Flaming Pie é o décimo primeiro álbum de estúdio solo do músico britânico Paul McCartney, lançado em 5 de maio de 1997 pela Parlophone no Reino Unido e pela Capitol Records nos Estados Unidos. Seu primeiro álbum de estúdio em mais de quatro anos, foi gravado em sua maior parte após o envolvimento de McCartney no bem-sucedido projeto The Beatles Anthology. O álbum foi gravado em diversos locais ao longo de dois anos, entre 1995 e 1997, e inclui duas canções datadas de 1992.
O álbum contou com a participação de vários familiares e amigos de McCartney, com destaque para seu filho James McCartney, que aparece na guitarra elétrica. No encarte de Flaming Pie, McCartney declarou: "[The Beatles Anthology] me recordou os padrões dos Beatles e os padrões que atingimos com as canções. De certa forma, foi um curso de atualização que estabeleceu a base para este álbum".
Flaming Pie alcançou a segunda posição tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos e recebeu certificação de ouro. O álbum, bem recebido pela crítica, também chegou ao top 20 em muitos outros países. Do seu lançamento até meados de 2007, vendeu mais de 1,5 milhão de cópias. O disco foi relançado em 31 de julho de 2020 como parte da Paul McCartney Archive Collection, com faixas bônus, tomadas alternativas e versões demo. Ocupou a posição 988 na terceira edição do livro All Time Top 1000 Albums (2000), de Colin Larkin.
Antecedentes Uma versão inicial de "Beautiful Night" foi gravada em 1986. Duas canções provinham de uma sessão de setembro de 1992 produzida por George Martin, quando McCartney finalizava seu álbum Off the Ground (1993): "Calico Skies", composta quando o furacão Bob atingiu a costa enquanto ele estava em Long Island em 1991; e "Great Day", uma canção que McCartney e sua esposa Linda costumavam cantar para seus filhos pequenos, com vocais de apoio de Linda.
Em meados dos anos 1990, McCartney envolveu-se no projeto The Beatles Anthology, um documentário sobre a história dos Beatles, trabalho que se estendeu por quatro anos. Em 1995, quando os álbuns do Anthology começavam a ser lançados ao longo de dois anos, a EMI não queria que McCartney lançasse um álbum solo nesse período. Ele disse que "ficou quase ofendido a princípio", mas depois percebeu que "seria tolice concorrer contra si mesmo na forma dos Beatles. Então entrei na ideia e pensei: 'Ótimo, nem preciso pensar em um álbum'". No intervalo, estava ocupado trabalhando em seu segundo álbum de música clássica, Standing Stone (1997).
O título Flaming Pie ("torta flamejante", em tradução livre) — dado também a uma das faixas — é uma referência a uma anedota que John Lennon contou em uma história humorística publicada na revista Mersey Beat em 1961 sobre a origem do nome dos Beatles: "Veio numa visão — um homem apareceu numa torta flamejante e disse a eles: 'A partir de hoje vocês são Beatles com A'".
Gravação e estrutura Duas faixas ("Calico Skies" e "Great Day") foram gravadas em 3 de setembro de 1992 com coprodução de George Martin. Na época, o álbum Flaming Pie ainda não havia sido concebido, e as faixas foram arquivadas para uso futuro não especificado.
A partir de fevereiro de 1995, McCartney uniu-se a Jeff Lynne, líder, compositor, arranjador e produtor da Electric Light Orchestra. Fã fervoroso dos Beatles, Lynne havia trabalhado anteriormente com George Harrison no álbum Cloud Nine, de 1987, e nos Traveling Wilburys, com Ringo Starr no álbum Time Takes Time, de 1992, e com os próprios Beatles em "Free as a Bird" e "Real Love" para o projeto Anthology. Com a intenção de produzir algo puro e simples — sem produções elaboradas —, McCartney gravou o álbum inteiro de forma esporádica ao longo de dois anos, trabalhando não apenas com Lynne, mas também com Steve Miller. O álbum também contou com o produtor dos Beatles George Martin e o baterista Ringo, além do próprio filho de McCartney, James McCartney, que toca guitarra solo em "Heaven on a Sunday". McCartney compôs a canção "Young Boy" enquanto sua esposa Linda preparava o almoço para uma reportagem do New York Times em 18 de agosto de 1994. McCartney e Miller começaram a gravar "Young Boy" em 22 de fevereiro de 1995 em Sun Valley, Idaho. Segundo o que o engenheiro assistente Frank Farrel relatou ao autor Luca Perasi, McCartney gravou suas partes de bateria separadamente, começando pela caixa, bumbo e tons, e sobrepondo os pratos posteriormente.Perasi, Luca: Paul McCartney: Music Is Ideas. The Stories Behind the Songs (Vol. 2) 1990–2012, L.I.L.Y. Publishing, 2024, p. 125, . Alguns meses depois, em maio, a dupla se reuniu novamente no estúdio caseiro de McCartney, Hog Hill Mill, gravando "If You Wanna" — descrita como uma "canção de estrada" — e a faixa de improviso "Used to Be Bad".
