direita|miniaturadaimagem|Moda feminina e masculina de 1924.A moda na década de 1920 passou por uma modernização. A moda feminina continuou a evoluir, afastando-se das restrições dos papéis de gênero e dos estilos tradicionais da era vitoriana. As mulheres usavam roupas mais folgadas, que revelavam mais os braços e as pernas, uma tendência que havia começado pelo menos uma década antes com o aumento do comprimento das saias até o tornozelo e a transição do espartilho em forma de S para a silhueta colunar da década de 1910. Os homens também começaram a usar trajes diários menos formais, e as roupas esportivas, ou "roupas esportivas", tornaram-se parte da moda convencional pela primeira vez.

Contexto histórico da década de 20 A moda dos anos 20 surge como reflexo de acontecimentos históricos que marcaram o século XX, como a Primeira Guerra Mundial, que ocorreu entre 1914 e 1918. Esse conflito acarretou em grandes transformações sociais e culturais que se estenderam até depois desse período, como as regras e tradições da Europa ocidental por todo o mundo.SANTOS, Neusa Maria dos. Como era a moda da década de 1920. Revista JRG de Estudos Acadêmicos, 2025.

No cenário de reconstrução pós-guerra, os ideais de liberdade e inovação cresciam à medida que a industrialização e a modernização aumentavam nas cidades, as pessoas adquiriram um modo de vida mais urbano e acelerado. As mulheres tiveram seu papel na sociedade ocidental visto de forma diferente, com o aumento de sua presença em cargos que em momentos anteriores só seriam destinados a homens, conquistando mais independência financeira e social, se comparado à períodos anteriores, como o século XIX.

Para a disseminação dessas novas ideias da época, meios de comunicação como o rádio e o cinema foram essenciais para transmiti-las em larga escala. Quanto mais o mundo do entretenimento e da moda se aproximavam, mais a valorização das tendências do período se consolidaram. A moda se torna um espelho de tudo que essa nova sociedade pensa e age, desde os tecidos leves e práticos para as atividades do dia a dia agitado, até a fabricação de novos produtos para as novas necessidades dessas pessoas.

Moda feminina e masculina direita|miniaturadaimagem|197x197px|Moda de 1925

A moda feminina dos anos 20 foi marcada por uma segunda revolução na aparência, liderada por estilistas como Coco Chanel e Jean Patou, que repudiaram o luxo vistoso em favor de uma estética de sobriedade e conforto. O espartilho foi definitivamente suprimido, permitindo uma flexibilidade inédita ao corpo feminino, que passou a adotar vestidos justos, curtos e simples, frequentemente em formato tubular. Materiais anteriormente considerados "pobres", como o jérsei, foram introduzidos na alta moda, e o uso de chapéus cloche e cabelos curtos tornou-se o padrão da mulher moderna e emancipada.

A prática de esportes como o tênis e o golfe influenciou diretamente o vestuário, popularizando peças funcionais como o cardigã e saias plissadas que terminavam abaixo do joelho. Além disso, a silhueta reta e despojada da época estava em total consonância com as vanguardas artísticas, como o cubismo, que valorizava linhas geométricas e a negação da ornamentação excessiva.

Em contrapartida, a moda masculina viveu uma transição estética significativa, abandonando a imponência e a rigidez formal da Era Eduardiana em favor de silhuetas mais leves e joviais. O ideal de aparência deixou de ser a figura paterna austera para valorizar a imagem de um homem jovem e bem-apessoado, refletindo um desejo de maior descontração. Essa nova postura era espelhada na literatura da época, que passou a apresentar heróis mais impulsivos, suscetíveis e com um lado emocional mais evidente, em sintonia com a leveza do vestuário.

Um aspecto marcante dessa década foi a mudança nos cuidados pessoais, com o desaparecimento quase total dos pelos faciais, os quais, se presentes, deveriam exibir um corte impecável e preciso.Diferente da moda feminina marcada por revoluções rápidas, a masculina era considerada lenta, moderada e "igualitária", mantendo uma estrutura estável sob a influência de Londres e consolidando a chamada "grande renúncia masculina".

