Pedra Mole é um município brasileiro do estado de Sergipe, nos territórios do Agreste Central Sergipano e do Sertão Ocidental Sergipano. Localiza-se perto das margens do rio Vaza-Barris, a uma latitude 10º37'00" sul e a uma longitude 37º41'13" oeste, estando a uma altitude de 192 metros. Sua população estimada em 2022 era de 2778 habitantes, com uma área de 82,202 km². Por ser o único Município a fazer Vaquejada e Festa do Vaqueiro com um Parque de Vaquejada Mantido pelo Município e sendo Pública a Festa no Estado de Sergipe, tem grande importância das vaquejadas. A cidade tem mesmo o título de "Capital Sergipana do Vaqueiro".

Atualmente possui quatro povoados: Manuíno, Tapado, a dois quilómetros da sede municipal, Serra e Gravatá.

Etimologia A população local apresenta várias versões para a origem do nome da povoação. Segundo uma delas, alguns moradores teriam encontrado pedras com a marca da pata de um animal e de um pé de uma pessoa, afirmando por isso que as pedras eram moles. Outra versão diz que os viajantes marcavam como ponto de encontro o lugar das pedras moles. O que se sabe, com certeza, é que na região da cidade existiam pedras relativamente fofas, que hoje não existem mais.

História A ocupação territorial do interior sergipano iniciou-se no século XVI, à medida que os exploradores e colonos subiam o curso do rio Vaza-Barris. Perto das suas margens foram fundados os povoados de São Cristóvão, Aracaju e Itaporanga d’Ajuda, adentrando-se a partir de 1575 até Lagarto e Campo do Brito. No século seguinte, , entre 1637 e 1645, durante a ocupação holandesa de Sergipe, os moradores, figindo à destruição causada pelo invasor, levaram seus rebanhos cada vez mais para o interior, até à região das atuais Itabaiana e Simão Dias. Em 1655, após a expulsão dos holandeses, recomeça a exploração colonizadora baseada na pecuária, assim como as concessões de sesmarias. Neste século teve lugar a ocupação da maior parte do território de São Cristóvão, Campo do Brito, Macambira e Lagarto, chegando até Simão Dias e Pedra Mole. O tipo de ocupação humana praticado na região, requerendo grandes áreas destinadas à produção de gado, assim como para implantação de núcleos populacionais, produção de alimentos e abertura de estradas, determinou desde logo profundas alterações nos ecossistemas da região, com vastas áreas das matas nativas sendo paulatinamente suprimidas desde o início da colonização.

Segundo a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, a área hoje correspondente aos municípios de Pedra Mole e Pinhão foi inicialmente ocupada por Manoel Alves da Silva, que obteve, por alvará de 25 de outubro de 1713, uma "(...) sesmaria de uma légua de comprimento por três de largura, começando no rio Salgado, que deságua no Vaza-Barris, até à serra do Coité".

O fundador da povoação é tido por muitos como sendo João Fonseca, que em meados do século XIX era o fazendeiro mais conhecido da região, embora muitas dezenas de anos antes de seu aparecimento já Pedra Mole tivesse consolidado sua situação de pousada obrigatória de índios e colonizadores que, antes e depois das lutas em Laranjeiras, Itaporanga e São Cristóvão, subiam o rio Vaza-Barris, passando pelas matas de Itabaiana, seguindo o rumo de Bom Conselho - atual Cícero Dantas - e Jeremoabo. João Fonseca veio a tornar-se tronco de uma grande família, sendo seu bisneto José Lavres da Fonseca, primeiro prefeito da cidade.

Em novembro de 1852, o povoado é referido no Correio Sergipense como sítio onde se acoitavam vários malfeitores, entre eles um certo Félix, culpado de crime de morte, que urgia capturar, pertencendo então à vila de Itabaiana, e na dependência do distrito policial de Campo do Brito.

Desde meados do século XIX, a região de Itabaiana, à qual pertencia o povoado de Pedra Mole, constituiu-se como importante centro agrícola, sendo desde 1864 uma região de extraordinária produção algodoeira, para a qual seria projetada a abertura de uma rede de estradas reais, por forma a permitir o escoamento da produção agrícola para o litoral sergipano, em particular a capital de província, Aracaju.

