguesa. Posteriormente estudou História da Arte Fina e Decorativa no Museu Vitória e Alberto.esquerda|miniaturadaimagem|265x265px|Maria Cristina segurando o seu livro, 1999 Carreira Antes do seu casamento com Miguel de Kent, trabalhou como decoradora de interiores. Segundo uma notícia publicada na coluna Pendennis do The Observer, em setembro de 2007, retomou a atividade de decoração através da sua empresa original, Szapar Designs.

Em 1986, foi publicado o seu primeiro livro, Crowned in a Far Country: Portraits of Eight Royal Brides, após o qual enfrentou acusações de plágio e chegou a um acordo extrajudicial com outra autora. O seu segundo livro, Cupid and the King: Five Royal Paramours, enfrentou os mesmos problemas, que a princesa atribuiu ao investigador que colaborara na obra, o qual alegadamente teria apresentado notas sem a devida atribuição. O livro estava previsto ser publicado pela editora Michael Joseph, mas, após o manuscrito ter sido entregue com vários meses de atraso, foi rejeitado e posteriormente publicado pela HarperCollins.

Entre 2007 e 2011, a princesa exerceu as funções de presidente da Partridge Fine Art, uma galeria situada na New Bond Street, em Londres, até esta entrar em administração na sequência de perdas substanciais acumuladas ao longo de vários anos.

Em 2008, foi contratada como consultora pela Galerie Gmurzynska, na Suíça, tornando-se posteriormente sua embaixadora internacional.

Exerceu funções no conselho do Museu Vitória e Alberto, e realiza digressões de conferências em diversos países, nas quais aborda temas históricos em universidades, museus e galerias, promovendo os seus livros e apoiando as instituições de beneficência que patrocina.

Segundo notícias de 2012, estaria a aprender a língua russa.miniaturadaimagem|234x234px|Maria Cristina nas comemorações do Dia do Armistício em Croxall, Inglaterra, em 2008

Atividades reais e de beneficência Maria Cristina e o seu marido representaram Isabel II nas celebrações da independência do Belize e na coroação de Mswati III de Essuatíni. Miguel de Kent apoia igualmente um número de instituições de beneficência e organizações, sendo Maria sua colaboradora nesse trabalho.

Desde a adolescência, Maria tem mantido uma paixão duradoura pela conservação das chitas, sendo patrona real internacional do Fundo de Conservação dos Guepardos, na Namíbia.

É também Fellow da Linnean Society of London, uma sociedade erudita dedicada à história natural e à taxonomia.

Casamentos e descendência O primeiro marido de Maria Cristina foi o banqueiro inglês Thomas Troubridge (1939–2015), irmão mais novo de Peter Troubridge, 6.º Baronete. O casal conheceu-se durante uma caçada ao javali na Alemanha e contraiu matrimónio em 14 de setembro de 1971 em Londres. Separaram-se em 1973 e divorciaram-se civilmente em 1977. O casamento foi posteriormente anulado eclesiasticamente pelo Papa Paulo VI em maio de 1978.

Um mês após a anulação, em 30 de junho de 1978, numa cerimónia civil realizada na Câmara Municipal de Viena, em Viena, Áustria, casou-se com Miguel de Kent, filho de Jorge, Duque de Kent, e de Marina da Grécia e Dinamarca. Miguel é neto do Jorge V do Reino Unido. Maria Cristina afirmou que Louis Mountbatten, 1.º Conde Mountbatten da Birmânia desempenhou o papel de intermediário no encontro do casal.

Miguel ofereceu-lhe um anel de noivado com duas pedras, safira e diamante, confeccionado com pedras que haviam pertencido à sua mãe. Na cerimónia civil, Maria Cristina usou um conjunto creme de duas peças, casaco e saia pelo joelho, da autoria de Hardy Amies. Para o baile realizado após o casamento, usou tiara e um vestido creme de Bellville Sassoon. Com o casamento, passou a usar o tratamento e título de Sua Alteza Real, a Princesa Miguel de Kent, equivalente feminino do título do seu marido. Depois de obterem autorização do Papa João Paulo II (uma vez que o Papa Paulo VI lhes tinha vedado a celebração de um casamento católico), o casal recebeu posteriormente a bênção do matrimónio numa cerimónia católica romana em 29 de junho de 1983 na Archbishop’s House, em Londres.

Uma vez que o Decreto de Estabelecimento de 1701 proibia que qualquer pessoa que casasse com um católico romano pudesse suceder ao trono, Miguel perdeu os seus direitos sucessórios ao casar com Maria Cristina. Foi reintegrado na linha de sucessão em 26 de março de 2015 com a entrada em vigor do Ato de Sucessão à Coroa de 2013. Os filhos do casal são membros da Igreja de Inglaterra e conservaram os seus direitos sucessórios desde o nascimento.

