Assis é um município brasileiro do interior do estado de São Paulo. Pertence à Região Geográfica Imediata de Assis e Região Geográfica Intermediária de Marília, localiza-se a oeste da capital do estado, distante 434 km da capital estadual e abriga uma população total estimada de habitantes (Censo IBGE/2024) em seus pouco mais de 462 km².
É o município de sua Região Geográfica Imediatária, além de ser a terceira da Região Intermediária de Marília, atrás de Ourinhos e Marília, além disso ocupa a posição de 77º maior município do estado (estimativa IBGE/2020), situa-se a 22º 39' 42" de latitude sul e 50º 24' 44" de longitude oeste. A sede tem uma temperatura média anual de 21,37 °C e na vegetação do município predomina a Mata Atlântica e o Cerrado, sendo uma zona de transição de vegetação e solo, diferenciando-se da região, possuindo uma coloração avermelhada porém arenoso.
O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) segundo a ONU é de 0,805, considerado como elevado em relação ao do estado, em 28º lugar entre cidades de maior IDH do país.
Para a FIRJAN em 2014, o município estava em 190º a nível nacional e em 49º segundo a FGV em 2012, ficou com o 237º maior potencial de consumo (IPC Marketing) entre todos os municípios brasileiros em 2014 e no estado ficou na 72º posição.
Também em uma pesquisa do Pnud, o município estava entre as 25 melhores cidades do estado para se viver e a no 90º lugar entre as melhores cidades para realizar investimentos em 2019 segundo a UrbanSystems.
Assis foi emancipada de Campos Novos do Paranapanema na década de 1910. A sua etimologia é que o seu nome é uma referência ao Capitão Assis, que explorou as terras da região.
O município é formado apenas por sua sede - desde a emancipação de Tarumã na década de 90.
Assis é conhecida pelo seu título de Cidade Fraternal e pelos cursos de graduação da Unesp de Assis, a FEMA e Unip.
Além disso, é uma polarizadora regional de desenvolvimento servindo de referência para os municípios da Região de Assis, de alguns municípios das regiões de Ourinhos, Marília e do Norte do Paraná por seu comércio, serviços, referência cultural, esportiva, tecnológica e científica que fazem com que Assis ostente o título de Capital do Paranapanema.
Topônimo O nome Assis, o qual o município é conhecido hoje, era originalmente Acis e foi batizada assim em homenagem ao fundador do município: Capitão Francisco de Acis Nogueira. Assis teve sua grafia alterada por força do decreto-lei estadual nº 14334, de 30/11/1944.
História
Antecedentes históricos e doação de terras (até 1914)
A origem do povoado remonta a viajantes como José Teodoro de Souza, que explorou a região a partir de Botucatu. A cidade se formou efetivamente após a doação de terras de fazendeiros da região, em especial o "Capitão Assis", para a Igreja. O povoado foi crescendo no entorno desta capela (atual Catedral de Assis), criando o Patrimônio do Assiz.
Até então, o desenvolvimento era a passos pequenos. Assis era um pequeno povoado, secundário em relação aos antigos polos regionais da época, como Campos Novos do Paranapanema, Platina e Conceição do Monte Alegre (atual distrito de Paraguaçu Paulista).
Chegada da ferrovia e crescimento (1914 - 1930)
thumb|Linha férrea em 2014 com trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana|alt=|esquerda|238x238px O desenvolvimento de Assis foi impulsionado pela chegada da linha férrea da Estrada de Ferro Sorocabana em 1914. A Estação de Assis tornou-se um importante eixo ferroviário, trazendo consigo os ferroviários e fazendo o comércio local crescer, passando a atender a região e também o Norte do Paraná, que ainda estava sendo desbravado. A ferrovia mudou o eixo urbano da cidade. O centro, antes localizado próximo à atual Casa de Taipa e à Catedral (Rua Capitão Assis), deslocou-se para a "Rua da Estação". Este novo eixo foi planejado por Lars Swesson para ligar a antiga capela até a Estação de Assis.
