thumb|300px|O presidente Luiz Inácio Lula da Silva em pronunciamento durante cerimônia de início das transmissões da TV digital no Brasil, ocorrida na Sala São Paulo em 2007. A televisão digital começou a ser implementada no Brasil a partir da primeira transmissão oficial de sinal digital em 2 de dezembro de 2007, às 21h20, na Sala São Paulo, na cidade de São Paulo. A solenidade que reuniu mais de duas mil pessoas, contou com a presença do Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva e de empresários do setor.

A partir de maio de 2008, teve início a campanha de popularização da televisão digital brasileira, que incluía demonstrações em pontos de grande circulação.Relançamento da TV digital terá "degustação", diz "Outro Canal" Folha Online - visitado em 20 de março de 2008. Nesta época várias cidades em quatro das cinco regiões do Brasil e suas respectivas capitais já possuíam transmissão digital antes da expectativa inicial, mesmo assim em 2008 apenas 470 mil aparelhos aptos a receber o sinal digital foram vendidos e a cifra atingia apenas cerca de 907 mil brasileiros.TV digital completa um ano no Brasil, mas somente 0,5% da população tem acesso UOL Tecnologia - Acesso em 15 de dezembro de 2008

Em 20 de outubro de 2008, foi inaugurada a multiprogramação da TV Digital. O recurso divide um canal em alta definição em até quatro subcanais em definição padrão, que podem transmitir o sinal de emissoras diferentes, cada uma com sua programação independente. A transmissão histórica foi realizada pelo canal da Câmara dos Deputados em São Paulo, SP, em parceria com a Assembleia Legislativa paulista e o Laboratório de Pesquisas em TV Digital da Universidade Mackenzie. Entraram no ar, em caráter experimental, a TV Câmara, a TV Alesp e a TV Mackenzie.

Em 2009, o governo iniciou uma ampla campanha de divulgação sobre o que era a televisão digital, seus benefícios, além de fazer acordos com as fabricantes para baratear os preços, e a partir disso, as vendas de televisores aptos ao sistema digital melhoraram consideravelmente.Conversor digital custará R$120 Jornal do Site - Acesso em 26 de julho de 2012

No final de julho de 2012, a TV Acre e a TV Rondônia, afiliadas da Rede Globo em Rio Branco, no Acre e Porto Velho, em Rondônia, iniciam as transmissões digitais, sendo as últimas que faltavam, agora todas as capitais brasileiras passam a ter acesso à TV Digital. A partir de agosto de 2012, 44,9 milhões de brasileiros residentes nas capitais e 43 041 964 habitantes de outras cidades já têm acesso a pelo menos um dos canais digitais brasileiros.Sinal de TV Digital já chega a todos os estados brasileiros PC World - Acesso em 26 de julho de 2012 Em 2016, Gilberto Kassab disse que a TV Digital do Brasil teria resolução 4K a partir de 2019, o que não ocorreu.

Em 17 de outubro de 2012, a Câmara dos Deputados criou a Rede Legislativa de TV Digital, baseada na multiprogramação. Canais da Câmara e do Senado Federal em todo o País são compartilhados com assembleias estaduais e câmaras municipais. O baixo custo incentiva a montagem de emissoras legislativas locais e possibilita a universalização do acesso a essas programações. Em 30 de dezembro de 2025, foram desligados os últimos sinais analógicos restantes, encerrando a transição brasileira para o sinal digital.

Padrão ISDB-TB Especificações tecnicas do padrão ISDB-TBAplicaçõesEPG, t-GOV, t-COM, InternetMiddlewareGingaCompressão de áudio MPEG-4 AAC 2.0 , 5.1 canaisCompressão de vídeo MPEG-4 H.264 HDTV/1080i (1920 colunas por 1080 linhas entrelaçadas, 16:9) HDTV/720p (1280 colunas por 720 linhas progressivas, 16:9) SDTV/480p (640 colunas por 480 linhas progressivas, 4:3) LDTV/1SEG (320 colunas por 240 linhas, 4:3)TransporteMPEG-2 TSModulaçãoCOFDM dividido em 13 segmentos da portadora de 6 MHz

O padrão de televisão digital adotado no Brasil é o ISDB-TB, uma adaptação do ISDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial), padrão japonês acrescida de tecnologias desenvolvidas nas pesquisas das universidades brasileiras.