Tiveram dois filhos:

Frederick Windsor (n. 1979), que casou com Sophie Winkleman e teve duas filhas; Gabriella Kingston (n. 1981), que casou com Thomas Kingston, falecido em 25 de fevereiro de 2024 nos Cotswolds, Gloucestershire.

Maria Cristina foi também associada romanticamente pela imprensa a John Warner e aos empresários Ward Hunt e Mikhail Kravchenko. Manteve igualmente amizade com John W. Galbreath e Peter de Savary, tendo este último oferecido-lhe um terreno avaliado em 150 000 libras em Antígua.

Finanças e residências miniaturadaimagem|200x200px|Propriedade rural da família: Nether Lypiatt Manor, em Thrupp, Gloucestershire, Inglaterra Em 2005, o casal colocou à venda sua propriedade rural de 8,09 hectares, Nether Lypiatt Manor, situada próxima ao distrito de Stroud em Gloucestershire. Eles viviam em Nether Lypiatt desde 1980, quando compraram a mansão por 300 mil libras esterlinas. No ano seguinte, o político Paul Drayson, Barão Drayson, adquiriu Nether Lypiatt por 5,75 milhões de libras esterlinas.

Miguel de Kent nunca recebeu uma anuidade parlamentar nem qualquer subsídio proveniente do Privy Purse. O casal tem usufruído de um apartamento de graça e favor no Palácio de Kensington, composto por cinco quartos e cinco salas de receção. Isabel II pagava a renda do apartamento, à taxa de mercado de 120 000 mil libras anuais, a partir dos seus fundos privados, enquanto o casal pagava o montante nominal de setenta libras por semana. A renda é destinada ao Grant-in-aid, concedido pelo Governo para a manutenção dos Palácios Reais Ocupados. O valor da renda baseia-se na taxa corrente aplicável a propriedades arrendadas comercialmente no Palácio de Kensington e é registado nos valores globais relativos às rendas comerciais no relatório anual do Grant-in-aid. Segundo uma declaração divulgada pelo Centro de Imprensa da Monarquia Britânica, este pagamento da renda pela rainha constituía um “reconhecimento pelos compromissos oficiais e pelo trabalho em prol de diversas instituições de beneficência que o príncipe e a princesa Miguel de Kent têm desempenhado às suas próprias expensas e sem qualquer financiamento público”.

Em 2008, foi anunciado que tinha sido acordado que passariam a pagar, a partir de 2010, a renda anual de 120 000 libras a partir dos seus próprios fundos. Membros do Parlamento integrantes da comissão de contas públicas haviam exigido a alteração após o valor da renda paga pelos Kent se ter tornado público. Os Kent residem neste apartamento desde 1979, tendo pago apenas as despesas de serviços públicos antes de 2002.

Catolicismo esquerda|miniaturadaimagem|200x200px|Maria Cristina e Miguel de Kent com Tobias Ellwood, num evento de comemoração do centenário da Primeira Guerra Mundial na Lancaster House, em 2014 Maria Cristina é católica romana e participou em diversos eventos durante a visita de Estado do Papa Bento XVI ao Reino Unido, em setembro de 2010. Assistiu à missa na Catedral de Westminster, onde se sentou na primeira fila entre outras personalidades, incluindo Nicholas Windsor, Edward Fitzalan-Howard, 18.º Duque de Norfolk e o antigo primeiro-ministro Tony Blair; após a missa, o Bento XVI concedeu-lhes uma audiência. No último dia da visita do pontífice, participou na missa campal de beatificação do cardeal John Henry Newman, realizada em Cofton Park, Birmingham. Maria Cristina esteve pessoalmente envolvida no processo de beatificação e participou em várias outras celebrações relacionadas com a mesma, antes e depois da missa em Cofton Park. Participou igualmente num jantar cívico com dignitários e bispos convidados em Birmingham, antes de assistir à missa e de se encontrar com o Bento XVI. Anteriormente, em 2008, Maria Cristina esteve presente na transladação dos restos mortais do cardeal Newman para o Oratório de Birmingham.

Maria Cristina representou Filipe, Duque de Edimburgo na cerimónia de lançamento da Green Pilgrimage Network, realizada em Assis, Itália, em 2011. O evento foi organizado pela Alliance of Religions and Conservation (ARC), fundada por Filipe em 1995, em associação com o World Wide Fund for Nature (WWF), de que foi anteriormente presidente. Maria Cristina discursou em nome de Filipe e conduziu a procissão de abertura.