A dupla também gravou o lado B "Broomstick" e três faixas inéditas: "(Sweet Home) Country Girl", "Soul Boy" e uma canção sem título. Ainda em maio, McCartney gravou sozinho as faixas inéditas "Stella May Day", dedicada à sua filha Stella McCartney e destinada a ser tocada nos alto-falantes de seus desfiles de moda, e "Whole Life", com Dave Stewart. "Somedays", escrita enquanto McCartney acompanhava Linda até Kent para um ensaio fotográfico, conta com orquestração de George Martin. "The Song We Were Singing", sobre as memórias de McCartney e seu ex-parceiro de composição John Lennon na 20 Forthlin Road, foi gravada em 3/4 compassos. "Little Willow" foi composta para os filhos da primeira esposa de Starr, Maureen Starkey Tigrett, que havia morrido recentemente de câncer. "Souvenir" apresenta o som de um disco de 78 rpm ao final da faixa. A faixa-título, gravada em uma sessão de quatro horas, tem estilo semelhante ao de "Lady Madonna", dos Beatles.
Em maio de 1996, Starr e McCartney trabalhavam em uma faixa que McCartney havia iniciado uma década antes, "Beautiful Night", com vocais de Starr. Lynne apareceu no dia seguinte e o trio — com McCartney no baixo, Starr na bateria e Lynne na guitarra — improvisou juntos, resultando na faixa "Really Love You", o primeiro trabalho creditado a McCartney–Starkey. McCartney e Starr também gravaram o lado B "Looking for You" e uma canção sem título. "Heaven on a Sunday", escrita enquanto McCartney velejava de férias nos Estados Unidos, foi gravada em 16 de setembro de 1996 e conta com vocais de apoio de Linda e James. Martin adicionou orquestração a "Beautiful Night" em 14 de fevereiro de 1997, nos Abbey Road Studios. Uma canção inédita gravada com produção de Lynne, intitulada "Cello in the Ruins", Role a página até o cabeçalho Flaming Pie sessions e clique em Cello in the Ruins e depois em Unreleased Studio Recording. foi registrada para direitos autorais em 1994, embora o trabalho na canção tenha começado em maio de 1995. A faixa quase foi lançada como single para o álbum The Help Album da instituição War Child em 1995. Este foi o último álbum de estúdio de McCartney a contar com vocais e participação de Linda, que morreu de câncer de mama em 1998.
Recepção Crítica
Com seu lançamento em 1997 — em 5 de maio no Reino Unido pela Parlophone e em 20 de maio nos Estados Unidos pela Capitol —, Flaming Pie recebeu uma forte reação da crítica, com McCartney obtendo suas melhores avaliações desde Tug of War, de 1982. Stephen Thomas Erlewine, do AllMusic, afirmou que o álbum atingiu o objetivo de McCartney de criar "um álbum despojado, imediato e divertido, menos elaborado e produzido" do que seus álbuns anteriores mais recentes, resultando em um produto "direto e despretensioso". Elogiou as composições mais simples do álbum, concluindo que ele "está em seu melhor quando não se esforça tanto e deixa seus dons melódicos naturais aflorarem". Escrevendo para a Blender, Jody Rosen notou "uma aura nitidamente beatlesiana" ao longo do disco, que deixava McCartney soando revitalizado, elegendo a faixa de abertura "The Song We Were Singing" como um dos pontos altos. Na Encyclopedia of Popular Music, Colin Larkin observou que o álbum representava um retorno à forma para McCartney, elogiando a produção de Lynne e saudando-o como "definitivamente para os apreciadores do Álbum Branco dos Beatles". Segundo Elysa Gardner, do Los Angeles Times, McCartney soava "mais inspirado e, bem, menos caricato do que havia soado em anos" em Flaming Pie. Ela elogiou a produção despojada do álbum por evidenciar McCartney em seus pontos fortes, entre eles as canções de rock "The World Tonight" e "Young Boy" e as mais suaves "Little Willow" e "Heaven on a Sunday".