Em novembro de 1881, o presidente da então província de Sergipe, Inglês de Sousa, visitou o povoado, como parte da excursão que realizou ao interior da província.

Em 1889, a povoação possuía uma comunidade ativa no movimento republicano sergipano, agregada em torno do Club Republicano de Pedra Mole. No mesmo ano, o capitão José Guilherme da Silveira e outros residentes do povoado, pediram o cumprimento da lei que havia criado a feira de Pedra Mole, e a destruição das de Rajas, Mucambo e Macambira.

Em 1890, a família Ettinger, de origem francesa, fundou na região uma fábrica de beneficiamento de algodão. Os pioneiros Godchaux Ettinger, e seu sobrinho Gabriel Lazar Ettinger, com o seu exemplo e entusiasmo foram gradualmente atraindo pessoas das povoações vizinhas que ambicionavam uma vida melhor.

Até meados do século XX, Pedra Mole era cercada de roças, sítios e malhadas, possuindo três descaroçadores de algodão. A produção de milho, feijão, frutas e farinha de mandioca era também muito significativa. O leite era abundante, tanto de vaca como de cabra. Na feira podiam se achar muitas galinhas, capões e ovos. Tudo isso se alterou, observando-se uma estagnação do local. A população diminuiu com a redução dos criatórios de animais de pequeno porte, e o recurso a uma agricultura de subsistência. Numerosas propriedades rurais foram absorvidas pelas fazendas de gado bovino. Os lavradores, agora sem terra, migraram para Aracaju e para o sul do país. Ainda atualmente os produtores enfrentam o problema de falta de terras para plantar, uma vez que o município é praticamente todo tomado por latifúndios.

O povoado de Pedra Mole pertenceu inicialmente ao termo de Itabaiana, passando a pertencer a Campo do Brito em 1912. Mais tarde, pela Lei 525-A, de 23 de novembro de 1953, os municípios de Pinhão e Macambira foram desmembrados de Campo do Brito, passando Pedra Mole a ser povoado de Pinhão. Em 24 de julho de 1957, o antigo povoado de Pedra Mole foi criado distrito pela lei estadual n.º 823, encontrando-se subordinado ao município de Pinhão, assim se mantendo ainda na divisão territorial de 1 de julho de 1960. Em 21 de novembro de 1963, o distrito de Pedra Mole foi finalmente desmembrado do município de Pinhão, e elevado à categoria de município, mantendo a mesma designação, pela lei estadual n.º 1231, e com sede no antigo distrito, como se vê da divisão territorial de 31 de dezembro daquele ano, e assim se mantendo na divisão territorial de 2007. Foi instalado em 21 de fevereiro de 1965, sendo seu primeiro prefeito José Lavres da Fonseca. Em 2019, foi proposta a extinção do município, pela Proposta de Emenda Constitucional PEC 188/2019, que previa a extinção dos municípios com menos de cinco mil habitantes.

Em janeiro de 2017, o Ministério da Integração Nacional reconheceu a situação de emergência no município de Pedra Mole, em virtude de um extenso período de seca.

Em 31 março de 2020, Pedra Mole, juntamente com outros 59 municípios, solicitou à Assembleia Legislativa de Sergipe o reconhecimento do estado de calamidade pública, por forma a poderem adotar as medidas necessárias para enfrentar a pandemia de Covid-19.

Geografia A cidade localiza-se a uma latitude 10º37'00" sul e a uma longitude 37º41'13" oeste, e a uma altitude de 192 metros, perto das margens do rio Vaza-Barris, as quais definem parte dos limites do município.

O clima é semi-árido megatérmico, segundo a classificação de Thornthwaite. A precipitação pluviométrica média no ano é de 800 mm, e a temperatura média anual de 24ºC, com período chuvoso de março a agosto.

O município situa-se num ecótono, uma região de transição entre os ecossistemas da Mata Atlântica, e a semi-árida caatinga, um ambiente extremamente importante para a manutenção de populações de muitas espécies, uma vez que cria corredores entre as diferentes paisagens. A área tem vindo a sofrer uma alta pressão antropogénica, derivada sobretudo da pecuária e da agricultura.