O padrão japonês foi escolhido, conforme dito anteriormente, por atender melhor as necessidades de energia nos receptores, mobilidade e portabilidade sem custo para o consumidor, diferente do padrão europeu (DVB-T), onde esta operação é tarifada pelas empresas telefônicas. A principal diferença constatada inicialmente após a decisão de se adotar o padrão japonês para ser utilizado na televisão digital brasileira, em junho de 2006, foi a substituição do formato de compressão MPEG-2 para o MPEG-4.

O formato ISDB-TB também permite, além da transmissão em alta definição, a transmissão em multiprogramação, onde é possível transmitir, no lugar de um único programa em alta definição, oito programas diferentes simultaneamente em definição padrão (720 × 480 pixels, a mesma do DVD). Para comparar, a televisão analógica, por ter perdas na transmissão pelo ar, chega a no máximo 333 × 480. Com o codec H.264 do formato MPEG-4, será possível transmitir até 2 canais HD (1080i), 4 Canais HD (720p) e/ou 8 SD (480p) pela mesma transmissora.

Padrão Ginga de interatividade

Desenvolvimentos recentes Alguns desenvolvimentos recentes merecem destaque. Um deles é o middleware Ginga, camada de software intermediário open source que permite o desenvolvimento de aplicações NCL interativas para a TV Digital de forma independente da plataforma de hardware dos fabricantes de terminais de acesso (set-top-boxes).

Resultado de anos de pesquisas lideradas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o Ginga reúne um conjunto de tecnologias e inovações brasileiras que o tornam a especificação de middleware mais avançada e, ao mesmo tempo, mais adequada à realidade do país.

O título “Ginga” foi ideia do Professor Doutor Bruno Jefferson de Sousa Pessoa, membro do corpo docente da UFPB, ex-cavaquinista do Grupo de Pagode HAGARRÊ.

O Ginga pode ser dividido em dois subsistemas principais, que permitem o desenvolvimento de aplicações seguindo dois paradigmas de programação diferentes. Dependendo das funcionalidades requeridas no projeto de cada aplicação, um paradigma possuirá uma melhor adequação que o outro.

Outro avanço importante foi a aprovação do contrato que dá início a fabricação do primeiro chip nacional para a TV Digital. A diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinou recursos não-reembolsáveis do Funtec, no valor R$ 14,6 milhões"BNDES aprova recursos para criação do primeiro chip nacional para TV Digital" BNDES 15/02/2007 para a União Brasileira de Educação e Assistência (UBEA) da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e o Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada (CEITEC) vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Também participam do projeto a empresa Telavo Digital que apoiou a pesquisa e o design do chip e o Instituto Ábaco, de Campinas, SP, responsável pelo hardware do projeto. O chip criado pela PUC-RS e pelo Ceitec atenderá aos três sistemas de modulação para transmissão de TV Digital internacionalmente reconhecidos.

Desligamento da televisão analógica thumb|250px|Aviso como o desligamento do sinal analógico. Leilão da faixa de 700 MHz O Brasil é primeiro país no mundo a conduzir o desligamento analógico em conjunto com o leilão de parte da faixa usada pela televisão.