Em 3 de março de 1923, este logradouro foi reinaugurado como Avenida Rui Barbosa, em homenagem ao jurista, concentrando o comércio e os edifícios no seu entorno. Um código de posturas de 1918 já marcava o planejamento das vias centrais no padrão "tabuleiro de xadrez".
O crescimento rápido levou à autonomia político-administrativa: Assis tornou-se Distrito de Paz em 1915 e foi elevada à Comarca em 1918.
Com isso, recebeu instituições como: Delegacia de Polícia, Grupo Escolar, Fórum, Diocese de Assis, Santa Casa de Misericórdia, Seminário e Bispado
Em 1926, a Sorocabana instalou em Assis a segunda maior oficina de vagões do interior do estado, atrás apenas de Botucatu, com capacidade para 100 locomotivas e empregando 400 ferroviários para reparos.
Nos anos 1920, o mapa territorial também mudou, com a emancipação do município de Cândido Mota e a criação do distrito de Tarumã.
Expansão estatal (1930 - 1970) No início da década de 30, o município participou da Revolução Constitucionalista, tendo ocorrido diversos atentados ao município, principalmente em seu centro comercial e oficinas da Sorocabana, como uma explosão de dinamites, tendo ocorrido a morte de três ferroviários.
No período entre 1930 e 1970, a criação de bancos, correios, hospitais, escolas e a universidade passaram a sustentar a economia do município de forma paralela à agricultura e à nascente indústria. Na década de 1940, a cidade recebeu a instalação da Escola Normal de Assis; seu prédio original hoje abriga a EE Carlos Alberto de Oliveira, mas ela seria desmembrada para a criação do Instituto de Educação de Assis (atual EE Clybas Pinto Ferraz).
Em 1941, foi instalada a primeira estação de rádio AM, a Rádio Difusora, após uma mobilização de famílias e empresários locais.
Em 1944 é criado o distrito de Florinea.
O município também participou da Segunda Guerra MundialDANTAS, Antonio de Arruda. Memória do patrimônio de Assis: história, tendo um monumento em homenagem aos combatentes na Praça Arlindo Luz. Esta década também marcou o declínio da cultura do café na região, devido ao clima instável, levando à migração dessa cultura para o Norte do Paraná. miniaturadaimagem|A Escola Artesanal de 1951 tornou-se Escola Industrial e, por fim, a Etec Pedro D'Arcádia Neto.|305x305px|esquerda Os anos 1950 foram decisivos para consolidar Assis como o principal município do Vale do Paranapanema, superando Santa Cruz do Rio Pardo. O período foi marcado por inaugurações importantes:
A Escola Artesanal na Vila Xavier (1951), que se tornaria a Etec Pedro D'Arcádia Neto; A implantação da quarta divisão da Estrada de Ferro Sorocabana; A Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, embrião da Unesp local; A Cervejaria Malta (1956), conhecida por suas cervejas e pela linha de refrigerantes Cristalina; O Mercado Modelo Municipal (1957), que abrigou a primeira loja em formato de supermercado da rede Avenida na cidade. Em 1953, Florinea, então distrito de Assis é emancipada.
Em 1956, a cidade sediou o Congresso Ruralista Brasileiro, com a presença de Jânio Quadros, Juscelino Kubitschek e Moisés Lupion, evento documentado em um vídeo histórico restaurado pelo Clube de Cinema Exílio.
Apesar do progresso, problemas ambientais decorrentes da má ocupação do solo já eram evidentes nos anos 1950, notadamente duas grandes erosões: uma aos fundos da Catedral e outra na Vila Operária. A primeira foi contida com galerias, mas a segunda se expandiu.
Um plano de 1951, proposto por Amarílio Ribeiro, sugeria a criação de um parque no local. No entanto, foram necessárias décadas de obras de engenharia para conter a erosão, e o local só foi inaugurado no final dos anos 1990 como Parque "Buracão".miniaturadaimagem|Vista do Centro de Assis no alto da Avenida Rui Barbosa em 1960.|250x250px|esquerda A década de 1960 viu a criação do Ginásio Estadual de Assis (atual EE Ernani Rodrigues) na Vila Xavier (1960) e do Hospital Psiquiátrico (1961). Neste ano também surgiu o primeiro prédio de seis pavimentos, o Santa Rosa Pallace Hotel. O município possuía leis de incentivo à verticalização desde 1948, que isentavam de impostos edifícios com mais andares. Apesar disso, a verticalização demoraria para ganhar tração. Alguns projetos criados por lei estadual, como a Faculdade de Farmácia e Odontologia (1962) e um Conservatório Dramático e Musical (1963), nunca foram implantados por desavenças políticas.
