Paulínia é um município brasileiro no interior do estado de São Paulo. Localizado no noroeste da Macrometrópole de São Paulo, dista cerca de 119 km da capital do estado, ocupa uma área de 139 km² e sua população segundo o censo de 2022 do IBGE era habitantes. Foi emancipado em 28 de fevereiro de 1964, mas sua fundação remonta ao começo do século XX. O nome é uma homenagem a José Paulino Nogueira, um fazendeiro conhecido na região de Campinas, município do qual Paulínia emancipou-se e que emprestou seu nome à estação ferroviária ao redor da qual se desenvolveu o município. Está localizado no eixo Rio-São Paulo, servindo de elo entre a Grande São Paulo e cidades da região, como Cosmópolis, Artur Nogueira e Conchal.

É conhecido por sediar um dos maiores polos petroquímicos da América Latina, centrado na Refinaria de Paulínia (Replan). Graças à Replan e o polo petroquímico, que estão sediados na região norte da cidade, Paulínia tem a sétima maior renda per capita do Brasil. Também em função do polo, apresenta altos níveis de poluição por ozônio, principalmente no distrito de Betel e na região da Replan, onde se encontram empresas como: Rhodia, Purina, Shell, Syngenta, e Petrobras. A cidade se destaca pelo intenso crescimento populacional, sendo o maior da Região Metropolitana de Campinas. O setor de serviços historicamente não tem grande importância para o município, mas recentemente vem se desenvolvendo por causa de projetos como o Paulínia Magia do Cinema.

Paulínia desde o ano de 2019 conta com uma nova fonte de renda e emprego para a cidade e a Região Metropolitana de Campinas. O ramo de tecnologia vem crescendo em Paulínia com a chegada da empresa ASCENTY, empresa multinacional especializada no ramo de "Data Centers", com centro de processamento de dados e filiais no Brasil, Chile, México e Colômbia, com isso abrindo a porta para a chegada de outras duas empresas na cidade, CloudHQ e Amazon.

O município é formado pela cidade de Paulínia e pelo distrito de Betel, na região leste. Paulínia faz parte do chamado Complexo Metropolitano Estendido, que ultrapassa os 29 milhões de habitantes, aproximadamente 75% da população do estado de São Paulo inteiro. As regiões metropolitanas de Campinas e de São Paulo já formam a primeira megalópole do hemisfério sul, unindo 65 municípios que juntos abrigam 12% da população brasileira.

Etimologia thumb|upright|esquerda|José Paulino Nogueira, personalidade da qual derivou o nome Paulínia.

O termo Paulínia é uma homenagem a José Paulino Nogueira, fazendeiro campineiro, um dos donos da Fazenda do Funil, localizada entre as atuais cidades de Paulínia e Cosmópolis. A vila que deu origem ao município de Paulínia chamava-se Vila José Paulino até 1944, quando um decreto estadual proibiu localidades de terem nomes de pessoas vivas. Devido a esse fato, a vila foi elevada a distrito com o nome "Paulínia".

José Paulino nasceu no dia 13 de fevereiro de 1853 em Campinas. No fim do Império, sendo membro do Partido Republicano, elegeu-se vereador na sua cidade natal, ao lado de Júlio de Mesquita e Salvador Penteado. Em março de 1889 ocorreu um surto de febre amarela em Campinas. José Paulino foi uma das poucas autoridades que não abandonaram a cidade. Combateu a doença e passou a ser querido pelos campineiros. No fim do século XIX, Paulino e seus irmãos passaram a desbravar a Fazenda do Funil, entre Paulínia e Cosmópolis. Com a construção da Estrada de Ferro Funilense, foi erguida também uma estação ferroviária no bairro de São Bento, que passou a ser denominada José Paulino. O pequeno bairro de São Bento cresceu ao redor da estação e passou a ser conhecido também como José Paulino. Devido ao decreto que proibiu nomes de pessoas vivas em localidades, no ato de sua elevação a distrito José Paulino passou a ser denominado Paulínia.