No ano de 2014, a Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL), publicou o edital n°2/2014-SOR/SPR/CD-ANATEL,Edital de Licitação para autorização de uso da faixa de 700 MHz, publicado no DOU em 21 de agosto de 2014 referente ao leilão de radiofrequências na faixa de 700 MHz para o uso do sistema de quarta geração de telefonia móvel (4G), em atendimento às políticas governamentais de desenvolvimento da banda larga no País,Portaria n° 14, de 6 de fevereiro de 2013, Anatel - visitado em 7 de janeiro de 2016 e consoante com a identificação internacional da faixa, pela União Internacional de Telecomunicações – UIT, para serviços de telefonia móvel.Atos Provisionais Finais da Conferência Mundial de Radiocomunicação de 2015 da União Internacional de Telecomunicações (UIT), UIT - acessado em 7 de janeiro de 2016 O leilão, ocorrido em 30 de setembro de 2014, arrecadou cerca de 9 bilhões de reais,Leilão de 700 MHz arrecada r$ 5,85 bi, queda de 29% ao que esperava o governo, Telessíntese - visitado em 7 de janeiro de 2016 dos quais parte fora reservada para cumprir obrigações do desligamento.

O leilão da faixa de 700 MHz trouxe consigo a necessidade de remanejamento de canais de televisão que atualmente utilizam a faixa. As emissoras analógicas e digitais que ocupam a faixa UHF compreendida entre os canais 52 ao 69 deverão ser realocadas, dentro da mesma faixa, para os canais 14 a 51. Em algumas cidades grandes, como São Paulo e Belo Horizonte, a grande ocupação do espectro impede que o remanejamento dos canais para uso pelo 4G seja feito sem que antes houvesse antes o desligamento analógico.

Primeira fase do desligamento analógico A data original para o desligamento do sinal analógico no Brasil estabelecida por Decreto, sendo de 31 de dezembro de 2018.DECRETO Nº 5.820, DE 29 DE JUNHO DE 2006. Presidência da República- Visitado em 08/01/2016 Subsequentemente, em 2014, foi expedida determinação estabelecendo o cronograma de desligamento dos municípios, o qual deveria iniciar-se em 29 de novembro de 2015, sendo finalizado em 25 de novembro de 2018. Posteriormente, foram definidas as cidades afetadas pelo desligamento analógico, que desligaram em conjunto com as principais cidades de forma a viabilizar a limpeza da faixa de 700 MHz. A partir de 2015, foi autorizado o uso da faixa de VHF compreendida entre os canais 7 a 13 (“VHF alto”) para o funcionamento da televisão digital. Permitiu-se também que os canais analógicos desta faixa continuem operando até a data do desligamento.Portaria nº 1.581, de 09 de abril de 2015 Diário Oficial da União de 13 de abril de 2015

No mesmo ano, foi determinado que, para permitir o desligamento da transmissão analógica das emissoras de televisão em cada município, pelo menos 93% de seus domicílios que acessavam o serviço livre, aberto e gratuito por transmissão terrestre, estivessem aptos à recepção da televisão digital terrestre. Foram considerados aptos os domicílios que estavam equipados com, ao menos, um televisor com receptor digital integrado ou um televisor analógico ligado a um conversor externo, além de antena apropriada para recepção de televisão digital.

Na primeira fase, para estimular o atingimento do percentual de 93% de domicílios aptos, o Governo determinou por meio da Portaria Nº 378, de 22 de Janeiro de 2016Portaria nº 378, de 22 de Janeiro de 2016 que os beneficiários do programa Bolsa Família recebessem, de forma gratuita, um conversor digital com interatividade (Ginga, na sua versão C) e antena para recepção, além de garantir que medidas sejam tomadas para solucionar eventuais problemas de interferência da telefonia móvel na televisão digital.

Além disso, na primeira fase também foi promovida uma campanha publicitária, inclusive em TV aberta, para informar a toda população sobre o desligamento, ato referido na Portaria 1581. Para cumprir a estas e outras obrigações, as operadoras de telefonia móvel que venceram a licitação da faixa de 700 MHz terão disponíveis, de forma exclusiva, o montante de 3,6 bilhões de reais.

Considerando as lições aprendidas com a implantação do desligamento analógico nas primeiras cidades que passaram por esse processo, o cronograma original de dezembro de 2018 foi revisto, a fim de completar o processo de 2016 a 2019 apenas nas capitais, regiões metropolitanas e demais áreas onde o desligamento analógico foi necessário para liberar a faixa de 700MHz, na primeira fase do processo, e até 2023 no restante do país, em uma segunda fase.