Registro é um município brasileiro da Região Geográfica Imediata de Registro, na Região Geográfica Intermediária de Sorocaba, no Estado de São Paulo. Localiza-se a 24º29'15" de latitude sul, 47º50'37" de longitude oeste, a sudoeste da capital, distando desta cerca de 191 km, na porção paulista do vale do Ribeira. Situa-se entre 0 e 25 metros acima do nível do mar e seu clima é classificado como subtropical úmido. O município é formado somente pelo distrito sede, que inclui o Bairro Serrote.
Registro possui cerca de 80 bairros distribuídos em 722,411 quilômetros quadrados de área. A diversidade cultural e econômica e a concentração populacional fazem com que Registro seja conhecida como "Capital do vale do Ribeira", ou também como "Capital do Chá", em alusão a um dos principais produtos exportados pelo município, principalmente até meados da década de 1990.
Conforme Decreto nº 50.652 (de 30 de março de 2006), o município é oficialmente Marco da Colonização Japonesa no Estado de São Paulo porque teria sido a primeira localidade a receber imigrantes japoneses interessados em investir em produção própria no Estado de São Paulo. O Conjunto Iguape (colônias de Registro, Sete Barras e Katsura ou Jiporuva) foi cronologicamente a primeira grande colônia formada por japoneses no Brasil, e também a primeira entre as colônias fundadas por capital privado nipônico.
História Até o momento, os mais antigos testemunhos da presença humana no Vale do Ribeira são provenientes do abrigo Maximiano, um sambaqui fluvial em abrigo de caverna datado de 9.810 +- 150 anos AP (datação calibrada), localizado no município de Iporanga. Além disso, diversos estudos arqueológicos demonstram que o rio Ribeira de Iguape era uma das poucas vias de comunicação entre o litoral e o planalto, já que as escarpas da Serra do Mar dificultavam consideravelmente o estabelecimento de caminhos. Embora a datação obtida no abrigo Maximiano ainda seja alv8o de discussões entre os pesquisadores, sendo necessárias mais pesquisas para que se possa entender a ocupação do vale por diversas populações, é consenso que esta região vem sendo habitada a mais tempo do que se supunha. Por conseguinte, no chamado Médio Ribeira (sub-área geográfica em que o município de Registro se localiza) também foram encontrados instrumentos líticos – machados, raspadores e pontas de projétil – relacionados à tradição tecnológica Umbu, datados de 1.300 anos atrás.
De acordo com as fontes históricas e arqueológicas disponíveis até o momento, a região do Vale do Ribeira era habitada por grupos carijós e guaianás na época em que os primeiros europeus chegaram ao atual litoral brasileiro. Os primeiros, falantes de um idioma pertencente ao tronco Tupi, habitavam extensas áreas do litoral meridional brasileiro, havendo relatos de seus assentamentos próximos à Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul. Já os Guaianás (também chamados de Guaianazes ou Guaianãs) falavam um idioma pertencente ao tronco linguístico Macro-Jê sendo atualmente considerados ancestrais dos Kaingangs. Segundo consta, seus assentamentos eram mais frequentes no planalto paulista, próximos às calhas de rios como o Paranapanema e Tietê. Relatos etnográficos apresentam esses grupos indígenas como agricultores, consumidores de mandioca e de milho, cultivando também diversas espécies não alimentícias, como cabaças, tabaco, algodão e urucu. Suplementavam a dieta com coleta de frutos, raízes e nozes silvestres, além da caça. O Padre Jácome Monteiro, ao visitar a Capitania de São Paulo no início do século XVII, escreveu o seguinte relato sobre Carijós e Tapuias (outro nome por vezes dado aos indígenas falantes de idiomais Macro-Jê):“É esta nação dos Carijós a última, de todas as do Brasil, que habita para o Sul, e aquela onde fenece a conquista da Coroa de Portugal, das mil e cento e sessenta léguas, que domina por costa, começando do Grão Rio Pará, até o Rio da Prata, chamado Paraguai. Estende-se o distrito deste gentio, por espaço de cento e sessenta léguas por costa, que corre de Nordeste a Sudoeste, que tantas se contam desta Ilha de Santa Catarina até o Rio da Prata e vai entestar com os Charruas; e de Oriente a Poente, ficam metidos os Carijós entre dois paralelos, que os cingem pelo Oriente o mar oceano, e pelo Poente uma nação mui fera de Tapuias, que chamam Guaianás. Assim viveram sempre os Carijós fechados, sem nunca apoderem ganhar mais terra que a em que nasceram, porque o mar antes a come que não dá, e os Guaianás defendem a sua como cavaleiros, que na verdade são mui esforçados. Contudo não é esta manta de terra tão estreita que se não alargue a lugares por espaço de cento e cinquenta léguas”A chegada dos europeus no Vale do Ribeira, assim como em outras partes do litoral e planalto paulista, implicou tanto no apresamento quanto na conversão de milhares de indígenas, bem como na paulatina migração destes para outras áreas mais afastadas da agora chamada América Portuguesa. Por outro lado, a presença indígena no Vale ainda pode ser observada na reserva indígena Takuarí (município de Eldorado) e nas terras tradicionalmente ocupadas de Pindoty/Araçá-Mirim (municípios de Pariquera-Açu, Cananeia e Iguape), Tapyi/Rio Branquinho (município de Cananeia), Guaviraty (município de Iguape) e Kaaguy Hovy (município de Iguape). A influência indígena se manteve presente também de outras formas, como na técnica da coivara e nos métodos de pesca, bem como nos termos linguísticos e toponímias utilizadas e adaptadas nas comunidades ribeirinhas e negras.