Com o início do Regime Militar de 1964, o município perdeu importância política. Diversos cidadãos sofreram repressão, sendo Helenira Rezende e o político de oposição José Santili Sobrinho os casos mais conhecidos, além de estudantes da Faculdade de Filosofia e trabalhadores da Estrada de Ferro Sorocabana.
Mesmo assim, a cidade cresceu de 32 mil habitantes (anos 1950) para quase 60 mil (início dos anos 1970).
A Avenida Dom Antonio foi criada para integrar a área urbana ao câmpus da universidade e dar acesso às rodovias SP-270, SP-333 e SP-284.
A indústria de cana-de-açúcar também surgiu com a Usina Nova América em Tarumã, então distrito de Assis.
No final da década, Assis passou a receber sinal de televisão com repetidoras da TV Coroados (Londrina) e, mais tarde, da TV Tibagi (Apucarana).
Em julho de 1969, a linha férrea foi eletrificada, e em 1971, a Estrada de Ferro Sorocabana foi incorporada pela FEPASA. Tentativas de diversificação, urbanização e expansão do ensino (1970-1990) esquerda|miniaturadaimagem|Avenida Floriano Peixoto em 1960, com a nova agência do Banco do Brasil.|250x250px O período foi marcado por um esforço de diversificação econômica e pela expansão do perímetro urbano e do ensino superior.
Expansão do Ensino Superior
Na década de 1970, foram criadas a Escola Superior de Educação Física (1970) e a Faculdade de Educação (1971), que anos depois formariam o IEDA (Instituto Educacional de Assis), posteriormente parte da UNIESP, instituição que encerrou suas atividades em Assis no ano de 2024.miniaturadaimagem|Entrada da FEMA na Avenida Getúlio Vargas.|307x307pxEm 1985, foi criada a FEMA com o propósito de ser uma universidade de interesse regional, uma forma de tentar desenvolver a região e evitar a migração para outros centros com os cursos de matemática e o pioneiro curso de Processamento de Dados.
Industrialização e Diversificação Agrícola
O município já tinha como meta seu desenvolvimento industrial nos anos 1970, contudo, a erosão do "Buracão" da Vila Operária continuava a consumir grandes recursos para sua contenção.
Somente em meados dos anos 1980 houve a criação do Distrito Industrial, chamado de Centro de Desenvolvimento de Assis (CDA I e II).
Paralelamente, a economia foi impulsionada pela agroindústria, com a expansão da cultura da soja, trigo e cana-de-açúcar pela região. Em 1987, a cidade ganhou uma Estação Experimental para auxiliar nas potencialidades agropecuárias da região.
Urbanização e Verticalização miniaturadaimagem|A Otto Ribeiro, também conhecida como Perimetral e Avenida Marginal do Jacu, saiu do papel nos anos 1980.|311x311px|esquerdaO período viu uma grande expansão horizontal com a formação de diversos bairros, como a Vila Prudenciana, Vila Ribeiro, BNH, Progresso, Jardim Europa, Tênis Clube, Assis IV, Parque Universitário e Jardim Morumbi.
Ao mesmo tempo, o município iniciou seu processo de verticalização, com a construção dos primeiros edifícios acima de seis andares:
1975: Edifício da TELESP (8 pavimentos) da estatal de mesmo nome foi erguido pela Cetenco Engenharia S/A que também realizou empreendimento similar em Ourinhos. 1977: Edifício Roberto de Mello (9 pavimentos da Trianon Engenharia de São Paulo): foi o primeiro de uso comercial anunciado em 1976 sob o nome de Trianon I, sendo mais tarde renomeado. 1981: Edifício do Banco do Brasil (7 pavimentos)