Nesse processo, os homens abdicaram das cores vibrantes e do luxo ostentatório em favor de um traje sóbrio, escuro e austero, como o terno e a gravata, que simbolizavam valores burgueses de economia, esforço e igualdade. Assim, enquanto o universo feminino explorava a sedução e o artifício, o masculino definia sua identidade moderna através da sobriedade e da discrição, em um processo que excluía o princípio do jogo estético.

Influência no cinema e nas celebridades A década de 1920 marcou uma transformação profunda na relação entre moda e cultura de massa, impulsionada pelo desenvolvimento do cinema hollywoodiano. A profissionalização do departamento de figurino nos grandes estúdios — processo atribuído ao produtor Adolph Zukor e ao diretor D.W. Griffith entre as décadas de 1910 e 1920 — estabeleceu as condições para que as estrelas cinematográficas passassem a funcionar como vetores de tendências estéticas, deslocando a hegemonia das ''maisons'' parisienses na definição da moda ocidental. Mendes, Valerie D. A moda do século XX : 280 ilustragdes, 66 em cores / Valerie Mendes, Amy de la Haye ; tradução Lufs Carlos Borges ; revisio técnica José Luiz Andrade. — Sao Paulo : Martins Fontes, 2003. — (Colegio a)

Na década de 1920, a sociedade frequentadora dos cinematógrafos copiava as roupas e as atitudes das atrizes: os vestidos curtos com braços e costas à mostra, os cabelos curtos acompanhados de chapéus clochê, a boca com carmim e os olhos marcados com sobrancelha delineada tornaram-se marcas estéticas do período, diretamente associadas às estrelas do cinema mudo.GUIMARÃES, Paula de Mello. A criação e evolução do departamento de figurino em Hollywood: dos primórdios à década de 20. RUA – Revista Universitária do Audiovisual, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), 28 ago. 2024. Disponível em: https://www.rua.ufscar.br/artigo-a-criacao-e-evolucao-do-departamento-de-figurino-em-hollywood-dos-primordios-a-decada-de-20/. Acesso em: 27 mar. 2026 Mais tarde, as duas adaptações cinematográficas de ''O Grande Gatsby'' (1974 e 2013), ambas vencedoras do Oscar de Melhor Figurino, tornaram-se referências consolidadas da estética da Era do Jazz. Na versão de Baz Luhrmann (2013), Catherine Martin e Miuccia Prada reinterpretaram elementos como vestidos tubulares, franjas e ornamentos Art Déco, demonstrando a permanência desse repertório visual na cultura contemporânea.GULARTE, Ana Paula. A fotografia das estrelas de cinema como documento histórico da moda. ModaPalavra e-periódico, Florianópolis, n. 10, p. 22–23, jul./dez. 2012. Louise Brooks foi um dos maiores ícones de moda dos anos 1920. Seu corte de cabelo em bob preto com franja tornou-se sua marca registrada e um dos penteados mais imitados da época. Essa e outras tendências eram difundidas por meio de revistas especializadas e da frequência ao cinema, onde o público reproduzia o vestuário e a maquiagem das estrelas,SILVEIRA PONTES, Taynah. Da Literatura para o Cinema: uma análise de figurino em “O Grande Gatsby”. Revista Livre de Cinema, v. 7, n. 1. 2020 estabelecendo um modelo de influência cultural entre celebridade e consumo de moda que permanece vigente.

Maquiagem, cabelo e padrões de beleza A década de 1920 foi marcada por mudanças significativas nos padrões de beleza e moda feminina, influenciadas pelas transformações sociais ocorridas após a Primeira Guerra Mundial. O período ficou associado à modernização dos costumes, à maior participação das mulheres na vida pública e ao surgimento do movimento das flappers, conhecidas no Brasil como “melindrosas”.