Ciclo do ouro Assim como em outras localidades do Vale do Ribeira, a origem do povoado de Registro está diretamente relacionada à procura de ouro por meio de vias fluviais no rio Ribeira de Iguape. De acordo com Ernesto Young, autor de livros sobre a fundação do município de Iguape, já nas primeiras décadas do século XVI os primeiros colonizadores portugueses teriam conhecimento do potencial minerário regional. Com efeito, em meados do século XVII as primeiras jazidas de ouro na América Portuguesa foram descobertas na região do Médio Ribeira, contexto que favoreceu a criação de aproximadamente doze núcleos populacionais na região.
O ouro de aluvião era garimpado em Xiririca (atual Eldorado) nos rios Pedro Cubas, Taquari, Sapatu, Nhunguara e Pilões, bem como nos rios Etá, Quilombo e Ipiranga (em trechos atualmente localizados no município de Sete Barras), sendo posteriormente transportado em canoas. O interesse da metrópole portuguesa nesses primeiros momentos da exploração aurífera em sua colônia também provocou a transferência da Casa de Fundição de Ouro de Paranaguá para Iguape em 1653, a fim de fiscalizar a extração e o envio de 20% da carga aurífera para a Coroa de Portugal.
A necessidade de fiscalização do ouro garimpado, por parte da Coroa Portuguesa, resultou no estabelecimento de uma casa do Fisco à margem direita do rio Ribeira de Iguape, nas terras da vila de Nossa Senhora das Neves de Iguape. Segundo algumas fontes, a edificação estaria localizada onde hoje se cruzam as ruas Dom Pedro II e Miguel Aby-Azar, localidade popularmente denominada como "Morro da Espia". Com isso, a presença de agentes da Coroa portuguesa encarregados de revistar e registrar as mercadorias, bem como cobrar o Quinto e enviá-lo para fundição e cunhagem, resultou no surgimento de um povoado no entorno desse porto fluvial de registro do ouro, dando origem à sede atual do município de Registro. Essa narrativa é citada em uma publicação de Ernesto Young, datada de 1902:"Houve uma epoca em que o extravio conhecido era tão grande que o Governo, para evital-o, mandou edificar uma casa na margem do rio Ribeira, em logar onde os mineiros, descendo em canoas eram obrigados a passar, sendo ahi estabelecido um guarda fiscal para revistar os mineiros e registrar a quantidade de ouro que traziam para a villa.
O logar onde foi estabelecido essas guarda é conhecido até hoje pelo nome de 'Registro'." O povoamento nos arredores da casa de Fisco deve ter sido significativo o suficiente para ser elevada à condição de freguesia na década de 1760. De acordo com uma carta data de 7 de agosto de 1768, assinada pelo coronel Afonso Botelho de Sampaio e Sousa e enderaçada ao governador da Capitania de São Paulo, Luís Antônio de Sousa Botelho Mourão, a chamada freguesia do Registro já contava com um padre para ministrar as missas. O primeiro pároco chamava-se João da Silva, e sua chegada foi acompanhada de reivindicações dos moradores junto à Coroa Portuguesa em prol da construção de uma igreja. Um outro documento, datado de 12 de outubro de 1773, informa que a freguesia era chamada Santo Antônio do Registro.
Em fins do século XVII, entretanto, a mineração na região já demonstrava seus primeiros sinais de esgotamento. Com a descoberta das minas de ouro em Minas Gerais e Goiás, muitos dos garimpeiros do Vale do Ribeira emigraram, deixando a atividade mineradora em relativo abandono. Embora a mineração aurífera no Vale do Ribeira tenham se mantido como uma atividade econômica significativa durante todo o século XVIII, mantendo um núcleo colonizador relativamente bem sucedido, o ciclo do ouro regional já chegava ao seu fim. No século XIX, apenas algumas localidades ainda eram exploradas em busca de jazidas, dentre elas a área entre Pedro Cubas e o atual distrito do Batatal (localizado no município de Eldorado), nas margens do rio Ribeira. A fiscalização do ouro extraído seguia ocorrendo de forma rigorosa na freguesia de Registro, entretanto, a ponto de moradores de Xiririca se queixarem junto à Câmara da Vila de Iguape em 1807. Ainda assim, em termos gerais, a mineração aurífera foi inevitavelmente tornando-se secundária para o contexto econômico das freguesias do Médio Ribeira.
A perda de importância econômica da atividade mineradora criou um ambiente mais estável para a agricultura local, proporcionando o surgimento de pequenos produtores rurais livres. Até então, a produção agrícola durante o auge do ciclo do ouro era incipiente, limitando-se à subsistência da população local, sendo por vezes incapaz de prover suficientemente os povoados. A partir do início do século XIX, mais especificamente com a chegada da família real portuguesa, a rizicultura se tornou predominante nos povoados do Vale do Ribeira, alcançando seu apogeu entre 1840 e 1860. Ainda assim, as fazendas de arroz aparentemente demandavam menos mão-de-obra escrava do que as atividades de mineração, fazendo com que a proporção entre a população livre e escravizada começasse a se inverter em todo os povoados, com maior presença dos primeiros, como demonstram os censos demográficos desse período. Por outro lado, a precariedade dos caminhos terrestres da região, os quais ligavam os povoados do Vale do Ribeira à Capital e ao porto de Santos, prejudicavam consideravelmente o estabelecimento de uma atividade econômica estável voltada para a exportação de arroz. Richard Francis Burton, cônsul britânico que teria percorrido o Vale do Ribeira em 1866, teceu críticas fortes ao estado dessas rotas, declarando para a Revista Comercial de Santos que os caminhos da região seriam piores do que os encontrados na África Central.