Na região do povoado Tapado, o ecossistema é de caatinga, com predominância das espécies Leucena leucocephala, Prosopis juliflora, e Caesalpinia pyramidalis Tul, podendo configurar podem configurar uma adaptação ao ambiente de solos rasos e ao acentuado deficit hídrico durante vários meses.

A cerca de quatro quilômetros da sede do município, na parte mais baixa do vale, passa o rio Vaza-Barris, cuja água pura constitui atração de fim de semana e feriados para a população local, que o usa como balneário. O coberto vegetal nesta zona é a Mata Atlântica, em bom estado de conservação.

Na Fazenda Senhor Bonfim existe um trecho de mata ripária, com aproximadamente 288 hectares, localizado a 3,6 quilômetros a oeste da sede do município, e a 1,2 quilômetros do rio Vaza-Barris. Aqui foi capturado, em abril de 2014, numa bromélia terrestre, um espécime de Xenohyla eugenoi, espécie rara de anfíbio endêmica do Brasil, descrita apenas em 1998. A captura do espécime, que se encontra na coleção de anfíbios do Laboratório de Biologia e Ecologia de Vertebrados of the Universidade Federal de Sergipe, com o registro LABEVA 1073, permitiu alargar a sua área de distribuição 423,4 quilômetros em linha reta, a norte da localidade do holótipo, no município de Maracás, no centro-sul do estado da Bahia, e 277 quilômetros em relação à localidade mais próxima onde se registou a sua presença, no município de Ipirá, na região central-norte da Bahia. Até à data, apenas cinco espécimes de Xenohyla eugenoi haviam sido recolhidos, quatro no estado da Bahia e um em Minas Gerais, sendo o espécime sergipano de Pedra Mole o sexto a ser encontrado.

Apesar da região ser pobre no investimento em pesquisa e estudos de campo, a sua conservação é altamente recomendada, uma vez que aclhe uma grande biodiversidade, incluíndo muitas espécies ainda não descritas.

Demografia

Em 1933, o povoado compunha-se de 75 edifícios.

Em 2010, a população do município era muito jovem, pertencendo sobretudo à faixa etária entre os 10 e os 24 anos. Pedra Mole constitui-se como um município rural, com 59,7% da população vivendo em zona rural, fora do aglomerado urbano.

Em 2018, Pedra Mole foi o município sergipano com menor número de mortes, num total de 15.

Religião A religião predominante no município é cristã, em sobretudo da Igreja Católica Romana, com cerca de 2500 praticantes, existindo ainda uma pequena comunidade evangélica.

Em 1904, Pedra Mole foi visitada por frei Caetano de San Leo, da Ordem dos Capuchinhos, em missão evangelizadora, o qual passou novamente pelo povoado no ano seguinte, na companhia de frei Camilo de Crispiero.

Até 2011, o município esteve integrado na paróquia de São Francisco de Assis de Macambira. A 17 de novembro desse ano, foi criada a paróquia de Nossa Senhora do Patrocínio, subordinada ao arcebispado de Aracaju. É administrada desde 2018 pelo padre Wagner da Silva Oliveira.

Em 2016, a Igreja Adventista do Sétimo Dia inaugurou em Pedra Mole um Santuário da Esperança, subordinado ao Distrito de Carira.

Governo O prefeito atual é João José de Carvalho Neto, conhecido como Neto do Milton, do DEM, eleito nas eleições municipais de 2016 no primeiro turno, com 50.36% dos votos (1346 votos). Neto do Milton ocupa o cargo desde 2012, quando foi eleito pelo DEM, com 51,08% dos votos.

Em 1996, o prefeito eleito foi Francisco Alexandre dos Passos, do PSDB.

Em 2000, foi eleito prefeito Milton Batista Carvalho, do PFL, conquistando o cargo novamente em 2004. Foi sucedido em 2008 por Cleverton Santos, conhecido por Clevinho do Albino, do PT.

Símbolos e instrumento oficial Em 2013 foi criado o brasão do município, que desde esse ano serve como símbolo oficial do mesmo. No mesmo ano foi criada a bandeira municipal, com as cores azul, representando o céu, branco, para a paz e concórdia, e verde, simbolizando a agricultura, principal fonte de riqueza do município.