História

A história de Paulínia se inicia muito antes de sua emancipação, ocorrida em 1964; ela remonta ao começo do século XVI, com o início da ocupação da região de Campinas.

Origens

Durante o século XVIII, a região de Campinas começou a ser ocupada devido à passagem das rotas bandeirantes que dirigiam-se às minas de ouro no interior do Brasil. O povoamento se iniciou mais precisamente no período entre 1739 e 1744, quando o capitão Francisco Barreto Leme do Prado chegou na então Freguesia Nossa Senhora de Conceição de Campinas.

A história de Paulínia como aglomerado urbano tem início com a doação de sesmarias pelo governo português. Na região dos rios Atibaia e Jaguari há relatos da doação de duas grandes sesmarias que se localizavam onde atualmente se encontra a cidade, uma em 1796 e outra, chamada sesmaria Morro Azul, em 1807. Dessa última se originou as fazendas São Bento, adquirida pelo Comendador Francisco de Paula Camargo, e a do Funil. Ambas têm uma grande ligação com o surgimento da cidade de Paulínia. Oficialmente Paulínia foi fundada em 16 de julho de 1906, por José Seixas de Queiroz; entretanto, comemora-se o aniversário da cidade na data em que o município foi criado, em 28 de fevereiro.

A população paulinense foi formada principalmente por imigrantes italianos, que substituíram os escravos que trabalhavam nas fazendas após a abolição da escravatura, em 1888. Entretanto, com o crescimento econômico, a cidade tornou-se destino de muitos imigrantes de cidades vizinhas e de outras partes do Brasil, especialmente nordestinos, que procuram trabalho ou melhores condições de vida.

De vila a distrito thumb|esquerda|Trabalhadores das fazendas circunvizinhas abriram o caminho para a estrada de ferro.

O primeiro núcleo urbano na região de Paulínia foi um vilarejo denominado bairro São Bento. Em 1903 foi inaugurada na Fazenda São Bento uma capela em honra ao mesmo santo, que começara a ser construída em 1897, no mesmo ano no qual foram aprovados as plantas e o orçamento da estação José Paulino. Ao redor dessa capela começou a se desenvolver o bairro São Bento. Nessa época São Bento era um bairro periférico de Campinas.

Com o fortalecimento da cultura agrícola, os fazendeiros da região começaram a sentir dificuldades em escoar a produção devido à presença dos rios Atibaia e Jaguari, que dificultavam a sua travessia com os produtos. Nesse contexto os produtores passaram a reivindicar junto à capitania de São Paulo a construção de uma estrada de ferro que viabilizasse o transporte da produção para outros núcleos. Em 1880 foram aprovados créditos para a construção da Companhia Carril Agrícola Funilense, ligando a cidade de Campinas à região da Fazenda do Funil.

A inauguração do trecho carroçável da Estrada de Ferro Funilense, em 18 de setembro de 1899, mudou a ordem econômica do bairro São Bento. A Estação José Paulino atraiu vários comerciantes para o bairro e deu origem à Vila José Paulino, resultada do desenvolvimento do bairro São Bento. Ao redor da estação surgiu a rua do Comércio, rebatizada posteriormente como avenida José Paulino, e uma réplica da capela da fazenda São Bento, a Igreja São Bento, existente até os dias de hoje. Em 30 de novembro de 1944, através do Decreto-lei 14334, José Paulino foi elevado a distrito com o nome Paulínia.

De distrito a município Paulínia permaneceu durante vinte anos como distrito de Campinas. Durante esse período o desenvolvimento agrícola e industrial atingia toda a região, principalmente com a instalação da Rhodia na Fazenda São Francisco em 1942. Esse fato representou o aumento da arrecadação de impostos para Campinas. Em meados da década de 1950, um funcionário aposentado da Assembleia Legislativa de São Paulo, José Lozano Araújo, fundou a associação Amigos de Paulínia e iniciou um movimento pela emancipação de Paulínia. O movimento culminou com a realização de um plebiscito em 6 de novembro de 1963, que determinou a emancipação. Em 28 de fevereiro de 1964 foi publicada a Lei 8092, criando o município de Paulínia.