Maquiagem Durante os anos 1920, a maquiagem tornou-se mais popular e acessível devido ao crescimento da indústria cosmética. O uso cotidiano de produtos de beleza passou a ser associado à modernidade e à emancipação feminina.

Entre as principais características da maquiagem da época estavam a pele clara, sobrancelhas finas e arqueadas, olhos destacados com sombras escuras e delineadores, além do uso de rímel para escurecer os cílios. Os lábios eram geralmente pintados em tons de vermelho intenso, como vermelho-cereja e vinho, frequentemente com destaque para o arco do cupido.

Cabelo O corte de cabelo mais associado à década de 1920 foi o “bob”, caracterizado pelo comprimento curto, geralmente na altura do queixo. O estilo passou a ser relacionado à independência feminina e à rejeição dos padrões tradicionais de feminilidade vigentes nas décadas anteriores.

Outro penteado comum era o uso das “finger waves”, ondas moldadas próximas ao couro cabeludo que conferiam um aspecto sofisticado ao visual. Acessórios como tiaras, presilhas e fitas decorativas também eram frequentemente utilizados.

O estilo conhecido como “à la garçonne”, inspirado no romance La Garçonne de Victor Margueritte, contribuiu para a popularização de uma aparência andrógina entre as mulheres da época.

Padrões de beleza Os padrões de beleza dos anos 1920 passaram a valorizar uma silhueta mais reta e menos curvilínea do que a predominante no século XIX.Vestidos de cintura baixa, tecidos leves e modelagens soltas tornaram-se comuns, favorecendo maior liberdade de movimento.

A prática de esportes e atividades ao ar livre também influenciou os ideais de beleza da década, contribuindo para a valorização de um corpo mais esguio e associado a hábitos considerados modernos.

As chamadas flappers ou melindrosas tornaram-se símbolos do comportamento feminino da época. Elas eram frequentemente associadas ao uso de cabelos curtos, maquiagem marcante, vestidos mais curtos e hábitos considerados modernos para o período, como dirigir automóveis, fumar em público e frequentar espaços urbanos sem acompanhamento masculino.

Industrialização e produção em massa da moda A década de 1920 marcou uma transformação decisiva na história da moda. Esse período marcou o início da era de ouro da moda moderna, tendo a alta-costura parisiense como principal centro de criação, atração e imitação. Paris consolidou-se como um polo mundial de inovação, influenciando a produção industrial quanto a artesanal.

Durante a Primeira Guerra Mundial, muitas fábricas e oficinas que foram adaptadas para a produção de uniformes militares passaram a aplicar métodos industriais na fabricação de roupas civis. ]LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. Tradução de Maria Lucia Machado. São Paulo: Companhia das Letras, 2009. Assim, livres das constantes mudanças sazonais da moda, diversas empresas ampliaram sua capacidade produtiva e intensificaram a divisão do trabalho para alcançar uma produção mais rápida e em larga escala. As empresas passaram a adotar uma divisão de trabalho mais organizada, visando aumentar a velocidade e a quantidade da produção. Além disso, as máquinas foram aperfeiçoadas, juntamente com o avanço da indústria química, que possibilitou a criação de tecidos e cores variadas. Embora muitas oficinas ainda fossem pequenas, algumas indústrias começaram a incorporar avanços tecnológicos e métodos produtivos mais eficientes, consolidando um modelo baseado na fabricação em série.

Mesmo com o avanço da produção em massa, Paris continuou sendo o principal centro da moda internacional. As casas de alta-costura mantinham grande prestígio e influenciavam diretamente as tendências consumidas em diversos países. Em 1921, ocorreu o lançamento bem-sucedido da edição francesa da revista Vogue, que alcançou grande circulação tanto dentro quanto fora do país. Muitos estilistas ampliaram suas maisons, chegando a empregar até 1.500 artesãos altamente especializados em alfaiataria, costura, bordado e produção de acessórios. Esse processo fortaleceu o papel econômico da moda na França, principalmente pela exportação das roupas de luxo.