Chris Willman, da Entertainment Weekly, foi mais crítico em relação à primeira metade do álbum; segundo ele, "alguns dos momentos mais agradáveis são as faixas mais leves pensadas como descartáveis", a saber a faixa-título, "Young Boy", "Used to Be Bad" e "Really Love You". Foi mais elogioso em relação à segunda metade, exaltando a honestidade lírica de "Souvenir", "Beautiful Night" e "Great Day". Anthony DeCurtis, da Rolling Stone, teve uma reação mista ao álbum, considerando-o menos indulgente na nostalgia do que os trabalhos anteriores de McCartney à época e destacando a parcimônia musical de sua produção, presente na faixa-título e em "The World Tonight". No entanto, DeCurtis questionou "as inquietantes questões que o álbum levanta — o envelhecimento, o significado do passado, a instabilidade do futuro" — em contraste com canções de amor como "Young Boy" e "Somedays". A NME mostrou-se pouco entusiasmada com o álbum. Paul Moody observou que McCartney estava "aparentemente satisfeito em finalmente admitir que seu melhor trabalho ficou para trás", criticando "Young Boy" como single, mas encontrando qualidades nostálgicas e redentoras em "The Song We Were Singing" e "Calico Skies".
Comercial Com sua credibilidade renovada, inclusive entre os fãs mais jovens que o haviam descoberto por meio do projeto Anthology, o álbum estreou na segunda posição no Reino Unido em maio, representando a melhor entrada de McCartney nas paradas desde Flowers in the Dirt, oito anos antes. O primeiro lugar foi ocupado pelo álbum Spice, das Spice Girls. Flaming Pie também foi bem recebido nos Estados Unidos, onde se tornou o primeiro álbum de McCartney a entrar no top 10 desde Tug of War. Flaming Pie estreou na segunda posição, com 121 mil cópias vendidas em sua primeira semana, atrás de Spice, que vendeu 16 500 cópias a mais naquela semana. Tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos, Flaming Pie foi a estreia comercial mais bem-sucedida, recebendo certificação de ouro em ambos os países. Também foi certificado ouro na Noruega. Segundo o Nielsen SoundScan, o álbum havia vendido mais de 1,5 milhão de cópias em todo o mundo até junho de 2007.
Três singles foram lançados pelo álbum: "Young Boy", "The World Tonight" e "Beautiful Night", todos também lançados como picture disc, e todos alcançaram o top 40 no Reino Unido. O único single lançado nos Estados Unidos foi "The World Tonight", em 17 de abril de 1997, que entrou no top 30 da parada Mainstream Rock da Billboard. Para promover o álbum, McCartney realizou uma sessão de bate-papo virtual em 17 de maio de 1997; o evento entrou para o Guinness World Records como o maior número de perguntas feitas por pessoas em um site em 30 minutos, com três milhões de perguntas.
In the World Tonight, um filme sobre a produção do álbum, foi transmitido no Reino Unido pela ITV e nos Estados Unidos pela VH1, por ocasião do lançamento do disco. Também foi transmitido um programa de rádio de uma hora sobre o álbum em 5 de maio de 1997 na BBC Radio 2. O álbum recebeu uma indicação ao Grammy na categoria Álbum do Ano, embora Bob Dylan tenha levado o prêmio com seu álbum Time Out of Mind. "Young Boy" e "The World Tonight" apareceram no filme de comédia Fathers' Day, de 1997, dirigido por Ivan Reitman. Flaming Pie foi relançado em 31 de julho de 2020 como parte da Paul McCartney Archive Collection. As faixas bônus incluem demos caseiras, tomadas alternativas, mixagens preliminares e seleções da série radiofônica Oobu Joobu.
Lista de faixas