As primeiras eleições ocorreram em 7 de março de 1965, tendo sido eleito José Lozano Araújo. José Lozano fez grandes obras na cidade e foi o principal responsável pela instalação da Replan na cidade, pois doou o terreno e a isentou de impostos por vinte anos. A refinaria transformou Paulínia em um centro de atração populacional, passando de 6,9 mil habitantes em 1972 para 28.620 habitantes em 1973, triplicando o número de habitantes.

Crescimento econômico thumb|direita|O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva com operários na inauguração da Unidade de Propeno da REPLAN, em 2009.

A primeira unidade industrial a se instalar onde hoje é Paulínia foi a Rhodia, em 1942. Durante anos ela foi a principal indústria de Paulínia, sendo no início voltada para a produção agroindustrial e posteriormente transformada em indústria química. Em 1968, o general Arthur Duarte Candal Fonseca, presidente da Petrobras, anunciou a construção de uma refinaria de petróleo em Paulínia. As obras se iniciaram em 28 de fevereiro de 1969, no aniversário de cinco anos de emancipação, e a refinaria foi inaugurada em 12 de maio de 1972. Estavam presentes na cerimônia o presidente do Brasil, general Emílio Garrastazu Médici, o presidente da Petrobras, Ernesto Geisel e o chefe do gabinete militar da presidência, general João Batista de Oliveira Figueiredo.

A Replan atraiu milhares de imigrantes para Paulínia, além de outras empresas, que transformaram o município no maior complexo petroquímico da América Latina. As indústrias em Paulínia se concentram em dois pontos distintos: a região da REPLAN e o distrito de Betel, que conseqüentemente são as regiões mais ricas e poluídas de Paulínia.

Em 2005, a Braskem e a Petrobras Química S.A. – Petroquisa – constituíram a Petroquímica Paulínia S.A., joint venture que responsável pela operação de uma unidade industrial de polipropileno na região da Replan. Com capacidade inicial para produzir 300 mil toneladas por ano de polipropileno, e potencial para atingir 350 mil toneladas por ano, sua entrada em operação se deu em 2008.

No final de 2010, a empresa LG anunciou que construiria uma unidade industrial no município de Paulínia, em terreno doado pela prefeitura, que produziria eletrodomésticos da linha branca, como geladeiras, fogões, aparelhos de microondas, entre outros. A previsão para o início da construção era a partir de março de 2011, com conclusão em outubro do mesmo ano. A fábrica empregaria 4 mil funcionários, ultrapassando a Petrobras e tornando a maior empregadora de Paulínia. Entretanto, ao chegar o mês de outubro, as obras não haviam começado, provocando questionamentos dos vereadores à prefeitura. O projeto inicial previa um prédio com três pavimentos, mais adequado para a irregularidade do terreno. Entretanto, a matriz da LG solicitou mudança para um único pavimento, o que faria a empresa gastar R$ 30 milhões em terraplenagem. Então a LG solicitou à prefeitura a troca do terreno doado, fato que foi recusado pela inexistência de outro terreno com as mesmas medidas. Diante da recusa, a empresa solicitou à prefeitura o custeio da terraplenagem, que também foi recusado, pois o prefeito José Pavan Júnior considerou que a administração já havia gasto muito no projeto (o terreno doado foi avaliado em pelo menos R$ 100 milhões). A partir de então os contatos entre a empresa e a prefeitura diminuíram. A área doada voltará para a prefeitura caso as obras não se iniciem até o final de 2015.

História recente thumb|esquerda|Região central de Betel, anexada em 1993.